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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Agrotóxicos, depressão e dívidas criam ‘bomba-relógio’ de suicídios no RS

na BBC Brasil


Simone RovadoskiImage copyrightDIOGO ZANATTA
Image captionSimone Rovadoski ficou um ano sem plantar depois da morte do marido
A família de agricultores acordou cedo e tomou chimarrão naquela manhã quente de 21 de dezembro de 2013. A mãe fez bolinhos para o lanche e iniciou o preparo da lentilha para o almoço.
Mas, quando Simone Rovadoski, de 39 anos, saiu da casa para ajudar o marido José Dell Osbel, de 44 anos, no cultivo dos 48 mil pés de tabaco da família, encontrou-o morto.
"Não pude evitar que as crianças vissem. Foi um horror", relembra Simone sobre o suicídio do marido, em Gramado Xavier, a 156 km de Porto Alegre. "Ajuda a salvar meu pai, ajuda!", pedia o filho do casal, na época com 13 anos, para curiosos que se aproximavam.
Osbel passou a integrar as estatísticas que fazem do Rio Grande do Sul o Estado com mais casos de suicídios no Brasil: 10 a cada 100 mil habitantes.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

OMS cumprimenta Uruguai por vitória em processo da Philip Morris


A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) cumprimentou o governo do Uruguai por ter vencido um processo internacional apresentado pela fabricante de cigarros Philip Morris.

A empresa processou o país pelas regulações implementadas para o controle do tabaco e que estavam de acordo com as obrigações do Uruguai no âmbito do primeiro tratado internacional de saúde pública negociado sob o auspício da OMS.

Consumo de tabaco custa US$33 bilhões para os sistemas de saúde da América Latina, o equivalente a 0,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Foto: EBC

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) cumprimentou na sexta-feira (8) o governo do Uruguai por ter vencido um processo internacional apresentado pela fabricante de cigarros Philip Morris.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Pesquisa indica que Lei Antifumo reduziu em 12% mortes por infarto em São Paulo


Pesquisa desenvolvida pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor) mostrou uma redução de 12% nas mortes por infarto com a adoção da Lei Antifumo. A legislação aprovada no estado de São Paulo em 2009 proíbe fumar em lugares fechados de uso coletivo. Uma norma semelhante foi aprovada em nível federal em 2014.

O estudo feito pelo Incor, que é vinculado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, indicou ainda uma queda de 5% nas internações hospitalares ligadas ao infarto. Para análise dos dados do Sistema Único de Saúde foi usado um modelo estatístico que leva em consideração a influência de outras variáveis, como temperatura e poluição, de modo a isolar os efeitos da lei. 12%
Com isso, foi elaborada uma projeção de quantas mortes e internações por infarto seriam esperadas para o período. Nos primeiros 17 meses após a implantação da medida, o número de mortes por ataque cardíaco caiu 12% (equivalente a 571 casos em números absolutos) e de internações em hospitais, 5% (equivalente a 142 casos).

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Souza Cruz é condenada a indenizar fumante por dano moral



Tabagismo: a indenização será paga a uma funcionária pública aposentada, de 83 anos, que alegou ter fumado dois maços de cigarro por dia durante quase 50 anos
Fausto Macedo e Fernanda Yoneya, do Estadão Conteúdo

na Exame

São Paulo - A Justiça de São Paulo condenou a Souza Cruz a indenizar por danos morais a funcionária pública aposentada Dolores Consuelo Zigler, de 83 anos, que alegou ter fumado dois maços de cigarro por dia durante quase 50 anos, desde quando ainda estava na adolescência.

Na ação, Dolores informou que o vício lhe causou complicações pulmonares. Em decorrência do tabagismo, conforme atestado médico que juntou aos autos, sofre de "obstrução do fluxo ventilatório".

A juíza Celina Dietrich Trigueiros Teixeira Pinto, da 15.ª Vara Cível da Capital, fixou a indenização em R$ 20 mil ao reconhecer "nexo causal" entre o cigarro e a doença de Dolores.

domingo, 27 de dezembro de 2015

CIGARRO. A INDÚSTRIA DO TABACO FOCA NOS JOVENS

Os mais sofisticados – e eficazes - métodos de marketing são postos em ação pelos fabricantes de cigarro. Objetivo: seduzir e convencer os mais jovens, vistos como futuros clientes de longo prazo.


