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segunda-feira, 19 de abril de 2021

Médicos que defendem o mentiroso tratamento precoce têm obtido ganhos financeiros e políticos

no Outra Saúde (por e-mail)


GANHOS MUITO CONCRETOS

Os médicos que defendem o mentiroso tratamento precoce têm obtido ganhos financeiros e políticos. O Estadão mostra que ao menos quatro profissionais usaram a fama que essa defesa lhes garantiu nas redes sociais para tentar a sorte nas últimas eleições – e um conseguiu. Pedro Melo (PSL) foi eleito vereador da cidade de Porto Ferreira, no interior de São Paulo. Em uma live transmitida em março no canal da Associação Médicos pela Vida, criada para defender a cloroquina, ele admitiu que suas contas criadas nas redes sociais para “orientar a população sobre o tratamento precoce” o ajudaram a se eleger.

Outro exemplo de vantagem é dado pela médica Raíssa Soares, que foi convidada por Jair Bolsonaro para discursar sobre o tratamento precoce em um evento no Palácio do Planalto em agosto passado. Ela usou sua fama para fazer campanha para o candidato Jânio Natal (PL), que concorria à prefeitura de Porto Seguro. O político foi eleito e a nomeou secretária da Saúde. Agora, ela planeja disputar o governo da Bahia em 2022 – “se tiver o apoio do presidente Jair Bolsonaro”.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Os "experimentos mengelianos" dos médicos brasileiros e o respaldo do CFM

Josef Mengele, oficial da SS, conhecido como "O Anjo da Morte de Auschwitz"


do Outra Saúde (via e-mail)


TÉCNICA EXPERIMENTAL?

O médico alemão Josef Mengele, oficial da SS, usou prisioneiros de Auschwitz para conduzir experimentos humanos muitas vezes letais. É dele que o infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira, gerente médico do Sabará Hospital Infantil, em São Paulo, se lembra ao comentar a nebulização com hidroxicloroquina que provocou mais uma morte em Manaus. "Nunca vi isso. Não sabemos quantos pacientes foram utilizados, não há termo de consentimento nem comitê ético. É até mau gosto chamar de estudo. Trata-se de um experimento mengeliano", diz ele, à Folha.

A reportagem esmiúça o caso de Jucicleia de Sousa Lira, de 33 anos,  que estava com covid-19 e tinha acabado de ter um bebê em um parto de emergência. A ginecologista e obstetra paulista Michelle Chechter conseguiu da paciente uma autorização para usar  "a técnica experimental nebuhcq líquido, desenvolvida pelo dr. Zelenko de Nova York", que consiste em nebulizar hidroxicloroquina macerada. Só que não é assim que se aplica um tratamento experimental, como ressalta Oliveira. Além de o 'estudo' não ter aprovação de comitê de ética, o papel assinado por Jucicleia não a informava sobre os riscos ela que corria.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Rede Feminista de Ginecologistas e Obstetras responde ao artigo infeliz do presidente do CFM

NOTA DA REDE FEMINISTA DE GINECOLOGISTAS E OBSTETRAS

Em resposta ao artigo do presidente do CFM afirmando que o Conselho não mudará parecer que dá autonomia sobre o tratamento precoce da COVID-19.

Depois de meses e meses de omissão do Conselho Federal de Medicina, em um silêncio aterrorizante diante da necropolítica genocida do presidente Bolsonaro, de suas insistentes tentativas de nos empurrar quer a clororquina quer a ivermectina como "tratamento precoce" que funcionaria para a COVID-19, com o único e explícito objetivo de empurrar as pessoas de volta às ruas com uma falsa sensação de segurança, quando pensamos que não há mais como piorar, o presidente do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, escreve artigo em que ataca cientistas “não médicos”, defende o tratamento precoce da COVID-19 e o famigerado parecer 04/2020, alfineta as sociedades de especialidades médicas e deixa muito evidente que a entidade não irá mudar sua conduta.

Esse senhor precisa ser desafiado a mostrar as “dezenas de artigos” que afirma estarem disponíveis mostrando a efetividade das drogas defendidas até o momento para o tratamento precoce, para que sejam devidamente analisados por quem entende de evidências científicas e apurado seu rigor metodológico. Porque a boa Ciência já demonstrou há tempos que não são eficazes.

Precisa, além disso, no mínimo comparecer a debates com os “não médicos”, cientistas de boa cepa, que ele ataca, insinuando que se "auto-intitulam cientistas" como se não o fossem, pois queremos ver ao vivo se ele consegue defender esse ponto de vista com pessoas que têm um currículo acadêmico infinitas vezes melhor que o dele. Biólogos, sanitaristas, farmacologistas, epidemiologistas, ninguém precisa ser médico para entender de ensaio clínico e de efetividade de medidas preventivas e de drogas para tratamento da COVID-19. Esse tipo de corporativismo é inconcebível em pleno século XXI. Deveríamos reconhecer que o médico não é o senhor todo poderoso e detentor de todo o conhecimento da face da terra e que só teríamos vantagens com o trabalho com a equipe transdisciplinar e as importantes contribuições dos cientistas das diversas áreas.

