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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Falta dinheiro para o planeta, não para o FMI

Ambientalistas criticam contraste entre aporte de US$456 bilhões feito ao fundo e recusa, pelos mesmos países, a se comprometer com o financiamento da economia verde


Roberta Jansen, Henrique Gomes Batista e Renato Grandelle economia@oglobo.com.br



Os chefes de Estado reunidos ontem no Riocentro não cederam aos apelos para revisarem o documento final da Rio+20, e incluírem no texto formas de financiar o desenvolvimento sustentável. Postura bem diferente da adotada apenas dois dias antes, no encontro do G-20, em Los Cabos, no México, em que destinaram US$456 bilhões para o Fundo Monetário Internacional (FMI) lidar com os problemas da zona do euro.

Entre os contribuintes, todos os que se recusaram a dar dinheiro para os problemas ambientais: Europa, Estados Unidos e Canadá, além de todos os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

-- O G-20 reúne US$456 bilhões para salvar os bancos, mas o mundo todo é incapaz de reunir US$30 bilhões para salvar o planeta -- resume Paulo Buss, do Centro de Relações Internacionais da Fiocruz. -- Estão negociando o planeta, descuidando da biodiversidade, rindo das mudanças climáticas.

Para os especialistas, resultados tão divergentes dos dois encontros deixam claro que a economia ainda domina o mundo de forma totalmente desvinculada da questão ambiental.

-- O eixo da preocupação do G20 hoje é a economia, separada do ambiente global e não vinculada como deveria ser -- diz o professor de relações internacionais da UnB Eduardo Viola. -- Há uma ilusão coletiva de achar que os governos dão uma séria importância ao meio ambiente, mas isso não é verdade.

Na análise do economista e professor da PUC-Rio Sérgio Besserman, faltam líderes políticos olhando para o futuro.

-- A agenda dos políticos ainda está presa no passado. Até porque, nos momentos iniciais de uma crise, é difícil que algo novo e indispensável, como uma economia de baixo carbono, abra passagem--- sustenta.

Economistas ouvidos pelo GLOBO, contudo, afirmam que as críticas não procedem. Enquanto os recursos para o fundo ambiental seriam na forma de doação e provenientes de verbas orçamentárias dos governos, a verba destinada ao FMI constitui um empréstimo e vem das reservas dos países.


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