Por Marc Mennessier – Le Figaro (via Saúde 247)


Como uma indústria pode sobreviver de modo sustentável ao matar, no decorrer do tempo, a metade de sua clientela e assim, perder a metade de seu mercado? Todo ano, na verdade, milhões de pessoas são vítimas do tabaco no mundo todo (73 mil mortes na França). No final deste século, um bilhão de mortes lhe serão atribuídas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Fumar em veículo que conduza gestante, criança ou adolescente pode virar crime

na Agência Senado


Estará sujeito a pena de dois a quatro anos de detenção, mais multa, a pessoa que fumar em veículo público ou privado que esteja conduzindo gestante, criança ou adolescente. A medida está prevista no PLS 694/2015, do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), aprovado em decisão terminativa nesta quarta-feira (2) na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

O autor propõe incluir a prática entre os crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/1990). Não terá cometido o crime o fumante que, após ser advertido por qualquer pessoa, apagar o cigarro. Por outro lado, a pessoa reincidente que for condenada pela prática poderá ter a pena aumentada em um terço.

Crivella também propõe modificar a lei que impôs restrições de locais públicos para fumantes (Lei 9.294/1996) para incluir a proibição ao fumo em veículos quando neles estejam gestantes ou crianças e adolescentes.

Para justificar a proposta, o autor cita diversos estudos mostrando que a nicotina pode levar a partos prematuros ou mesmo à interrupção da gestação, além de comprometer o desenvolvimento neurológico de crianças e aumentar a incidência de doenças como bronquiolite, asma e pneumonia, entre outros problemas.

O projeto, que contou com voto favorável da relatora, Marta Suplicy (PT-SP), segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Número de fumantes no Brasil cai 30,7% nos últimos nove anos

Queda é resultado do conjunto de ações promovidas pelo governo federal. Apesar da redução, a proporção de fumantes que utilizam cigarros industrializados de origem ilícita passou de 2,4%, em 2008, para 3,7%, em 2013


O ato de fumar está cada vez menos popular no Brasil. Segundo dados do Vigitel 2014, atualmente, 10,8% dos brasileiros ainda mantém o hábito de fumar – o índice é maior entre os homens (12,8%) do que entre as mulheres (9%). Os números representam uma queda de 30,7% no percentual de fumantes nos últimos nove anos. Em 2006, 15,6% dos brasileiros declaravam consumir o produto. A redução no consumo é resultado de uma série de ações desenvolvidas pelo Governo Federal para combater o uso do tabaco.

No entanto, um estudo inédito do Instituto Nacional do Câncer (INCA), demonstra que entre os brasileiros que consomem cigarros industrializados cresceu a proporção daqueles que fumam cigarros de origem ilícita. Em 2008, 2,4% dos fumantes obtinha cigarro proveniente do mercado ilegal – em 2013 o percentual passou para 3,7%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (28/5) em cerimônia comemorativa ao Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.

domingo, 29 de março de 2015

Se o problema fosse só a nicotina...

Nunca um pequeno cilindro conteve tanto: açúcares, arsênico, solventes e outros venenos

no El País


Os melhores perfumes vêm em pequenos frascos. Pode ser. Mas também os venenos mais potentes. Um pequeno cilindro com tabaco (um cigarro) contém ingredientes que geram até 7.000 produtos diferentes, dos quais 69 são comprovadamente cancerígenos. De fato, aproximadamente 85% dos tumores no pulmão se devem ao tabaco. Mas seus efeitos não param por aí.

