Páginas

Mostrando postagens com marcador Saúde Mental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saúde Mental. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

De volta para o passado: Desgoverno Bolsonaro investe pesado nas comunidades terapêuticas

ELDORADO DAS COMUNIDADES TERAPÊUTICAS 
(do Outra Saúde por e-mail)

O orçamento previsto este ano para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) é de R$ 158 milhões. Já as comunidades terapêuticas receberão do governo federal quase o dobro: R$ 300 milhões. O financiamento representa um salto de 95% em relação ao ano passado – quando, aliás, já era alto. Então, foram repassados R$ 153,7 milhões para custear 11 mil leitos. O objetivo do governo agora é que 20 mil vagas estejam abertas nas CTs até o fim do ano. 

E há outras 1.456 vagas a caminho. Isso porque decidiu-se pegar R$ 10,2 milhões do crédito suplementar aberto durante a pandemia e financiar a internação de usuários de drogas em situação de rua. A ideia foi anunciada em outubro pelos ministérios da Cidadania e da Mulher, Família e Direitos Humanos. 

terça-feira, 14 de abril de 2020

Exclusivo! O Brasil NÃO FOI O ÚNICO PAÍS a registrar gente convocando passeata contra a quarentena!


Houve sim UM outro caso de gente chamando passeata contra a quarentena e negando a gravidade da crise de saúde: Alemanha. Era uma pessoa, advogada, que agora está internada numa instituição psiquiátrica.

Ela NÃO foi internada por ter convocado a passeata contra a quarentena. Teve uma crise na rua, foi atendida e viram que realmente tinha problemas psiquiátricos que demandavam atendimento.


LEIA MAIS AQUI

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Leandro Fortes: "Quem, como eu, passou os últimos 30 anos como jornalista militante, em Brasília, sempre soube que Jair Bolsonaro era um desqualificado absoluto"

por Leandro Fortes no FB

A BESTA ESTÁ BABANDO

Quem, como eu, passou os últimos 30 anos como jornalista militante, em Brasília, sempre soube que Jair Bolsonaro era um desqualificado absoluto. Um sujeito simplório, ignorante, mas esperto o suficiente para ter vislumbrado na comunidade de baixas patentes das Forças Armadas um nicho eleitoral eficiente.
Nessa alcova, elegeu-se repetidamente deputado federal, ora pregando o fechamento do Congresso Nacional, ora dando abrigo a mulheres de praças e oficiais que iam bater panela na Esplanada dos Ministérios em nome das reivindicações salariais dos maridos.
Sua presença era risível, no pior sentido, dentro do Parlamento, onde transitava sem amigos ou aliados, um espectro que provocava somente desprezo e asco, nas poucas vezes que abria a boca para tratar sobre qualquer coisa.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Drogas: o retrocesso gigante

Governo abandona redução de danos, financia “comunidades terapêuticas” e quer encarcerar em massa

O FIM DA REDUÇÃO DE DANOS
A destruição de tudo o que se construiu no país nas últimas décadas em relação aos cuidados com usuários de drogas começou no governo Temer, e Bolsonaro chegou trazendo o ambiente perfeito para a consolidação: o presidente assinou ontem o decreto 9.761/2019, que aprova a nova Política Nacional sobre Drogas, revogando inteiramente a anterior, de 2002. O novo documento foi anunciado de manhã, na cerimônia de comemoração aos 100 dias de governo, mas só foi divulgado à noite. Deve ser publicado hoje no Diário Oficial. 
A expressão “redução de danos” sequer aparece. Em vez disso, só abstinência – e aqui vale registrar a fala da professora Andrea Gallassi, da UnB, no Estadão: “Na redução de danos, a abstinência é a consequência esperada, mas cada pequeno ganho na diminuição do uso durante o processo de tratamento é bastante valorizada”. Ainda no ano passado, a representante do Conselho Federal de Psicologia Clarissa Guedes explicou à nossa editora, Maíra Mathias, o porquê: “A gente não acredita que a abstinência deva ser um modelo imposto, como se todo mundo fosse parar de fazer uso de substâncias psicoativas de uma hora para outra. É irreal para a clínica das toxicomanias pensar nesse ideal porque as pessoas não fazem uso abusivo porque querem”. 

