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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Os níveis de barbárie da política brasileira foram atualizados

O encontro da intolerância religiosa com a direita brasileira produziu um novo marco de violência: contra as crianças e adolescentes, mas também contra o Sistema Único de Saúde.

via Outra Saúde (por e-mail)

CUSTE O QUE CUSTAR

O encontro da intolerância religiosa com a direita brasileira produziu um novo marco de violência: contra as crianças e adolescentes, mas também contra o Sistema Único de Saúde. O uso político do caso da menina de dez anos que engravidou começou no governo federal, se espalhou nas redes bolsonaristas até que, enfim, se converteu em palanque para deputados estaduais e vereadores. 

Tudo começa, como nota a reportagem do El País, com um vazamento – que, aliás, deveria ser investigado. No dia 8 de agosto, a criança deu entrada no Hospital Roberto Silvares, localizado na cidade onde mora, São Mateus (ES). Estuprada pelo marido de uma tia desde os seis anos, ela engravidou. Mesmo a ultrapassada legislação brasileira lhe assegurava duplamente o direito ao aborto, por ter sido vítima de violência sexual e pelos riscos físicos e psicológicos de uma gestação indesejada na sua idade. Ao invés de ter acesso ao que lhe era de direito, a criança foi exposta. Seu caso foi parar nas redes sociais da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos.

Damares Alves começou uma campanha para pressionar a menina de dez anos a levar a gravidez forçada adiante. Prometeu ‘ajudá-la’. Não satisfeita, a ministra enviou na quinta-feira “emissários” à cidade capixaba. 

sexta-feira, 19 de junho de 2020

O Olavismo chega ao ministério(*) da Saúde


no Outra Saúde (via e-mail)

Se não bastasse a ocupação militar do Ministério da Saúde e o loteamento da estratégica área de vigilância para o Centrão, agora a “doutrina” de Olavo de Carvalho também terá influência sobre a pasta. Saiu ontem a nomeação de Hélio Angotti Neto como secretário de ciência, tecnologia e insumos estratégicos – área onde justamente se monitoram estudos clínicos sobre medicamentos e se avalia sua eficácia... 


Como Ernesto Araújo, outro discípulo do ideólogo, Angotti é adepto da crença no “globalismo” e escreveu sobre isso em seu blog: “Vivemos, na verdade, um cenário parcialmente previsto pelo Filósofo Olavo de Carvalho no início do século XXI, que recomendara ao então presidente do Brasil, Itamar Franco, a realização de um Congresso Mundial sobre o Nacionalismo. A sugestão então ignorada agora se faz urgente, como também é urgente a redefinição dos mercados e das fronteiras diante das atuais mutações políticas, científicas, econômicas e culturais”.


quarta-feira, 18 de março de 2020

Estado e Ciência


Por Leandro Fortes no FB


A pandemia do coronavírus tem servido para mostrar, de forma devastadora, a inutilidade absoluta das religiões, ao mesmo tempo que reforça a única crença possível, em meio ao desespero social: um Estado forte e solidário, única força capaz de garantir a sobrevivência da humanidade.

A proibição de realização de cultos religiosos não é somente uma atitude sanitária correta e providencial. É o reconhecimento de que não há salvação em ritos, milagres e orações. Somente a ciência é capaz de nos dar as armas e as ferramentas para seguir adiante - a mesma ciência que, no Brasil, passou a ser atacada por um governo de dementes controlado, em grande parte, por fanáticos religiosos e mercenários da fé (e da ignorância) alheia.

Os defensores das teses de Estado mínimo e os aventureiros das reformas que, hoje, levam o Brasil ao fundo do poço social, se deram conta, apavorados, que estavam cavando a própria cova.

Bastou o cagaço de uma epidemia para a classe média brasileira - reacionária, iletrada e, principalmente, apavorada - choramingar atrás do Sistema Único de Saúde. O mesmo SUS que, desde o golpe de 2016, o lobby dos planos de saúde tenta desmontar e destruir, impiedosamente.

