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sábado, 15 de abril de 2017

Carta aberta à Sra. Homofobia



Querida Fulana,

se soubesse quem você é, seria só pra você que escreveria. Mas como mau caratismo geralmente se esconde, não sabemos seu nome e endereço. Assim, ao contrário do que você poderia ter feito, me dirijo aos quatro ventos. Mas é a você, só a você que escrevo.

Flyer homofóbico dirigido a casal gay em bairro residencial de Curitiba (PR)

Na sua “carta”, você diz que em breve nossa rua será mais alegre. Não tem nada de em breve, querida: já estamos morando aqui, a rua está uma alegria só, e você devia mesmo sair pra ver! Trazer seus amigos, filhos e netos.

Nos passeios matinais — ou nos finais de tarde — eles teriam a inspiração que não devem ter em casa. Afinal, pela violência do seu texto, seu lar deve ser um lugar vazio, inócuo, e estéril.

Você deveria trazer seus filhos para fora para ver! Eles iam conhecer e aprender a conviver com a diferença, você ia parar de imaginar bobagens sobre “o que fazemos quando estamos sós” e veria que fazemos exatamente as mesmas coisas que você. Só que respeitamos as famílias dos outros.

Se você não se importa de escrever uma barbaridade dessas em público, imagino as coisas que é capaz de falar quando está sozinha com seus filhos (ou amigos mais próximos). Fico preocupado com eles.

Faça como as bichas: põe a cara no sol! Mas ponha logo, porque “em breve” terá ficado tarde demais. Seu tempo já terá passado, e as estirpes condenadas a cem anos de solidão não terão uma nova oportunidade sobre a terra.

O endereço você já sabe. Aqui, alegria não tem aspas, só cabe na sua “carta”. Quando quiser vir nos conhecer, seja bem-vinda: peça desculpas, limpe os pés e entre. Você ficaria surpresa com o quanto somos capazes com os amigos mais próximos. É possível até mesmo sair do armário, acredita?

Espero que tenha gostado da boa notícia.

João Pedro Schonarth e Bruno Banzatto | Reprodução Facebook

Um beijo,

Dois beijos,

Um milhão de beijos!

Com alegria, com amor e com afeto.

Para você, para seus filhos e seus netos.


*Rômulo Zanotto

O Aviador. Escritor, Jornalista e Produtor Cultural curitibano. Autor do romance pop "Quero ser Fernanda Young", é jurado do Troféu Gralha Azul.

Um comentário:

  1. quanto tempo eles (os portadores de mau caráter) têm. Quanto tempo!

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