Páginas

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Prioritária ao governo, criação de fundação de saúde traz desafios extras

na Gazeta do Povo via Boletim do NEMS-PR
 
A criação da Fundação Estatal de Saúde (Funeas) se tornou a principal prioridade do governo do Paraná neste início de ano na Assembleia Legislativa. Para a fundação sair do papel, os deputados precisam aprovar o projeto de lei que cria a entidade, que teria autonomia orçamentá­­rio-financeira e administraria parte dos serviços de saúde. Entretanto, a proposta sofre resistências de parlamentares e sindicatos de funcionários públicos. Já o governo, que tem pressa em aprovar o projeto, afirma que o principal objetivo é aprimorar o atendimento de especialidades médicas, considerado um dos gargalos da saúde.

Ontem, foi a vez de o Conselho Estadual de Saúde se reunir, em meio a protestos, para discutir a proposta. Uma das conselheiras decidiu pedir vistas e o tema deve ser novamente debatido no dia 28 deste mês. Nesse caso, a decisão tem mais um impacto político, já que o Conselho não tem poder de veto.

Descrição: Descrição: Antônio More/ Gazeta do Povo / Reunião do conselho: membros ligados aos servidores são contrários à proposta
Reunião do conselho: membros ligados aos servidores são contrários à proposta

Saiba mais

Tire suas dúvidas sobre a Funeas:

O que é?
A Funeas é uma fundação estatal de direito privado, organismo da administração pública indireta. Ela terá autonomia orçamentá­­rio-financeira, de gestão de recursos humanos, de compras e contratos.
O que fará a fundação?
Ela fará a administração de parte dos serviços de saúde oferecidos pelo estado. Em alguns hospitais, por exemplo, ficará responsável por fazer compras de equipamentos e por contratar médicos ou cooperativas de médicos para executar serviços específicos, principalmente nas áreas de especialidades e urgência e emergência.
Qual o escopo da fundação?
A entidade será responsável por administrar o Hospital de Reabilitação de Curitiba e outros cinco hospitais, 19 centros de especialidades que estão sendo ou serão construídos em todo o Paraná e o Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos.
Como será a organização da Funeas?
A entidade será dirigida por um conselho curador, cujo presidente é o secretário de Saúde. Os diretores serão funcionários comissionados indicados pelo governo. Além disso, haverá um corpo técnico-administrativo contratado em regime de CLT. Haverá concurso público para esses cargos.
Serão contratados médicos em regime de CLT?
Apenas em casos excepcionais. O objetivo da Funeas é contratar serviços médicos, e não funcionários para o quadro permanente dos hospitais. Por exemplo: ao invés de contratar um ortopedista para prestar serviços permanentes ao estado, a fundação contrata o médico para trabalhar um número determinado de horas em um hospital, por um período estabelecido em contrato. Esses contratos podem ser firmados com pessoas jurídicas (uma cooperativa de médicos, por exemplo) ou físicas.
Trata-se de uma privatização dos serviços públicos?
Para Caputo, a fundação é uma parte da administração pública, gerida pelo estado, que funcionará com dinheiro público e atenderá de forma gratuita a população – logo, não há privatização. Já o SindSaúde enxerga a entidade como uma privatização, já que a fundação terá autonomia para contratar serviços externos e decidirá como fará seus investimentos.

Parlamentares
A fundação também foi tema de uma reunião do governador Beto Richa (PSDB) e do secretário estadual da saúde, Michele Caputo Neto, com deputados da base aliada. Segundo o líder do governo na Assembleia, Ademar Traiano (PSDB), a ideia era explicar o funcionamento da instituição e tirar dúvidas dos deputados sobre o projeto. Vários parlamentares da base aliada, incluindo deputados do PMDB, não compareceram e ainda se manifestam contra a proposta.

Pressa

De acordo com Caputo, o governo tem pressa. Há um período de cerca de 120 dias para que a Funeas passe a existir de fato, a partir da aprovação do projeto de lei. Já a legislação impõe restrições na contratação de funcionários e serviços no período eleitoral, que começa em julho. Dependendo de quando o projeto for aprovado, a fundação poderia começar a funcionar apenas em novembro.

Entretanto, a pressa esbarra nos trâmites da Assembleia. Apesar de ter sido apresentado em dezembro, o projeto da Funeas ainda não tramitou em nenhuma das comissões do Legislativo. Uma possibilidade seria votar a proposta em comissão geral – procedimento feito para “driblar” as comissões, no qual o projeto é votado simultaneamente em todos os colegiados. Este procedimento pode causar desgaste com os deputados. Traiano admite estudar essa possibilidade, mas diz que irá discutir com o resto da base antes. De qualquer forma, ele afirma que o projeto não será votado na semana que vem – como foi especulado por alguns deputados.

Objetivos

Para Caputo, a Funeas é necessária para a contratação de médicos especialistas. Como se trata de profissionais com conhecimentos específicos, dificilmente eles são atraídos pelos concursos públicos. O secretário argumenta que o próprio governo federal recomenda o modelo proposto, sendo que ele foi aplicado em gestões petistas na Bahia e em Sergipe. “Não é uma questão ideológica ou de privatização. Também não é uma política do PSDB. Está acima disso”, diz.

