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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

O governo do Paraná e a estranha compra das vacinas erradas

por Ruth Bolognese no Contraponto 

O governo do Paraná deve uma explicação clara e definitiva sobre a revelação do ex-diretor do Instituto Butantã, Isaías Raw, que estranhou a compra de 500 mil doses da vacina contra dengue da empresa Sanofi Brasil, em 2016. O custo chegou a R$ 50 milhões.

Além de dúvidas sobre a eficácia contra os quatro tipos da doença, a vacina é um perigo para quem jamais teve dengue. Trinta municípios do Paraná tiveram campanhas de vacinação e receberam o produto. E em dois deles, Assaí e Paranaguá, a vacina foi dada em crianças a partir dos 9 anos.

O ex-diretor do Butantã, instituto mais respeitado na área do Brasil, falou para a Folha de São Paulo sobre o assunto e levantou questões graves nessa compra.

O ex-diretor afirmou categoricamente que a Sanofi, fabricante da vacina, fez a vacina errada e, curiosamente, houve apenas um comprador, o governo do Paraná. – “E o que o Estado vai fazer com essa compra agora?”

E perguntou também: “Qual a relação entre o governo do Paraná e o ministro da Saúde? O ministro é um político, não entende de saúde pública ou vacinas”, afirmou.

E outra informação que deixa essa compra ainda mais estranha é o fato de que a Organização Mundial da Saúdes, OMS, só recomenda que a imunização seja feita com 50% de casos de dengue ou mais na população. O Paraná começou a campanha sem comprovar que qualquer um dos 30 muncípios tivesse esse percentual da doença.

Então, quando é que o governo Beto Richa vai se explicar?

Comentário - Colocando mais gasolina na fogueira:

O único estado da Federação que se aventurou nesta vacinação foi o Paraná.

No MUNDO, a Sanofi tinha conseguido vender a vacina apenas  nas Filipinas... e está sendo processada pelo governo de lá. Após a divulgação dos estudos (que apontam os riscos da vacina) as Filipinas também pediram um levantamento sobre a imunização de mais de 730.000 crianças com a vacina e a campanha de vacinação foi suspensa.

A OMS emitiu nota desaconselhando a aplicação da vacina em pessoas que não tenham tido contato com a dengue.

A ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) emitiu nota dizendo textualmente que o governo do Paraná deveria suspender a campanha de vacinação dado os enormes riscos.

A ANVISA emitiu nota recomendando que a vacina não seja tomada por pessoas que nunca tiveram contato com o vírus da dengue.

O secretário de saúde do Paraná é o presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde e o Paraná é vitrine privilegiada em iniciativas na área da saúde. Se a vacinação tivesse dado certo aqui... os demais estados iriam embarcar na canoa da vacina (ainda não suficientemente testada) da Sanofi.

Um universo de 200 milhões de habitantes estaria colocado à disposição da multinacional e sua vacina fajuta.

O secretário Caputo jogou sempre em dobradinha com o deputado Luciano Ducci. Ducci fez lobby intenso para incluir a vacina no calendário oficial do Programa Nacional de Imunização. Chegou até a apresentar Projeto de Lei neste sentido.

Então, não é só o governo Richa que tem que se explicar... A dobradinha Ducci/Caputo - em franca campanha eleitoral antecipada - deve explicações.
Mario às 22:16:00
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