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terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Na venda da Amil, os horrores da privatização da Saúde

Por Gabriela Leite, no Outra Saúde (via e-mail)

Usuários relatam dificuldades em utilizar os serviços do convênio de saúde, desde que a operadora vendeu 337 mil de seus planos individuais a outras empresas. Enquanto isso, Congresso discute a desregulamentação do setor…


Já era de se esperar, mas vieram rápido demais as reclamações de usuários da Amil sobre a degradação acelerada dos serviços. Eles relatam dificuldades em agendar exames, descredenciamento de hospitais sem aviso prévio e falta de orientação da empresa. As reclamações à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) multiplicam-se. Tudo começou em dezembro do ano passado, quando a Amil simplesmente “vendeu” 337 mil clientes de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná às empresas APS (Assistência Personalizada à Saúde) e Fiord Capital, em dezembro de 2021.

A operação é curiosa. A gigante norte-americana do ramo da Saúde UnitedHealth, dona da Amil, repassou às minúsculas APS e Fiord Capital, por R$ 3 bilhões, os planos de saúde dos usuários que supostamente geravam prejuízo à empresa. A estranheza amplia-se à medida em que se conhecem os detalhes. A Fiord Capital foi aberta um mês antes da operação, é especializada em “reestruturação financeira” e funciona em uma casa modesta num bairro da zona leste de São Paulo. A APS, diferente da Fiord, é da área da Saúde e também pertence à UnitedHealth. Até receber os usuários da Amil, tinha apenas pouco mais de 11 mil contas. Ao fazer a transação – que ainda precisa ser autorizada pela agência reguladora –, a Amil não poderia, segundo as normas, fazer alteração na rede credenciada nem mudar os valores dos planos. Não é o que vem acontecendo…

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Nova lei dos planos de saúde: sonho empresarial, pesadelo para o país

Do Outra saúde (por e-mail)


Análise de centros de estudos da USP e UFRJ aponta: revisão da lei atual reduz coberturas, exclui pobres e idosos de direitos básicos e revela método legislativo opaco. É preciso arquivá-lo já


Mesmo no universo lunático da atual política brasileira causou espanto, no último dia 3/12, o aparecimento da primeira versão do projeto de revisão da lei 9.656/98, que alicerça o funcionamento dos planos de saúde no Brasil. O parecer do relator, deputado Hiran Gonçalves (PP-RR), se for levado a sério, abolirá tudo o que se conseguiu de progresso, em termos de Saúde, nos últimos trinta anos. Entidades como Abrasco, Cebes e Idec estão perplexas e indignadas.

O texto atropela, por exemplo, a Classificação Internacional de Doenças da OMS (Organização Mundial de Saúde), convertida em simples “referência”. Pela lei de 1998, todas as doenças dessa lista devem ser obrigatoriamente cobertas. Também se ignora o Estatuto do Idoso, pelo qual não se poderia aumento o preço dos planos desta população. Mas pela revisão proposta, ela acabaria “expulsa” dos planos de saúde, por impossibilidade de pagamento.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Precedente perigoso: Querem instituir a "fila preferencial" mediada por interesse$ privado$

via Outra Saúde (por e-mail)

AS NEGOCIAÇÕES DO SETOR PRIVADO

O governo federal mandou uma carta à AstraZeneca dizendo que não se opõe à compra de 33 milhões de doses da vacina contra a covid-19 pelo setor privado. O documento foi obtido primeiro pelo Globo e se refere a uma negociação de empresários revelada ontem cedo pelo Painel da Folha.

A história, segundo apurações de vários repórteres, é a seguinte: desde meados da semana passada, um grupo de grandes empresas tem conversado com o Ministério da Saúde para negociar a autorização para a compra do lote. As 33 milhões de doses estariam disponíveis para venda a partir da Inglaterra, desde que pelo menos 11 milhões fossem adquiridas de uma só tacada. Para isso, a pasta deveria editar um ato estabelecendo quais seriam as condições para a permissão. E, pelo acordo em andamento, metade das doses adquiridas seriam doadas ao SUS, enquanto a outra parte seria distribuída entre os funcionários das empresas e seus familiares.