domingo, 24 de março de 2019

Conselho Nacional de Direitos Humanos recomenda suspensão da “Nova Política de Saúde Mental”

CNDH recomenda que Nova Política Nacional de Saúde Mental seja suspensa e discutida em audiências públicas
Conselho Nacional de Direitos Humanos recomenda suspensão da “Nova Política de Saúde Mental”
Hospital Colônia de Barbacena (MG). Foto: Divulgação Geração Editorial

no Blog da Saúde (por Conceição Lemes)
Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) aprovou em 14/03/2019,  em sua 45ª Reunião Ordinária a “Recomendação sobre a ‘Nova Política Nacional de Saúde Mental’, elaborada e em execução sem ser legitimamente formulada”.
CNDH recomendou ao Ministério da Saúde que suspenda a execução de todas as normativas incompatíveis com a estabelecida Política Nacional de Saúde Mental, submetendo todas as normativas ao debate público, especialmente por meio das conferências de saúde e dos conselhos de saúde; e que convoque audiências públicas, com antecedência e ampla convocação, garantindo a plena e efetiva participação dos usuários da RAPS e suas organizações, para discussão da proposta de “Nova Política Nacional de Saúde Mental”.
No documento, o conselho considera que “não se pode estabelecer alterações na política de saúde, formulada com participação social, sem a realização prévia das necessárias conferências de saúde e sem amplo debate com a sociedade e as entidades representativas de usuários, especialmente no âmbito dos conselhos nacional, estaduais e municipais de saúde”, de acordo com diretrizes da Constituição Federal de 1988, de legislações nacionais e de uma série de tratados internacionais, dos quais o Brasil é signatário, como a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Governo Bolsonaro quer trazer de volta os manicômios no Brasil

Nota técnica é alvo de críticas por abrir precedentes para o retorno de uma lógica manicomial que privilegia a internação e abstinência, enquanto coloca em segundo plano política de redução de danos

no Ponte Jornalismo

Cena do filme Bicho de Sete Cabeças que mostra a violência de hospitais psiquiátricos | Foto: reprodução
O Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica nesta quarta-feira (6/2) propondo novas diretrizes de políticas nacionais de saúde mental e de drogas. As mudanças provocaram alvoroço em especialistas na área e, especialmente, em que trabalha na ponta, com o usuário desse tipo de serviço. O texto de 32 páginas ataca diretamente demandas da luta antimanicomial, que existe no Brasil há mais de 30 anos, e que começou para combater as violações de direitos humanos nos hospitais psiquiátricos denunciadas após os anos 1970. Além disso, adota um discurso que reforça a guerra às drogas e, consequentemente, a criminalização do usuário de drogas, bastante amparada pelo racismo estrutural.

Em linhas gerais, a nota abre diversos precedentes para o retorno de terapêuticas usadas amplamente no passado como a convulsoterapia [o uso terapêutico de choques em casos extremos, onde o paciente não atende a comandos de maneira consciente] – com um verniz de modernidade – bem como aponta a abstinência como melhor tratamento do que a redução de danos para o caso de dependentes químicos. Além disso, estimula a relação dos chamados CAPS (Centros de Atenção Psicossocial, que recebe pessoas em situação de vulnerabilidade para atendimento médico e psicológico, o inclui usuários de drogas, moradores de rua, etc), que trabalham com a lógica da redução de danos, com hospitais psiquiátricos e o fortalecimento das comunidades terapêuticas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A receita revolucionária da Cida para combater a Depressão: o "psiquiatra caminhoneiro"

Escutei hoje cedo no rádio:

A vice-governadora Cida Borghetti, candidata a reeleição (ela ocupa o cargo mas continua vice, porque o governador em exercício todo mundo sabe quem é) apresenta proposta surreal para enfrentar "o  mal do século" que, esclarece ela, é a "Depressão".

