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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Nota do CEBES: Vacinas não são mercadorias mas direito de todos e dever do Estado





Desde o início da pandemia de Covid-19 todo o mundo espera pelas vacinas como alternativa capaz de controlar a transmissão salvar vidas. As expectativas com relação ao desenvolvimento e ao acesso a vacinas foi polarizando por um debate entre considerar as vacinas, bem como outras tecnologias, como bens públicos globais e não como produtos a disputar mercados e a impor preços elevados.

As diversas iniciativas de solidariedade mundial incluíram o mecanismo COVAX, liderado pela OMS e pelo GAVI (Global Alliance for Vaccines and Immunization), em que a adesão de países em condições de pagar viabilizaria a distribuição universal de vacinas, com o objetivo de alcançar toda a humanidade. Entretanto, ainda não foi possível levantar os recursos necessários para tal e países ricos, por meio de acordos bilaterais com a indústria farmacêutica, quase que esgotaram a capacidade de produção global, em detrimento de países sem condições de adquirir suas vacinas.

Uma série de movimentos de solidariedade tentam universalizar o acesso às vacinas. Em nível mundial, a Organização Mundial do Comércio (OMC) discute considerar vacinas e outras tecnologias para a Covid-19 livres de proteção patentária ou de qualquer outro direito de propriedade intelectual, que reduz a capacidade de produção global, previsto nos acordos TRIPS.

A resolução, conhecida por waiver, foi proposta inicialmente por Índia e África do Sul e hoje conta com apoio de cerca de 100 países e da sociedade civil em peso, mas enfrenta a resistência dos EUA, da União Europeia, da Suíça, do Reino Unido e também do governo brasileiro, hoje na contramão de lutas anteriores, como o acesso universal aos antirretrovirais. O Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES) considera que o acesso as vacinas deve ser universal e se alia ao movimento da sociedade civil em defesa da quebra de patentes para as vacinas e também a outras tecnologias relacionadas à Covid-19.

Sob essa perspectiva o Cebes conclama:
Pela defesa da Vida e que o Governo assegure vacinas para toda nossa população;
Que se apoie o waiver, proposta de suspensão de cláusulas do acordo TRIPS, em discussão na Organização Mundial do Comércio, bem como outras iniciativas de suspensão de direitos de propriedade intelectual, como patentes, para assegurar o acesso universal às vacinas;
Apoio às iniciativas mundiais contra as patentes que criam reservas de mercado, usura e lucro sobre as necessidades vitais de populações vulneráveis que precisam de vacinas para não morrer;
Vacinas não podem ser mercadorias. Vacinar é direito de todos! Vacinar o povo brasileiro é a única forma de controlar a pandemia. Vacinar é defender a Vida!

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Precedente perigoso: Querem instituir a "fila preferencial" mediada por interesse$ privado$

via Outra Saúde (por e-mail)

AS NEGOCIAÇÕES DO SETOR PRIVADO

O governo federal mandou uma carta à AstraZeneca dizendo que não se opõe à compra de 33 milhões de doses da vacina contra a covid-19 pelo setor privado. O documento foi obtido primeiro pelo Globo e se refere a uma negociação de empresários revelada ontem cedo pelo Painel da Folha.

A história, segundo apurações de vários repórteres, é a seguinte: desde meados da semana passada, um grupo de grandes empresas tem conversado com o Ministério da Saúde para negociar a autorização para a compra do lote. As 33 milhões de doses estariam disponíveis para venda a partir da Inglaterra, desde que pelo menos 11 milhões fossem adquiridas de uma só tacada. Para isso, a pasta deveria editar um ato estabelecendo quais seriam as condições para a permissão. E, pelo acordo em andamento, metade das doses adquiridas seriam doadas ao SUS, enquanto a outra parte seria distribuída entre os funcionários das empresas e seus familiares.

Não se sabe direito de quem foi a ideia dessa divisão. De acordo com o Globo, quem começou a conversa com grandes empresários foi a Gerdau, mas a siderúrgica nega ter liderado o movimento ou sugerido a retenção de vacinas pela iniciativa privada. Uma fonte ouvida pelo jornal diz que foi o próprio governo federal quem sugeriu a cota de 50%.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Com a cloroquina, Bolsonaro implementa maior show de ilusionismo do mundo


Enquanto dezenas de países correm para vacinar sua população a fim de frear as mortes por covid-19 e retomar a economia com segurança, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) se dedica a entupir os brasileiros de "feijões mágicos": cloroquina e ivermectina. Implementa, com isso, o maior show de ilusionismo do mundo. E, mesmo sendo manjados, muita gente ainda cai nos truques.

