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quinta-feira, 8 de março de 2018

Super-Homem (A Canção)

composição por Gilberto Gil


Um dia, vivi a ilusão
De que ser homem bastaria
Que o mundo masculino
Tudo me daria
Do que eu quisesse ter

Que nada
Minha porção mulher
Que até então se resguardara
É a porção melhor
Que trago em mim agora
É que me faz viver

Quem dera
Pudesse todo homem compreender
Oh Mãe, quem dera
Ser no verão o apogeu da primavera
E só por ela ser

Quem sabe
O Super Homem
Venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus
O curso da história
Por causa da mulher

sábado, 6 de agosto de 2016

Fernando Pessoa

Amo como ama o amor. 

Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. 

Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?

terça-feira, 21 de abril de 2015

Amo

Muchas gracias a Moni! (Maria Rosa Del Valle Ávilla) que me apresentou a esta peça lindíssima.




Amo lo que veo y lo que ocultas Amo lo que muestras o insinúas Amo lo que eres o imagino Te amo en lo ajeno y lo que es mío Amo lo que entregas, lo que escondes Amo tus preguntas, tus respuestas Yo amo tus dudas y certezas Te amo en lo simple y lo compleja Y amo lo que dices, lo que callas Amo tus recuerdos, tus olvidos Amo tus olores, tus fragancias Te amo en el beso y la distancia Y amo lo que amas, yo te amo Te amo por amor sin doble filo Te amo y si pudiera no amarte Sé que te amaría aún lo mismo Y amo lo que amas, yo te amo Te amo por amor al dar lo mío Te amo con orgullo de quererte Porque para amarte yo he nacido Amo lo que seas y lo que puedas Amo lo que afirmas, lo que niegas Amo lo que dices, lo que piensas Te amo en lo que mides y lo que pesas Y amo lo que atrapas, lo que dejas Amo tu alegría y tus tristezas Te amo en la carne y en el alma Te amo en tus crisis y en tus calmas Amo lo que pides y regalas Amo tus caricias, tus ofensas Amo tus instante y lo eterno Te amo en tu cielo y en tu infierno Y amo lo que amas, yo te amo Te amo por amor sin doble filo Te amo y si pudiera no amarte Sé que te amaría aún lo mismo Y amo lo que amas, yo te amo Te amo por amor al dar lo mío Te amo con orgullo de quererte
Porque para amarte yo he nacido

terça-feira, 14 de abril de 2015

Toco tu boca

"Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno de tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha não escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha.

Me olhas, de perto me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam entre si, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta, e eu te sinto tremular contra mim, como um lua na água."
Julio Cortázar

quinta-feira, 26 de março de 2015

Tenho medo de fazer amor contigo


Tens medo de fazer amor comigo?
- Tenho - respondeu ele.
- Por eu ser preta?
- Tu não és preta.
- Aqui, sou.
- Não, não é por seres preta que eu tenho medo.
- Tens medo que eu esteja doente...
- Sei prevenir-me.
- É porquê, então?
- Tenho medo de não regressar. Não regressar de ti.

Mia Couto
in Venenos de Deus, Remédios do Diabo

segunda-feira, 9 de março de 2015

Cordel – Aborto

Por Jarid Arraes no Portal Fórum

Quero usar minha poesia
Pra falar de algo forte
De um problema social
Que já causa muita morte
Condenando as mulheres
E roubando-lhes a sorte.
É o aborto clandestino
Feito na ilegalidade
Na sujeira e no terror
Na vulnerabilidade
Respaldado por machismo
E por religiosidade.
O aborto é proibido
Com três casos de exceção
Se causar algum perigo
Não se faz objeção
Se tiver risco de morte
E do feto malformação.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Pequeno Esclarecimento (Mario Quintana)


Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.

no Blog Mario Quintana

Vinte anos sem Mario Quintana

no sítio da Casa de Cultura Mario Quintana


No dia 5 de maio de 1994, um dos maiores poetas brasileiros nos deixava. Nesse próximo dia 5 de maio, a Casa de Cultura Mario Quintana relembra a presença daquele que emprestou seu nome à mais conhecida instituição cultural do Estado. A exposição SAUDADE: 20 anos sem Mario Quintana reúne uma seleção de poemas, fotos, manuscritos e textos, alguns deles publicados no antigo Caderno H do jornal Correio do Povo. A mostra proporciona o contato com imagens e excertos consagrados da obra do poeta e, também, com documentos menos conhecidos, que são testemunho de momentos característicos do cotidiano simples de Quintana, notabilizado por suas caminhadas pela Rua da Praia.



