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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Despesas com tabagismo são maiores com menor escolaridade


A fim de discutir novos parâmetros para avaliar o gasto com tabagismo, pesquisadores da Universidade Federal do Pará descreveram, a partir da análise de dados de Pesquisa de Orçamentos Familiares feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as características socioeconômicas e sóciodemográficas da população que gasta com fumo de tabaco no país. O estudo, publicado na revista Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz, revelou que o percentual de despesas com tabagismo dobrou para todos os grupos com baixa escolaridade e que o aumento de renda reduziu a proporção dos gastos.
 A pesquisa indicou que a faixa etária de 31 a 45 anos concentrou a maior parte da amostra que gasta com tabagismo, quase 40% do total
A pesquisa indicou que a faixa etária de 31 a 45 anos concentrou a maior parte da amostra que gasta com tabagismo, quase 40% do total


“Quanto aos grupos de homens e mulheres, categorizados por faixas de renda e por nível de escolaridade, apesar de as médias das proporções de despesas serem mais elevadas em todos os grupos com baixa escolaridade, o gasto médio em dinheiro com tabagismo aumentou”, destacam os pesquisadores. “Essa variabilidade pode ser explicada pelo aumento da renda que eleva a possibilidade da aquisição de produtos relacionados ao hábito de fumar tabaco e cigarros mais caros”. 
A pesquisa indicou que a faixa etária de 31 a 45 anos concentrou a maior parte da amostra que gasta com tabagismo, quase 40% do total. Além disso, quando selecionados somente indivíduos que gastam efetivamente com tabaco e produtos derivados, o percentual do sexo masculino aumentou em 30% com relação à população de origem. No que diz respeito à religião, os dados também foram significativos. “As prevalências nesta amostra quando comparadas as da população de origem, apresentaram para fumantes 10% a mais de católicos e cristãos e 10% a menos de evangélicos com relação aos não fumantes”, dizem os estudiosos.
O estudo ainda apontou que a média de gastos encontrada foi de R$ 31,50 mensais por indivíduo. “Quando considerados somente os indivíduos que gastam com tabagismo, a média de gasto corresponde a uma realidade completamente diferente, com percentuais e valores bem mais elevados do que o modelo por domicílio, que permite incluir os não tabagistas da família”, explicam os pesquisadores. “A estimativa que o Brasil gasta com tabagismo a média de R$ 10,20 por mês, diluída entre todos os moradores de um domicílio, fumantes ou não, subestima o impacto desse gasto, trazendo um dado econômico parcial que não faz sentido na realidade dos tabagistas e nem dos não tabagistas”.

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