Não se sabe direito de quem foi a ideia dessa divisão. De acordo com o Globo, quem começou a conversa com grandes empresários foi a Gerdau, mas a siderúrgica nega ter liderado o movimento ou sugerido a retenção de vacinas pela iniciativa privada. Uma fonte ouvida pelo jornal diz que foi o próprio governo federal quem sugeriu a cota de 50%.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Rudá Ricci: "Está em curso um alinhamento dos setores empresariais para abocanhar fundos públicos da educação e saúde"

Por Rudá Ricci @rudaricci no Twitter

Bom dia. Farei um mini fio analisando como empresários, Centrão e Bolsonaro decidiram mirar nos fundos públicos da educação e saúde neste último período e o papel do Centrão na manutenção dos índices de aprovação do governo federal. Lá vai fio:



1) Postei agora há pouco uma nota de Daniel Cara em que se revela o desvio de recursos públicos do Fundeb para a iniciativa privada: quase 16 bilhões. Não se trata de uma "ajuda" ao Sistema S ou às escolas filantrópicas. Trata-se de disputa por recursos públicos pelos empresários

2) O texto de Daniel Cara informa que "Em 2019, conforme análise de dados da Receita Federal produzida por João Marcelo Borges (FGV), concluiu-se que as entidades filantrópicas e confessionais receberam 6,37 bilhões de dinheiro público (...) e o Sistema S recebeu R$ 21 bilhões."

3) Fica nítido que está em curso um alinhamento dos setores empresariais para abocanhar fundos públicos da educação e saúde. Na saúde, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) publicou as “Diretrizes para um modelo de atenção integral em saúde mental no Brasil“

4) O documento “Diretrizes para um modelo de atenção integral em saúde mental no Brasil” é um nítido ataque aos fundos públicos da área da saúde mental. O ataque procura voltar ao passado, focando no isolamento da pessoa com sofrimento mental em hospitais. Quem ganha com isso?

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

O que há por trás do decreto para privatizar o SUS

Documento que abria UBSs ao setor privado faz parte de amplo plano para mercantilizar a atenção básica. Começa em 2016, com a ideia de “planos de saúde populares” e os cortes de verbas para o SUS. Entre os interessados, a AMIL-United Health

Grazielle David, em entrevista a André Antunes, na EPSJV/Fiocruz (reproduzido no Outras Mídias)

Nesta entrevista, a pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e conselheira do Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes), Grazielle David, fala da polêmica envolvendo o decreto 10.530, publicado em Diário Oficial no dia 26 de outubro e revogado poucos dias depois pelo presidente Jair Bolsonaro em meio às críticas de que ele significaria o aprofundamento da privatização da atenção primária à saúde no Sistema Único de Saúde (SUS). O decreto, assinado pelo Ministério da Economia, previa a realização de estudos que viabilizassem parcerias entre estados e municípios com a iniciativa privada para a construção, modernização e operação de Unidades Básicas de Saúde. Para Grazielle, esse tema deve voltar à pauta do governo no futuro e sua implementação representaria um aprofundamento da privatização do SUS

domingo, 31 de maio de 2020

NOTÍCIA GRAVÍSSIMA PARA AS STARTUPS BRASILEIRAS E PARA A CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO BRASIL

Neste 27 de maio de 2020, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) anunciou conjuntamente com a empresa norte-americana CISCO, sem licitação, sem chamamento público, sem audiência pública e sem transparência, um acordo entre as duas partes, para que a empresa CISCO "acelere a transformação digital brasileira".

O evento de lançamento contaria com a presença do presidente da República, que desistiu de participar na última hora, e contou com a presença do ministro do MCTIC, astronauta Marcos Pontes.