Em um dos lances mais bizarros desde que começou a pandemia, terraplanistas biológicos do Ministério da Saúde pressionaram a Prefeitura de Manaus a distribuir hidroxicloroquina e ivermectina, remédios usados contra malária, lúpus e infestação por vermes, como tratamento precoce para a covid, como informou o Painel do jornal Folha de S.Paulo.

Como funciona o ilusionismo. Na esmagadora maioria dos casos, nosso sistema imunológico é capaz de dar conta da doença, produzindo anticorpos e eliminando o coronavírus de forma eficaz. Ao apontar um remédio ineficaz como solução para casos leves, o presidente está, na verdade, tentando roubar o mérito por algo que o organismo já faria por conta própria.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Vacinas: o relevante e o irrelevante

CLAUDIO MAYEROVITCH, DIRCEU BARBANO E GONZALO VECINA 

na FSP


A vacina contra a varíola foi a primeira a ser introduzida no Brasil, em 1804. Foram necessários mais de cem anos para definir se o introdutor da vacina no país teria sido o marechal do Exército Felisberto Caldeira Brant (marquês de Barbacena) ou o cirurgião-mor Francisco Mendes Ribeiro de Vasconcelos.

Para a saúde pública brasileira, foi fundamental a criação do Programa Nacional de Imunização, em 1973, considerado um dos mais generosos e efetivos do mundo, dado a abrangência e o caráter universal. Como legado do PNI temos o controle de poliomielite, difteria, sarampo e rubéola. O programa distribui anualmente mais de 300 milhões de doses de 42 tipos diferentes de vacinas.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Vacina Já: Direito de todos e dever do Estado

Na Domingueira Nº 51 do IDISA*

Por Lenir Santos**, Francisco Funcia***, Thiago Campos****


A crise mundial da saúde pública, em razão da Covid-19, tem elevado o nível de estresse político, social, individual e muitas vezes atrapalhado a tomada de decisão em tempo oportuno e de forma sensata, favorecendo o oportunismo político de alguns governantes. Vê-se que a sensatez nem sempre surge nas piores crises. Quando deve prevalecer a ciência e a racionalidade, alguns são tomados pela ignorância.

No momento, a questão mais tormentosa no Brasil – e não deveria ser – é a imunização contra o novo coronavírus que aliviará a situação emergencial vivida. Há diversos estudos clínicos fase 3, com a aprovação emergencial da vacina da Pfizer no Reino Unido que começou a ser aplicada nesta semana, e a coronavac que deve obter autorização na agência reguladora chinesa.

O Brasil desenvolve parceria para testes e produção de duas vacinas, a da Universidade de Oxford e a coronavac, pela Fiocruz e pelo Instituto Butantã, respectivamente, sem deixar de esquecer a parceria entre a Tecpar do governo do Paraná na pesquisa da vacina russa.

Ao mesmo tempo em que se desenvolvem os estudos finais das vacinas, caberia ao Ministério da Saúde, como dirigente nacional do SUS, art. 9° da Lei n° 8.080, de 1990, responsável pela coordenação do Plano Nacional de Imunização desde 1975, Lei n° 6.259, desenvolver, em articulação com os secretários estaduais e municipais de saúde, a planificação e logística para a vacinação da população ocorrer o mais breve possível. Negociar com as farmacêuticas a compra, ainda que condicionada, das vacinas com evidência de sucesso e adquirir os insumos necessários e prover na lei orçamentária de 2021 os recursos para essa despesa.

Não há nenhum recurso programado para o enfrentamento da Covid-19 na proposta orçamentária do Ministerio da Saúde para 2021 - trata-se de despesa que deve ser prevista, inclusive pela retomada do aumento de casos desde o final de novembro. É preciso que essas despesas constem do orçamento de 2021 - a partir de janeiro, para além da vacinação da população, que por ser previsível desde logo não se enquadram nas condições estabelecidas pela Constituição Federal para abertura de crédito extraordinário durante o exercício de 2021.

domingo, 13 de dezembro de 2020

Passou da hora de os militares darem lugar aos epidemiologistas


A mente delirante de Jair Bolsonaro não é a única responsável pelo desgoverno em que o Brasil se encontra. Também a empáfia e a megalomania dos militares estrelados brasileiros são elementos fundamentais para que o país tenha chegado a essa situação caótica, especialmente no combate à pandemia.

