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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Experiência dos sobreviventes da psiquiatria: como deixar de ser paciente psiquiátrico? - Ex-usuária defende afastamento seguro das drogas psiquiátricas


A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) recebeu a escritora e ex-paciente psiquiátrica Laura Delano para participar da mesa "Experiência dos sobreviventes da psiquiatria: como deixar de ser paciente psiquiátrico?". Laura é uma liderança do movimento dos “Sobreviventes da Psiquiatria” nos EUA e dá suporte técnico aos que querem se livrar do sistema psiquiátrico. O evento foi coordenado pelos pesquisadores Paulo Amarante e Fernando Freitas, do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS), com apoio da Abrasme e da Asfoc.

A convidada internacional tornou-se paciente psiquiátrica aos 14 anos, e após conseguir “livrar-se” desse sistema, destaca a importância do afastamento seguro e eficaz dos medicamentos. “Ser ex-paciente psiquiátrico significa ser sobrevivente de um sistema que faz muito mal à pessoa. Ser sobrevivente é conseguir livrar-se disso e se tornar uma nova pessoa”, destacou o coordenador da mesa Fernando Freitas.

De acordo com Laura, os sintomas da retirada abrupta da droga psiquiátrica podem provocar um curto-circuito no corpo humano. As consequências podem gerar inquietação, irritabilidade, insônia e outros problemas do sono, dormência ou formigamento do corpo, tremores, dores, tensão, dores de cabeça, espasmos musculares, prejuízos na concentração, ataques de pânico, paranoia, sensação de desespero, raiva, pensamentos e sentimentos suicidas ou homicidas, dentre outros. “Como podem ver, há similaridades entre os sintomas do diagnóstico psiquiátrico e da abstinência”, comparou.

Ainda de acordo com ela, suas palestras não fazem uma apologia ao abandono imediato das drogas psiquiátricas, mas sim um afastamento seguro e eficaz.

Confira a palestra completa no Canal da ENSP no Youtube.