O presidente da CISCO, durante sua apresentação do acordo, pedia em inglês que as lâminas de power point fossem sendo trocadas, numa clara demonstração de que a apresentação era coordenada dos Estados Unidos.

Em seguida, o presidente da CISCO deu uma coletiva de imprensa fechada, quando deu detalhes do acordo e onde se recusou a detalhar investimentos que poderiam incriminar o acordo.

Muito embora se tenha solicitado os termos desse acordo, até o momento o MCTIC e a CISCO não os apresentaram, numa total falta de transparência sobre um ato que afetará a soberania nacional.

Até a RNP (rede utilizada pelas universidades) faz parte de referido acordo.

quinta-feira, 26 de março de 2020

CRIAÇÃO DA ADAPS - ATAQUE AO SUS EM MEIO À CRISE DO CORONAVÍRUS

Recebi pelo Whatsapp

As entidades que subscrevem essa nota repudiam a homologação pelo Governo Bolsonaro, em plena pandemia pelo Coronavírus, do Decreto 10.283, de 20 de março de 2020, que institui a Agência Para o Desenvolvimento da Atenção Primária à Saúde (ADAPS). Essa medida é potencialmente indutora de uma maior precariedade no âmbito da organização do Sistema Único de Saúde (SUS), e mais especificamente da Estratégia Saúde da Família (ESF). 

Apesar do nome que poderia sugerir uma postura “desenvolvimentista”, a ADAPS é nada mais do que a criação de uma entidade do Terceiro Setor, denominada de Serviço Social Autônomo (SSA), um ente privado e não estatal (apesar de criada pelo governo) com natureza jurídica próxima a outras experiências como as Organizações Sociais de Saúde (OSS), só que agora com uma dimensão nacional, que irá usurpar atribuições antes da alçada da União, estados e municípios em relação ao ordenamento e funcionamento de serviços de atenção primária à saúde do país. 

domingo, 22 de março de 2020

Coronavírus enterra na Inglaterra legado da era Tatcher: privatização da saúde está sendo revertida.

Em medida inédita na Inglaterra, o primeiro ministro Boris Johnson anunciou neste sábado (21) que o National Health System (equivalente inglês do SUS) nacionalizará temporariamente 20 mil hospitais, clínicas e outros estabelecimentos médicos para lutar contra o avanço do coronavírus na terra da rainha.
O setor privado de saúde na Inglaterra irá realocar todos os recursos e disponibilizar 8000 leitos e 1200 ventiladores mecânicos – o equipamento é crucial para manter vivos os pacientes afetados pelo Covid-19 em estado grave. O regime de atendimento especial desses estabelecimentos vigora a partir do dia 23 de março, noticia Andrew Gregory, editor de saúde do Sunday Times, em seu Twitter.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Após impor teto para educação e saúde, Congresso analisa deixá-las sem piso



Depois de impor um teto para o crescimento de gastos públicos durante o governo Michel Temer, afetando a educação e a saúde, agora o Congresso Nacional pode atender a um desejo do ministro da Economia e acabar com o piso para essas duas áreas. Ou seja, o montante obrigatório que municípios, estados e União devem destinar a elas.

Após reunião com Paulo Guedes, o senador Marcio Bittar (MDB-AC), relator da proposta emenda constitucional do Pacto Federativo, afirmou à imprensa que vai inserir essa mudança no texto da PEC. "A ideia de tutelar e estabelecer que tem que gastar um tanto com saúde e educação, na prática, aprovou-se ineficiente", disse Bittar, no registro de Fábio Pupo, da Folha de S.Paulo.