Respire fundo: além de ser o principal responsável pela doença já mencionada, consumir tabaco aumenta a probabilidade de desenvolver câncer de boca, laringe e esôfago, e até de outros órgãos aparentemente distantes da fumaça fatal, como o estômago, o fígado, a bexiga, a mama e o cólon. E o cigarro não está relacionado apenas com o câncer. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ele também provoca doenças cardiovasculares como anginas, infarto do miocárdio e isquemia cerebral, ao promover a arteriosclerose (depósito de substâncias lipídicas nas artérias), a diabetes e o aumento da pressão arterial. Também está claro que o tabaco aumenta as alterações pulmonares ao facilitar as infecções, piorar a asma e irritar e destruir os alvéolos, as finas paredes onde se capta o oxigênio, o que acaba dando lugar a uma insuficiência respiratória conhecida como enfisema. Ainda de acordo com a OMS, fumar é a principal causa de morte evitável no planeta (Volte a respirar fundo).

sexta-feira, 27 de março de 2015

Crianças expostas ao fumo dos pais podem ter risco maior de desenvolver doença cardíaca

Pais que estão tentando parar de fumar devem evitar acender o cigarro dentro de casa ou no carro, dizem especialistas- 

Resultado na vida adulta pode ser minimizado se família evitar exposição dos filhos 

no Globo


Uma pesquisa publicada na revista “Circulation”, da Associação Americana do Coração, concluiu que crianças expostas ao fumo de seus pais podem ter maior risco de desenvolver doenças cardíacas na idade adulta, em comparação com filhos de pais não fumantes.

Os resultados do estudo surgem como mais uma evidência crescente de que a exposição ao fumo dos pais tem um efeito duradouro sobre a saúde cardiovascular de crianças. Os pesquisadores acompanharam os participantes do "Estudo de Risco Cardiovascular em Jovens Finladeses", que incluiu a exposição ao fumo dos pais na infância em 1980 e 1983. Eles coletaram dados de ultrassom da carótida na idade adulta desses participantes, em 2001 e 2007.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Lei Antifumo entra em vigor nesta quarta-feira e acaba com fumódromos

Com nova regra, não poderá ter propaganda comercial de cigarros nem mesmo nos pontos de venda


Juliana Castro, O Globo


A Lei Antifumo entra em vigor nesta quarta-feira implementando novas regras sobre a comercialização, a publicidade e o consumo de cigarros no país. A nova norma extingue os fumódromos e acaba com a possibilidade de propaganda comercial de cigarros até mesmo nos pontos de venda.

A regulamentação da lei permite apenas a exposição dos produtos, acompanhada de mensagens sobre os malefícios provocados pelo fumo e de que a comercialização do produto é restrita a maiores de 18 anos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Anvisa instaura investigação sobre propaganda de cigarro em festas universitárias



1. A Anvisa vai instaurar um procedimento investigativo sobre as denúncias veiculadas na imprensa de que promotores de eventos e fabricantes de cigarro estariam realizando atividade promocional de produtos derivados do tabaco. A apuração será executada em conjunto com as vigilâncias sanitária estaduais e municipais.

2. A propaganda ou qualquer outra estratégia de promoção comercial de cigarros é proibida no Brasil pela lei 9.294/96. Mais recentemente está prática sofreu novas restrições sobre a exposição no ponto de vendas com a edição do Decreto 8.262/14, publicado em 2 de junho deste ano e com previsão de entrada em vigor no prazo de 180 dias. Este decreto restringe o conceito de local de venda e delimita os recursos visuais e de divulgação que podem ser utilizados nos mostruários.

3. Pelo decreto, produtos de tabaco somente podem ser expostos em local específico e delimitado no interior do estabelecimento comecial. Ainda assim, o mostruário ou expositor poderá conter apenas as embalagens dos produtos, sem qualquer outro apelo visual que não seja a própria caixa do cigarro.

4. Do ponto de vista da saúde pública, a utilização de estratégias de marketing deste tipo são uma ameaça, pois buscam atrair o público jovem para a iniciação e estímulo do consumo de fumígenos.

5. A responsabilidade administrativa pela infração poderá recair sobre a empresa fabricante de fumígenos e os organizadores dos eventos onde aconteceu a divulgação.