E que história é essa de “se autointitular cientista”? O presidente do CFM parece se dirigir em especial aos biólogos Átila Iamarino e Natália Pasternak, ambos com formação acadêmica, doutorado e pós-doutorado. Eles são cientistas, Mauro. Quem não é de forma alguma é você, com seu currículo pífio. Pode acreditar que os médicos não são uma casta superior ao restante da humanidade. Os bons médicos e os médicos cientistas neste momento estão morrendo de vergonha dessa sua afirmação.

Deixamos aqui o link para o Currículo Lattes do presidente do CFM: não fez mestrado, doutorado e nunca publicou um artigo na vida. Isso não é difamação. Lattes é de domínio público. E foi atualizado em 2004. Que importância enorme o presidente do CFM dá à Ciência, não? Quais são os critérios, aliás, para se eleger um Conselheiro? É esperar demais que os médicos cientistas (sim, eles existem!) também façam parte do CFM, visando a arejar essa instituição e trazer conceitos importantes da Medicina Baseada em Evidências que são fundamentais para uma boa prática clínica?


Não se pode conceber que, tantos meses depois da pandemia e com a vasta quantidade de publicações e guidelines de boa qualidade demonstrando a falta de efetividade e os possíveis riscos das drogas usadas para o propalado "tratamento precoce", o CFM insista ainda que o médico tem autonomia para prescrever terapias sem evidências científicas. Em pleno século XXI, a Medicina tem que caminhar de braços dados com a Ciência, e não na direção contrária dos achismos, da enganosa "experiência pessoal" e das falácias despejadas a granel pelos defensores de cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, zinco, selênio e outras mezinhas.

Em tempo:

Obviamente todos sabemos que o presidente do CFM é e sempre foi bolsonarista, que o Conselho não quer desagradar ao despresidente. E que seu ponto de vista se torna insustentável.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Coletivos de profissionais médicos publicam "Carta aberta ao Conselho Federal de Medicina"

Sobre a conivência do CFM em relação ao "tratamento precoce" contra a Covid-19


Vivemos uma das maiores crises sanitárias da História, contabilizando milhões de mortes de Covid-19 em todo o mundo. No Brasil, mais de 200 mil óbitos ocorreram desde março de 2020, observando-se recente crescimento da curva de mortalidade, reflexo do aumento do número de casos em consequência da falta de um adequado plano de enfrentamento à pandemia por parte do Governo Federal, havendo afrouxamento de medidas de distanciamento social e prevenção entre a população.

Desde o início da pandemia, diversas medicações vêm sendo testadas para prevenção da infecção pelo SARS-COV-2 e da evolução para formas graves. Vários estudos demonstraram de forma inequívoca que o tratamento precoce nos primeiros dias de sintomas não interfere no curso da Covid-19. Medicações como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, nitazoxanida, zinco, vitaminas, dióxido de cloro, ozônio são comprovadamente ineficazes, assim como corticóides e anticoagulantes, fármacos indicados apenas em fases avançadas da doença.

Apesar de todas as evidências contrárias, o Ministério da Saúde insiste em propagandear o “tratamento precoce”, tendo recentemente creditado a situação de caos do sistema de saúde do município de Manaus à não adesão a esta conduta. Ademais, é necessário trazer à responsabilidade da gestão dos serviços públicos de saúde brasileiros nos limites da lei. Ou seja, o fato de quem está conduzindo as políticas de saúde pública no Brasil ser um general da ativa sem quaisquer habilidades no mister do Ministério que ocupa.

Alguns médicos de todo o Brasil continuam defendendo e receitando diversos desses medicamentos, assim como Secretarias Municipais de Saúde e unidades hospitalares vem determinando a seus médicos e até a funcionários que “prescrevam” e distribuam o chamado “kit- Covid”. No entanto, destacam-se as posições das sociedades de especialidades médicas como a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) que têm reiteradamente se posicionado contra a existência de tratamento precoce e medicação preventiva para Covid-19. É também de se elogiar o semelhante posicionamento da nova gestão da Associação Médica Brasileira (AMB), a qual congrega as entidades de especialidades médicas no Brasil.