Diante do desastre sanitário que se anuncia, as discussões sobre reformas e privatizações se tornaram inócuas, anacrônicas e ridículas.

O Brasil precisa se voltar, outra vez, para o fortalecimento de políticas públicas de assistência social e distribuição de renda.

Precisa revogar a emenda constitucional 95, aprovada no governo golpista e criminoso de Michel Temer, que congelou investimentos públicos por 20 anos.

E precisa se livrar, antes que seja tarde, de Bolsonaro e sua trupe de mentecaptos.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A mentira da “preservação sexual” da ministra Damares

Há correlação entre defesa da abstinência e o aumento da gravidez na adolescência e da maternidade precoce, apontam estudos



Por DEBORA DINIZ e GISELLE CARINO *
no El País


A ministra das Mulheres, da Família e dos Direitos Humanos mente. Ministra Damares Alves mente em nome da ciência para encobrir a própria fé: confunde o rebanho do templo evangélico com o povo de uma democracia. A mais recente decisão de defender “abstinência sexual para adolescentes” como método de “preservação sexual” seria estapafúrdia, se não fosse política pública de Estado. Não existe “preservação sexual” como categoria científica – é parte da novilíngua bolsonarista, pois se inventam sentidos ou palavras para naturalizar a ordem autoritária. A cosmética linguística é fundamental para fazer crer que há algo além do fanatismo patriarcal-religioso liderado por Damares.

Ministra Damares menciona evidências científicas para a tática moral de “preservação sexual”. No evento de lançamento da política em Brasília, cartazes alardeavam a ineficácia da camisinha para a transmissão do vírus HIV, pois haveria “poros” que permitiriam a passagem do vírus. A propriedade dos cartazes era de um padre católico que os recolheu ao final do evento – uma cortesia exibicionista sobre o encontro missionário entre evangélicos e católicos quando o assunto é sexo. Como não existe “preservação sexual” fora de táticas de tortura corporal, como cinto de castidade ou castração química, Damares está falando de “abstinência sexual” como política pública de saúde para os adolescentes.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Governo Bolsonaro incluiu nova política para gravidez na adolescência: a abstinência sexual

Governo Bolsonaro incluiu nova política para gravidez na adolescência: a abstinência sexual. Ministério de Damares faz eventos com $ público pregando que jovens não transem. Ministério da Saúde acabou com caderneta do adolescente. Saúde na Escola esvaziado 

Ministério de Damares fez evento pra debater gravidez na adolescência. Convidou apenas religiosos entusiastas da abstinência sexual. Na entrada, cartazes criticavam camisinha com informação fantasiosa e relacionavam aborto e pedofilia. Ministério nega ter permitido os cartazes.



quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Talíria Petrone: Eu ESCOLHI ser mãe e sigo defendendo a legalização do aborto

por Talíria Petrone* no Twitter

Hora de falar sério e fazer o debate. Eu ESCOLHI ser mãe e sigo defendendo a legalização do aborto. A MINHA escolha não é a escolha de todas as mulheres. Do mesmo modo, o direito ao aborto seguro não obriga mulheres a interromperem a gravidez. E por que legalizar? Segue o fio:

1- Defender a legalização não é defender o aborto. A fé e valores individuais devem ser preservados pra quem for contra, mas não podem motivar leis num Estado Laico e que deve servir ao bem comum. Evidências, ciência e estatísticas devem motivar legislações.

2- E o aborto ilegal é uma das principais causas de mortes maternas, maioria negras e pobres. As ricas (parte delas religiosas, aliás) têm acesso ao aborto seguro porque podem pagar. Isso é questão de saúde pública, não de polícia. É papel do Estado garantir a vida das mulheres.

3 - A ilegalidade do aborto não impede que ele ocorra. São quase 1 milhão por ano aqui. Mulheres abortam por desespero, medo, falta de condições... São tantos os motivos e nunca é algo confortável. Com tanto abandono paterno, a culpa é da mulher por que mesmo? Eu hein...

