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domingo, 12 de setembro de 2021

Mostre para aquele seu conhecido que é (foi?) Bolsominion e que está sentindo uns apertos no peito e dores na consciência (será?).

 

Bolsonaro late e os generais fazem negócios

O Partido Militar se articula para ficar no poder.

por Rafael Moro Martins no The Intercept Brasil (via e-mail)


A caravana passou, com os cães latindo ao volante de caminhões, caminhonetes e (muitos) carros caros e (alguns) nem tanto, além de incontáveis motociclistas – tipos mal-encarados ao estilo Selvagens de Alphaville ou Demônios do Condomínio de Luxo – e muita gente a pé e em ônibus. Foi grande, não vou mentir: assisti da calçada, em Brasília, a um desfile que parecia interminável de gente disposta a derrubar a democracia em nome de um governo genocida e corrupto.

Mas, para imaginar o que virá a seguir, convém deixar a parada de bolsonaristas e as missivas de lado e olhar para as figuras que levaram Bolsonaro ao Planalto, e que vêm chamando muito menos atenção do que deveriam: o tal do Partido Militar. Os generais da reserva que escoltaram o indisciplinado ex-capitão à Presidência e que se movimentam para se manterem no poder – e com poder – enquanto Bolsonaro se dedica a aterrorizar o país com a ameaça de um autogolpe.

O que vai a seguir são informações recolhidas pelo boletim mensal com foco nas Forças Armadas brasileiras do Instituto Tricontinental que monitora a participação militar na política. O levantamento parte de informações públicas e é coordenado pela cientista social Ana Penido, também pesquisadora do Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional da Universidade Estadual Paulista, a Unesp.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

A mediocridade endêmica no desgoverno Bolsonaro fornece munição para a CPI

Cena 1:

Alguns meses atrás, meu filho e eu assistindo TV e aparece uma coletiva do Elcio Franco, o milico que então ocupava o cargo de secretário executivo do Ministério da Saúde. 

Falei com meu filho: "Tira o som e olha a postura corporal do cara sem escutar o lero-lero que ele está falando". 

Dito e feito. Ficava claro que o sujeito (que era o número dois do ridículo Pazuello) não tinha idéia sobre o que estava falando. Não olhava para as câmeras, a postura era de um cara acuado que estava ali participando de uma encenação burlesca, tentando justificar o injustificável. 

Patético. 

Cena 2:

O governo monta uma força-tarefa tentando se preparar para enfrentar a CPI da Pandemia. 

Os "jênios" da equipe governamental montam uma planilha de Excel listando todos os pecados que o desgoverno Bolsonaro cometeu no enfrentamento da pandemia. Inacreditavelmente são listados 23 itens, desde o genocídio dos povos indígenas até a "militarização" do ministério da saúde. Chegam a envolver na meleca o ministro Paulo Guedes, que até então estava sendo blindado. 

Sim! É isso mesmo! O próprio desgoverno lista a militarização do ministério da saúde (Elcio Franco e Pazuello incluídos) como sendo um PECADO.

Acontece que na lista elaborada pela equipe de "jênios" constam mais irregularidades do que as elencadas pela própria CPI.

A CPI havia listado apenas 18 "pecados"... 

Mas não acaba aqui a trapalhada. A tal da lista que, imagina-se, deveria ser um documento reservado, foi encaminhada aos ministérios responsáveis por apresentar explicações/defesas por e-mail. Isso mesmo: Documento reservado encaminhado POR E-MAIL!

Resultado previsível até pela minha bisavó Dona Loloca: A lista vazou.

Randolfe Rodrigues, o vice-presidente da CPI adorou a história e já incorporou a lista vitaminada aos documentos da Comissão.

Daí vocês me perguntam: O que é que a Cena 1 tem a ver com a Cena 2?

Respondo:

O coordenador da força-tarefa, o "jênio" responsável pela lista que está servindo como munição para a oposição, o cara que deu o tiro no pé do próprio desgoverno atende pelo nome de... Elcio Franco.

A mediocridade é endêmica no desgoverno Bolsonaro.


quinta-feira, 15 de abril de 2021

Os "experimentos mengelianos" dos médicos brasileiros e o respaldo do CFM

Josef Mengele, oficial da SS, conhecido como "O Anjo da Morte de Auschwitz"


do Outra Saúde (via e-mail)


TÉCNICA EXPERIMENTAL?