Nesse cenário, é inadmissível que o Conselho Federal de Medicina (CFM) credite aos médicos a escolha por usar, ou não, terapêutica claramente ineficaz ou até mesmo prejudicial em alguns casos. Esperar-se-ia da entidade, cuja função precípua é fiscalizar e normatizar a atuação médica e defender a sociedade, alinhamento com a Ciência e defesa da boa prática profissional, assim como com os princípios éticos fundamentais à categoria profissional:


  • “Compete ao médico aprimorar continuamente seus conhecimentos e usar o melhor do progresso científico em benefício do paciente e da sociedade” (CEM, Capitulo 1, Art. V)

  • “É vedado ao Médico praticar ou indicar atos médicos desnecessários […]” (CEM, Capitulo III, Art. 14o)
  • “É vedado ao Médico divulgar[…]processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente" (CEM, Capítulo XIII, Art 113o)

A direção do CFM, entretanto, optou por um discurso em defesa da autonomia médica, eximindo-se de responsabilidade. Um silêncio conivente que favorece a desinformação e compactua com aqueles que disseminam inverdades, colaborando para o afrouxamento das medidas de proteção, forma mais efetiva de controle da transmissão viral, com claros prejuízos individuais e coletivos.


  • “O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional” (CEM, Capítulo I, Art II)

  • “É vedado ao médico causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência” (CEM, Capítulo III, Art 1o)

Ademais, médicas e médicos que zelam pela boa prática profissional, baseando sua atuação nas evidências científicas e na orientação de organismos internacionais de saúde, sofrem pressões diárias por parte da população atendida que busca prescrição dos medicamentos propagandeados como tratamento precoce, assim como por parte de empregadores públicos e privados, aumentando a carga de tensão do, já extenuante, trabalho nas linhas de frente de atendimento dos sintomáticos respiratórios. É atribuição dos Conselhos Regionais e Federal de Medicina zelar para que o exercício profissional ocorra livre de pressões de qualquer ordem e pela garantia da escolha, por médicas e médicos, dos meios cientificamente reconhecidos.

  • “Nenhuma disposição estatutária ou regimental de hospital ou de instituição, pública ou privada, limitará a escolha, pelo médico, dos meios cientificamente reconhecidos a serem praticados para estabelecer o diagnóstico e executar o tratamento, salvo quando em benefício do paciente” (CEM. Capitulo 1, Art XVI)
  • “É vedado ao médico permitir que interesses pecuniários, políticos, religiosos ou de quaisquer outras ordens, do seu empregador ou superior hierárquico ou do financiador público ou privado da assistência à saúde, interfiram na escolha dos melhores meios de prevenção, diagnóstico ou tratamento disponíveis e cientificamente reconhecidos no interesse da saúde do paciente ou da sociedade” (CEM Capitulo III, Art. 20o)
  • “É vedado ao médico deixar de usar todos os meios disponíveis de promoção de saúde e de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, cientificamente reconhecidos e a seu alcance, em favor do paciente” (CEM Capitulo III, Art. 32o)

Externamos através desta carta pública nossa indignação e perplexidade frente à posição do Conselho Federal de Medicina e Conselhos Regionais, dissonante de sociedades científicas e órgãos de saúde de todo o mundo. Este chamamento vai no mesmo sentido de carta-manifesto anteriormente divulgada e entregue ao CFM por estas entidades em agosto de 2020, em “defesa de uma Medicina ética, responsável e baseada em evidências”, a qual recolheu mais de 2.000 assinaturas.

Não nos consideramos representados por um conselho profissional de discursos vagos e atitudes imprecisas, incapaz de se manifestar de forma imperativa contra a anticiência e o obscurantismo, omitindo-se do embate técnico e da cobrança política que a gravidade do momento exige. A sociedade espera daqueles que juraram cuidar de sua saúde ações imperativas na defesa da Ciência, da saúde pública e da vida. 

24 de janeiro de 2021.

  • Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD)
  • Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares (RNMP)

https://www.instagram.com/p/CKbnpRNLOAm/?igshid=1s1941gijzijj

terça-feira, 20 de outubro de 2020

A nova panaceia do governo Bolsonaro

do Outra Saúde (via e-mail)

A NOVA PROPAGANDA

"Nós temos agora um medicamento comprovado cientificamente que é capaz de reduzir a carga viral. Com essa redução da carga viral, significa que reduz o contágio. A pessoa que toma o medicamento assim que faz o teste diagnóstico e descobre que está com covid, toma o medicamento nos primeiros dias, essa pessoa contamina menos outras pessoas. E mais, diminui a probabilidade de essa pessoa aumentar os sintomas, ir para o hospital e falecer". Quem proferiu palavras tão animadoras foi o ministro da Ciência, Marcos Pontes. O remédio em questão é a nitazoxanida, vermífugo vendido no Brasil com o nome comercial Annita – que tem sido exaltado por Pontes há meses como possibilidade no tratamento da covid-19. E o anúncio foi feito em uma cerimônia promovida pelo governo federal para, supostamente, apresentar ao público os resultados do estudo clínico do Laboratório Nacional de Biociências (vinculado ao ministério) com a droga.

