Vivemos em um estado onde a cultura é relegada a um plano secundaríssimo, que podemos especificar com as seguintes características:
- O Governador não gosta de cultura, inclusive depreciando-a com a seguinte frase... cultura é coisa de viado!
- A única exceção que admite é com relação ao MON, pelo fato de sua esposa ser a diretora;
- Ele, que alega fazer uma política cultural popular, carreia todos os recursos para a cultura para o MON, que os gasta em exposições caríssimas e elitistas;
- Quando vai ao Ministério da Cultura pleitear recursos, leva a esposa e não a Secretária da Cultura, demonstrando que só se preocupa em municiar o MON com recursos;
- Enquanto isso a Secretária de Cultura é apenas uma figura decorativa;
- Os políticos, com pouquíssimas exceções, não se preocupam com o desenvolvimento cultural do Estado e mesmo aqueles que se dizem ligados à área cultural nada fazem de positivo para não se chocarem com a figura do Governador;
- Vivemos num estado onde não temos Conselho Estadual de Cultura, Lei Estadual de Incentivo à Cultura, Fundo Municipal de Cultura e ainda onde não se realizam conferências para discussão de política cultural;
- Enquanto isso vemos a estação, tv e rádio, dita cultural, totalmente desvirtuada de seus objetivos de levar cultura ao povo;
- Outros equipamentos de cultura, como o Teatro Guaíra e o Museu da Imagem e do Som, agem independentes, sem ligação efetiva com a Secretaria de Cultura, apresentando um desempenho medíocre.
As pessoas ligadas à cultura procuram se organizar através dos diversos fóruns: Fórum das Entidades Culturais, Fórum Permanente, Fórum de Música, Fórum de Dança e Fórum Popular.
Mas, ao invés de todos se aglutinarem para resistir à ação deletéria do Governo do Estado quanto à cultura, procuram, com algumas exeções, agir somente em proveito próprio, inclusive, na defesa de suas posições, partindo para agressões pessoais ao invés de procurar dirimir as diferenças e buscar uma aglutinação para mudar o quadro deprimente da política cultural do Estado.
Já é difícil conseguir-se posições e recursos do Ministério da Cultura e se não agirmos em conjunto e em consonância com as necessidades do Paraná, só estaremos alimentando esse quadro crítico, que só serve àqueles que não querem o desenvolvimento do povo paranaense.
Oswaldo Euclydes Aranha
COMENTÁRIO: Recebi esta carta vinda do coletivo do Dr Rosinha. Acho importante o debate, não só pelo aspecto do instimável valor que tem o nosso patrimônio cultural material e imaterial (que não caberia dentro de mil MON's), mas também pela questão transetorial, visto que não há "Operação Mãos Limpas" nem "Tolerância Zero" que chegue sequer perto dos resultados de ações culturais integradas com as demais políticas públicas no enfrentamento das questões da saúde, da violência, da educação...
O espaço está aberto e disponível para eventual contraponto.
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