Luis Nassif - na Coluna Econômica
Nas
últimas décadas houve avanços importantes nos indicadores sociais.
Avançou-se no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), nos indicadores de
saúde, de educação, de pobreza, ensaiaram-se indicadores de felicidade,
de gestão pública e privada. Enfim, o país aprendeu a medir e a
avaliar.
Trata-se de uma etapa na modernização de uma sociedade que em um segundo momento tem implicações políticas relevantes.
No
caso brasileiro, à medida que foram
sendo desenvolvidos e conhecidos os indicadores sociais, acabou a
monocultura do PIB (Produto Interno Bruto), como indicador exclusivo do
sucesso de políticas econômicas.
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Indicadores
de redução de desigualdade, de redução do analfabetismo, de redução da
miséria absoluta passaram a ter peso político, embora o PIB ainda seja o
indicador de maior influência na formação de expectativas – depois dos
índices de inflação.
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Nos
estágios anteriores de desenvolvimento, especialmente nos anos 70,
quando o PIB tornou-se a medida universal de monitoramento das políticas
públicas, a ausência de peso político dos indicadores sociais não
apenas produziu desigualdades, mas compromete até hoje o projeto de
Nação.
O
país demorou a incorporar as classes de menor renda ao mercado de
consumo, atrasou o processo educacional, legou carência
de mão de obra especializada, atrasos enormes na qualidade da educação,
da saúde, do trabalho. E criou a sociedade mais desigual do planeta.
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Nos
últimos anos, a política de melhoria do salário mínimo e de ampliação
da rede de proteção social, logrou avanços sociais expressivos, redução
da desigualdade, fortalecimento do mercado interno.
Mas
toda celebração em torno do social não elimina as preocupações com a
macroeconomia e o crescimento. É o equilíbrio dos fatores
macroeconômicos e a criação de um ambiente econômico competitivo que
garantirá a elevação sustentada do bem estar geral, o financiamento das
políticas sociais, a melhoria nos padrões de emprego.
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A
América Latina sempre padeceu da síndrome dos movimentos pendulares
radicais. Após uma temporada de políticas econômicas ortodoxas, com
arrocho
salarial, cortes em despesas sociais – especialmente nos períodos
ditatoriais -, sobrevinha o chamado porre popular.
Para
manter a base popular, flexibilizava-se o orçamento, praticava-se o
chamado populismo cambial, descuidavam-se dos efeitos inflacionários de
medidas populares. Sobrevinham crises que acabavam por derrubar governos
ou modelos econômicos e sociais.
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Após
a longa noite inflacionária, o Brasil livrou-se dessa sina, mas à custa
de não articular um projeto de desenvolvimento. Os anos de bonança
cambial permitiram jogar com a apreciação do câmbio, à custa do
comprometimento da industrialização.
Agora,
são outros tempos. Todos os países do mundo, da Ásia à União Europeia,
dos Estados Unidos ao Canadá estão empenhados em aumentar suas
exportações. Sem a antiga abundância cambial, países que não cuidarem de
suas contas externas, mergulharão em novas crises.
Às
vezes dá a impressão de que é um país movido apenas por crises ou por
ameaças de crise. E a bandeira do bem estar, típica de países maduros,
surge agora para um país que mal completou sua industrialização.
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