Segundo a vice, ela vai colocar CARRETAS E CONTAINERS, especialmente equipados para fazer o diagnóstico, dotados de equipes completas, com médicos e psiquiatras, que vão levar a saúde a todos os cantos do estado...

A proposta é tão surreal que sequer consta do Plano de Governo divulgado na internet.

Começa pela idéia que vai resolver a questão da Depressão através de carretas itinerantes que vão rodar os milhares de quilômetros de estradas do Paraná parando nos lugares necessitados... 

Carretas "especialmente equipadas para fazer o diagnóstico". Oi???? A comunidade internacional ainda não foi informada sobre isso? É revolucionário!!! Equipamentos para fazer diagnóstico da Depressão! Como foi que ninguém pensou nisso antes???

A carreta contará com equipe completa com "médicos e psiquiatras". Sim! Porque até o reino mineral sabe que médicos e psiquiatras são coisas muito diferentes entre si. As pessoas evitam falar disso para não parecer preconceito, mas a Cida teve a coragem de falar.

Não precisa de rede de atenção, não precisa de vínculo, não precisa de acolhimento. É só entrar lá na carreta especialmente equipada e fazer o diagnóstico. Daí, imagino, receita uns comprimidos (que podem ser entregues pelos Correios para agilizar e diminuir custos) e está tudo resolvido... Sensacional!

Na evolução, quem sabe, poderemos ter uns totens de auto-atendimento para saúde mental estrategicamente colocados em locais com alta probabilidade de transito de pessoas com depressão: como igrejas, filas de emprego, guichês do SEPROC e no terceiro andar do Palácio Iguaçu.

Genial!!!

Resta saber quando vai ser aberto o concurso - ou a licitação para contratar terceirizados tão ao gosto da turma dela - para os psiquiatras caminhoneiros.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Um novo (velho) caminho [ou como o fundamentalismo religioso se apropria das políticas públicas]

Antes da reação gerada pelo vazamento da reunião secreta de Marcelo Crivella com pastores, a gestão do prefeito promoveu no fim de junho atividades (também não divulgadas publicamente), em que facilidades foram oferecidas para representares de comunidades terapêuticas no âmbito de um programa recém-lançado

Por Dayana Rosa* e Dionísio Borges** para o Outra Saúde

“Essa é uma viagem suicida
Que vai ao encontro a um beco sem saída
Quem entra não tem regras ou critérios
Ou vai para cadeia, hospício ou cemitério
Exportamos tantos craques da bola
E as crianças fumam crack fora da escola
As drogas rolam soltas nas esquinas
Tem pedra, maconha ou cocaína
Por isso vem,
Entre comigo nessa guerra
Vamos salvar os filhos dessa terra
Estou fazendo a minha parte cantando com você
Usando a arte, dando a cara para bater
Tudo isso tornou-se normal
Matéria boa no telejornal
Enquanto tem gente sofrendo submisso
Jogado na sarjeta comendo lixo […]”
(Música “Filhos da Terra”, de Toni Melo e Marcio Marins, que foi apresentada como hino do programa Um Novo Caminho)


A existência de instituições fechadas e especializadas no tratamento de pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas no Brasil remonta às primeiras décadas do século XX. À época, essa população era presa em hospitais psiquiátricos ou presídios (quando pobres), e em clínicas privadas situadas quase sempre em pequenas propriedades rurais (quando ricos). Essa realidade se manteve inalterada até meados da década de 1970, quando as primeiras comunidades terapêuticas (CTs) começaram a surgir no país. À medida que seu número foi aumentando, as CTs, ao lado de irmandades como a de Alcoólicos e Narcóticos Anônimos, ocuparam o vazio deixado pela quase absoluta ausência de iniciativas públicas dirigidas a pessoas e famílias em situações de risco e/ou vulnerabilidade social associadas ao uso dessas substâncias. Afinal, até meados da década de 1990, a oferta de serviços públicos não manicomiais para essa população restringia-se a uma meia dúzia de núcleos universitários situados em umas poucas capitais brasileiras, cuja tarefa era muito mais a de formar profissionais para clínicas privadas do que propriamente a de atender ao público.