4 - Não é verdade que se legalizar, o aborto será usado como método contraceptivo. Países aonde o aborto é legal mostram o oposto. Esse argumento é absurdo e antievidência! Legalização aumenta informação, o acolhimento e o debate sobre gestação indesejada.

5 - Os mesmos que mentem sobre o significado da legalização do aborto, dialogando com a desinformação e fundamentalismo, são contra a prevenção à gestação indesejada. Não querem falar sobre educação sexual nas escolas, interditam debate tão importante!

Defender que o aborto é questão de saúde pública e que interfere no corpo da mulher é defender a vida! Educação sexual para prevenir; contraceptivos para não engravidar; aborto legal, público e seguro para não morrer!


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(*) Talíria Petrone @taliriapetrone
Professora de História, negra, feminista. Ex-vereadora de Niterói e deputada federal pelo PSOL do Rio de Janeiro.

sábado, 21 de julho de 2018

Ainda o Crivellagate - burla na marcação de consulta

no Outra Saúde (por email)

MAIS (SOBRE) REGULAÇÃO


O Ministério Público do Rio quer que Marcelo Crivella se comprometa a aumentar a transparência do Sisreg e encaminhou ao prefeito na quarta (18) uma carta de compromisso. A ideia central do documento é a criação de uma site para que os usuários possam saber que posição ocupam na fila do atendimento, qual sua classificação de risco, a data inicial do registro do pedido, se este foi negado, devolvido, está pendente ou concluído, e por aí vai. 

E o sistema de regulação de vagas e procedimentos no SUS é o assunto da matéria do jornal O Globo, que explica que, no Rio, a regulação é dividida nas esferas estadual e municipal, com os casos mais simples, como as cirurgias de catarata, na segunda (Sisreg) e os mais complexos, como transplantes, na primeira (SER, ou sistema estadual de regulação). Em ambos os casos, a espera para alguns procedimentos é grande, e pode exceder cem dias. Uma vez atendido, o usuário é encaminhado para uma unidade pública ou conveniada ao SUS. E depois do procedimento ou consulta realizado, ele é inscrito em uma nova fila de acompanhamento do problema de saúde para obter uma vaga de retorno. 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Um novo (velho) caminho [ou como o fundamentalismo religioso se apropria das políticas públicas]

Antes da reação gerada pelo vazamento da reunião secreta de Marcelo Crivella com pastores, a gestão do prefeito promoveu no fim de junho atividades (também não divulgadas publicamente), em que facilidades foram oferecidas para representares de comunidades terapêuticas no âmbito de um programa recém-lançado

Por Dayana Rosa* e Dionísio Borges** para o Outra Saúde

“Essa é uma viagem suicida
Que vai ao encontro a um beco sem saída
Quem entra não tem regras ou critérios
Ou vai para cadeia, hospício ou cemitério
Exportamos tantos craques da bola
E as crianças fumam crack fora da escola
As drogas rolam soltas nas esquinas
Tem pedra, maconha ou cocaína
Por isso vem,
Entre comigo nessa guerra
Vamos salvar os filhos dessa terra
Estou fazendo a minha parte cantando com você
Usando a arte, dando a cara para bater
Tudo isso tornou-se normal
Matéria boa no telejornal
Enquanto tem gente sofrendo submisso
Jogado na sarjeta comendo lixo […]”
(Música “Filhos da Terra”, de Toni Melo e Marcio Marins, que foi apresentada como hino do programa Um Novo Caminho)