Além de relembrar o grande poeta, a exposição expõe parte do legado que permanece na Casa de Cultura, incluindo, é claro, alguns de seus belos poemas. O Acervo Mario Quintana, sob a gestão da CCMQ, é constituído por mais de 400 documentos, entre fotografias, caricaturas, manuscritos e outros. Essa coleção passa atualmente por um processo de inventário e digitalização, procedimentos realizados pelo Núcleo de Acervo e Memória da Casa de Cultura, para ser posteriormente disponibilizada ao público.

Essa é a primeira exposição elaborada a partir de uma seleção de itens do Acervo do poeta após um longo período de tempo. É um dos primeiros resultados da revitalização desse Acervo que, sem dúvida, será cada vez mais profícuo a partir de agora.

“SAUDADE: 20 anos sem Mario Quintana” estará com seus “Quintanares” na Sala Radamés Gnattali, no 4º andar da Casa de Cultura Mario Quintana, no período de 5 de maio até 30 de julho, data de aniversário do poeta.

ITINERÁRIO INTERATIVO – A partir das 19 horas, o público está convidado a participar da atividade Nas asas do poeta – Itinerário interativo.

Trata-se de um itinerário interativo no qual os participantes são convidados a realizar pequenas ações em homenagem ao poeta até chegar à abertura da Exposição Saudade: 20 anos sem Mario Quintana, mediado pela arte educadora Cristiane Cubas e com a leitura de poemas da atriz Deborah Finocchiaro.

O ponto de encontro é a Travessa dos Cataventos e o itinerário inicia no térreo, percorre o Mezanino em direção ao quarto do poeta e finalmente sobe até o quarto andar, local da exposição.

No primeiro andar, terá uma ação com origamis. No segundo andar, varal de poemas e vídeo, e no Quarto do poeta, condução de escrita de pequeno verso que entrará para o acervo da CCMQ.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Poetas buscam novos caminhos para chegar ao público


Mariana Tokarnia - Agência Brasil


As dificuldades de ter um livro publicado e vendido nas grandes livrarias, de fazer parte do chamado mercado editorial, fazem com que poetas tenham que, cada vez mais, ganhar as ruas e descobrir caminhos para divulgar e vender seu trabalho.

As plataformas não podem se restringir apenas aos livros, têm que alcançar viadutos, praças, paredes, camisetas e, principalmente, a internet. Hoje (17), o assunto foi tema da mesa A produção poética, o leitor e o mercado editorial, na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura. "A Voz do Ventríloquo não está em nenhuma livraria do país", disse o poeta Ademir Assunção, autor do livro, pelo qual recebeu, no ano passado, o Prêmio Jabuti de Poesia. "Meu editor ofereceu para as grandes livrarias, mas exigências eram tantas que ele me perguntou se valia a pena. Eu disse que não. As regras são muito predatórias."

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

sábado, 9 de novembro de 2013

Bertold Brecht: A infanticida Marie Farrar



Marie Farrar, nascida em abril, menor 
De idade, raquítica, sem sinais, órfã 
Até agora sem antecedentes, afirma 
Ter matado uma criança, da seguinte maneira: 
Diz que, com dois meses de gravidez 
Visitou uma mulher num subsolo 
E recebeu, para abortar, uma injeção 
Que em nada adiantou, embora doesse. 
Os senhores, por favor, não fiquem indignados. 
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados. 


Ela porém, diz, não deixou de pagar 
O combinado, e passou a usar uma cinta 
E bebeu álcool, colocou pimenta dentro 
Mas só fez vomitar e expelir 
Sua barriga aumentava a olhos vistos 
E também doía, por exemplo, ao lavar pratos. 
E ela mesma, diz, ainda não terminara de crescer. 
Rezava à Virgem Maria, a esperança não perdia. 
Os senhores, por favor, não fiquem indignados 
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados. 


Mas as rezas foram de pouca ajuda, ao que parece. 
Havia pedido muito. Com o corpo já maior 
Desmaiava na Missa. Várias vezes suou 
Suor frio, ajoelhada diante do altar. 
Mas manteve seu estado em segredo 
Até a hora do nascimento. 
Havia dado certo, pois ninguém acreditava 
Que ela, tão pouco atraente, caísse em tentação. 
Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados 
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados. 