O maior problema é que, dos resultados, mal conhecemos a sombra. Segundo a pasta, o estudo durou quatro meses e envolveu cerca de 1,5 mil voluntários com sintomas iniciais de covid-19; um grupo tomou a nitazoxanida, e outro tomou placebo. Mas não se sabe como foi nem o que significou essa redução da carga viral, nem como foi medida a redução do contágio, nem qual foi a diminuição nas chances de internação. No Instituto Questão de Ciência, o microbiólogo Alison Chaves critica duramente o protocolo do estudo – segundo o qual, aliás, houve cerca de 400 voluntários, e não 1,5 mil como anuncia o governo. De acordo com ele, o foco era apenas observar a redução da duração de febre, tosse e fadiga em oito dias. "Como sabemos que a maior parte das pessoas infectadas irá desenvolver uma forma leve a moderada da doença, é esperado que esse mal-estar esteja presente por algum tempo, sem que ocorra nenhum agravamento. Isso invalida completamente o raciocínio de que essa é uma intervenção precoce para proteger um paciente de uma eventual complicação", escreve o especialista.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Jalecos em guerra

Como a cloroquina e seu maior propagandista fraturaram a classe médica


Bolsonaro, entre cloroquinas e emas: na campanha, o presidente ganhou o apoio da Associação Médica Brasileira e do Conselho Federal de Medicina ao fazer duas promessas – mudar o Mais Médicos e criar a carreira de médico de Estado CREDITO: CAIO BORGES_2020


Quando assumiu seu plantão na manhã de 29 de maio, a médica Bruna Lordão soube que três pacientes haviam morrido na noite anterior. Caberia a ela comunicar a fatalidade aos familiares. “Nunca dei tantas notícias de óbito num período tão curto”, disse ela, ao falar sobre seu trabalho durante a pandemia do novo coronavírus. Naquela manhã de maio, quando o número de mortos já se aproximava de 27 mil em todo o país, Lordão se preparava para falar com o irmão e duas filhas de uma mulher de 47 anos que falecera na noite anterior. Seria um momento especialmente traumático.

Formada em uma faculdade particular no interior de Rondônia, Lordão fez residência em clínica médica e, em 2017, se mudou para São Paulo. Em abril, aos 31 anos, começou a dar plantões no Hospital Geral de Vila Penteado, um dos centros de referência para o combate à pandemia na capital paulista. Trabalhava numa UTI com vinte leitos, todos destinados a pacientes com Covid-19. A unidade estava no limite da saturação. “Quando aparecia uma vaga, era ocupada em poucas horas”, disse a médica.

Lordão deu a notícia da morte da paciente de 47 anos, mas o irmão reagiu muito mal. “Você matou minha irmã!”, acusou, descontrolado. “Se tivesse dado cloroquina, ela estaria viva”, berrou. A médica não estava prescrevendo cloroquina por uma razão elementar: os estudos clínicos mostravam que a droga não trazia benefícios aos doentes. Pelo contrário, podia aumentar o risco de arritmia cardíaca em pacientes como a mulher em questão, que era hipertensa.

domingo, 3 de maio de 2020

A fila única para a Covid-19 está na mesa


O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto defendeu a instituição de uma fila única para o atendimento de pacientes de Covid-19 em hospitais públicos e privados. Nas suas palavras: "Dói, mas tem que fazer. Porque se não brasileiros pobres vão morrer e brasileiros ricos vão se salvar. Não tem cabimento isso".

Ex-diretor da Agência de Vigilância Sanitária e ex-superintendente do hospital Sírio Libanês, Vecina tem autoridade para dizer o que disse. A fila única não é uma ideia só dele. Foi proposta no início de abril por grupos de estudo das universidades de São Paulo e Federal do Rio.

O O ministro da Saúde, Nelson Teich, durante coletiva de imprensa sobre o combate ao coronavírus, no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira - 30.abr.2020 /Folhapress

domingo, 5 de janeiro de 2020

Médicos pela Democracia desnudam presidente do CFM sobre o Mais Médicos: Não fala em nosso nome