A existência de instituições fechadas e especializadas no tratamento de pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas no Brasil remonta às primeiras décadas do século XX. À época, essa população era presa em hospitais psiquiátricos ou presídios (quando pobres), e em clínicas privadas situadas quase sempre em pequenas propriedades rurais (quando ricos). Essa realidade se manteve inalterada até meados da década de 1970, quando as primeiras comunidades terapêuticas (CTs) começaram a surgir no país. À medida que seu número foi aumentando, as CTs, ao lado de irmandades como a de Alcoólicos e Narcóticos Anônimos, ocuparam o vazio deixado pela quase absoluta ausência de iniciativas públicas dirigidas a pessoas e famílias em situações de risco e/ou vulnerabilidade social associadas ao uso dessas substâncias. Afinal, até meados da década de 1990, a oferta de serviços públicos não manicomiais para essa população restringia-se a uma meia dúzia de núcleos universitários situados em umas poucas capitais brasileiras, cuja tarefa era muito mais a de formar profissionais para clínicas privadas do que propriamente a de atender ao público.

O termo “comunidade terapêutica” foi cunhado pelo psiquiatra sul-africano Maxwell Jones (1907-1990). Radicado no Reino Unido, Jones não gostava de receitar psicotrópicos, e viu uma oportunidade de experimentar novos métodos ao ser convocado a atender soldados acometidos por transtorno de stress pós-traumático durante a Segunda Guerra Mundial. Sua ideia foi criar um ambiente acolhedor, no qual o medicamento e o trabalho médico eram substituídos por grupos de partilha, atividades artísticas, assembleias e realização de atividades cotidianas de manutenção da CT. Depois de algum tempo, Jones percebeu que aquela modalidade de tratamento poderia servir também a outros problemas, como o uso de álcool e outras drogas. A inclusão de elementos religiosos viria apenas na década de 1950, já nos Estados Unidos, e nada teve a ver com as experiências precursoras dos ingleses.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Sobre Educação Sexual. Mostre pros seus conhecidos bolsominions e crentelhos

- 55% das gravidez do Brasil não são planejadas - Uso incorreto de métodos populares de contracepção diminui a eficácia dos mesmos. - 4,1 bi por ano gastos em gestações não planejadas. Percebe a importância da educação sexual?

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O médico excomungado por aborto de menina de 9 anos vítima de estupro (republicando texto atualíssimo)

matéria publicada na BBC Brasil em 27 maio 2016 (mas estupidamente atual)

"Nunca tive dúvidas de que era o correto a fazer", diz obstetra sobre aborto em garota vítima de estupro

Este texto foi publicado originalmente no dia 19 de fevereiro de 2016, em cobertura sobre o debate de aborto em casos de microcefalia. O texto foi reorganizado para a publicação atual.

Em 30 anos como médico obstetra, o pernambucano Olímpio Moraes conhece como poucos a força do debate sobre direitos reprodutivos e aborto no Brasil. Ele foi excomungado duas vezes por representantes da Igreja Católica no Estado - uma delas apenas por apoiar a iniciativa disponibilizar pílulas do dia seguinte em postos de saúde no Carnaval do Recife. Na outra, por realizar o aborto em uma menina que ficou grávida após ser estuprada.

A polêmica que lhe trouxe fama na imprensa nacional ocorreu quando uma garota de nove anos do interior pernambucano foi encaminhada a Recife, grávida de gêmeos.

"Ela tinha menstruado uma vez só e não entendia o que estava acontecendo, embora fosse dito para ela o que era uma gravidez. Ela achava que estava doente e ia para o hospital tirar o tumor. Estava sempre com uma boneca", relembra.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

18 HOMENS votaram pela criminalização ATÉ EM CASOS DE ESTUPRO




MAS OLHA

Agora aquela menina que foi estuprada pelo pai, pelo tio, pelo padrasto, pelo conhecido da família, aquela menina não vai mais poder contar com o Estado para abortar legalmente. Aquela mulher que foi violentada onde quer que seja, por quem quer que seja e engravidar, ela esta desassistida. 

O estupro é um crime subnotificado, mas eis os dados: dos 527 mil estupros registrados por ano, 70% são cometidos contra menores de 17 anos e 52% contra menores de 13 anos. TREZE. 