O médico alemão Josef Mengele, oficial da SS, usou prisioneiros de Auschwitz para conduzir experimentos humanos muitas vezes letais. É dele que o infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira, gerente médico do Sabará Hospital Infantil, em São Paulo, se lembra ao comentar a nebulização com hidroxicloroquina que provocou mais uma morte em Manaus. "Nunca vi isso. Não sabemos quantos pacientes foram utilizados, não há termo de consentimento nem comitê ético. É até mau gosto chamar de estudo. Trata-se de um experimento mengeliano", diz ele, à Folha.

A reportagem esmiúça o caso de Jucicleia de Sousa Lira, de 33 anos,  que estava com covid-19 e tinha acabado de ter um bebê em um parto de emergência. A ginecologista e obstetra paulista Michelle Chechter conseguiu da paciente uma autorização para usar  "a técnica experimental nebuhcq líquido, desenvolvida pelo dr. Zelenko de Nova York", que consiste em nebulizar hidroxicloroquina macerada. Só que não é assim que se aplica um tratamento experimental, como ressalta Oliveira. Além de o 'estudo' não ter aprovação de comitê de ética, o papel assinado por Jucicleia não a informava sobre os riscos ela que corria.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Necropolítica: No auge da pandemia orçamento prioriza aviões de combate e submarinos enquanto retira bilhões da saúde

Os fardados serão os únicos servidores que terão reajuste salarial, com impacto de R$ 7,1 bi no orçamento.

do Outra Saúde (por e-mail)

ORÇAMENTO DA SAÚDE

Com três meses de atraso, ontem finalmente o Congresso aprovou o orçamento de 2021. No total, ações e serviços públicos de saúde terão um orçamento de R$ 125 bilhões, pouco acima do piso constitucional (R$ 123,8 bilhões) – e muito abaixo dos R$ 161 bilhões aplicados no SUS no ano passado, considerando os créditos extraordinários destinados ao Ministério da Saúde por conta da pandemia – que, agora, chegou ao pior momento, como sabemos.

Os militares consorciados com o bolsonarismo, ao contrário, garantiram recursos para no meio da crise sanitária compra de aeronaves de caça (R$ 1,6 bilhão) e até construção de submarinos (R$ 1,3 bilhão). Na rubrica de investimentos, os gastos militares representam nada menos do que 22% do total do governo federal, comando R$ 8 bi. Os fardados serão os únicos servidores que terão reajuste salarial, com impacto de R$ 7,1 bi no orçamento.

"Minha gente, nós estamos guerreando contra quem? Eu pergunto a vocês: submarino e aviões de caça vão combater o coronavírus? Então, não dá para entender que prioridades são essas. Como aumentamos o orçamento da defesa e diminuímos o orçamento da educação e diminuímos também o orçamento da saúde, que é vital para todos nós?" resumiu o deputado Bira do Pindaré (PSB-MA).

quinta-feira, 18 de março de 2021

Bolsonaro e Napoleão têm uma coisa em comum

Bonaparte visitando as vítimas da peste de Jafa (1799) é o título da obra de Antoine-Jean Gros, datada de 1804, e encomendada por Napoleão Bonaparte para representar um episódio da campanha do Egito. O quadro representa Napoleão durante uma cena tocante que ocorreu em Jafa, em 1799, durante a qual o general tentou elevar o moral de suas tropas, aproximando-se e tocando a ferida de um soldado.


Rogério Galindo - no Singular 18 (por e-mail)

Existe uma imagem famosa de Napoleão (aquele) tocando nas pústulas de gente com peste. Foi numa campanha pelo Oriente Médio: os soldados franceses estavam sendo assolados pela doença e o imperador apareceu numa mesquita, onde havia um hospital improvisado. Tocou nos doentes e encorajou seus homens a prosseguirem - a doença, parecia ser o recado, não era páreo para a máquina de guerra da França.

A tela sobre o tema faz parte da tentativa de tornar Napoleão um semideus. Mas por trás de todo tirano existe um lado B, como sabe quem lê um pouco de história. E Napoleão não foge à regra: na verdade, o imperador queria elevar o moral da tropa não só a golpes de coragem pessoal. Ele forçou a barra para que a ciência se dobrasse diante de suas necessidades políticas, e quis que os estudiosos mentissem na cara dura, para afirmar que a peste não era contagiosa.