Nota Pública sobre o pronunciamento do Sr. presidente do Conselho Federal de Medicina sobre o Mais Médicos
por Associação de Médicas e Médicos pela Democracia
A Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia – ABMMD por meio da Coordenação Executiva Nacional – CEN, face pronunciamento do senhor Presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Dr. Mauro Ribeiro, ocorrida através de vídeo no dia 21/12/2019, vem por meio desta Nota Pública contestar suas afirmações e esclarecer a população brasileira.
O pronunciamento explicita a opção do CFM por uma postura insensível à desassistência do povo, criticando os governos anteriores nos quais, pela primeira vez, a universalização do acesso à saúde foi buscada, esta que é a missão mais nobre da nossa profissão.
Afirma que a medicina vive a sua pior crise e que esta foi criada pelos governos populares por meio da abertura de novas faculdades de medicina.
Ele esquece de dizer, entretanto, que a criação de vagas para os cursos médicos seguiu num ritmo acelerado em diversas universidades privadas, mesmo após o golpe jurídico parlamentar de 2016, movimento que lamentavelmente contou com o apoio das entidades médicas, inclusive no que concerne ao congelamento orçamentário do SUS por longos vinte anos.
Continua em sua narrativa deturpando fatos conhecidos publicamente que se referem ao Programa Mais Médicos, quando diz que os profissionais foram lotados em sua maioria no litoral brasileiro, quando na verdade o que caracterizou o programa foi levar a atenção primária aos rincões do Brasil e a áreas isoladas como as quilombolas e indígenas.
Esquece também o Dr. Mauro Ribeiro que o Programa Mais Médicos instituiu uma avaliação bianual para os alunos das escolas médicas brasileiras e o resultado desta avaliação poderia levar inclusive ao fechamento de cursos que não oferecessem formação satisfatória.
Hoje o MEC afrouxou o controle sobre as universidades privadas e o CFM silencia frente a demissões de profissionais médicos mestres e doutores utilizados apenas para aprovação dos seus projetos.
Esquece mais uma vez que a criação de vagas nos cursos de medicina estava atrelada a abertura do mesmo número de vagas de Residência, o que teria assegurado qualificação profissional e postos de trabalho para os jovens médicos. E ignora que o período de maior ampliação e valorização da residência médica ocorreu entre 2014 e 2016.
E continua esquecendo o Dr. Mauro Ribeiro que quem propôs que o Revalida fosse realizado por escolas privadas foi o Ministro da Educação do presidente que eles tanto apoiam e elogiam.
Foram os deputados de oposição que conseguiram reduzir a gravidade da medida prevendo a participação das universidades privadas apenas na segunda fase da avaliação e que a supervisão fosse realizada pelo MEC com obrigatório acompanhamento do CFM.
É ainda inverossímil que o CFM se contente com a Carreira Médica proposta pelo governo, que é muito diferente da que foi proposta pelo próprio CFM nos governos anteriores.
Perante essa, nenhuma crítica, o que demonstra uma triste submissão a um governo que é o principal responsável pela crise que se abate sobre o mercado médico e pela piora significativa dos indicadores de saúde como a mortalidade infantil e pelo aumento da miséria e da população em situação de rua.
No final o vídeo explicita um júbilo por ter sido recebido por um presidente que envergonha o Brasil perante o mundo e caracteriza um adesismo imperdoável a um governo desastroso para a maioria da população brasileira, o que inclui também os médicos brasileiros, que reduz o orçamento do SUS (maior empregador de médicos do Brasil) e reduz o contingente de usuários de planos de saúde devido a uma taxa de desemprego jamais vista.
Não falam em nosso nome.
Fortaleza, 04 de janeiro de 2020
CEN – Coordenação Executiva Nacional – ABMMD (Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

CFM É USADO PARA APOIAR BOLSONARO

O adesismo ao governo é inadmissível para uma entidade que busca representar todos os médicos e médicas

Nota de Dilma Rousseff, Presidente da República (2010-2016), e Alexandre Padilha, Ministro da Saúde, (2011-2014):


Recentemente, o país foi surpreendido por um vídeo de Mauro Ribeiro, que ocupa a presidência do Conselho Federal de Medicina (CFM), com ataques ao governo Dilma na área da Saúde, comemorando veto do governo à decisão do Congresso Nacional de transformar em lei o exame Revalida, legalizando os diplomas de médicos formados no exterior.
Antes de mais nada, um registro é necessário: o Revalida foi criado durante o governo Dilma, em portaria assinada pelos ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Saúde, Alexandre Padilha. Desde o Golpe de 2016, que interrompeu o mandato da presidenta Dilma Rousseff, o exame está suspenso.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Inacreditável! Ex-ministro do TSE que decidiu a votação contra a candidatura do Lula é agora advogado de Bolsonaro e um dos fundadores do partido da bala

via Alexandre Padilha @padilhando

Você sabe quem é Admar Gonzaga? Foi aquele ministro do Tribunal Superior Eleitoral que decidiu a votação contra a candidatura do Lula.

Depois, foi acusado de ter agredido a ex-mulher e desistiu de se recandidatar ao Tribunal.

Após decidir favoravelmente à candidatura de Bolsonaro, como juiz, Admar Gonzaga se tornou... advogado de Bolsonaro!!! 


