Páginas

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Nota do Blog do Mario sobre a matéria do Fantástico a respeito de "Fraudes no SUS"

O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo.

O Brasil é o único país – dentre aqueles com mais de 100 milhões de habitantes – a manter um sistema de saúde público e universal.

Isto não é pouco. Para se ter uma ideia, são realizados, por ano, alguma coisa na faixa de 3,2 BILHÕES de procedimentos ambulatoriais/ano.
TRÊS BILHÕES DE PROCEDIMENTOS/ANO.

São mais de 11 milhões de internamentos ano.

90% de todos os transplantes de órgãos – e procedimentos relacionados – são realizados pelo SUS. Muitos deles em usuários que tem seus próprios planos de saúde privados.

Juntem-se a isso os atendimentos do SAMU - por ano, são realizados em torno de 1500 atendimentos do SAMU via transporte aéreo – isto tudo sem esquecer as cirurgias realizadas via Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade.

O sistema público de saúde no Brasil gira em torno de R$ 110 Bilhões/ano para atender pouco mais de 190 milhões de usuários.

É o maior mercado emergente do mundo para equipamentos, medicamentos e serviços de saúde. Quer um exemplo? Mesmo não precisando (risos) somos o segundo maior consumidor de “Viagra” do mundo!

Um sistema gigantesco como este, é virtualmente impossível de ser “totalmente” controlado. Eu costumo usar a figura do “estar enxugando gelo”.

Todos os anos a turma do SUS cria mecanismos e portarias tentando fechar os furos.

Todos os anos prestadores e empresas terceirizadas que fazem a fatura dos hospitais  descobrindo formas e maneiras de burlar o sistema.

Neste quesito, não estamos sozinhos...

A Transparência Internacional, com sede em Berlim, estima que entre 10% e 25% do gasto público em logística de fornecimento, incluindo o setor de saúde, se perdem devido à corrupção.

O setor da saúde é tido como um dos maiores “campeões” em fraudes no MUNDO. Nos Estados Unidos, o sistema é IMENSO, é PRIVADO (mesmo parte do ‘ObamaCare’ é operado pelo setor privado), a máquina de combate a fraude é IMENSA e as fraudes são IMENSAS.

Olha só o que diz o pessoal da Organização Mundial de Saúde -OMS:
  •    Somos conscientes de que existe corrupção de vários tipos tanto em países de baixa renda quanto entre os de alta renda.
  •    Essas práticas ilícitas causam perda de grandes quantidades de dinheiro que poderiam ser usadas para comprar remédios muito necessários ou contratar mais pessoal nas instituições médicas.
  •    A corrupção no setor da saúde mata.
  •  A OMS reconhece que a corrupção é um problema complexo, imenso e difícil de resolver.

(Guitelle Baghdadi-Sabeti, do Departamento de Políticas e Pautas para Medicamentos da OMS).

Em resumo:
  • Existem fraudes no SUS... assim como existem fraudes em TODOS os sistemas de saúde do MUNDO.
  • O sistema de financiamento do SUS é descentralizado. Estados e municípios emitem, pagam e (em tese) fiscalizam. Jogar a “culpa” toda no colo do Ministério da Saúde é uma absoluta desfaçatez. 
  • Por outro lado, pouco adianta ao Ministério da Saúde tentar controlar o vazamento de recursos com a “peneira” das portarias ministeriais. 
  • Não se controla um sistema que executa mais de 3 bilhões de procedimentos/ano com portarias. É tiro na água emitir portarias dizendo que ‘é proibido fraudar o SUS’.


Agora vem a parte triste da conversa:
Há exatos vinte anos atrás, foi criado o “Sistema Nacional de Auditoria” – SNA no SUS.

Imaginou-se que este sistema seria descentralizado, com componentes federal, estaduais e municipais atuando no controle (senso amplo) do SUS.

O componente federal do SNA NUNCA FOI IMPLANTADO EFETIVAMENTE.

Na semana passada, a presidenta Dilma VETOU a legislação que permitiria – DEPOIS DE VINTE ANOS – partir para a efetivação do SNA...

Na próxima quinta feira - 12 de setembro - vou participar de um evento de comemoração dos 20 anos da criação do SNA em Brasília.

Nós, trabalhadores e colaboradores do SNA, temos pouco a comemorar...


O veto tirou nosso chão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário