A chegada de 19 profissionais do programa Mais Médicos na cidade de Ji-Paraná,
em Rondônia, desafogou o Hospital Municipal. Segundo município mais
populoso do estado com aproximadamente 370 mil habitantes, atrás apenas
da capital Porto Velho, o hospital da cidade teve redução significativa
no atendimento ambulatorial, segundo o diretor da unidade, Antelmo de
Souza Ferreira.
“Deu uma queda de 15 a 20% no
atendimento ambulatorial, que são os casos menos graves. Com a atenção
básica funcionando, o hospital está bem tranquilo na clínica médica,
pediatria e geriatria”, relata o diretor do Hospital Municipal de
Ji-Paraná. Ele afirmou que no começo de 2013 houve um grande tumulto no
hospital da cidade, principalmente por causa dos casos de dengue. “Esse
ano foi muito tranquilo. O trabalho de prevenção e o Mais Médicos nos
postos de saúde fez com que desafogássemos os nossos atendimentos”,
completa Antelmo.
Uma das 11 Unidades Básicas de Saúde
(UBS) que receberam os médicos do programa foi a UBS 2 de abril, no
bairro Jardins dos Imigrantes, zona periférica da cidade. A diretora
Carolina da Cruz confirma a melhora no fluxo da unidade com a chegada
dos profissionais do Mais Médicos. “Mudou bastante e ajudou. Como a
gente tem um fluxo muito grande deu uma aliviada. Foi muito bom. O
pessoal gosta bastante dos dois”, acrescenta Carolina sobre os dois
profissionais do programa que atuam na UBS.
Com pressão alta e histórico de problema
cardíaco na família, Maria Alvina Braga, de 60 anos, relata que o
remédio que o médico do programa lhe passou baixou e estabilizou sua
pressão. “Ele é muito atencioso, pergunta tudo, sobre histórico de
doença na família, e anota tudo na nossa ficha. Passou vários exames,
conversou comigo e deu até umas broncas por conta da minha alimentação”,
comenta Maria Alvina.
O médico que atendeu a moradora é o
brasileiro Edson Janella, de 56 anos. Formado na Universidade Federal de
Rondônia (UFRO), queria fazer a residência médica em atenção básica em
Saúde da Família. Quando ficou sabendo do programa Mais Médicos, que é
voltado para a atenção básica, fez a inscrição. “Dr. Edson examina a
pessoa toda, pede para a pessoa deitar na maca para examinar. É um
atendimento diferenciado, ele conversa com a pessoa. A consulta dele
demora em torno de 20 a 40 minutos”, explica Carolina, diretora da UBS.
Edson Janella explica a importância da
atenção básica para desafogar os hospitais. “Uma boa atenção básica,
funcionando, esvazia o hospital, que passa a atender os casos já
diagnosticados pela atenção básica. Isso barateia e esvazia o sistema de
mais complexidade, como os hospitais e UPAs, e beneficia o paciente,
que tem o melhor tratamento para o seu caso”, comenta o profissional.
“A ausência de profissional médico
generalista na atenção básica gerou na comunidade uma cultura das
pessoas procurarem diretamente o médico especialista. E se a pessoa for
atendida primeiro pelo generalista, ele encaminha para o especialista
apenas o que realmente precisa. Isso esvazia a fila de espera do
especialista e assim o especialista atende melhor e mais rapidamente
quem realmente precisa daquele atendimento especializado”, argumenta Dr.
Edson.
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