EM REPRESENTAÇÃO, ADMAR GONGAZA CITA DECISÃO DE... ADMAR GONZAGA

Advogado de Bolsonaro mencionou decisão proferida por ele mesmo quando era ministro do TSE

sexta-feira, 15 de março de 2019

Rafael Greca tenta ridicularizar os profissionais de enfermagem e é repudiado pelo COREN


Print da página no Facebook do prefeito Rafael Greca

ILUSTRÍSSIMO (A) SENHOR (A) PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO PARANÁ – COREN/PR



O “SISMEC” – SINDICATO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS DE ENFERMAGEM DE CURITIBA, inscrita no CNPJ sob o nº 23.786.802/0001-74, com sede na Rua Tabajara, nº 637, Sala 01, Vila Isabel, em Curitiba/PR, CEP 80320-310, representada por sua Presidente, Raquel da Silva Padilha, portadora da CI/RG nº 6568579-5 SESP/PR, e CPF/MF nº 843661929-34, vem respeitosamente à presença de Vossa Senhoria expor e requerer o quanto segue:

 O SINDICATO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS DA ENFERMAGEM DE CURITIBA, entidade representativa dos trabalhadores da enfermagem (Auxiliares, Técnicos e Enfermeiros) que atuam nos aparelhos públicos de saúde de Curitiba, em nome de toda a categoria deseja exteriorizar a nossa perplexidade e resignação com o comentário infeliz, preconceituoso e indigno de um homem publico que ocupa o importante cargo de Prefeito de Curitiba veiculado em seu perfil do facebook, no qual revelavam a intenção de minorar as dificuldades gritantes que nossa categoria enfrenta diante das extenuantes  jornadas de trabalho, enfrentando escalas reduzidas enorme numero de procuras por atendimentos, falta de recursos tais como medicação e profissionais médicos em número adequado para suprir a demanda, e que ainda nas horas de descanso tem colaborado e trabalhado para tentar suprimir a falta de profissionais.

Salários defasados, dois anos sem direito a crescimentos, sendo obrigada a complementar renda com mais de um vinculo, enfrentam ainda os desabafos da população desesperada devido a doença, a dor e a falta de recursos.

Sofrem com a  falta de segurança nos locais de trabalho (ocorrências de seqüestros relâmpagos dentro das unidades, risco de morte.) e muitas vezes chefias despreparadas assediando a equipe. 

Ridicularizar a situação foi o que se entendeu dos comentários que segue:   

 “, o SISMEC reafirma seu compromisso com o respeito, a ética e o bom relacionamento entre  gestão e categoria. Por isso, neste momento de consternação entre  toda a classe da Enfermagem  em geral, solicitamos que este conselho tome as devidas e cabíveis medidas visando garantir a integridade moral da categoria baseadas nas legislações em vigor:

Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem
Capitulo I - Das Relações Profissionais - Direitos
Art. 4º - Obter desagravo público por ofensa que atinja a profissão, por meio do Conselho Regional de Enfermagem.
Seção III - Das relações com as Organizações da Categoria - Direitos
Art. 47 - Requerer, ao Conselho Regional de Enfermagem, medidas cabíveis para obtenção de desagravo público em decorrência de ofensa sofrida no exercício profissional.

Ver também Resolução Cofen 433/2012 sobre Desagravo

Código Penal, artigo 139 – Difamação: é o ato de desonrar alguém espalhando informações inverídicas. E mesmo se a informação for verdadeira, a pessoa que sofreu a difamação, no caso, toda uma classe profissional, poderá processar o ofensor.
Pena: 3 mêses a 1 anos de prisão.

Pedimos a retratação imediata de Vossa excelência.

Nestes termos,
Pede deferimento.
Curitiba, 15 de fevereiro  de 2019.

Raquel da Silva Padilha
Presidente da SISMEC



segunda-feira, 26 de novembro de 2018

IMPLANTES FEREM (E ÀS VEZES MATAM) PACIENTES AO REDOR DO MUNDO


Uma investigação global do ICIJ revela os custos da falta de testes e controles em uma indústria que afeta a vida de bilhões de pessoas
na revista Piauí


*Esta reportagem faz parte do Implant Files, projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, o ICIJ, com sede em Washington, DC. O Implant Files reúne 252 profissionais de 59 veículos de 36 países, que investigaram dezenas de fabricantes e distribuidoras de dispositivos médicos em todo o mundo. No Brasil, participam da apuração a revista piauí e a Agência Pública. Contribuíram para esta reportagem Ben Hallman, Jet Schouten, Dean Starkman, Simon Bowers, Emilia Díaz-Struck, Gerard Ryle, Sasha Chavkin, Spencer Woodman, Cat Ferguson, Petra Blum, Scilla Alecci, Sydney P. Freedberg, Fergus Shiel, Richard H. P. Sia, Tom Stites, Martha M. Hamilton, Joe Hillhouse, Rigoberto Carvajal, Cécile Schilis-Gallego, Hilary Fung, Marina Walker Guevara, Miguel Fiandor, Pierre Romera, Hamish Boland-Rudder, Will Fitzgibbon, Delphine Reuter, Amy Wilson-Chapman, Margot Williams, Pauliina Siniauer, Razzan Nakhlawi, Jesse McLean, Matthew Perrone, Holbrook Mohr, Mitch Weiss, Charles Backcock, Andrew Lehren e Emily Siegel.