Os generais que há cinco anos se reuniram em torno do ex-comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, para decidir quem deveria presidir a República e avalizaram o nome de Bolsonaro já teriam cometido um erro histórico se tivessem feito somente isso. Mas foram além: reconhecendo a intempestividade do candidato que ganhou as eleições de 2018, resolveram participar do governo para tentar conter seus arroubos e as maluquices do grupo olavista.

Treinados para uma circunstância específica — a guerra —, boa parte dos oficiais das Forças Armadas há décadas forjou um sentimento de superioridade em relação aos civis que de forma alguma se justifica. Uma boa parcela dos generais acredita que em qualquer área de atuação os militares são mais competentes, mais ágeis e mais honestos que aqueles que não usam farda.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

(Des)governo Bolsonaro faz mal à saúde.

MOVIMENTO AMBÍGUO 


no Outra Saúde (via e-mail)

A campanha anual de vacinação contra a poliomielite foi lançada na última sexta-feira, em um contexto bastante desafiador. Atualmente, a cobertura do imunizante está em perigosos 60%. O objetivo é vacinar 11,2 milhões de crianças. 

No lançamento, Pazuello fez um apelo para que pais e responsáveis confiem na vacina. Já o secretário de Vigilância disse que a campanha “faz parte de um grande movimento desencadeado” por Jair Bolsonaro, “o Movimento Vacina Brasil” – nome marketeiro da campanha. 

O Globo lembra que, no início de setembro, a Secretaria de Comunicação da Presidência divulgou uma peça publicitária com a frase “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”, dita por Bolsonaro dias antes e avaliada como um aceno do político de extrema direita ao movimento antivacinação...

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Suspensão de vacina deixa mal capitão e general

Bolsonaro deveria aproveitar a suspensão para refletir sobre a conveniência de interromper o hábito de falar dez vezes antes de pensar. E Pazuello faria um bem a si mesmo se substituísse o otimismo tosco pela elaboração de um plano de distribuição da vacina.


A notícia de que a farmacêutica AstraZeneca decidiu suspender os testes da vacina contra Covid-19 leva o brasileiro a dirigir aos seus botões uma pergunta incômoda: já imaginaram que país magnífico teríamos se, de repente, por um milagre, baixasse no Planalto e na Esplanada dos Ministérios uma epidemia de ridículo?

A novidade deixou mal Jair Bolsonaro, o capitão que ocupa o trono de presidente; e Eduardo Pazuello, o general que caiu de paraquedas na poltrona de ministro da Saúde.

Bolsonaro repetiu num encontro com médicos "cloroquineiros" que "não se pode injetar qualquer coisa nas pessoas, muito menos obrigar" a tomar vacina. Os testes foram suspensos justamente porque um dos voluntários que serviam de cobaia no Reino Unido apresentou reação adversa.

Deseja-se investigar o que ocorreu antes de retomar os testes, feitos em parceria com a Universidade de Oxford. O zelo e a responsabilidade visam justamente prover segurança e confiabilidade quanto à eficácia da vacina. O esforço transforma o lero-lero presidencial sobre os riscos de "injetar qualquer coisa nas pessoas" numa versão sanitária da velha e boa conversa fiada.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Bolsonaro nomeia um veterinário sem experiência na área para cuidar das imunizações. País vem apresentando resultados pífios na cobertura vacinal

do Outra Saúde (via e-mail)

NOME POLÊMICO NA ÁREA


Eduardo Pazuello nomeou, para a direção do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis, o veterinário Laurício Monteiro Cruz. O departamento é responsável pelo Programa Nacional de Imunizações, e Cruz deve atuar inclusive nas discussões sobre a vacinação contra a covid-19. "Nada contra os veterinários, mas essa pessoa que colocaram para coordenar o Programa Nacional de Imunização é um veterinário sem experiência com imunização. É lamentável que estejamos vendo esse desmonte da SVS [Secretaria de Vigilância em Saúde]", escreveu o ex-secretário Wanderson Oliveira, nas redes sociais. Questionado, o Ministério disse que Cruz tem experiência na área de vigilância ambiental, epidemiológica e de doenças emergentes.