De que adianta ficarem berrando por punições severas aos estupradores se as mulheres estão desassistidas, com um sistema despreparado e displicente? Agora essas mulheres serão obrigadas a recorrer a carniceiros de fundo de quintal ou clínicas caríssimas (as que podem, né) porque não, camaradas, elas não vão deixar de abortar porque é ilegal, elas só vão fazer isso de forma insegura e correndo risco de vida. 

Retrocesso já nem abarca mais o que está acontecendo neste país.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Fundamentalismo religioso pode ser tratado como doença mental, diz neurocientista

Pesquisadora da Universidade de Oxford diz que fundamentalismo poderá ser reconhecido como doença e tratado no futuro


A pesquisadora fala em vídeo no YouTube (reprodução)

O fundamentalismo religioso poderá um dia ser tratado como doença mental - e curado. Quem diz isso é Kathleen Taylor, pesquisadora em neurociência da Universidade de Oxford. A afirmação foi feita na última quarta-feira, 19, em um festival literário no Reino Unido. 

Quando foi questionada sobre o futuro da neurociência, Kathleen afirmou que “uma das surpresas pode ser ver pessoas com certas crenças como pessoas que podem ser tratadas”, descreveu o jornal Times of London.

“Alguém que se tornou, por exemplo, radical em relação a uma ideologia - podemos deixar de ver isso como uma escolha pessoal resultante do puro livre-arbítrio e podemos começar a tratar isso como algum tipo de distúrbio mental”, disse a pesquisadora. “De várias formas isso pode ser uma coisa muito positiva porque sem dúvida as crenças em nossas sociedade podem provocar muitos danos.”

A autora deixou claro que não estava se referindo apenas ao fundamentalismo islâmico, mas também a cranças como a de que espancar crianças é aceitável.

Kathleen é autora do livro Brainwashing: The Science of Thought Control (Lavagem cerebral: a ciência do controle de pensamentos, em tradução livre), em que explora a ciência por trás das táticas de persuação de grupos como a Al Qaeda. “Todos nós mudamos as nossas crenças. Todos nós persuadimos uns aos outros para fazer coisas; todos nós assistimos publicidade; somos todos educados e experimentamos religiões; a lavagem cerebral é o extremo disso; é coercitiva, forte, um tipo de tortura psíquica”, disse ela em um vídeo no YouTube. A pesquisadora também é uma das que se preocupam com a ética de se aprofundar muito no cérebro humano, como as tecnologias que podem escanear ou manipular neurônios.

sábado, 15 de julho de 2017

"Só uma mulher sabe o que é ter uma gravidez indesejada"

por Deutsche Welle - reproduzido na Carta Capital

Especialista em saúde reprodutiva comenta estágio do debate sobre aborto no Brasil e cita "propostas absurdas"

O aborto é considerado crime no Código Penal Brasileiro com exceção de três circunstâncias: quando a gravidez representa risco de morte para a mulher, quando a gravidez é resultante de estupro ou quando o feto apresenta anencefalia.
O assunto é foco de constantes discussões na sociedade brasileira. Recentemente, a epidemia do vírus zika reavivou o debate sobre o direito ao aborto, especificamente devido ao risco de microcefalia provocado pela doença.
Também gerou polêmica o projeto de lei (PL) 1465/2013, do Distrito Federal, que prevê que imagens do desenvolvimento fetal sejam mostradas a mulheres vítimas de estupro antes de deixá-las decidir se querem ou não abortar. Após milhares aderirem a uma campanha online, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) comprometeu-se a vetar a proposta, o que deve fazer formalmente até a próxima semana.
"Muito do tempo das feministas e do movimento progressista no Brasil foi gasto nas últimas décadas para barrar o avanço de propostas absurdas", destaca a psicanalista e pesquisadora da Unicamp Margareth Arilha, que se dedica desde os anos 1980 a questões de gênero, saúde reprodutiva e políticas públicas.
Nesta entrevista, a especialista discute a questão da descriminalização do aborto no Brasil e fala sobre os avanços e retrocessos dos direitos reprodutivos no País. "A luta sempre partirá mais das mulheres. Sempre será difícil para um homem compreender", diz.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Aborto: prisão de paciente em Hospital Evangélico de Curitiba coloca em risco a vida das mulheres