O termo “comunidade terapêutica” foi cunhado pelo psiquiatra sul-africano Maxwell Jones (1907-1990). Radicado no Reino Unido, Jones não gostava de receitar psicotrópicos, e viu uma oportunidade de experimentar novos métodos ao ser convocado a atender soldados acometidos por transtorno de stress pós-traumático durante a Segunda Guerra Mundial. Sua ideia foi criar um ambiente acolhedor, no qual o medicamento e o trabalho médico eram substituídos por grupos de partilha, atividades artísticas, assembleias e realização de atividades cotidianas de manutenção da CT. Depois de algum tempo, Jones percebeu que aquela modalidade de tratamento poderia servir também a outros problemas, como o uso de álcool e outras drogas. A inclusão de elementos religiosos viria apenas na década de 1950, já nos Estados Unidos, e nada teve a ver com as experiências precursoras dos ingleses.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Experiência dos sobreviventes da psiquiatria: como deixar de ser paciente psiquiátrico? - Ex-usuária defende afastamento seguro das drogas psiquiátricas


A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) recebeu a escritora e ex-paciente psiquiátrica Laura Delano para participar da mesa "Experiência dos sobreviventes da psiquiatria: como deixar de ser paciente psiquiátrico?". Laura é uma liderança do movimento dos “Sobreviventes da Psiquiatria” nos EUA e dá suporte técnico aos que querem se livrar do sistema psiquiátrico. O evento foi coordenado pelos pesquisadores Paulo Amarante e Fernando Freitas, do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS), com apoio da Abrasme e da Asfoc.

A convidada internacional tornou-se paciente psiquiátrica aos 14 anos, e após conseguir “livrar-se” desse sistema, destaca a importância do afastamento seguro e eficaz dos medicamentos. “Ser ex-paciente psiquiátrico significa ser sobrevivente de um sistema que faz muito mal à pessoa. Ser sobrevivente é conseguir livrar-se disso e se tornar uma nova pessoa”, destacou o coordenador da mesa Fernando Freitas.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Boa notícia na semana da Luta Antimanicomial? Não exatamente.

VITÓRIA DE PIRRO

via Outra Saúde (por email)

O Congresso decidiu ontem manter o veto presidencial que excluiu a possibilidade de instituições filantrópicas que tratam dependentes químicos assinarem contratos com órgãos do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas. Boa notícia na semana da Luta Antimanicomial? Não exatamente. A decisão é fruto de um acordo. A maioria dos parlamentares, defensores das comunidades terapêuticas, queriam derrubar o veto. Foi quando o líder do governo no Congresso, o deputado André Moura (PSC-SE), garantiu que o Planalto não é contra os convênios mas teve que vetar porque eles são inconstitucionais. A solução? Michel Temer deve enviar uma medida provisória que garanta os benefícios às comunidades terapêuticas.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Dona Ivone de Lara e a Luta Antimanicomial




Dona Ivone Lara no meio de uma roda de médicos no Hospital Engenho de Dentro, onde exerceu as profissões de enfermeira e assistente social, especialista em Terapia Ocupacional, sendo companheira de trabalho da doutora Nise da Silveira.

Com a finalidade de resgatar vínculos, Dona Ivone percorreu quilômetros de estrada pelos municípios do Rio e pelos estados vizinhos, localizando mães, pais, avós e tios que haviam abandonado seus familiares no hospital, acreditando que não havia mais nada a ser feito por eles – afinal, esse era o diagnóstico que ouviam dos próprios médicos.

Além disso, colaborou para que a música também pudesse ser remédio para aquelas pessoas dadas como perdidas.