O cargo ocupado agora por ele estava vago desde março, com a saída do médico infectologista Júlio Croda. O diretor interino, também veterinário, era o servidor de carreira Marcelo Wada, coordenador de Vigilância de Zoonoses.

RESULTADO PÍFIO

Não é novidade que desde 2016 a cobertura vacinal no Brasil está ficando abaixo das metas, mesmo para crianças. No ano passado, nenhuma das 15 vacinas obrigatórias para menores de dois anos chegou ao nível necessário. Mesmo assim, os números da campanha de imunização nacional contra o sarampo da população de 20 a 49 anos surpreendem (negativamente): só 5,8% do público-alvo foi vacinado desde o início da ação, em março, até 17 de agosto.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Volta às aulas: mais uma variável preocupante a ser considerada

no Outra Saúde (por e-mail)

Ao contrário do que diferentes estudos concluíram, a Escola Médica da Universidade Harvard sustenta que crianças infectadas pelo novo coronavírus podem ser muito mais contagiosas do que adultos

O estudo publicado hoje no Journal of Pediatrics é o mais abrangente sobre o assunto até o momento. Mas não é tão amplo assim: foram analisados 192 indivíduos de zero a 22 anos, dos quais 49 testaram positivo. De acordo com os autores, o fato de as crianças terem menos receptores do coronavírus — a chamada proteína ACE2, pela qual o Sars-CoV-2 entra nas células humanas — não faz com que elas tenham uma menor carga viral, como se acreditava. 

Eles encontraram níveis muito mais altos nas vias respiratórias de crianças nas fases iniciais da doença do que nas de adultos internados em unidades de terapia-intensiva. 

É uma variável e tanto para se levar em consideração na complexa decisão de reabrir as escolas. 

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Carta de Buenos Aires: Yo me vacuno, tú te vacunas... ellos nos vacunan

Por Juan Guahán* na Carta Maior (publicado originalmente em estrategia.la)




Como era de imaginar, una enfermedad que se desarrolló de un modo universal debía tener una respuesta del mismo carácter. No quedan dudas que esta peste existe y se está llevando centenares de miles de vidas humanas y que ellas son un mínimo porcentaje de los millones y millones de contagiados.
En Argentina, la proporción de fallecidos en relación a los contagiados es muy baja; por cada 100 contagiados hay menos de dos fallecidos, si hablamos de los mayores de los 60 años esa tasa de letanidad supera el 10%. Volviendo al tema de la vacuna, esta cuestión se ha transformado en un punto de confrontación de las estrategias de potencias mundiales.

Hasta ahora el gobierno argentino hizo variados gestos. El martes 11 de agosto el presidente Albrto Fernández hizo llegar su felicitaciones a Vladimir Putin por el éxito alcanzado en el lanzamiento –un día antes- de la vacuna elaborada por su país; el jueves 13 el ministro de Salud Ginés González García informó que “el país está avanzando para cerrar un acuerdo con la empresa estatal china Sino Pharm”, para desarrollar en Argentina la fase clínica de la vacuna.

El lunes 10, la mitad de los 4.500 voluntarios argentinos, comenzaron a recibir, en el Hospital Militar, las dosis de prueba de la vacuna elaborada por la compañía stadounidense Pfizer y su par alemana BioNTech. La otra mitad solo recibirá placebos para que actúen como un sistema de contralor de la eficacia de las dos dosis que se aplicarán.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

"Saí quando vislumbrei que o caminho de combate da Covid-19 seria prejudicado pela Presidência." - Julio Croda, ex-diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde

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Conhecido por suas pesquisas em epidemias, o infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Croda integra o grupo do Centro de Contingência do Coronavírus do Estado de São Paulo e avalia o impacto da redução do isolamento social no aumento de casos de Covid-19. Croda deixou em março o cargo de diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde por discordar da politização que, a seu ver, tirou o foco do combate da epidemia.

Qual o cenário para as próximas semanas?