Na verdade, a existência do piso é que garantiu que o país conseguisse universalizar a educação básica e reduzisse o analfabetismo. Precisamos, agora, de mais recursos e melhor gestão para avançar. Somos um país populoso e extenso, que não consegue bancar salários decentes e formação continuada a professores, nem garantir escolas com merenda, internet, água e papel higiênico. Ao mesmo tempo, o piso é que garantiu a existência do Sistema Único de Saúde, que permite a todos os brasileiros terem acesso a atendimento para tratar uma gripe ou fazer um transplante de coração. Por insuficiência de recursos e de gestão, temos filas absurdas, déficit de leitos, falta de material para atendimento, número insuficiente de ambulâncias.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Carlos Ocké: "É uma falácia dizer que plano de saúde desafoga o SUS... transformamos o seguro social em seguro privado – algo que parasita muito mais o setor público"

Entrevista: Carlos Ocké


‘A Adaps pode reforçar a tendência de privatização da gestão’ 

O ano de 2019 foi movimentado em muitas frentes, e com o SUS não foi diferente. Ao longo dos meses, vimos o desenrolar da crise de provimento provocada pelo fim da parceria entre Brasil e Cuba no Mais Médicos, o surgimento da resposta do governo federal – o programa Médicos pelo Brasil – que, apresentado via medida provisória, foi aprovado no último momento pelo Congresso Nacional criando a controversa Agência para o Desenvolvimento da Atenção Primária à Saúde (Adaps) nos moldes de um serviço social autônomo. Assistimos também à aprovação de um novo modelo de financiamento federal para a atenção básica, que está sendo contestado pelo Conselho Nacional de Saúde e substitui o repasse por habitante por uma fórmula que leva em conta apenas o usuário cadastrado na equipe de saúde. E, ainda, à demonstração de força dos parlamentares ao estabelecerem que as emendas apresentadas por bancadas também terão execução obrigatória por parte do governo federal. Tudo isso, num cenário em que os recursos da União destinados ao SUS mínguam, ano a ano. Em 2020, todas essas novidades entram em cena. E há mais mudanças aguardando na ‘coxia’, como a proposta da equipe econômica de unificar os gastos com saúde e educação nos três níveis de governo apresentada na PEC do Pacto Federativo. No pano de fundo, persistem problemas antigos, como o baque provocado na arrecadação pelos subsídios fiscais destinados ao setor saúde. Quem analisa tudo isso para a Poli é o pesquisador Carlos Ocké, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que estuda há anos a saúde suplementar e o financiamento e acompanhou de perto muitos desses debates. Ele alerta: “A tendência é de arrocho.”



Do ponto de vista financeiro, como o SUS chegou a 2019?

Para entender o retrato de 2019 proponho que, primeiro, a gente assista ao filme – ou seja, analise como o financiamento federal vem se comportando nos últimos anos. Em 2014, a União destinou R$ 595 para cada habitante do país [em valores corrigidos pelo IPCA de 2019]. Foi o ápice desse investimento. Mas justamente no último trimestre de 2014 começou a recessão econômica e 2015 marcou o início da trajetória de queda desse valor per capita, que foi para R$ 581. Se não bastasse a conjuntura recessiva, surgiu um segundo e grave fator que deprimiu o piso mínimo. Eu falo da Emenda Constitucional 95, a EC do Teto dos Gastos, que começou a vigorar em 2018 para a saúde. E, com isso, o SUS passou de um padrão de subfinanciamento, que é histórico, para um cenário de estrangulamento financeiro, um desfinanciamento que inaugura um processo de sucateamento mais intenso do Sistema. No primeiro ano de vigência da EC 95 para a saúde, o gasto por habitante ficou em R$ 559. E, em 2019, esse valor desceu mais um pouquinho, indo para R$ 558. Então, a resposta mais curta para a sua pergunta é que o SUS chega mal a 2019. Desde a vigência da Emenda, o financiamento per capita caiu R$ 4. E nós já temos uma projeção para 2020 que mostra o filme: entre 2014 e 2020 o financiamento per capita terá diminuído nada menos do que R$ 40. E essa queda afeta a saúde dos indivíduos com a redução da oferta – seja de profissionais, insumos, remédios – e a perda de qualidade do SUS, com aumento do tempo de espera e agravamento da desigualdade de acesso.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Retrospectiva 2019 | Menos médicos, menos investimento e um banho de agrotóxicos