Com dores decorrentes de um processo de abortamento, uma mulher de 26 anos buscou socorro na emergência do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, no Paraná. Após receber alta, não voltou para casa: foi levada direto ao cárcere da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde permaneceu por três dias e só foi liberada com o pagamento de fiança, em 13 de fevereiro. A prática do aborto é considerada crime no Brasil, mas o atendimento humanizado e sigiloso é um direito. Mulheres que chegam ao hospital público com complicações de uma interrupção – voluntária ou não – da gravidez também devem ter garantido esse atendimento, conforme prevê a Norma Técnica do Ministério da Saúde (MS) “Atenção Humanizada ao Abortamento”. O hospital abriu sindicância para investigar se houve quebra de sigilo, que além de ser crime viola o código de ética dos profissionais de saúde.
Em nota emitida na última semana, o hospital afirmou que considera a quebra de sigilo profissional uma “atitude condenável”. “Já foi aberta uma sindicância para apurar o fato e, caso seja confirmado, imediatamente serão tomadas as providências cabíveis”. A paciente chegou à emergência do hospital em 10 de fevereiro e durante o atendimento teria revelado que havia feito a interrupção da gravidez com o uso do comprimido Misoprostol. Ela estava grávida de cinco meses e depois de tentar realizar o aborto sozinha, pediu ao namorado para que a levasse ao hospital.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Denúncia: Intolerância religiosa, constrangimento ilegal e abusos praticados por funcionários da Gol, seguranças e policiais federais do Aeroporto de Congonhas

Recebi via Whatsapp da Lena Garcia

Na tarde de ontem dois ícones de nossa religião, Mãe Carmen da Oxum, Pai Karlito de Oxumarê e mais dois Omorixas foram vítimas de intolerância religiosa, constrangimento ilegal e abusos praticados por funcionários da Gol, seguranças e policiais federais do Aeroporto de Congonhas. 

O grupo foi proibido de embarcar ou despachar num voo da Gol algumas peças de odum ara que portavam com a finalidade de realizar liturgias religiosas. 

Além de serem obrigados a jogar no lixo os símbolos religiosos, ouviram comentários jocosos contra nossa Religião e sofreram constrangimentos e ameaças. 

A pedido de Mãe Carmem e Pai Karlito, assumi a defesa deles e irei tomar todas as medidas judiciais que o caso requer. Saudações. Hédio.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Aborto e conservadorismo nas instituições

via FPA

Com a possibilidade de indicação de Ives Gandra Filho para a vaga de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal, é preciso discutir a ampliação do espaço para o conservadorismo nas instituições brasileiras com o governo golpista. Ives Gandra é ligado a setores conservadores da Igreja Católica e tem, por exemplo, artigos que criticam os direitos das mulheres e dos/das LGBTs.

O momento exige organização dos movimentos sociais contra tal ofensiva. O aborto precisa ser encarado pelo Estado (laico) como questão de saúde pública, que, por ser ilegal, mata uma mulher a cada dois dias no Brasil. O aborto é, inclusive, a quinta maior causa de mortalidade materna no Brasil e um entrave na redução da mortalidade materna no país.

A Pesquisa Nacional de Aborto (PNA) mostra que uma em cada cinco mulheres brasileiras, ao fim de sua idade reprodutiva, terá feito um aborto, e que tal estatística não varia de acordo com a religião confessada pela mulher.