É muito ruim. O coronavírus começou a se espalhar pelas comunidades carentes, que dependem exclusivamente do SUS. E os leitos de UTI estão concentrados no setor privado. Quando olhamos a distribuição de leitos de UTI nos municípios, vemos a imensa desigualdade. Desconhecemos a situação real da Covid-19 no Brasil, muitos dos mortos nem sequer foram testados. Os números são subdimensionados. Estamos testando muito pouco, e isso causa distorções.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Chioro detona falta de vacina para gripe em SP: “Como é possível erro tão crasso?! Desrespeito com os idosos. Inaceitável”


Diante do avanço da pandemia do novo coronavírus, o Covid-19) começou nessa segunda-feira (23/03) a campanha nacional de vacinação contra gripe, prevista inicialmente para deslanchar a partir de 13 de abril.
Público-alvo desta primeira etapa: idosos – por terem maior risco de risco de desenvolver complicações; e trabalhadores da área da saúde – por estarem mais  expostos ao vírus.
A antecipação foi anunciada pelo ministro da Saúde, Henrique Mandetta (DEM-MS).
Com pompas, a divulgação ocorreu durante entrevista coletiva realizada em São Paulo, em 27 de fevereiro, após reunião do ministro com o governador João Doria (PSDB) e representantes da Saúde do Estado.
A medida foi elogiada por infectologistas e especialistas em saúde pública, pois é tecnicamente correta.
É forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartarem influenza na triagem de casos para o coronavírus
Explico. A vacina da gripe não tem eficácia contra o novo coronavírus, mas protege contra os outros tipos de vírus da influenza. A ação pode evitar de forma mais precoce casos de complicação da gripe, o que sobrecarregaria o sistema de saúde em um momento de crise.
Porém, nessa segunda-feira, pelo menos em São Paulo, muitos idosos foram aos postos de saúde e voltaram para a casa sem tomar a vacina.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Depois de tantos anos de esforços para reduzir a mortalidade maternoinfantil e organizar o maior programa de vacinações gratuitas do mundo, estamos ladeira abaixo.

A mortalidade infantil cresce. Aumenta também a mortalidade materna


A desnutrição crônica deixa cicatrizes em diversos mecanismos biológicos ligados ao desenvolvimento

por Drauzio Varella na Carta Capital

Pela primeira vez, em 26 anos, a mortalidade infantil cresceu no ano de 2016 e, provavelmente, terá aumentado outra vez em 2017 (dados ainda indisponíveis).

A taxa de mortalidade infantil é calculada pelo número de mortes até 1 ano de idade em cada 1.000 nascidos vivos. Representa uma medida indireta do desenvolvimento de um país. Japão, Suécia, Noruega, Cingapura e Finlândia têm taxas abaixo de 3. Em Serra Leoa, Guiné-Bissau, Somália e Afeganistão elas são maiores que 100.

No Brasil de 1960, em cada 1.000 nascimentos, morriam no primeiro ano de vida 124 bebês. Em 2016, a taxa foi de 14, número 5% mais alto do que o do ano anterior. O aumento da mortalidade foi documentado em 20 estados.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Abrasco divulga nota alertando sobre a queda da cobertura vacinal no Brasil


A Abrasco vem a público manifestar grande preocupação com a queda das coberturas vacinais no Brasil, especialmente a partir de 2016. A recente epidemia de sarampo já atinge sete estados, com registro de mais de 1.200 notificações, e ocorrência de 70 casos por dia desta grave doença imunoprevenível, que até agora levou a óbito 6 crianças, sendo 5 menores de um ano de idade.

Também é elevado o risco de ressurgimento da poliomielite, a temida Paralisia Infantil, há mais de 30 anos sem registro de casos no país.

O Programa Nacional de Imunizações – PNI, que integra o Sistema Único de Saúde – SUS, vinha garantindo elevadas e contínuas coberturas de 11 diferentes imunógenos. Com estrutura técnica e operacional construída ao longo das últimas três décadas o PNI atua em todo o país por meio das Secretarias Municipais de Saúde, que garantem a chegada da vacina até a população. Além de ser motivo de orgulho nacional o PNI é considerado um dos maiores e mais efetivos programas públicos de vacinação do mundo. Tudo isso está agora ameaçado.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Artigo Alexandre Padilha: O Brasil vive o anti-SUS

Imagem: Ministério da Saúde


Segundo o Ministério da Saúde, 3,6 milhões menores de 5 anos ainda não foram vacinados contra a gripe



Na semana passada, o que mais preocupou, eu diria assustou, todos os profissionais de saúde e quem acompanha os programas nacionais de saúde do nosso país e toda a construção do SUS, foi o resultado desastroso da redução da cobertura vacinal das nossas crianças, o que demonstra o descaso das políticas atuais do governo federal. Mas, mais do que isso, porque estamos em uma situação mais grave, existe uma verdadeira coalizão nacional anti-SUS. Como o governo federal, a postura defensiva de vários governos estaduais e de governos municipais que assumiram prefeituras a partir de 2016.

Essa coalizão de atores dos governos federal, estadual e municipal, combinado com o congelamento dos recursos para o Ministério da Saúde, é a principal responsável pela redução da cobertura vacinal no país. Isso é de uma gravidade enorme, porque é o pior resultado em 16 anos.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Bill Gates: Trump não sabia a diferença entre HPV e HIV e também queria saber se as vacinas eram uma coisa ruim

Trump didn't know the difference between HPV and HIV, Bill Gates says




What do a couple billionaires talk about when they meet? In the case of President Trump and Microsoft founder Bill Gates, it turns out they talk about sexually transmitted diseases.

In a video obtained by MSNBC, Gates revealed that on two occasions he met with Trump after the election, once at Trump Tower in December 2016 and then in March 2017 at the White House, Trump asked him if human immune deficiency virus and human papillomavirus were the same thing. 

"Both times he wanted to know if there was a difference between HIV and HPV. So, I was able to explain that those are rarely confused with each other," Gates told the audience that began to roll with laughter. 

Gates was speaking during a meeting of the Bill and Melinda Gates Foundation staff earlier this week, according to MSNBC host Chris Hayes. 

domingo, 6 de maio de 2018

Vacina contra Dengue é questionada em artigo na revista The Lancet: "O programa de vacinação no Paraná deveria ser suspenso"

Em artigo publicado na ultima semana na The Lancet, a pesquisadora Maira Aguiar foi enfática em afirmar:

"Dengvaxia também tem sido usada em um programa de vacinação em massa no Paraná, Brasil. Como não existem indícios de alta endemicidade nesta região, este programa deveria ser suspenso para minimizar a vacinação de indivíduos que não tiveram dengue.

Por questões de ética, ninguém deveria ter sido colocado individualmente em risco ao receber esta vacina mesmo que, em nível populacional, ela possa ter efeitos benéficos no número de internamentos pela doença."

Segue o sumário do artigo:

domingo, 25 de março de 2018

5 fatos sobre a vacina contra a febre amarela


Desde a última terça-feira (20), todo o território brasileiro passou a ser considerado área de recomendação para vacina contra a febre amarela. A determinação é do Ministério da Saúde, que prepara uma ofensiva contra boatos sobre a vacina que protege da doença.

Diante disso, Aos Fatos foi às bases científicas mais confiáveis para tirar as seguintes dúvidas: a vacina de dose fracionada funciona? A vacina é pior do que a doença? Quantas vezes precisa tomá-la? Veja abaixo cinco fatos que auxiliarão a responder a essas perguntas.


1
A DOSE FRACIONADA PROTEGE


A dose fracionada da vacina de febre amarela é um quinto da dose regular da vacina, mas isso não diminui a eficiência da imunização da vacina. Apesar da quantidade menor, a dose fracionada ainda induz o organismo a produzir anticorpos em níveis necessários à proteção contra a doença.

O impacto possível do fracionamento da dose seria na duração da imunização. Estudo realizado pelos institutos Bio-Manguinhos em conjunto com a Fiocruzapontou a presença de anticorpos contra febre amarela em pessoas vacinadas com a dose fracionada após oito anos da data de vacinação na mesma proporção que vacinados com a dose integral. Ainda não existem dados sobre uma duração maior porque as pesquisas sobre esse tipo de vacina começaram em 2009. Segundo o Ministério da Saúde, estudos estão em andamento para avaliar a imunização após esse período.

O método de produção de vacinas com doses fracionadas foi criado para permitir a produção rápida de vacinas para imunizar a população durante epidemias de doenças.

Em 2016, as vacinas com dose fracionada foram usadas para conter a epidemia de febre amarela em Angola e na República do Congo. A OMS (Organização Mundial da Saúde) acompanhou e revisou os dados sobre esses dois países e não constatou redução na resposta imune, nem aumento de efeitos adversos.

2
NÃO É PRECISO TOMAR A VACINA A CADA 10 ANOS

A OMS mudou a orientação sobre a necessidade de tomar uma segunda dose da vacina da febre amarela após dez anos da primeira imunização, passando a ser suficiente uma dose na vida. A alteração foi feita em 2013, mas apenas em julho de 2016 a organização eliminou a exigência da segunda dose para viajantesinternacionais. O Ministério da Saúde aderiu às mudanças da OMS e passou a adotar a indicação de dose única.

3
A FEBRE AMARELA MATA MUITO MAIS DO QUE A VACINA

A letalidade da febre amarela no Brasil tem sido em torno de 30%, ou seja, se 250 mil pessoas fossem diagnosticadas com a doenças, 75 mil morreriam.




No caso da vacina, o risco de letalidade é muito inferior. A vacina de febre amarela gera efeitos adversos graves em 1 a cada 250 mil pessoas vacinadas, segundo dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos), sendo que a maior parte das pessoas que sofrem esses efeitos graves morrem.

A vacina da febre amarela tem sido usada a mais de 70 anos e é considerado o meio mais eficaz para conter o avanço da doença tanto pelo Ministério da Saúde quanto pela OMS. De acordo com a OMS, durante processos de vacinação em massa para conter surtos ou epidemias, há uma concentração temporária de efeitos adversos criando a percepção equivocada de alta letalidade da vacina.

De janeiro a 13 de março, foram vacinadas 17,8 milhões de pessoas, segundo dados preliminares enviados pelas Secretarias de Saúde dos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo ao Ministério da Saúde. Até 2019, o governo brasileiro pretende imunizar mais 77,5 milhões de pessoas.


4
GRÁVIDAS E IDOSOS DEPENDEM DE AVALIAÇÃO MÉDICA PARA VACINAR

O Ministério da Saúde recomenda que gestantes e idosos devem ter a margem de benefício e risco da vacinação avaliada individualmente pelos médico. A maior possibilidade de exposição à doença, por exemplo, por residir em área com surto de febre amarela pode aumentar a indicação à vacina, enquanto baixa imunidade pode diminuir a vantagem de se vacinar.

No caso de gestantes, o Ministério da Saúde e a OMC recomendam a vacinação com a dose padrão por causa da ausência de pesquisas sobre o efeito da dose fracionada nesse grupo específico.

A vacina contra a febre amarela é contraindicada em crianças menores de 9 meses, mulheres amamentando crianças menores de 6 meses de idade e pessoas com HIV com baixa contagem de células CD4. Outras contraindicações para a vacinação contra febre amarela são hipersensibilidade severa a componentes do ovo, imunodeficiência congênita ou adquirida grave e pessoas em tratamento com quimioterapia ou radioterapia.

5
TODOS OS ESTADOS TÊM RECOMENDAÇÃO DE VACINAÇÃO

Todo o território brasileiro passou a ser considerado área de recomendação para vacina contra a febre amarela desde a última terça-feira (20). Segundo o Ministério da Saúde, “a medida é preventiva e tem como objetivo antecipar a proteção contra a doença para toda população em caso de um aumento na área de circulação do vírus.”


Antes da ampliação, todos os estados da região norte e centro-oeste tinha recomendação de vacinação contra a febre amarela. No nordeste, o Maranhão tinha recomendação de vacinação em todo território, a Bahia e a Piauí, apenas em alguns municípios, enquanto os outros estados da região não estavam nas áreas sem recomendação. No Sul e Sudeste, Minas Gerais e Espírito Santo tinha recomendação de vacinação em todo território enquanto no resto dos estados, a recomendação era apenas parcial.

A vacinação tem sido a forma mais eficiente no combate da febre amarela. A baixa cobertura de vacinação, principalmente nas populações de áreas rurais com condições propícias à circulação viral em ciclo silvestre, tiveram papel central nos últimos surtos de febre amarela, segundo o Ministério da Saúde. Até abril de 2019, o governo espera vacinar 77,5 milhões de pessoas em 1.586 municípios que passaram a fazer parte das áreas de recomendação de vacinação contra a febre amarela. O objetivo é que 95% da população esteja imunizada à doença.