Primeiro ano do governo Bolsonaro foi marcado por retrocessos e cortes no Sistema Único de Saúde (SUS)


corte orçamentário de R$ 1 bilhão para a saúde pública, efetivado pelo Congresso Nacional em janeiro de 2019, era o prenúncio de um ano de desmontes e retrocessos na área.
O governo Bolsonaro impôs uma série de obstáculos aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Com menos dinheiro em caixa, as consequências eram inevitáveis: hospitais sucateados, menos servidores em campo, remédios em falta, minorias ainda mais desassistidas.
O presidente encerrou o programa Mais Médicos, apresentou o “Médicos pelo Brasil”, mas nunca expôs uma medida consistente para suprir a lacuna deixada pelos 8 mil profissionais cubanos.
Quem mais sentiu o baque foi a população periférica de grandes cidades, desassistida pelo novo programa, conforme análise da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares. O “Médicos pelo Brasil” também inviabilizou a construção de novas unidades básicas de saúde pelo país e enfraqueceu vínculos trabalhistas.

domingo, 14 de julho de 2019

Os planos de saúde voltam a atacar

Projeto que deve ser levado ao ministro da Saúde facilita os reajustes por faixa etária e derruba os prazos máximos de espera, entre outras medidas


Está no forno de um consórcio das grandes operadoras de planos de saúde um projeto destinado a mudar as leis que desde 1998 regulamentam esse mercado. Chama-se “Mundo Novo”, tem 89 artigos e está trancado numa sala de um escritório de advocacia de São Paulo. O plano é levá-lo para o escurinho de Brasília, deixando-o com o ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, e com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia. Ambos ajudariam o debate se divulgassem o “Mundo Novo” no dia em que chegasse às suas mesas, destampando-lhe a origem.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

A privatização do setor público de saúde

Sugerir que os problemas da saúde pública surgem em decorrência da gestão, apontando tão somente para a inovação no modo de gestão como solução, revela uma tendência em justificar sua “ineficiência” em virtude de dificuldades meramente gestacionais ao tempo em que ignora a decisão política de inviabilizar a saúde pública gerida e operacionalizada pelo Estado.

por por Arlene Laurenti* e German Gregorio Monterrosa Ayala** no Le Monde Diplomatique Brasil 

Nas décadas de 1970 e 1980, os sanitaristas explicitaram suas concepções teóricas acerca de um novo modelo de atenção em saúde para substituir o modelo médico-assistencial privatista. Destacaram as contradições internas do modelo em vigor e propuseram as premissas da universalidade, igualdade, integralidade, equidade, descentralização e participação popular para compor um novo modelo.

Assim, na década de 80 a necessidade de uma teoria de transição apareceu como fruto do movimento dos sanitaristas para a construção desse novo modelo que relevou e considerou também, os interesses específicos da sociedade. Entretanto, desde o início, a controvérsia sobre o ‘novo modelo’ foi um assunto confuso em virtude da desarmonia entre os interesses do projeto liberal hegemônico em vigor e o Estado, responsável pela viabilização da reforma abrangente proposta pelos sanitaristas.

A intenção de equidade, universalidade, integralidade e participação popular fica desprovida das mais elementares garantias materiais para a transformação do modelo de atenção à saúde, onde prevalece a dinâmica liberal. Nem a intenção abertamente anunciada de alguns sanitaristas que compuseram os quadros do governo a época produziu uma mudança fundamental nas estruturas que alojavam essa dinâmica. Enquanto esta proposta de reforma ampliou as possibilidades de crítica ao modelo médico-assistencial privatista, a adoção de medidas de acordo com as estratégias de esvaziamento do espaço público e da expansão do mercado na área, conduziu, e segue conduzindo cada vez, mais para a privatização com a consequente diminuição da regulação da atenção em saúde pelo Estado.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