Nesse dia, diz ela, de manhã cedo 
Ao lavar a escada, sentiu como se 
Lhe arranhassem as entranhas. Estremeceu. 
Conseguiu no entanto esconder a dor. 
Durante o dia, pendurando a roupa lavada 
Quebrou a cabeça pensando: percebeu angustiada 
Que iria dar à luz, sentindo então 
O coração pesado. Era tarde quando se retirou. 
Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados 
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados. 


Mas foi chamada ainda uma vez, após se deitar: 
Havia caído mais neve, ela teve que limpar. 
Isso até a meia-noite. Foi um dia longo. 
Somente de madrugada ela foi parir em paz. 
E teve, como diz, um filho homem. 
Um filho como tantos outros filhos. 
Uma mãe como as outras ela não era, porém 
E não podemos desprezá-la por isso. 
Mas os senhores, por favor, não fiquem indignados. 
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados. 


Vamos deixá-la então acabar 
De contar o que aconteceu ao filho 
(Diz que nada deseja esconder) 
Para que se veja como sou eu, como é você. 
Havia acabado de se deitar, diz, quando 
Sentiu náuseas. Sozinha 
Sem saber o que viria 
Com esforço calou seus gritos. 
E os senhores, por favor, não fiquem indignados 
Pois todos precisamos de ajuda, coitados. 


Com as últimas forças, diz ela 
Pois seu quarto estava muito frio 
Arrastou-se até o sanitário, e lá (já não 
sabe quando) deu à luz sem cerimônia 
Lá pelo nascer do sol. Agora, diz ela 
Estava inteiramente perturbada, e já com o corpo 
Meio enrijecido, mal podia segurar a criança 
Porque caía neve naquele sanitário dos serventes. 
Os senhores, por favor, não fiquem indignados 
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados. 


Então, entre o quarto e o sanitário — diz que 
Até então não havia acontecido — a criança começou 
A chorar, o que a irritou tanto, diz, que 
Com ambos os punhos, cegamente, sem parar 
Bateu nela até que se calasse, diz ela. 
Levou em seguida o corpo da criança 
Para sua cama, pelo resto da noite 
E de manhã escondeu-o na lavanderia. 
Os senhores, por favor, não fiquem indignados 
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados. 


Marie Farrar, nascida em abril 
Falecida na prisão de Meissen 
Mãe solteira, condenada, pode lhes mostrar 
A fragilidade de toda criatura. Vocês 
Que dão à luz entre lençóis limpos 
E chamam de “abençoada” sua gravidez 
Não amaldiçoem os fracos e rejeitados, pois 
Se o seu pecado foi grave, o sofrimento é grande. 
Por isso lhes peço que não fiquem indignados 
Pois todos nós precisamos de ajuda, coitados.

(extraído de matéria no Vermelho)

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Vazio

Vazio estranho
este
que vem de dentro,
e foge,
e tudo preenche...

sábado, 19 de outubro de 2013

Correção: Google NÃO pisa na bola em homenagem ao poetinha

O Google resolver fazer uma homenagem ao centenário do nascimento de Vinicius de Moraes.

Colocou lá uma imagem muito simpática do nosso poetinha.

Olha só:



O estagiário só esqueceu de pesquisar sobre os dotes artísticos do homenageado na Wikipédia (ou no Google mesmo)...

Tivesse tido este cuidado, saberia que o poetinha não tocava violão...

Opa! O blog deu uma pisada na bola!
olha só a imagem que eu recebi do   via twitter:

Nossas desculpas ao Google...

sexta-feira, 22 de março de 2013

Leminski derruba Cinquenta Tons de Cinza do primeiro lugar



Toda Poesia – Paulo Leminski assumiu o topo no ranking dos livros mais vendidos na rede de Livrarias Cultura