Além de ser Rainha do Samba, Dona Ivone é parte importante na história da Luta Antimanicomial, Serviço Social e Saúde Pública no Brasil.

terça-feira, 6 de março de 2018

Oficina Gratuita de Acompanhamento Terapêutico em Saúde Mental na UFPR



UFPR

OFICINA ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO EM SAÚDE MENTAL:ESTRUTURA E POSSIBILIDADES PARA O CUIDADO EM LIBERDADE


EVENTO GRATUITO
Justificativa:
A oficina pretende formar participantes para compreensão sobre o Acompanhamento Terapêutico, suas propostas e estrutura de trabalho junto ao campo da Saúde Mental.

Público alvo:
Profissionais e estudantes vinculados aos equipamentos de Saúde Mental.

Data e Conteúdo:  20/03/2018 – das 18h30min às 22h30min
  • Acompanhamento Terapêutico: conceito e estrutura para o cuidado em liberdade
  • Acompanhamento Terapêutico em Saúde Mental: Experiências e possibilidades de cuidado

Endereço:  Av. Pref. Lothário Meissner, 632 – Jardim Botânico – Curitiba/PR – Bloco Didático II – Prédio da Terapia Ocupacional / 1° andar
INSCRIÇÕES ATÉ 16/03/18
AS INSCRIÇÕES SERÃO CONFIRMADAS POR EMAIL ATÉ O DIA 17/03/18 – SERÃO PRIORIZADOS PROFISSIONAIS DA REDE PÚBLICA DE SAÚDE MENTAL DE CURITIBA E SÃO JOSÉ DOS PINHAIS

Cremesp defende fim do 'open bar' e descriminalização de drogas

Documento do conselho de médico de SP visa redução do estigma do usuário

por Cláudia Collucci* na FSP


​Em tempos de tanta desinformação e retrocessos, como o visto no episódio em que o professor Elisaldo Carlini, pesquisador reconhecido nacional e internacionalmente pelos trabalhos com maconha medicinal, foi convocado a depor sobre suposta apologia às drogas, é salutar que os conselhos médicos se posicionem sobre temas polêmicos, como fez o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) propondo a descriminalização do porte de drogas para uso pessoal e novas abordagens para a questão do álcool.

Em documento divulgado sem alarde na semana passada, o conselho coloca que dois princípios devem nortear a sociedade em suas ações sanitárias no campo de uso de substâncias: o equilíbrio entre os direitos individuais e coletivos e o gradualismo responsável.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Brasil bebe mais que a média mundial, mas silencia sobre abuso do álcool


Meu avô paterno era alcoólatra. Não cheguei a conhecê-lo, morreu na década de 1960, aos 46 anos, por sequelas de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Dois tios igualmente dependentes do álcool também já morreram em consequência dos danos provocados pela bebida. Tenho amigos alcoólatras. Alguns sóbrios há bastante tempo; outros com muitas recaídas e ainda em busca da abstinência.

Na semana passada, pensei neles enquanto apurava matéria sobre a dependência de álcool entre os mais velhos. Segundo pesquisa Datafolha, quase um em cada dez idosos bebe diariamente. É muito, cinco vezes a média do país (2%).

A depender dos dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), estamos nos tornando um país de beberrões. É óbvio que não ainda nos mesmos padrões dos países do Leste Europeu, que chegam a ter consumo anual per capita de 18 litros, mas já superamos a média mundial. Em 2016, o nosso consumo de álcool per capita atingiu 8,6 litros, contra a média internacional de 6,4 litros por pessoa.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Luís Carlos Bolzan: 2017, o ano em que o municipalismo traiu sua história e afiançou o golpe na saúde mental, ressuscitando o inferno dos manicômios