O fiasco da PPP para produção de medicamentos no Tucanistão


GATO POR LEBRE 

no Outra Saúde (por e-mail)

Há quase seis anos, o então governador de São Paulo Geraldo Alckmin assinou uma PPP (parceria público-privada) para a gestão, operação e manutenção de uma fábrica de medicamentos, a de Américo Brasiliense. O termo foi assinado entre a  Fundação para o Remédio Popular (Furp), órgão vinculado à Secretaria da Saúde, e a Concessionária Paulista de Medicamentos (CPM), controlada pelo laboratório de genéricos EMS. A CPM deveria investir R$ 130 milhões nos 15 primeiros anos de concessão, e produzir 96 tipos de medicamentos para o SUS.

Mas, como mostra a matéria do Estadão, as coisas não estão saindo nada conforme o combinado. Até agora, a concessionária fez apenas metade dos investimentos previstos para esse primeiro período, e mesmo assim só porque houve notificações sobre o descumprimento do contrato. Dos 96 remédios prometidos, saíram 13. E ainda por cima a CPM cobra mais caro por eles do que o valor de mercado – um inquérito do MP estadual tem documentos mostrando que, em alguns casos, os preços previstos na PPP são até sete vezes mais altos do que o normal. A justificativa é que o contrato prevê outros serviços, como a manutenção da fábrica. Por isso, a CPM ainda cobra da Furp um ressarcimento de R$ 65 milhões. O estado está pagando. 

sábado, 13 de abril de 2019

Bolsonaro demonstra mais uma vez o desconhecimento absoluto sobre a educação brasileira. (má fé???)

Francisco Faria no Facebook

Bolsonaro e o discurso sobre o ensino superior: como mentir se revela uma compulsão do presidente, com o único propósito, na minha opinião, de municiar sua horda virtual nas redes sociais com os mesmos argumentos falsos.

O desmonte abaixo foi escrito de maneira clara e limpa por Allan Kenji, da Université Paris-13 e do Programa de Pós-graduação em Educação da UFSC:


"Na última segunda-feira (8/4), Bolsonaro demitiu o Ministro da Educação, Ricardo Vélez, e o substituiu pelo homem das finanças, Abraham Weintraub. Bolsonaro concedeu entrevista exclusiva para o jornalista Augusto Nunes, do programa "Pingo nos is" (Jovem Pan), na qual mostrou mais uma vez o desconhecimento absoluto sobre a educação brasileira. A verborragia de Bolsonaro impressiona pelo excesso de amadorismo do governo que conseguiu o ineditismo de não conseguir acertar um único dado correto em mais de 100 dias de governo, mas a linha é clara: aprofundar o projeto neoliberal de destruição das universidades públicas.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Organizações Sociais de Saúde já gerenciam 71% dos serviços de saúde da cidade de São Paulo

CPI na Assembleia Legislativa de São Paulo descobriu, em 2018, que dirigentes recebem salário superior ao do governador e fazem quarteirização.
Foto: Cecília Figueiredo


Juntas, elas receberam, em 2018, cerca de R$ 4,9 bi, ou seja, 47% do orçamento municipal, estimado em mais de R$ 10 bi


O desempenho da Secretaria de Saúde da cidade de São Paulo, no ano passado, registrou dois fatos marcantes. Enquanto o repasse de verbas do governo federal registra tendência de queda, os recursos de repasses da Prefeitura aos contratos de gestão mantidos com as Organizações Sociais de Saúde (OSS) continuam estáveis, sem redução de verbas. Juntas, as entidades receberam o montante de R$ 4,9 bilhões em 2018, ou seja, 47% dos gastos do orçamento municipal que alcançou R$ 10,5 bilhões. É praticamente o mesmo patamar de recursos de 2017.

sábado, 19 de janeiro de 2019

O(des)governo Bolsonaro/Guedes mostra suas garras: Os riscos por trás do "Vale Saúde"


do Outra Saúde (por em-mail)