na Gazeta do Povo


A antologia da obra do poeta curitibano Paulo Leminski Toda Poesia – Paulo Leminski lançada mês passado pela Editora Companhia das Letras assumiu nesta semana o primeiro lugar no ranking dos livros mais vendidos na rede de Livrarias Cultura. Os poemas de Leminski desbancaram uma prolongada supremacia de Cinquenta Tons de Cinza de E. L. James (Intrínseca) e suas duas sequências que durava mais de um ano.
O livro de Leminski reúne pela primeira vez, e em um só volume, de 424 páginas, 600 poemas do curitibano Paulo Leminski, um dos grandes nomes da literatura brasileira da segunda metade do século 20.
Ao longo dos nove meses de gestação do livro, a viúva de Leminski, a também poeta Alice Ruiz, trabalhou com a editora Sofia Mariutti, da Companhia das Letras. Sofia conversou com a reportagem da Gazeta do Povo sobre todo o processo de elaboração do projeto -- leia matéria completa.
A nova obra ganhou um vídeo, que ilustra uma das poesias e conta com a narração de Arnaldo Antunes.
Veja o vídeo:


Toda Poesia. Paulo Leminski. Companhia das Letras, 424 págs., R$ 46

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ex-moradores de rua viram fotógrafos e retratam São Paulo em exposição


As 40 fotos da exposição Eco da Ocas serão expostas a partir desta terça (5) na Livraria Bookstore, zona central da cidade

Davi Lira - O Estado de S. Paulo



Ele queria ter um olhar só dele. Uma visão de mundo que pudesse ser registrada e transmitida para os demais. Foi com essa motivação que o ex-morador de rua Gerson Roberto, de 45 anos, resolveu participar da oficina fotográfica promovida pela Ponto Cultural Ocas, localizado no Brás, zona leste de São Paulo.
A oficina funcionava com turmas trimestrais desde o segundo semestre de 2011 até final de 2012 - Joelia Cavalcante/Divulgação
Joelia Cavalcante/Divulgação
A oficina funcionava com turmas trimestrais desde o segundo semestre de 2011 até final de 2012


Finalizada no final de 2012, depois de quase um ano de curso, a oficina foi capaz de revelar não apenas um, mas cerca de 30 novos fotógrafos, que assim como ele, conseguiram registrar uma São Paulo bem particular. O apanhado final dos trabalhos resultou numa seleção de 40 fotos que serão apresentadas na exposição Ecos da Ocas a partir desta terça-feira, 5, às 19h na Livraria Bookstore, localizada na Rua Bento Freitas, 314, Vila Buarque, zona central da capital.

"Os participantes já estão acostumados com a cidade, as ruas e o cotidiano de São Paulo, até porque vários dos integrantes da oficina já moravam na rua, mas através da fotografia eles passaram a perceber esse visual de uma forma mais crítica", diz o fotógrafo e arquiteto Lucas Barros, professor voluntário responsável pela oficina de fotografia.

E o resultado final dos trabalhos não impressionou apenas o professor, surpreendeu a todos os participantes. "Eu nunca tinha pego um equipamento para fazer foto. Com a oficina, aprendi a perceber que a fotografia é capaz de levar as pessoas a vários lugares, ela convida a visitarmos o mundo de acordo com a nossa visão", diz Gerson, atualmente morando em albergues.

Outros ex-moradores de rua e ex-dependentes químicos, também participaram da oficina juntamente com outras pessoas, de enfermeiros a arquitetos, a maioria moradores da região do Brás. "A mistura é proposital, com isso a enfermeira perde preconceito com o morador de rua. E o morador de rua não se sente renegado. Acaba rolando um entrosamento entre eles", diz Barros.

O resultado final da iniciativa, que conta com a parceria da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do Instituto Pró-Diversidade, poderá ser conferido até o dia 9 de março.



Oficina de texto


A busca da valorização da dignidade de ex-moradores de ruas também foi aprofundada através de uma outra oficina, a de produção textual. Focada na criação de poesias, ela foi realizada de julho a dezembro de 2012 e também contou com cerca de 30 integrantes, em sua maioria ex-moradores de ruas, sem tetos e moradores de albergues. Os trabalhos do grupo também estarão apresentadas na exposição Ecos da Ocas.

"No primeiro momento, eles estavam desconfiados, mas depois eles se abriram completamente. Percebemos com a oficina que não é apenas as pessoas que têm medo dos moradores de rua, o medo deles da sociedade tem a mesma proporção", afirma Péricles Formigoni, professor da oficina de poesia e criação de texto.

Com o final da oficina, um dos participantes tem até uma lição de todo o ensinamento compartilhado pelo grupo. "Quanto mais conhecimento as pessoas têm de nós, mais se diminui o preconceito", diz Paulo Sérgio, de 38 anos, conhecido como Jamaica.

