“Nossa constituição foi construída em 88, quando ainda havia um cunho ideológico muito forte na discussão, onde o mundo era ainda muito mais socialista, onde o muro de Berlin ainda não tinha caído”, disse o deputado federal Alfredo Kaefer, do PSDB.
E completou: “É evidente, ela resgatou cidadania, atribuiu direitos, mas considero direitos demasiados enquanto deveríamos trocar isso por obrigações do cidadão. Então é preciso sim fazer uma reformulação da nossa constituição enxugando ela, reduzindo ela pros temas fundamentais do nosso cidadão e do nosso país”.
COMENTÁRIO:
Acho que o ínclito parlamentar/empresário está corretíssimo. Mas a “leitura histórica” feita pelo eminente legislador/empresário está um pouco defasada (uns vinte anos mais ou menos). Acontece que o “muro” que caiu agora foi o de Wall Street…
Então, nós deveríamos mesmo mexer na Constituição, mas para haver maior controle sobre os especuladores do sistema financeiro, prisão com trabalhos forçados para aqueles que patrocinam trabalho escravo e financiamento público de campanha para evitar que cabecinhas como a dele cheguem ao Congresso.
Há pouco mais de um ano, esse milionário deputado federal tucano Alfredo Kaefer comprou um jornal em Cascavel.
ResponderExcluirResultado? Confiram a seguir:
24/06/2008 - O Paraná, de Cascavel, demite arbitrariamente
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná denuncia uma situação de arbitrariedade identificada no jornal O Paraná, de Cascavel. Desde outubro passado, o veículo é mais uma empresa do Grupo Alfredo Kaefer. Em março último, o jornal passou a circular às segundas-feiras. Ou seja, a redação, que não trabalhava aos domingos, teve que acrescentar esse dia em sua jornada semanal. Isso ocorreu, sem no entanto haver contratação de novos profissionais. Desde o fim de maio, a empresa vinha forçando os trabalhadores a assinar um acordo de implantação de banco de horas e pedindo a “participação” do Sindicato na “discussão”. Houve resistência de parte da redação em relação à proposta da empresa. Um dos jornalistas que se opuseram à implantação do banco de horas sem a montagem de uma equipe maior perdeu o emprego. O diretor de Defesa Corporativa do Sindijor-PR esteve na redação de O Paraná na quinta-feira, dia 12 de junho, e expôs o absurdo de se implantar um banco de horas sem a contratação de novos profissionais. Na quarta-feira passada, dia 18 de junho, a direção do jornal demitiu, sumariamente, esse profissional. O que o sindicato não compreende é como é que uma empresa que quer montar um banco de horas para reduzir seus custos e não pagar horas extraordinárias, e precisando de mais jornalistas em sua redação, demite um funcionário? A situação é absurda, e o Sindicato vai tomar as providências legais para tentar barrar essa demissão sem justa causa.
Fonte>
http://www.sindijorpr.org.br/?system=news&action=read&id=2989
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19/06/2008 - Diretor do Sindijor vai a Cascavel e constata irregularidades
O diretor de Defesa Corporativa do Sindijor, Márcio Rodrigues, visitou na quinta-feira 12 de junho a cidade de Cascavel. No rápido roteiro visitou as redações da TV Tarobá e do jornal O Paraná. Em ambas as redações, o diretor defendeu a presença mais próxima da base nas decisões do Sindijor, convidando os jornalistas não apenas a se filiarem à entidade, mas também para que acompanhem as discussões e contribuam com elas. Na redação de O Paraná, o diretor foi ouvir os colegas da redação as reclamações que vêm enfrentando de pressões desde que o atual deputado federal Alfredo Kaefer adquiriu o veículo, fundado há 32 anos. Segundo relato dos jornalistas, embora o jornal tenha passado por um aumento do volume de trabalho, com a inclusão das edições de segunda-feira (até algum tempo atrás a equipe de O Paraná não trabalhava aos domingos), a equipe não recebeu reforços necessários. Fica clara a exploração dos jornalistas que lá trabalham. É o caso, por exemplo, do diagramador. Como apenas um profissional é contratado para a função, ele é obrigado a trabalhar todos os dias. Alguns colegas, no entanto, se recusam a dobrar a jornada e as funções nos sábados, como forma de garantir as edições de segunda-feira. O jornal ainda conta com o trabalho irregular de estudantes, o que merece uma visita da Superintendência Regional do Trabalho (SRT), para fiscalizar essas e outras irregularidades, como o não pagamento de horas extraordinárias, jornadas além das cinco horas regulamentares e a necessidade de implantar um plano de cargos e salários para valorizar os jornalistas. A direção da empresa já estabeleceu um início de conversações sobre a implantação de um banco de horas. No entanto, ainda esta semana não havia pago o salário do mês de junho, fato ocorrido pela primeira vez nos últimos anos.
Fonte>
http://www.sindijorpr.org.br/?system=news&action=read&id=2978
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2008
Notinhas em jornal suscitam a sanha censora de Alfredo Kaefer
O jornalismo paranaense nunca viu nada igual em sua história recente. Talvez nas remotas, obscuras e negras páginas da famigerada época da Ditadura Militar pós-AI5. Na noite de domingo, após o fechamento da edição de segunda-feira do jornal Tribuna de Cascavel, o seu dono e editor chefe foi chamado à gráfica do concorrente O Paraná, onde é rodada a Tribuna. Fernando Fontana (dono da Tribuna) estava atendendo à chamado do dono de O Paraná, o deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB), que teria feito uma séria ameaça: ou você retira as cinco notinhas que falam contra a minha pessoa, ou não rodamos mais a Tribuna aqui (leia-se gráfica de O Paraná – o mesmo jornal que demite jornalistas e trabalha na base do serviço escravo de estagiários)”.
Pois bem: Fontana, que coincidentemente é candidato a vereador pelo mesmo partido, teria não apenas aceito a ameaça, assim como devassado o texto de opinião do jornalista Luiz Nardelli, publicado sob o nome de “Página 2” da Tribuna de Cascavel - uma coluna de notas políticas da cidade.
Nas notas, Nardelli emitia sua opinião sobre a atuação do deputado - o qual o Sindicato dos Jornalistas do Paraná tem recebido péssimos exemplos administrativos [mais da metade das redações sob sua administração (leia-se O Paraná e Jornal Hoje, ambos de Cascavel) são formadas por estagiários, que recebem a bolsa auxílio super-exploradora de R$ 380,00/mês, por uma jornada diária de 8 horas ou mais].
Como represália, na edição de terça, Nardelli publicou apenas fotos dos candidatos. Na terça, ao final de sua coluna, "gentilmente" fez uma pequena provocação: “Espero que eu tenha me comportado bem hoje Alfredo!!!”.
Empresarialmente, o grupo de Kaefer é uma potência. Ele comanda o Grupo Diplomata (Rede Dip, de Supermercados; Sul Financeira, jornais já citados; frigoríficos de gado e frangos no PR, MS e SC; entre outros empreendimentos) com cerca de oito mil funcionários.
Segundo Nardelli, o problema do deputado é a falta de sintonia com a opiniões contrárias. “Ele parece estar acostumado a comprar a opinião contrária”. Para não passar por nova censura do “democrático” deputado, o jornalista Luiz Nardelli está conversando com os diretores do jornal Gazeta do Iguaçu, do Grupo Formighieri.
Fonte>
http://sindijorpr.blogspot.com/2008/07/notinhas-em-jornal-suscitam-sanha.html
Fernando César Oliveira, jornalista