O RISCO DO VOUCHER

Reportagem da Folha entrevistou especialistas que criticam a ideia do ministro da economia Paulo Guedes de criar um voucher para saúde. Nos países onde essa política funciona – todos sem sistemas públicos organizados – o Estado entrega um vale para o cidadão, que vai buscar no mercado consultas. Não há detalhes de como isso funcionaria no Brasil. Se sair do papel, é o fim do SUS. Guedes é defensor ferrenho da privatização e não é descabido pensar que junto com o voucher, viria a venda de hospitais e outros serviços próprios, nota a matéria. 

De acordo com uma revisão de artigos que estudaram países com o voucher (como Bangladesh, Índia, Moçambique, Nigéria, Senegal, etc.), o instrumento imprime irracionalidade na utilização dos serviços. Isso porque com um sistema público, a lógica da organização em rede preconiza que as pessoas tenham seu primeiro atendimento na atenção básica e, dali, sejam encaminhadas para especialistas, por exemplo. Nessa comparação, de posse do vale, a população seria estimulada a ir diretamente para o especialista (assim como acontece com quem tem plano de saúde no Brasil, lógica que algumas empresas, agora, tentam mudar com a introdução de médicos e enfermeiros de família). Isso tornaria o sistema de saúde mais caro e menos eficiente. 

terça-feira, 30 de outubro de 2018

O balcão está aberto. O que está por trás da proposta exdrúxula de EAD.

via ℋeℓeηαSthephanowitz™
@Helenasth no Twitter

A Folha descobriu por que o bolso quer ensino a distância. 

Paulo Guedes tem a Bozano Investimentos, com oito empresas de educação.

Conselheiro de Bolso cotado para comandar da educação, é dono da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância). 

Vai vendo.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Delícias da Privataria Tucana: Os marajás sugando o SUS


MARAJÁS DO TERCEIRO SETOR

no Outra Saúde (via email)

A CPI da Assembleia Legislativa de São Paulo, que apura irregularidades nos contratos das Organizações Sociais com o setor público, recebeu ontem informações de três entidades sobre os salários de seus dirigentes. A OS Cruzada Bandeirante São Camilo chega a pagar R$ 28,2 mil para o diretor técnico do Hospital Geral de Carapicuíba, onde o diretor administrativo ganha R$ 26,7 mil. Em outras unidades, os altos salários se repetem. Os valores superam a remuneração do governador do estado, que recebe aproximadamente R$ 22 mil.

Segundo o Conselho estadual da Saúde de São Paulo, o salário do cargo comissionado equivalente ao mais alto nível de um administrador hospitalar concursado é de R$ 7.957,03. Na rede privada a média salarial é de aproximadamente R$ 11 mil, informa a reportagem da Rede Brasil Atual.

domingo, 22 de julho de 2018

Pesquisadores denunciam "catástrofe" na saúde com Temer


Sucateamento do SUS e privatização estão no centro da "catástrofe" brasileira, denuncia estudo


Em artigo publicado na revista The Lancet, pesquisadores das universidades de Cambridge, Massachusetts e Brasília classificam como "catástrofica" a política de Temer para a área de saúde. Segundo a publicação, a combinação entre austeridade econômica, desregulamentação e privatização dos serviços públicos, marca das ações do governo neoliberal de Temer, estão trazendo inúmeros prejuízos para a população: do aumento da desigualdade à disparada da violência.

"O governo brasileiro está retrocedendo em relação à universalização dos serviços de saúde, mesmo isso sendo um direito constitucional", diz o texto. "As políticas neoliberais na área de saúde, combinadas com a desregulamentação das leis trabalhistas e a severa crise econômica, estão não apenas trabalhando contra a ideia de justiça social, mas também exacerbando as duas principais preocupações na área de saúde pública: a desigualdade socioeconômica e socioespacial e as altas taxas de homicídio".