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sábado, 3 de março de 2012

Acesso ruim ao SUS dá nota baixa ao Rio

Município tirou 7,88 na qualidade dos serviços de saúde, mas resultado final caiu com índice de acesso, com peso maior

André de Souza no Globão

andre.renato@bsb.oglobo.com.br

BRASÍLIA. A nota baixa (4,33) da cidade do Rio de Janeiro no Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde (IDSUS) deveu-se mais à precariedade no acesso aos serviços do que à qualidade do atendimento. A metodologia adotada peloMinistério da Saúde levou em conta 24 indicadores, dos quais 14 avaliaram o acesso, e dez mediram a efetividade do serviço. O acesso responde por 71,25% do total da nota, enquanto a efetividade tem peso de 28,75%. O Índice de Qualidade do SUS no município do Rio foi de 7,88, mas o Índice de Acesso ao SUS teve nota 3,04.

O Rio teve altos e baixos, com algumas áreas alcançando nota 10, e outras bem perto de zero. O município conseguiu nota máxima em quatro quesitos: proporção de pessoas acidentadas que conseguem chegar vivas ao hospital; baixo número de extrações dentárias; baixa proporção de internações que podem ser evitadas; e um número pequeno de menores de 15 anos que morrem em UTIs.

A cidade também foi bem, com nota acima de 7, em outros quatro indicadores: proporção de cura dos casos novos de hanseníase; número de mães que fizeram pelo menos sete consultas de pré-natal; proporção de crianças com menos de 1 ano que receberam a terceira dose da vacina tetravalente; e proporção de cura de casos novos de tuberculose pulmonar bacilífera. O Rio ainda teve nota razoável (entre 5 e 7) em mais dois indicadores: proporção de parto normal e número de mortes ocorridas nas internações por infarto agudo do miocárdio.



Desempenho foi ruim em 14 de 24 indicadores

Mas na maioria dos indicadores - 14 dos 24 analisados - o desempenho foi muito baixo, inferior a 3. A nota foi apenas 1 em quatro quesitos que medem a capacidade do município de realizar procedimentos e internações de média e alta complexidade para pessoas que residem em outras cidades. Em outros dois indicadores, nem isso foi alcançado. A nota foi 0,98 no quesito que mede o número de exames de mamografia realizados em mulheres de 50 a 69 anos; e 0,42 no indicador que estima a proporção de pessoas que tiveram acesso à escovação dental com orientação ou supervisão de um profissional de saúde.

Outros oito quesitos, com notas que vão de 1,88 a 2,94, completam o quadro de indicadores com nota baixa no Rio: razão de internações clínico-cirúrgicas de média complexidade; razão de procedimentos ambulatoriais de alta complexidade; razão de exames Papanicolau em mulheres de 25 a 59 anos; razão de internações clínico-cirúrgicas de alta complexidade; cobertura populacional pelas equipes básicas de saúde; cobertura populacional pelas equipes básicas de saúde bucal; taxa de incidência de sífilis congênita; e razão de procedimentos ambulatoriais de média complexidade.

Anteontem, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, minimizou a nota baixa do Rio em boa parte da entrevista de divulgação do índice. A nota reflete o período avaliado - 2008, 2009 e 2010 - e, segundo o ministro, o Rio alcançou grandes avanços em 2011 e 2012. Mesmo assim, ele não escapou das duras críticas feitas pelo prefeito Eduardo Paes, que, após a divulgação dos números, rebateu a nota atribuída ao Rio.

Já ontem, a assessoria do ministério defendeu a metodologia do índice. E informou que, caso a prefeitura do Rio solicite, poderá repassar o cálculo preliminar dos indicadores de 2011.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, ao longo de 2008, foram repassados para a saúde pública do município do Rio R$ 855 milhões por meio de convênios. O valor caiu para R$ 544 milhões em 2009, e chegou a R$ 764 milhões. Em 2011, a cifra alcançou os R$ 488 milhões.

Em todo o país, 90% dos municípios tiveram uma nota de acesso pior do que a nota da qualidade do serviço prestado. Esse fenômeno foi mais acentuado no Norte, onde apenas 12 dos 449 municípios, ou 2,67% do total, foram melhor no acesso do que na efetividade. O Norte, com IDSUS igual a 4,67, foi a única região com nota abaixo de 5. Lá, 58,3% dos municípios também tiveram uma nota geral inferior a 5, contra 3,7% no Sul.

As 103 cidades com melhores notas de acesso estão localizadas em cinco estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo. A campeã é Pinhal (RS), com nota 8,93. No Índice de Qualidade do SUS, as 131 melhores colocadas também são destes cinco estados. Nesse ponto, a campeã foi São Pedro da Serra, no Rio Grande do Sul, que obteve nota 9,52.


Comentário: O prefeito do Rio falou um monte de besteiras sobre o IDSUS divulgado ontem. A avaliação divulgada é uma fotografia, mostra a realidade em um determinado instante mediante determinadas "lentes" que são os indicadores.

Temos que reconhecer que houve avanços, temos que ser justos com o Sr Eduardo Paes que herdou uma situação terrível.

A cobertura da Estratégia de Saúde da Família do município do Rio era ridícula, 3,5% em 2008. em 2011 subiu para 27,4%. 

Um aumento notável, mas ainda insuficiente.

O Rio gasta assustadores 25% do seu orçamento em saúde. Repito: 25%!!! Esta quantia absurdamente alta (R$ 4 bilhões em 2012) não significa - necessariamente - uma vantagem. Gastar de menos é ruim, gastar "de mais" não é bom. Deve estar gastando mal e - certamente - está queimando recursos que poderiam ser mais efetivos se gastos em outras áreas.

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