Tradução feita por Mariana Simões e Carolina Zanatta.



De Amsterdã a Seul, de Lima a Mumbai e até na pequena cidade americana de Hiawassee, no estado da Geórgia, implantes médicos fazem adoecer, mutilam e às vezes até matam as pessoas para as quais foram projetados para ajudar.

Uma investigação de um ano feita pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) descobriu que autoridades do campo da saúde ao redor do mundo têm fracassado em proteger milhões de pacientes sujeitos a próteses que, testadas de forma inadequada, podem perfurar órgãos, dar choques no coração, apodrecer os ossos e envenenar a corrente sanguínea, ejetar uma overdose de opióides e causar outros danos desnecessários.

Os governos têm padrões de testes até para implantes complexos que são muito menos rígidos do que a maioria dos remédios novos. Aparelhos defeituosos ficam no mercado enquanto o número de feridos cresce.

domingo, 27 de maio de 2018

Uma fábula muito doida: O juiz que vai apitar o Fla x Flu e a viagem ao Reino da Fantasia







O juiz, o Fla x Flu e o reino da fantasia


Em um reino não muito distante, chamado Pindorama, Flamengo e Fluminense vão disputar o título de campeão da temporada.

A federação escolhe para a grande final o juiz mais famoso que já passou por aquelas terras. 

O mundo inteiro está de olho na partida. Muitos interesses envolvidos... O jogo de pressões é imenso. Natural que, neste clima de tensão, pipoquem inúmeras suspeitas de lado a lado. A mais grave delas coloca em xeque a imparcialidade do juiz... mesmo porque ele já deu muitas mostras bem concretas que é torcedor do Fluminense(tem até carteirinha de filiação).

Nota: Coloquei aqui Fluminense por pura convenção. Podia ser Flamengo, Vasco, Botafogo... É uma fábula né? Só não coloquei Corinthians porque - dado aos numerosos antecedentes - iria soar como provocação. Hahaha!

Daí, na véspera da partida, o juiz realiza uma viagem para um reino que não é tão próximo (geograficamente falando) mas que é muito presente no dia a dia de Pindorama.

Vai para lá participar de uma festa de luxo, organizada por um dos cartolas do Fluminense e viaja acompanhado por dirigentes e jogadores do time. 

O cartola presenteia o juiz com um diploma e uma medalha pelos "serviços prestados". O juiz, todo sorridente e deslumbrado, tira foto com os jogadores e com o cartola e, na seqüência, até dá uma canja fazendo palestra em um evento COMERCIAL promovido pelo cartola. 

A viagem e as despesas do juiz são financiadas pelos patrocinadores e pelo escritório de advocacia do Fluminense.

A turma do Flamengo fica indignada pede a suspeição do juiz e a sua substituição.

Em resposta, o juiz diz que é tudo uma grande bobagem.

domingo, 6 de maio de 2018

Vacina contra Dengue é questionada em artigo na revista The Lancet: "O programa de vacinação no Paraná deveria ser suspenso"

Em artigo publicado na ultima semana na The Lancet, a pesquisadora Maira Aguiar foi enfática em afirmar:

"Dengvaxia também tem sido usada em um programa de vacinação em massa no Paraná, Brasil. Como não existem indícios de alta endemicidade nesta região, este programa deveria ser suspenso para minimizar a vacinação de indivíduos que não tiveram dengue.

Por questões de ética, ninguém deveria ter sido colocado individualmente em risco ao receber esta vacina mesmo que, em nível populacional, ela possa ter efeitos benéficos no número de internamentos pela doença."

Segue o sumário do artigo:

sábado, 21 de abril de 2018

Sobre raposas e galinheiros.... Indicação de novo diretor da ANS é questionada

Novo diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Abrasco e Idec acionam Comissão de Ética


A Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) e o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) acionaram a Comissão de Ética Pública da Presidência da República sobre a indicação de Rogério Scarabel Barbosa para o cargo de diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A informação é de Mônica Bergamo, jornalista, publicada por Folha de S. Paulo, 20-04-2018.