Quem nasceu para Quirino Cordeiro Júnior (barbudo, coordenador de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde), Ricardo Barros (ministro da Saúde) e Mauro Junqueira (presidente atual do Conasems, o barbicha calvo que aparece sorridente na reunião da CIT que destruiu a política nacional de saúde mental) , nunca chegará aos pés do vanguardista médico David Capistrano Filho
O golpe não tira férias. De forma ilimitada, as forças golpistas seguem sua sanha destruidora para fazer regredir avanços técnicos e humanitários.
Na reunião de 14 de dezembro, em Brasília, a Comissão Intergestores Tripartite – CIT, se reuniu para pactuar a nova política de saúde mental do SUS.
Em pouco mais de três minutos, sem permitir manifestações contrárias, a mesa coordenadora da CIT sentenciou a volta dos manicômios ao cenário oficial da saúde brasileira.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Movimento da Luta Antimanicomial cria estratégias contra medidas de governo

1.800 pessoas se reúnem por ocasião dos 30 anos da Reforma Psiquiátrica brasileira


Mais de 1.800 pessoas, entre psicólogos, usuários de serviços de saúde mental, familiares e estudantes de todo o Brasil se reuniram em Bauru (SP), nos dias 8 e 9 de dezembro, em encontro que reafirmou o compromisso de se construir uma sociedade sem manicômios. O evento celebrou os 30 anos da Carta de Bauru, documento produzido durante II Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental, que registrou uma nova forma de tratamento das pessoas com sofrimento mental no país e inaugurou a Reforma Psiquiátrica brasileira. Segundo a psicóloga presidenta do Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG), Dalcira Ferrão, o momento foi histórico pois reafirmou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e do atendimento digno ao cidadão.

Lumena Furtado, aos gestores sobre proposta de política de saúde mental do governo Temer: “Absurda! Não cedam!”

Lumena Almeida Castro Furtado é psicóloga, sanitarista, mestre em Saúde Pública e doutoranda na área de gestão.
Há mais de 30 anos atua nas mais diversas áreas do Sistema Único de Saúde (SUS) e na luta antimanicomial.
Já foi secretária municipal adjunta de saúde em São Bernardo do Campo e secretária municipal de saúde em Mauá, no ABC paulista.
Foi também secretária da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS), Ministério da Saúde.
Com base nessa experiência, em entrevista ao Viomundo, ela faz um apelo aos conselhos Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e dos Secretários Municipais de Saúde (Conasems): “Rejeitem essa absurda proposta do Ministério da Saúde! Não cedam aos interesses que estão por trás dessa proposta de mudança”.
“Não vamos apequenar a palavra ‘política pública’, aprisionando-a em privados interesses!”, enfatiza Lumena Furtado.
Segue a íntegra da nossa entrevista.

Roberto Tykanori: “Pacientes voltarão a ter suas vidas reduzidas a pacotes de sintomas que precisam ser controlados para o interesse de terceiros”

Desde os anos 1980, Roberto Tykanori (à esquerda) luta contra a retrógada e perversa política de Saúde Mental, que Quirino Cordeiro (à direita) Júnior quer agora restaurar

por Conceição Lemes no VioMundo


Nesta quinta -feira (14/12), o Ministério da Saúde submete a gestores municipais, estaduais e federais alterações na política nacional de saúde mental.

Será durante reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), da qual participarão o coordenador-geral de Saúde Mental, o médico Quirino Cordeiro Júnior, e o ministro Ricardo Barros.

Apesar de ser jovem, as propostas de Quirino são uma volta ao tenebroso passado dos hospitais psiquiátricos e contra o qual o colega que ocupou o seu cargo de 2011-2015, Roberto Tykanori, luta desde os anos 1980, quando ainda era estudante de Medicina.

Médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Tykanori é uma das grandes lideranças da Luta Antimanicomial no Brasil.

Defendeu a Reforma Psiquiátrica, aprovada durante o governo de FHC, e que instituiu o tratamento dos hospitais-dia e questionou as instituições manicomiais e de isolamento no país, que, agora, pela proposta do atual Ministério da Saúde devem voltar.

Tykanori foi secretário de Saúde de Santos, litoral paulista, a primeira cidade do País sem manicômio.

Foi também o último coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, do Mintério da Saúde, com essa visão.

Atualmente, é médico da Prefeitura Municipal de Santos e professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Daí, esta nossa entrevista.