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sexta-feira, 30 de março de 2012

Curitiba, capital modelo... de repressão!


Ações como a de Curitiba encobrem problemas sociais por meio de apelo midiático


Pedro Carrano de Curitiba (PR) para o Brasil de Fato



A construção midiática em torno da ocupação policial de bairros como o Uberaba, em Curitiba, a fim de construir um consenso entre a sociedade e entre os próprios moradores, encobre um modelo de gestão que lida com os problemas sociais sem parecer entender suas reais necessidades. É como se o próprio poder colocasse a população sob sua tutela, segundo suas regras e sempre com o limite anunciado da repressão. “Trata-se de um modelo de polícia. A UPP do Rio de Janeiro parte da premissa de que seria possível compatibilizar o modelo de polícia comunitária com o da polícia militarizada. Porém, o sujeito é treinado para a guerra e não para fazer o modelo de polícia comunitária. É preciso uma reforma profunda na estrutura de polícia no Brasil, pois esse modelo de militarização decorre de outra época”, critica André Giamberardino, da UFPR.
No caso específico de Curitiba, mas também de maneira geral, o poder público retruca que não há outro caminho, embora se recuse a admitir como militarização ações como a criação das UPSs. “Esse caso de tortura tocou o projeto da UPS, pela proximidade geográfica, por ser morador do Uberaba. Só acho injusto dizer que isso ocorreu pela UPS. Eu fui lá domingo [passado]. Pude ver a alegria das pessoas e vi o orgulho da tenente Carolina [Costa], que coordena o trabalho lá (...)”, justificou o secretário de Segurança do Estado, Reinaldo de Almeida César, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, questionado sobre a tortura contra um jovem negro.

Abre alas para o Capital
A relação desse e de outros tantos episódios com os megaeventos, sobretudo no caso do Rio de Janeiro, demonstra um modelo voltado a serviço do mercado, e não das necessidades de moradia ou outros serviços básicos para a população. “São projetos que respondem tão somente à questão da Copa, pautados pelas diversas empresas e corporações, segundo determinados requisitos do mercado. Salvador, Rio de Janeiro tornaram- se cidades commodities, isso tem a ver com a criação de espaços higienizados”, diz o especialista Pedro Bodê, do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da UFPR.
A hipótese de Bodê não está congelada em alguma análise sociológica estéril. Está nos fatos. Informações do jornal O Estado de S. Paulo (fevereiro), apontam que uma gama de empresas de serviço, a exemplo da Sky, de TV por assinatura, além dos ramos de telefonia e energia elétrica, têm lucro imediato, quase instantâneo, em situações de militarização dos territórios pobres. Assim que as forças policiais ocuparam o complexo de São Carlos, na região central do Rio de Janeiro, 140 funcionários entraram no conjunto de comunidades e, em quatro dias, fecharam mil assinaturas. A visão de Thiago Hoshino, membro da Articulação Nacional do Comitê Popular da Copa do Mundo, corrobora para a análise de prioridade do mercado e dos espaços higienizados em favor do Capital. “As favelas são a reserva de terras que o Capital deixa para os pobres, especulando enquanto interessa, por isso não dá a escritura e a propriedade para eles”, afirma. Hoshino elenca o exemplo de que as UPPs no Rio de Janeiro receberam investimento particular do megaempresário Eike Batista, no valor de R$ 30 bilhões.

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