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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A disputa PIB x indicadores sociais

Luis Nassif - na Coluna Econômica

Nas últimas décadas houve avanços importantes nos indicadores sociais. Avançou-se no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), nos indicadores de saúde, de educação, de pobreza, ensaiaram-se indicadores de felicidade, de gestão pública e privada. Enfim, o país aprendeu a medir e a avaliar.
Trata-se de uma etapa na modernização de uma sociedade que em um segundo momento tem implicações políticas relevantes.
No caso brasileiro, à medida que foram sendo desenvolvidos e conhecidos os indicadores sociais, acabou a monocultura do PIB (Produto Interno Bruto), como indicador exclusivo do sucesso de políticas econômicas.

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Indicadores de redução de desigualdade, de redução do analfabetismo, de redução da miséria absoluta passaram a ter peso político, embora o PIB ainda seja o indicador de maior influência na formação de expectativas – depois dos índices de inflação.
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Nos estágios anteriores de desenvolvimento, especialmente nos anos 70, quando o PIB tornou-se a medida universal de monitoramento das políticas públicas, a ausência de peso político dos indicadores sociais não apenas produziu desigualdades, mas compromete até hoje o projeto de Nação.
O país demorou a incorporar as classes de menor renda ao mercado de consumo, atrasou o processo educacional, legou carência de mão de obra especializada, atrasos enormes na qualidade da educação, da saúde, do trabalho. E criou a sociedade mais desigual do planeta.
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Nos últimos anos, a política de melhoria do salário mínimo e de ampliação da rede de proteção social, logrou avanços sociais expressivos, redução da desigualdade, fortalecimento do mercado interno.
Mas toda celebração em torno do social não elimina as preocupações com a macroeconomia e o crescimento. É o equilíbrio dos fatores macroeconômicos e a criação de um ambiente econômico competitivo que garantirá a elevação sustentada do bem estar geral, o financiamento das políticas sociais, a melhoria nos padrões de emprego.
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A América Latina sempre padeceu da síndrome dos movimentos pendulares radicais. Após uma temporada de políticas econômicas ortodoxas, com arrocho salarial, cortes em despesas sociais – especialmente nos períodos ditatoriais -, sobrevinha o chamado porre popular.
Para manter a base popular, flexibilizava-se o orçamento, praticava-se o chamado populismo cambial, descuidavam-se dos efeitos inflacionários de medidas populares. Sobrevinham crises que acabavam por derrubar governos ou modelos econômicos e sociais.
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Após a longa noite inflacionária, o Brasil livrou-se dessa sina, mas à custa de não articular um projeto de desenvolvimento. Os anos de bonança cambial permitiram jogar com a apreciação do câmbio, à custa do comprometimento da industrialização.
Agora, são outros tempos. Todos os países do mundo, da Ásia à União Europeia, dos Estados Unidos ao Canadá estão empenhados em aumentar suas exportações. Sem a antiga abundância cambial, países que não cuidarem de suas contas externas, mergulharão em novas crises.
Às vezes dá a impressão de que é um país movido apenas por crises ou por ameaças de crise.  E a bandeira do bem estar, típica de países maduros, surge agora para um país que mal completou sua industrialização.



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