O secretário considera, também, que a Funeas deve ajudar a resolver problemas jurídicos relativos à contratação de Organizações Sociais (OSs) para gerir hospitais e outras unidades de saúde. De acordo com ele, esses contratos têm sido sistematicamente questionados pelo Ministério Público. A função das OSs era justamente tornar a gestão do atendimento mais ágil, já que elas não têm as mesmas restrições que a administração direta. Neste caso, a Funeas ocuparia o espaço delas, com a vantagem de ser gerida pelo próprio estado.

Funeas divide o Conselho de Saúde e gera questionamentos

Gazeta do Povo

O Conselho Estadual de Saúde foi convocado ontem para discutir o projeto da criação da Fundação Estatal de Saúde (Funeas). A discussão, convocada pela Secretaria de Estado da Saúde, começou de manhã e foi interrompida no final da tarde, após uma conselheira pedir vistas ao projeto. Com isso, a votação só ocorrerá na próxima reunião do conselho, agendada para 28 de fevereiro. O encontro foi marcado por protestos de servidores ligados ao Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Pública do Paraná (SindSaúde) e pelo Fórum de Entidades Sindicais, que reúne 17 categorias. Cerca de 80 pessoas ocuparam o auditório do local do encontro e, por vezes, interromperam a reunião com palavras de ordem contra a criação da Funeas. A proposta desagrada aos servidores que consideram que a administração por meio de uma fundação desestabilizaria a carreira dos profissionais e diminuiria a qualidade do atendimento.

Divisão

Durante o dia, o Conselho ficou dividido. Alguns conselheiros, ligados aos servidores, se posicionaram contra a proposta. No entanto, representantes dos usuários do sistema acreditam que a medida é benéfica para a população. “Temos muitos problemas com o atendimento, o que poderia ser diminuído se tivéssemos mais profissionais. Se a contratação não pode ser feita por concurso, por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal, é preciso encontrar outra saída”, comentou a representante da Federação das Associações de Moradores do Paraná (Famopar), Livia Diniz Sola.

Mesmo com alguns posicionamentos favoráveis à proposta, outros conselheiros questionaram artigos do projeto de lei que cria a Funeas, inclusive mostrando que alguns itens entram em conflito com outros. “Muitas pessoas sugeriram um debate descentralizado, pois o projeto muda a estrutura da Secretaria de Saúde e cria uma nova estrutura, mas não ficou claro para ninguém como isso vai funcionar”, disse a coordenadora do SindSaúde, Mari Elaine Rodella.

Segundo a representante do sindicato, entre os questionamentos levantados estão dúvidas sobre o repasse do patrimônio da Sesa para a Fundação, a gestão orçamentária e a elaboração do estatuto social da instituição que, segundo o projeto, será definido pela própria Funeas. “Mas a questão principal é a aplicação de investimentos na área da saúde. A falta de dinheiro é o que provoca a precarização do serviço. Sem mais verba, a Fundação não vai fazer milagres”, avalia Elaine. O secretário estadual de Saúde, Michele Caputo Neto, argumenta que haverá um acréscimo de R$ 800 milhões ao orçamento da pasta, que daria cobertura a novos investimentos.

Servidores protestam contra criação da Fundação Estatal de Saúde

Gazeta do Povo

Cerca de 80 pessoas ligadas ao Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Pública do Paraná (SindSaúde) e ao Fórum das Entidades Sindicais, que representa 17 sindicatos, participam, nesta quinta-feira (13), de um protesto contra o projeto que cria a Fundação Estatal de Saúde (Funeas), no Paraná. A manifestação é na Secretaria de Saúde (Sesa), onde é realizada uma reunião extraordinária do Conselho Estadual de Saúde para a exposição, por parte do governo estadual, dos detalhes do projeto da fundação.

Contrários à criação da Funeas, os manifestantes, que representam diversas entidades sindicais do estado, compareceram à secretaria antes do início da reunião do conselho, que começou às 8h30, a portas fechadas. Pouco antes das 9h, parte dos ativistas empurrou as portas e conseguiu entrar no auditório. 

Apesar da entrada inesperada, a reunião prosseguiu normalmente, até que os sindicalistas começaram a se manifestar. Com aplausos, eles interrompiam as falas. Neste meio tempo, uma integrante do conselho – que é composto por representantes de várias categorias ligadas à saúde pública no estado – passou mal por causa do excesso de calor no auditório, e o encontro teve que ser interrompido por alguns minutos. Por volta das 10h15, a sessão continuava parada.

De acordo com a Sesa, não se trata de uma reunião para discutir a implantação da Funeas, mas sim, para apresentar o projeto ao conselho. Em dezembro, o grupo alegou que a proposta foi encaminhada à Assembleia Legislativa antes de ser formalmente apresentada ao conselho, o que motivou a reunião desta quinta.

A criação da Funeas foi proposta no final do ano passado. Caso seja aprovado o projeto, a fundação seria um organismo da Administração Pública Indireta, com maior autonomia orçamentária e financeira do que a administração direta e com a possibilidade de contratar funcionários pelo regime de CLT, como médicos - por exemplo. O governo argumenta que essa fundação tornaria a contratação de médicos mais ágil, mas a oposição considera que existe o risco de repassar o controle da saúde a entidades privadas.

Já para o SindSaúde, a Funeas seria uma maneira de o estado repassar o controle da área da saúde para uma entidade privada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário