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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Programa de Saúde da Família: uma revolução


Nas últimas décadas, o que garantiu o avanço nas políticas públicas foi a consolidação de comunidades de interesse em áreas estratégicas. A mais importante delas foi a saúde, que passou a contar com militantes de todos os partidos. No fundo, seu único partido é o da saúde pública. A eles o país deve não apenas esses avanços como a consolidação do verdadeiro federalismo.

Do Estadao (via Nassif)

Programa de Saúde da Família já atende mais da metade da população

Wilson Tosta, Clarissa Thomé – O Estadao de S.Paulo

RIO
A cobertura do Programa Saúde da Família (PSF) ultrapassou, em 2008, 50% da população brasileira, revela o Suplemento Saúde da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Saúde 2008), divulgado ontem, no Rio, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, 96,5 milhões de pessoas viviam nos 27,4 milhões de domicílios cadastrados no PSF no período de coleta dos dados. O número está próximo da meta de 100 milhões de brasileiros proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de seu governo.
Criado há 16 anos, o PSF tem como objetivo reorganizar a assistência à saúde, substituindo o modelo centrado na rede hospitalar por um sistema que estimule a prevenção e os cuidados com a saúde. Cada uma das equipes do programa – compostas por médico, enfermeira, auxiliares de enfermagem, dentista e agentes comunitários – se responsabiliza pelo acompanhamento de 3 mil a 4,5 mil pessoas de uma determinada área. A ideia é que esses pacientes deixem de procurar os hospitais para solucionar problemas simples, pois têm a assistência de uma equipe perto de casa.
Embora os dados do IBGE confirmem o crescimento contínuo da cobertura do PSF, os números ainda são muito desiguais no País. A região mais atendida é o Nordeste, com 67,7 % dos habitantes cadastrados. A menor cobertura está no Sudeste – 35,9% (mais informações nesta pág.).
Ainda segundo a pesquisa, o PSF teve grande impacto entre os mais pobres: 54% do total de domicílios com rendimento mensal per capita de até dois salários mínimos eram atendidos, enquanto apenas 16,3% dos lares de cinco salários mínimos per capita ou mais integravam o PSF.
Desafios. “O ideal é que toda a população do SUS – pelo menos 75% dos brasileiros – esteja coberta. Nossos desafios são as regiões metropolitanas do Sudeste”, disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
Para Maria Fátima de Souza, do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da UnB, o problema é que, nas grandes capitais, ainda há muita resistência para a implantação de políticas em que o foco é a atenção básica. “Ainda predomina a cultura de que o investimento em saúde deve ser feito no nível da alta complexidade. São priorizados hospitais, medicamentos e equipamentos em vez da saúde preventiva.”
O próprio ministério da Saúde, diz Maria de Fátima, investe mais na formação de médicos especialistas do que na de generalistas, que são os profissionais mais indicados para integrar o PSF e são escassos no País.
“Como essas equipes estabelecem ao longo dos anos um vínculo com a população, essa estratégia é a mais adequada para o cuidado das doenças crônicas, que têm aumentado porque a população está vivendo mais”, diz Ligia Giovanella, da Escola Nacional de Saúde Pública. / COLABOROU KARINA TOLEDO
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100401/not_imp532262,0.php

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