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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Romance 'O filho eterno' acumulou mais de R$ 300 mil em premiações

Bolívar Torres, Jornal do Brasil

RIO - Em três meses, o escritor catarinense Cristóvão Tezza, 56 anos, transformou-se na sensação literária de 2008. Seu livro, O filho eterno, lançado em 2007, acumulou um por um os principais prêmios do país.
Depois de vencer o mais simbólico do que rentável Jabuti em setembro, o autor embolsou no mês seguinte os R$ 100 mil do Prêmio Portugal Telecom de Literatura de 2008, que escolhe o melhor livro do ano escrito em língua portuguesa editado no Brasil.
Em dezembro, foi a vez da maior recompensa literária em dinheiro do país: os R$ 200 mil da primeira edição do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Livro do Ano.
Além da qualidade da obra, outras razões podem explicar a trajetória de conquistas de O filho eterno. Há o efeito cascata – um prêmio puxando o outro – mas principalmente o tema forte, que sensibilizou os jurados por seu apelo emocional.
Semibiográfico, o romance reconstitui o relacionamento de um escritor com seu filho deficiente, retratando com detalhes clínicos a dificuldade de criar uma criança com síndrome de Down.
– A carga biográfica dá um valor especial ao prêmio – admite Tezza.
– Levei 20 anos para poder escrever o livro, porque precisei deste tempo para transformar o sofrimento em narrativa. Vejo essa obra como literatura, não como biografia. O leitor não se interessa por problemas pessoais. Quando se escreve um livro é preciso transcendê-los.
Tezza admite que o assunto delicado pode ter influenciado na decisão, mas não sabe dizer se essa é sua melhor obra até aqui.
– A única coisa certa é que nunca vou escrever um livro tão arriscado e tão intenso – garante o escritor, que pretende lançar uma nova obra em março
Alter ego fracassado
Já traduzido para o italiano – e aguardando edições em Portugal, França e Espanha – O filho eterno recompensa uma carreira marcada pela dificuldade. Não foi só a relação com o filho que inspirou esse relato semibiográfico, aliás.
No romance, há referências às penúrias dos escritores no Brasil. O alter ego do autor é uma caricatura do escritor fracassado, desiludido com a falta de perspectiva com a escrita no país.
– Em relação aos anos 80, a literatura brasileira melhorou – avalia o autor.
– Mas a língua portuguesa ainda é irrelevante no mundo. Pisou no avião, acabou. Lá fora, somos quase insignificantes.
Os prêmios podem atenuar essa realidade, permitindo a Tezza se dedicar, se não de forma exclusiva, ao menos com mais tempo à atividade literária.
– É impossível viver de escrever no Brasil. É preciso ter uma profissão paralela. Eu sempre brinco que, na vida real, sou professor, não escritor.

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