O governo espanhol anunciou nesta segunda-feira que prevê economizar 10 bilhões de euros suplementares em saúde e educação, após apresentar o orçamento de 2012 com medidas de rigor extremamente rígidas para reduzir o déficit público.
A afirmação foi feita por um porta-voz do governo após uma reunião entre o presidente do executivo conservador, Mariano Rajoy, e os ministros de Educação e Saúde e, segundo a mesma fonte, as Comunidades Autônomas estão incluídas nos cortes.
O governo espanhol havia anunciado anteriormente que revisaria a política de gastos das Comunidades Autônomas, particularmente em matéria de educação e saúde, para reduzir o déficit público. Nesta segunda-feira, o país chegou inclusive a anunciar uma possível alteração na participação das rendas mais altas nestes serviços.
Metas
Ante a nova crise de confiança dos mercados e a preocupação de seus vizinhos europeus, as autoridades de Madri multiplicam as declarações para assegurar que a Espanha cumprirá com suas metas de redução de déficit público a 5,3% para 2012, contra 4,4% previstos anteriormente.
"É preciso fazer um país mais confiável ante nossos credores e ante os sócios europeus", declarou o ministro da Fazenda e Administração Pública, Cristóbal Montoro, em uma entrevista publicada pelo jornal El Mundo.
Segundo o ministro, é preciso redefinir quais serviços públicos devem ser prestados em saúde, educação ou benefícios sociais.
"As Comunidades Autônomas terão que renunciar a muitos gastos", afirmou Montoro.
"No caso de gastos com saúde, acumulamos dívidas de mais de 15 bilhões de euros e isso não pode voltar a acontecer", afirmou o ministro da Economia, Luis de Guindos, na rádio Cadena Ser.
"Por isso, a reforma é imprescindível. É preciso eliminar gastos improdutivos. É preciso racionalizar questões que não estão funcionando bem para proteger o sistema", concluiu o ministro da Economia.
Saúde
Após considerar que o sistema de co-pagamento, combatido pela oposição de esquerda, não é "uma panacéia" em absoluto, Guindos fez referência à possibilidade de ampliar a participação dos mais ricos nos gastos com saúde.
"Temos que abrir um debate entre a Administração Central e as Comunidades Autônomas e pensar, por exemplo, se temos que providenciar os serviços de saúde gratuitos a quem ganha mais de 100.000 euros", afirmou.
Contudo, os dois ministros não precisaram o que o governo planeja fazer. A saúde e a educação dizem respeito às Comunidades Autônomas, que contam com uma ampla autonomia, originada na Constituição aprovada em 1978, depois da ditadura franquista.
"Ninguém está propondo uma recentralização dos serviços e continuaremos oferecendo-os as comunidades. O que temos que ver é se a situação atual é sustentável, pois é preciso abrir um debate aberto e encontrar soluções", concluiu de Guindos.
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