Interromper a gravidez só virou pecado em 1869, por causa de um conchavo firmado entre o papa Pio 9º e o imperador francês Napoleão 3º
na revista Superinteressante via Blogueiras feministas
Toda vez que um papa ou um cardeal vem a público para condenar o aborto, fica a impressão de que a Igreja sempre foi contra. Só que não é bem assim. Já houve um tempo em que a interrupção da gravidez até foi tolerada pelas lideranças católicas. Na verdade, o que ocorre é que os teólogos cristãos nunca foram capazes de chegar a um consenso sobre o tema.
Segundo o escritor e religioso dominicano Frei Betto, a oscilação da Igreja entre condenar o aborto e admiti-lo em certas fases da gravidez é histórica. Por trás disso, sempre esteve a discussão sobre qual é o momento em que o feto pode ser considerado ser humano. "No século 4, Santo Agostinho defendia que só a partir de 40 dias após a fecundação se poderia falar em pessoa", diz o religioso. "Quase 1 000 anos depois, no século 13, São Tomás de Aquino reafirmou não reconhecer como humano o embrião que não completou 40 dias, quando lhe seria infundida a alma racional". Essa posição, de acordo com Frei Betto, virou doutrina oficial da Igreja a partir do Concílio de Trento (século 16). Mas foi contestada por teólogos que, baseados na autoridade de Tertuliano (século 3) e de Santo Alberto Magno (século 13), defendiam a hominização imediata - ou seja, o ser humano existe desde o momento da fecundação. Prevaleceu essa tese, que acabou incorporada pela encíclica Apostolicae Sedis (1869), na qual o papa Pio 9º condena toda e qualquer interrupção voluntária da gravidez.
Para a holandesa Rebecca Grompers, da organização pró-legalização do aborto Women on Waves (Mulheres sobre Ondas), essa foi uma decisão política. Em meio aos conflitos pela unificação da Itália, Pio 9º precisou da proteção das tropas de Napoleão 3º. "O imperador tinha problemas com a baixa natalidade, que prejudicava seus planos de industrialização. Então, conseguiu que o papa declarasse que a alma humana era incorporada na concepção. Em troca, a França o ajudou a retomar sua posição no Vaticano", diz Grompers. No livro Life as It Is ("A Vida como Ela É", inédito no Brasil), o biólogo americano William F. Loomis confirma o "toma lá, dá cá": "Pio 9º declarou que a vida começa na concepção só para ser protegido".
Sobre o Pio 9º, vale ler a crônica do Carlos Heitor Cony
Pio 9º e João Paulo 2º, o drama de dois papas
A politica do "toma lá, da cá" foi uma poderosa arma que a igreja sempre fez uso.
ResponderExcluirE a igreja não gosta de concorrentes.
Na Alemanha dos anos 30, no 3 Reich, o "Adolfinho do Bigode", necessitava receber apoio ou silencio das igrejas para suas barbáries.
Convocou quase todas e intimou a lá, "ou apoia ou vai para o paredão", mas em troca ofereceu as atribuições de Estado para que as "igrejas apoiadoras" tivessem recolhido 1% (um "umzimo") do rendimento de seus fiéis.
Foi estabelecido um Concordato, http://pt.wikipedia.org/wiki/Reichskonkordat
e após o fim da 2a Guerra a Alemanha Federal tentou anular. Nada disso!
E, até hoje este "umzimo" é recolhido de pressoa fisica e juridica também.