As entidades afirmam que o escritório de advocacia no qual Scarabel figura como sócio coordenador atua na representação de empresas junto a órgãos públicos, como a própria ANS. O objetivo da carta é que a comissão avalie se não há conflito de interesses. Scarabel disse que não vai se pronunciar.

domingo, 16 de julho de 2017

Fabricante americano de próteses admite propina a médicos brasileiros

Propina era para médicos usarem produtos em pacientes do SUS.
Médicos faziam cirurgias desnecessárias só para ganhar mais.

no portal G1

Uma investigação nos Estados Unidos revelou que um dos maiores fabricantes de próteses do mundo pagava propina para médicos brasileiros usarem seus produtos em pacientes do SUS.
Os médicos faziam cirurgias desnecessárias só para ganhar mais.
A dor na coluna incomodava, mas foi a sentença rápida do médico que assustou: “Ele disse que eu precisaria operar”.
Um segundo médico descartou a necessidade de cirurgia e o problema foi resolvido com fisioterapia: “Estou super bem, tranquila”.
Mas não se sente segura para mostrar o rosto, tem medo da chamada “Máfia das Próteses”.

terça-feira, 11 de abril de 2017

O andar de cima sapateia na cara da sociedade: Empresa envolvida nas fraude contra a saúde no RJ tinha até "Código de Ética"

Deu no G1

PF prende ex-secretário de Cabral por suspeita de fraude em licitação e corrupção

Agentes prenderam Sérgio Côrtes e mais dois empresários. Investigação é um desdobramento da Lava Jato no RJ e apura fraude em licitações e pagamento de propina ao ex-governador. Desvio chega a R$ 37 milhões.



A empresa envolvida na fraude é a Oscar Iskin, fornecedora de órteses e próteses.

"A operação investiga fraudes em licitações para o fornecimento de próteses para o do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). De acordo com as investigações, quando era diretor do Into, Sérgio Côrtes teria favorecido a empresa Oscar Iskin, da qual Miguel é sócio, nas licitações do órgão. Gustavo Estellita é sócio de Miguel em outras empresas e já foi gerente comercial da Oscar Iskin. A empresa é uma das maiores fornecedoras de próteses do Rio."

Pois bem,  a empresa Oscar Iskin tem um primoroso código de ética, que - em tese - deveria coibir os abusos pelos quais os dirigentes da empresa estão sendo presos.





segunda-feira, 27 de março de 2017

Comissão faz advertência pública ao ministro da Saúde, Ricardo Barros

no Bem Paraná


A comissão de ética da Presidência da República impôs nesta segunda-feira (22) uma advertência pública ao ministro da Saúde, Ricardo Barros, por ter concluído que ele violou a ética pública durante a campanha eleitoral de 2016.

Como a Folha de S.Paulo revelou em setembro, o ministro fez promessas em eventos de candidatos a prefeito no Paraná e participou de campanha eleitoral em dias de agenda oficial. No período, ele também prometeu construir um hospital no município de Marialva, transformar em referência o hospital de Foz do Iguaçu e levar mais recursos para a cidade de Peabiru.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Operação Falso Juramento: PF prende dois médicos por cobrança de partos pelo SUS

Obstetras de Itaqui teriam faturado mais de R$ 1,6 milhão

no Correio do Povo (dica do Juarez Verba no FB)

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta segunda-feira em Itaqui, na Fronteira Oeste do Estado, a operação Falso Juramento, que investiga a cobrança indevida de partos integralmente cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Dois médicos foram presos e encaminhados à Penitenciária Modulada de Uruguaiana. Eles podem responder por crimes de corrupção, estelionato e realização de esterilização cirúrgica ilegal. Também foram indiciados uma funcionária de um dos médicos e um anestesista.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Aborto: prisão de paciente em Hospital Evangélico de Curitiba coloca em risco a vida das mulheres

Com dores decorrentes de um processo de abortamento, uma mulher de 26 anos buscou socorro na emergência do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, no Paraná. Após receber alta, não voltou para casa: foi levada direto ao cárcere da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde permaneceu por três dias e só foi liberada com o pagamento de fiança, em 13 de fevereiro. A prática do aborto é considerada crime no Brasil, mas o atendimento humanizado e sigiloso é um direito. Mulheres que chegam ao hospital público com complicações de uma interrupção – voluntária ou não – da gravidez também devem ter garantido esse atendimento, conforme prevê a Norma Técnica do Ministério da Saúde (MS) “Atenção Humanizada ao Abortamento”. O hospital abriu sindicância para investigar se houve quebra de sigilo, que além de ser crime viola o código de ética dos profissionais de saúde.
Em nota emitida na última semana, o hospital afirmou que considera a quebra de sigilo profissional uma “atitude condenável”. “Já foi aberta uma sindicância para apurar o fato e, caso seja confirmado, imediatamente serão tomadas as providências cabíveis”. A paciente chegou à emergência do hospital em 10 de fevereiro e durante o atendimento teria revelado que havia feito a interrupção da gravidez com o uso do comprimido Misoprostol. Ela estava grávida de cinco meses e depois de tentar realizar o aborto sozinha, pediu ao namorado para que a levasse ao hospital.