É importante ainda apontar que as mulheres que morrem em decorrência de aborto em geral são mulheres pobres, que não contam com recursos para acessar clínicas de aborto seguras mas clandestinas.
Para saber mais:
Aborto e estigma: uma análise da produção científica sobre a temática
leia mais
Serviços de aborto legal no Brasil – um estudo nacional
leia mais 

O candidato da Fiesp
leia mais
Aborto: breve manual do bom senso
leia mais
Aborto e cesariana entre as causas da mortalidade materna
leia mais
1 em 5 mulheres terá feito aborto ao fim da vida reprodutiva
leia mais
Mortes por aborto no Brasil: a legitimação da nossa ignorância
leia mais

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

[Impasse "gourmet"]: McDonald’s abre unidade no Vaticano e cardeal diz que é uma “afronta”


"Apesar dos protestos dos moradores da região, o fast food inaugurou no dia 30 de dezembro a poucos metros da Praça de São Pedro"

Comentário: Dizem as más línguas que a polêmica toda começou quando a empresa anunciou os dois novos itens do cardápio: O "McFilé de Igreja" e o "Mc-Hóstia"

sábado, 10 de dezembro de 2016

Ainda sobre as "comunidades terapêuticas"

Na atual conjuntura a minha posição pessoal é FRONTALMENTE CONTRA as chamadas "comunidades terapêuticas" (assim mesmo, em minúsculas e entre aspas).


As "comunidades terapêuticas" seriam bem vindas caso concordassem em se integrar de forma honesta à Rede De Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS. 

Isto significa cumprir as normas sanitárias, ter (entre outros requisitos) projeto terapêutico e dispor de equipe completa de profissionais de saúde atuando regularmente.

Na atual conjuntura as "comunidades terapêuticas" preferem ficar no limbo. 

Não querem ser serviços de saúde - preferem não ter que cumprir as normas sanitárias - mas também não abrem mão de receber remuneração e subsídios como se serviços de saúde fossem.

Preferem continuar a ser campos de concentração de pacientes. 

Preferem continuar a ter seus "projetos terapêuticos" fundados na lavagem cerebral de orientação religiosa. Doutrinação religiosa compulsória.

Terapia centrada na bíblia e no cabo da enxada.

Daí querem receber como se fossem serviços de saúde que NÃO SÃO.

Sim, eu sei... existem exceções.

Recordando: Comunidades terapêuticas: a violência no lugar da cura

por Ingrid Matuoka na Carta Capital — publicado em 30/06/2016 

Fiscalizações em centros de tratamento para dependentes de drogas em São Paulo revelam sérios casos de maus tratos

Solitária
Houve relatos de internos confinados em solitárias com janelas que não fechavam, usando só a roupa íntima
Em agosto de 2015, o Ministério da Justiça regulamentou o funcionamento das chamadas comunidades terapêuticas (CTs) como parte do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad). No papel, essas entidades oferecem tratamento, de modo voluntário, aos efeitos nocivos do vício em álcool e drogas e serviriam para ajudar as pessoas a reconstruir suas vidas. Na prática, há muitas denúncias de que as comunidades terapêuticas funcionam como manicômios disfarçados.
Uma fiscalização do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRPSP) realizada em 43 comunidades terapêuticas e clínicas para usuários de drogas no estado entre 2013 e 2015 mostrou que as críticas são, ao menos parte, baseadas em fatos. 
Publicados em maio em forma de um dossiê, os resultados trazem à tona graves violações de direitos humanos nas CTs, que vão desde trabalho forçado e participação compulsiva em cultos religiosos a, medicalização excessiva, homofobia, transfobia e estupros. Há também relatos de mortes – quatro nas instituições inspecionadas durante as internações, sendo dois suicídios.
A equipe do Conselho afirma no dossiê que, apesar do mapeamento realizado, outras violações podem não ter sido narradas pelos usuários e psicólogos, nem foram passíveis de observação, porque muitos entrevistados se sentiram constrangidos e amedrontados de revelar maus tratos.
LEIA A MATÉRIA COMPLETA AQUI