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sábado, 10 de janeiro de 2009

População brasileira entrará em declínio a partir de 2039

Nas próximas três décadas o crescimento demográfico brasileiro entrará em declínio após atingir os 215,5 milhões de pessoas em 2039. O percentual de adultos com mais de 60 anos será de 30% em 2050, quando a expectativa de vida deverá ser de 81 anos. Até lá, outra mudança significativa irá envolver o número de mulheres em relação aos homens: serão 7 milhões a mais de pessoas do sexo feminino frente a pessoas do sexo masculino.

Os dados fazem parte do estudo Projeções da população do Brasil por sexo e idade: 1980-2050, publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em entrevista a Agência Fapesp, o demógrafo e coordenador de população e indicadores sociais da instituição, Luiz Antônio Oliveira, destacou que o fenômeno do aumento da expectativa de vida da população brasileira virá acompanhado da queda da taxa de fecundidade entre as mulheres. Ou seja: o número de pessoas entre zero e 14 anos tende a diminuir, engrossando a massa do grupo em idade ativa – o que deve contribuir para o aquecimento da economia brasileira.

“Nos últimos 20 anos, temos observado o crescimento da população em idade adulta, que vai dos 15 aos 59 anos, e da chamada população economicamente ativa, da faixa dos 20 aos 30 e dos 30 aos 40 anos. São pessoas que estão no mercado de trabalho, assegurando a sobrevivência da família”, disse Oliveira.

Segundo o pesquisador, em 2000 existiam no país 51 milhões de pessoas entre zero e 14 anos, representando 29,8% da população. Em 2050, a expectativa é que a faixa etária represente 13,1% do total de pessoas no país, ou 28,3 milhões em números.

Em 2000, o grupo que está acima dos 60 anos representava 8,1% da população total (14 milhões). Até 2050, o contingente saltará para 64 milhões de pessoas, representando 29,8% dos brasileiros. “Em resumo, o país está envelhecendo”, declara Oliveira.

A esperança de vida ao nascer está entre os fatores que mais contribuem para o futuro estimado pelo IBGE. Entre 1940 e 2008, o brasileiro passou a viver mais 27,2 anos. Enquanto a expectativa de vida na década de 40 era de 45,5 anos, no último ano o instituto registrou índice médio de 72,7 anos.

Mais mulheres

A diferença de vida entre homens e mulheres é significativa no Brasil. Em 2008 a média de vida entre a população feminina registrada pelo IBGE foi de 76,6 anos, ou 7,6 anos a mais em relação a população masculina – de 69 anos.

Segundo Oliveira, a sobrevida das mulheres é maior primeiro porque para cada 100 meninos nascidos, nascem em média 105 meninas. Para ajudar, a mortalidade infantil entre meninos é maior que entre as meninas. Mas o dado mais relevante tem a ver com a “mortalidade de jovens do sexo masculino entre 18 e 30 anos por causas associadas à violência”, como explica o pesquisador. Para se ter idéia, a incidência da mortalidade masculina no grupo etário de 20 e 24 anos é quase quatro vezes superior à feminina.

Assim, se as características sociais e demográficas não mudarem, é possível que em 2050 o Brasil tenha 7 milhões de mulheres a mais do que homens.

Impactos positivos

A queda da taxa de fecundidade permitirá ao Brasil aumentar o número de pessoas em idade ativa, pelo menos nas próximas três décadas. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2007 (Pnad) apresentava uma taxa média de 1,95 filho nascido por mulher. Em 2030 o nível deverá ser de 1,5 filho por mulher.

Segundo o pesquisador, países como Espanha, Itália, Alemanha e França têm taxas de 1,2 ou 1,3 filho nascido por mulher. “Com a diminuição nas taxas de fertilidade, diminui também o peso das crianças de zero a 14 anos sobre a população de 15 a 64 anos de idade, economicamente ativa”, continua.

O país deverá aproveitar nos próximos anos um contingente de 24 milhões de jovens que ingressarão no mercado de trabalho. “O aproveitamento dessa oportunidade pode proporcionar um crescimento econômico ao país, se as pessoas forem bem preparadas e qualificadas profissionalmente”, ressalta Oliveira.

O pesquisador acredita que a porção idosa do país não apresentará problema se forem tomadas decisões para a criação de políticas de saúde e de inserção na economia capazes de melhorar o rendimento produtivo geral. “A população tem que envelhecer com condições físicas e materiais. É preciso haver melhorias nas condições de vida, na área da saúde nas ofertas de trabalho. Que essa seja uma população de idosos ativos e produtivos”, defende.

O fenômeno do declínio populacional é global e possível graças a melhoria nos níveis de educação e inserção social, mudanças nos padrões de família e aumento do acesso aos métodos anticoncepcionais.

Até 2050, o Brasil deverá passar da quinta para a oitava posição do ranking dos países mais populosos – atrás da China, Índia, Estados Unidos e Indonésia. A partir de 2039 países como Paquistão e Bangladesh vão ultrapassar o Brasil.

artigo publicado no site do Projeto Brasil

http://www.projetobr.com.br/web/guest/exibirartigo?companyId=communis.com.br&articleId=3472

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