"É importante que as pessoas consigam enxergar as ruas sob uma nova forma, e repensar a cidade e a população de rua ou em vulnerabilidade social de uma maneira mais humanizada e social", pontua Formigoni.

No última dia da exposição, está programado o lançamento do livro sobre a história de 10 anos da Ong Ocas, conhecida por oferecer oportunidades de trabalho para moradores de ruas com a venda de revistas.

Poesia


Confira um dos textos que estarão na exposição

Qual é o Caso? 
Descaso da Sociedade!
Pelas ruas sujas e escuras do centro, as pessoas vivem, sobrevivem, comem, defecam, dormem e se consomem.
Descaso da Sociedade!
Mas isto não é o caso, o caso é que na rua existe poesia viva,
da vida em movimento
Nos repentistas da praça, nas estatuas vivas de rua a fazer reverência, no teatro de rua... todos somos atores?
O grande circo de rua com suas atrações!
A cidade é diversa!
E na adversidade... o descaso da Sociedade!
Mas eu prefiro ver a arte, na rua somos todos artistas!
Somos obras inacabadas de Deus
a sobreviver...
ora nos cantos... o absurdo!
ora na luz do Sol... o improvável!
Somos poesia viva!
Todo morador de rua é uma expressão de arte,
rostos marcados pintados como um quadro,
mágicos que vivem a beira da cidade, da civilidade,
da inocência, da decadência, da demência, do descaso...
E o caso é que existe
Mesmo que de uma forma inexplicável
intensa, inacadêmica e viva
Num descaso da Sociedade
É o morador de rua que ri
E faz descaso da Sociedade!


(Tula Pilar e Péricles Formigoni) 

sábado, 22 de dezembro de 2012

LEMINSKI



A vocês, eu deixo o sono

O sonho, não!

Este eu mesmo carrego!

PAULO LEMINSKI

domingo, 2 de dezembro de 2012

Décio Pignatari (Jundiaí, 20 de agosto de 1927 – São Paulo, 2 de dezembro de 2012)















Morreu Décio Pignatari



via blog do Campana

Décio Pignatari morreu nesta manhã em São Paulo aos 85 anos. Poeta, ensaísta, tradutor, dramaturgo, professor. Décio foi um dos principais nomes do concretismo, ao lado dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos –com quem editou a revista “Noigandres”, no anos 1950. Também com os irmãos Campos publicou “Teoria da Poesia Concreta”, em 1965.
No começo da última década teve passagem importante por Curitiba. Foi professor da Universidade Tuiuti. Teve uma relação estreita com a Travessa dos Editores. Décio publicou vários textos na Revista Et Cetera, uma peça — Céu de Lona –, e a tradução do livro Marina, de poesias da russa Marina Tsvetaieva. Ainda, organizou a edição do Catatau ,de Paulo Leminsky.  Quando em Curitiba, frequentava diariamente a editora e deixará saudades. Por sua literatura, seu trabalho na semiologia, pela inteligência e, simplesmente, por ele mesmo.
Internado no Hospital Universitário da USP desde a sexta, Décio teve insuficiência respiratória e pneumonia aspirativa. Não haverá velório. O enterro será nesta segunda, ao meio-dia, no cemitério do Morumbi.
Fotografia de Rubens Thom Speltz – 21.jan2000/Folhapress.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Menino


Menino Rei

Aqui,
bem no fundo,
mora um menino...
que vive me metendo em fria!


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Affonso Romano de Sant'Anna e Drummond: segredos de longa data


no Jornal do Brasil

Unidos pelo amor à literatura, os escritores Affonso Romano de Sant' Anna e Carlos Drummond de Andrade mantiveram uma amizade de longa data e repleta de segredos. 
A parceria entre os mineiros que adotaram o Rio de Janeiro para viver começou ainda na década de 60, quando Drummond disponibilizou todo o seu arquivo para que  Sant'Anna escrevesse sua tese de doutorado sobre a importância da literatura do mineiro de Itabira.
Dando prosseguimento à semana de homenagem aos 110 anos de nascimento do poeta completados este ano, o Jornal do Brasil republica, nesta quinta-feira, a crônica "Mané e o sonho", de 22 de janeiro de 1983. O texto foi escolhido para abrir o Caderno de Esportes, dois dias depois da morte do craque. (Clique aqui e confira a crônica).
Participando das homenagens do JB, Affonso Romano de Sant'Anna escreveu especialmente para o Jornal do Brasil um pouco do que viveu ao lado do grande poeta: 
"Desde os meus 16 anos conhecia Drummond. Trocamos cartas. Nos encontrávamos em sua casa, em Copacabana, ou na rua (quando ele vinha visitar a Lygia, sua amante durante 30 anos, conhecida até por sua filha Maria Julieta). Emprestou-me todo o seu arquivo para eu fazer a tese "Drummond o gauche no tempo", ainda no fim da década de 60. O trabalhorendeu-me quatro prêmios nacionais - entre os quais Prêmio do Instituto Nacional do Livro, Prêmio Estadual da Guanabara e Prêmio da União Brasileira de Escritores. 
Affonso Romano de Sant' Anna e Chico Buarque homenageiam Drummond no Carnaval de 1987 
Affonso Romano de Sant' Anna e Chico Buarque homenageiam Drummond no Carnaval de 1987 
O Jornal do Brasil me chamou para substituí-lo como cronista, em 1984, quando ele decidiu parar de escrever crônicas, aposentando-se das páginas do jornal: isto deu uma ciumeira danada. A Mangueira o homenageou com um enredo, em 1987, e me convidaram, nessa homenagem, para sair na Comissão de Frente. Além disso, estive na banca da tese de Maria Lucia Pazzo sobre erotismo. Drummond ajudou-a a fazer a tese. Como presidente da Biblioteca Nacional consegui que Maria Lucia doasse a correspondência dela sobre erotismo e Drummond para a Biblioteca Nacional.
Duas estórias, entre as muitas que tenho guardadas em diário, vou dividir com os leitores doJornal do Brasil". 
O obituário adiantado:
"Sensação realmente estranha, estapafúrdia, ambígua e perfeitamente normal, no entanto, tive poucos dias antes da morte do poeta. Ele já estivera internado antes da morte de Maria Julieta. E a imprensa, prevendo que ele poderia morrer a qualquer momento adiantava o obituário. É assim que a imprensa trabalha. Os jornais, para não serem pegos de surpresa, guardam obituários dos eminentes e iminentes candidatos à morte.
Ora, eu havia substituído Drummond como cronista no Jornal do Brasil , e lá Zuenir Ventura, que então chefiava o Caderno B, pediu que fizesse um ensaio sobre o poeta, porque ele poderia morrer a qualquer hora. Estranha, estapafúrdia, ambígua e perfeitamente normal a situação. Ele, vivo lá no hospital. E eu escrevendo o texto para após sua morte.
No entanto, Drummond se restabelece e o que aconteceu foi a morte de Maria Julieta de entremeio. Encontro-me com ele no velório da filha. Ele vivo, ali minha frente e o jornal já com o meu texto sobre ele morto, não se sabia para quando. Pensei, deveria dar para ele ler. Acho que ele ia achar até engraçado. Ler vivo o que sobre ele se publicaria depois de morto.
Após sua morte, um dia recebo o telefonema de uma ex-aluna, dizendo-me que Drummond aparecera numa sessão espírita e que havia mandado dois recados. Ouvi-os atentamente. Um era para Dona Dolores: que dissesse a ela para não se preocupar porque ele estava muito bem. E pronunciava a palavra- GOVENA, pedindo que a transmitisse à Dolores, que ela saberia o que era aquilo. Quanto a mim, dizia a amiga espírita, ele mandava dizer que o que mais gostara fora o título daquele meu texto que o jornal publicara: "Vai, Carlos, ser gauche na eternidade”.
Como se vê, do outro lado, ele continuava atento, atencioso e bem humorado".
O Gauche no Tempo:
"Quando Drummond o gauche no tempo foi publicado em sua  primeira edição pela Editora Lia, o poeta assim se manifestou:
-  "Mas você me desparafusou todo!”.
Achei que era mais um comentário mineiro cordial. E quando o livro foi publicado, como sucede com os autores sobretudo jovens, passei por uma livraria no centro do Rio e resolvi indagar se meu livro estava lá à venda.
- "Acabou”, disse-me o livreiro. “O poeta esteve aqui e comprou os dez últimos exemplares”.
(Reportagem: Maria Luisa de Melo/ Pesquisa CPDocJB: Lucyanne Mano/ Arte: Rodrigo Quadros).