6. De acordo com a Lei 9.294/96, os infratores poderão ser punidos com advertência, suspensão de propaganda, veiculação de retificação, apreensão do produto, multa de R$ 5 mil a R$ 100 mil, entre outras, conforme a natureza da infração apurada durante o processo administrativo.





Fonte: Assessoria de Imprensa da Anvisa

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Fabricante de cigarros é condenada a pagar R$ 53 bilhões à viúva de fumante

Um tribunal da Flórida condenou a segunda maior fabricante de cigarros dos Estados Unidos a pagar uma indenização de US$ 23,6 bilhões (R$ 53 bilhões) à viúva de um fumante que morreu de câncer de pulmão.

na BBC

Além da indenização, a RJ Reynolds Tobacco Company, que fabrica o cigarro Camel, terá de desembolsar outros US$ 16,8 bilhões (R$ 38 bilhões) em danos compensatórios.
Cynthia Robinson processou a empresa em 2008, reivindicando uma indenização pela morte de seu marido, em 1996.
A RJ Reynolds criticou a decisão e afirmou que irá recorrer da sentença.
Durante as quatro semanas de julgamento, os advogados da viúva argumentaram que a empresa foi negligente ao não informar os consumidores sobre os perigos do cigarro.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Processo no Uruguai pode mudar luta contra o fumo

Estado uruguaio está em rota de choque com a Philip Morris, que as considera um ataque aos seus investidores.

na BBC Brasil

Uma enorme cicatriz atravessa o peito de Carlos Bove, um professor uruguaio de 67 anos. Lembrança deixada por uma cirurgia cardíaca a que acaba de ser submetido.
Ele se move lentamente para se levantar da cama no hospital da Asociación Española, em Montevidéu, porque além dos problemas cardíacos, também luta há anos contra complicações respiratórias.

"Sonho muitas vezes, quando estou com os pulmões atacados, que rasgo as caixas de cigarros e jogo tudo fora", ele conta.Segundo seus médicos, o caso de Bove é um exemplo das consequências, para o Uruguai, de o país ter sido, historicamente, um dos maiores consumidores de tabaco da América Latina. Na virada do milênio, o Uruguai já apresentava o maior índice de casos de câncer de pulmão da região.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

'Cigarro vendido hoje é mais letal que há 50 anos', afirma Matt Myers

Líder antitabagista ainda critica decisão do STF em favor de aditivos e diz que governo está do lado da indústria do fumo



BRASÍLIA - Presidente da organização de controle do tabagismo Campanha para Crianças Livres de Tabaco (CTFK), Matt Myers garante que o cigarro hoje é mais letal do que o vendido há 50 anos. Entre as razões para o aumento do risco, afirma, está a mudança do design do cigarro, que permite maior absorção da fumaça pelo fumante. Myers, que esteve no Brasil semana passada, criticou a liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal suspendendo os efeitos da proibição do uso de aditivos no cigarro no País. Para ele, o Brasil perdeu a liderança no combate ao tabagismo. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Estado.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Veto ao fumo pode sair da gaveta

no Estadão

A lei de ambientes livres de fumo pode sair da gaveta, depois de mais de dois anos de espera. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que a regulamentação da norma deverá ser feita neste ano, mas não citou prazos.

Sancionada em 2011, a regra prevê a proibição do fumo em locais coletivos fechados (privados ou públicos), incluindo os fumódromos. Para ser implementada, no entanto, é preciso que o governo defina o que é ambiente fechado - há dúvidas, por exemplo, sobre a classificação que deve ser dada para varandas ou outros pontos com cobertura parcial - e quais as punições previstas para o caso de descumprimento da norma.

Pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde mostra que 9,8% da população entrevistada afirma ser fumante passiva nos locais de trabalho. Um número considerado pelo governo como bastante significativo. "A redução dessas taxas, no entanto, não depende exclusivamente da regulamentação", argumentou Chioro. Ele afirmou que a própria fiscalização do empregador e a implementação de regras que estão vigentes, por si só, já poderiam ter impacto.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Luiz Antonio Negrão Dias sobre o tabagismo: "A estratégia é prevenir"

O tabagismo está no topo da lista dos males, desencadeando 35% dos casos de câncer

Luiz Antonio Negrão Dias* no Portal CFM


Nunca é demais trocar informação sobre o câncer, uma doença que impacta fortemente nossa sociedade. Trata-se de uma doença bastante complexa, até porque ela foi ligada, durante muito tempo, à morte. E não é por menos: há 50 anos, a taxa de mortalidade era de aproximadamente 75%, tornando a doença bastante estigmatizada. No entanto, hoje, as taxas de cura ultrapassam os 55%. Precisamos transformar o estigma e focar a questão de prevenção e cura, visto que o câncer deve se tornar a principal causa de morte no Brasil e no mundo em 2025. Panorama muito diferente daquele de 1970, por exemplo, quando a doença era a quinta causa de morte na população.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

É preciso regulamentar a Lei Antifumo


Indignação. Essa é a sensação de todos nós que lutamos para mostrar os riscos à saúde provocados pelo fumo e cobramos do governo federal leis mais restritivas, que protejam a saúde da população. Pesquisas nacionais realizadas entre 1989 e 2008 mostram uma diminuição na prevalência de fumantes de 34,8% para 18,2% em adultos acima de 18 anos. E pesquisas do Ministério da Saúde, feitas nas capitais e no Distrito Federal, relatam o declínio contínuo da prevalência do tabagismo em adultos com mais de 18 anos a partir de 15,6%, em 2006, para 12,1%, em 2012.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Propaganda do 'talvez' em cigarros é criticada por ONGs




Entidades do Brasil e dos EUA pedem fim de campanha mundial de Marlboro

Imagens de jovens com guitarras e skates fazem parte da peça; Philip Morris diz que está de acordo com a legislação

Um talvez não é convidado. Um talvez nunca atingiu o topo. Talvez nunca escreveu uma música. É hora de explorar. Não mais talvez.

As frases integram a campanha publicitária do cigarro Marlboro difundida em dezenas de países --inclusive no Brasil-- que virou alvo de questionamentos por seu potencial apelo sobre jovens.

Em relatório que será divulgado hoje no Brasil em parceria com a ACT (Aliança de Controle do Tabagismo), a entidade americana Campaign for Tobacco-Free Kids critica o que vê como a sedução de jovens para o fumo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Anvisa quer mudar caixas de cigarros

Assim como já é feito na Austrália, órgão propõe a adoção das carteiras genéricas para que as embalagens sejam menos atraentes, principalmente aos jovens. Especialistas preveem resistência no Congresso

no Correio Braziliense


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) levará ao Congresso Nacional um debate que vem ocorrendo em várias nações: a reformulação das caixas de cigarros. A intenção é que um projeto de lei proponha a implementação no Brasil das embalagens de cigarro genéricas. A ação faz parte de uma convenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) para controle do tabaco. Desde dezembro de 2012, a proposta está em prática na Austrália. Lá, as embalagens têm a mesma forma, tamanho, modo de abertura, cor e fonte. As imagens e alertas contra o tabagismo prevalecem nas caixas, que apresentam apenas um pequeno espaço reservado ao nome da marca dos produtos.

A estratégia de tornar as embalagens menos atraentes pretende reduzir ainda mais o número de fumantes no país, que caiu pela metade nas últimas duas décadas. Hoje, cerca de 14% da população é tabagista, de acordo com o Ministério da Saúde. O diretor-presidente da Anvisa disse ao Correio que pediu à área técnica da agência que elabore um projeto de lei sobre o assunto para ser tratado no Congresso. "O que a gente deve fazer é levar o debate para as comissões relacionadas à saúde e à defesa do consumidor. E tratar do assunto tanto no Congresso como no governo com a expectativa de que seja apresentado um projeto que, na medida do possível, tramite em prioridade", afirma.

Segundo Barbano, a medida é eficiente. O diretor conta que a agência regulatória da Austrália elaborou um estudo mostrando redução de 10% no número de fumantes cerca de um ano após a medida ser adotada. Na opinião da coordenadora jurídica da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), Adriana Carvalho, a mudança na embalagem é importante ao passo que limita as possibilidades de propaganda. Ela lembra que no Brasil já é proibida a publicidade na mídia de massa, mas avalia que, com isso, a indústria do cigarro conseguiu se reiventar e tornar o maço uma forte forma de publicidade. "É uma estratégia de marketing para promover o consumo. As embalagens são mais atraentes, sedutoras. Algumas são vendidas com brindes", avalia.

Expectativa

Mas, assim como outras medidas contestadas pela indústria do tabaco, a embalagem genérica deve ser alvo de resistência. Para o secretário da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Romeu Schneider, a adoção das caixas possibilitará a multiplicação do mercado de cigarros ilegais. "Quem fornece para o mercado ilegal, que são nossos vizinhos, passará a fornecer as carteiras que existem hoje, com a atração para o consumidor, enfeitadas, com imagens bonitas e chamativas", disse. De acordo com Schneider, 185 mil famílias no país dependem da produção do tabaco.

A coordenadora da ACT aguarda muita relutância por parte das indústrias e de parlamentares, por isso, espera o empenho do governo em relação às embalagens genéricas. A especialista acredita que as medidas são importantes para evitar a atração de jovens pelo tabaco. Segundo dados da OMS, 90% das pessoas começam a fumar antes dos 19 anos. Estudo da ACT mostra que o Brasil gastou R$ 21 bilhões em 2011 no tratamento de pacientes com doenças relacionadas ao cigarro.

Barradas no caminho

Uma das medidas se refere à lei 12.546/11, que proíbe o fumo em locais fechados. A norma, que alterou uma lei de 1996, foi elaborada há dois anos, entretanto, ainda não teve esse ponto regulamentado. 
 
A outra medida, que proíbe aditivos de tabaco no cigarro, como os que conferem sabor ao produto, está suspensa por ação no Supremo Tribunal Federal. R$ 21 bilhões Valor gasto pelo país em 2011 no tratamento de pacientes com doenças relacionadas ao cigarro

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Dois estudos mostram os artifícios da indústria para tornar os cigarros mais viciantes

Nível de nicotina é o mesmo, mas design vem sendo aperfeiçoado para levar mais da substância aos pulmões

Marcas vendidas nos Estados Unidos entre 1998 e 2012 tinham esta capacidade até 15% maior

no Globo

RIO - O ator americano Eric Lawson morreu recentemente, aos 72 anos. Era jovem, atraente, trazia um aspecto viril e seguro quando, como um caubói, fumava tranquilamente o seu cigarro em anúncios da indústria de tabaco dos anos 70. Difícil resistir ao apelo. Mas anos depois, Lawson foi diagnosticado com uma doença pulmonar obstrutiva crônica (DPCO), ocasionada provavelmente por este hábito que, no passado, agregava tantos adjetivos ao seu usuário. Propagandas deste tipo hoje são proibidas, seus riscos à saúde se tornaram inquestionáveis. E mais uma coisa mudou desde este período: os cigarros atuais aumentam as chances de câncer de pulmão, DPCO e outras doenças, além de serem mais viciantes, segundo dois novos estudos americanos.

Um destes é o relatório do “Office of the Surgeon General”, órgão do governo americano, que traz uma revisão de sua primeira edição, de 1964, quando os efeitos nocivos do fumo estavam começando a ser revelados. Cinquenta anos depois, além de associar o hábito a uma série de doenças, ele acrescenta que os cigarros hoje são mais viciantes do que os das décadas anteriores. Não porque tenham mais nicotina, mas porque o seu design vem sendo aperfeiçoado com o objetivo de levar mais desta substância aos pulmões. A nicotina é o principal agente do cigarro e é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma droga psicoativa que causa dependência. Ao ser inalada, chega em poucos segundos ao cérebro e age no sistema nervoso central.

O relatório se baseou em documentos da indústria apresentados num tribunal de 2006 mostrando como os cigarros foram projetados para este fim. As táticas incluem projetar filtros mais eficientes, selecionar papéis para maximizar a ingestão de nicotina e adicionar produtos químicos para tornar o fumo menos pesado e mais fácil de inalar.

Outro estudo recente da Universidade de Massachusetts, publicado na revista “Nicotine and Tobacco Research” analisou marcas vendidas nos Estados Unidos entre 1998 e 2012. Ele mostrou que embora a quantidade de nicotina tenha se estabilizado neste período, a capacidade do cigarro de levar a substância aos pulmões do fumante aumentou em até 15%. O menor nível foi de 1,65 miligrama por cigarro em 1999, e o mais alto, de 1,89 miligrama, em 2011.

- Pelo menos com relação à recepção de nicotina, nossos resultados vão contra o argumento das indústrias de cigarro, que dizem estar estudando formas de garantir um cigarro menos prejudicial - observou, em entrevista ao GLOBO por e-mail, Wenjun Li, professor do setor de Medicina Preventiva e Comportamental da universidade e autor do estudo.

A Souza Cruz, empresa brasileira de cigarro, ressalta que o estudo extrapola a realidade do país, uma vez que marcas e metodologias são distintas. Disse ainda que há mais de dez anos a Anvisa exige que fabricantes informem os valores de nicotina, além das características físicas dos papéis e do filtro dos cigarros, tais como composição, permeabilidade e gramatura dos papéis, ventilação do filtro e etc.

Cigarro ‘aperfeiçoado’ pela indústria


Não é a primeira vez, no entanto, que este debate é suscitado. Uma pesquisa de uma década atrás feita pela Escola de Medicina de Harvard mostrou que o avanço no mecanismo do cigarro havia levado ao aumento da inalação da substância em 11% em produtos fabricados entre 1997 e 2005, uma média de 1,6% ao ano.

- O investimento que se faz na tecnologia do produto é muito grande e ocorre há muito tempo. O cigarro parece apenas uma porção de tabaco enrolado em papel, mas é mais sofisticado do que uma Ferrari - comenta Paula Johns, diretora-executiva da ONG Aliança de Controle do Tabagismo (ACT). - Inclusive quando houve a primeira inciativa da FDA (agência reguladora de remédios dos EUA) de limitar as emissões de alcatrão, nicotina e outros aditivos, mais tarde foi descoberto que isto não significava nada, porque havia outras formas de otimizar a liberação de nicotina.

Segundo Paula, “não existe um cigarro menos perigoso”. Ela cita estatísticas de que nove em cada dez pessoas que fumam se tornam dependentes, uma proporção inversa ao álcool, e o maior índice de vício entre todas as drogas.

Uma história que se tornou famosa, aliás, e rendeu até o prêmio Pulitzer de Jornalismo de 1996 ao “Wall Street Journal”, é a de que os produtores evitavam elevar o conteúdo de nicotina nos cigarros, mas usavam produtos químicos, em especial a amônia, para aumentar a potência da substância inalada. Cigarros com amônia, desta forma, liberavam mais nicotina, mas tinham a mesma quantidade química que outros produtos sem o aditivo. Interferência parecida com a que foi apontada nos estudos recém-divulgados, e que, na verdade, vêm ocorrendo desde o início da industrialização do tabaco, segundo Ronaldo Laranjeira, professor de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

- Há mais de um século, o tabaco era mascado ou fumado na forma de cigarro de palha. O consumo era pequeno e o impacto, restrito. O grande avanço veio com a industrialização do cigarro, quando a absorção ficou mais eficiente. E a indústria vem aperfeiçoando no ultimo século o produto no sentido de causar mais dependência - alerta.

Debate sobre maior controle do cigarro


Nos EUA, estas notícias levantaram a discussão sobre uma maior regulação da indústria por parte do governo. Mas, para Laranjeira, focar no controle do tabagismo pode trazer melhores resultados:

- O governo não consegue controlar o mercado lícito, nem ilícito. Intensificar políticas para reduzir o fumo seria uma ação mais sensata.

Já Paula defende a adoção de medidas de controle, como a proibição de aditivos dos cigarros (cuja resolução da Anvisa entrou ano passado em vigor) e restrições à propaganda e ao uso.