A nova biografia de Napoleão, escrita por Adam Zamoyski, publicado no Brasil pela Planeta (tradução minha e da Rosiane), conta a história em detalhes. Segue um trecho:

"Ele (Bonaparte) também frequentava as reuniões do Instituto, que vinha mantendo seu trabalho durante todo esse tempo, mas em uma sessão de 4 de julho ele teve problemas quando colocou a culpa do fracasso na Síria na peste e na incapacidade dos médicos de encontrar uma cura. Ele afirmou que ao tratar a peste como uma doença contagiosa, eles haviam prejudicado o moral da tropa, e que em nome do bem geral seria melhor declará-la como não-contagiosa. Desgenettes insistiu que a integridade científica exigia que a verdade fosse dita. Bonaparte denunciou o médico e os que pensavam como ele como um grupo de teóricos enfadonhos, e Desgenettes respondeu acusando-o de ser um líder despótico a quem faltava visão, e pondo nele toda a culpa pela carnificina e pela morte durante a campanha síria."

Descrença na ciência, egoísmo, exposição dos cidadãos a vírus mortais. Todo tirano tem um lado genocida.

Quem quiser saber mais sobre o livro clica aqui.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Ministério da Saúde pode ter se posicionado contra lockdown no Amazonas

MEIO TERMO AO INVÉS DE LOCKDOWN

Do Outra Saúde (via e-mail)

O Ministério da Saúde atuou pela flexibilização das medidas de isolamento social no Amazonas quatro dias antes do colapso do sistema de saúde do estado. A informação é do jornal O Globo, e se refere a um debate que aconteceu em uma reunião entre autoridades estaduais e membros da equipe de Eduardo Pazuello no dia 10 de janeiro. Duas pessoas presentes no encontro relatam que o governo federal pediu a adoção de um “meio-termo” ao lockdown, medida defendida por especialistas há tempos. Coincidência ou não, no dia 14 de janeiro o governador Wilson Lima (PSC) assinou um decreto mantendo atividades não essenciais e circulação nas ruas, tendo como restrição mais severa um “toque de recolher”. Naquele momento, a crise da falta de oxigênio e vagas nos hospitais já estava explícita.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Com a cloroquina, Bolsonaro implementa maior show de ilusionismo do mundo


Enquanto dezenas de países correm para vacinar sua população a fim de frear as mortes por covid-19 e retomar a economia com segurança, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) se dedica a entupir os brasileiros de "feijões mágicos": cloroquina e ivermectina. Implementa, com isso, o maior show de ilusionismo do mundo. E, mesmo sendo manjados, muita gente ainda cai nos truques.

Em um dos lances mais bizarros desde que começou a pandemia, terraplanistas biológicos do Ministério da Saúde pressionaram a Prefeitura de Manaus a distribuir hidroxicloroquina e ivermectina, remédios usados contra malária, lúpus e infestação por vermes, como tratamento precoce para a covid, como informou o Painel do jornal Folha de S.Paulo.

Como funciona o ilusionismo. Na esmagadora maioria dos casos, nosso sistema imunológico é capaz de dar conta da doença, produzindo anticorpos e eliminando o coronavírus de forma eficaz. Ao apontar um remédio ineficaz como solução para casos leves, o presidente está, na verdade, tentando roubar o mérito por algo que o organismo já faria por conta própria.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Rudá Ricci: "Está em curso um alinhamento dos setores empresariais para abocanhar fundos públicos da educação e saúde"

Por Rudá Ricci @rudaricci no Twitter

Bom dia. Farei um mini fio analisando como empresários, Centrão e Bolsonaro decidiram mirar nos fundos públicos da educação e saúde neste último período e o papel do Centrão na manutenção dos índices de aprovação do governo federal. Lá vai fio:



1) Postei agora há pouco uma nota de Daniel Cara em que se revela o desvio de recursos públicos do Fundeb para a iniciativa privada: quase 16 bilhões. Não se trata de uma "ajuda" ao Sistema S ou às escolas filantrópicas. Trata-se de disputa por recursos públicos pelos empresários

2) O texto de Daniel Cara informa que "Em 2019, conforme análise de dados da Receita Federal produzida por João Marcelo Borges (FGV), concluiu-se que as entidades filantrópicas e confessionais receberam 6,37 bilhões de dinheiro público (...) e o Sistema S recebeu R$ 21 bilhões."

3) Fica nítido que está em curso um alinhamento dos setores empresariais para abocanhar fundos públicos da educação e saúde. Na saúde, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) publicou as “Diretrizes para um modelo de atenção integral em saúde mental no Brasil“

4) O documento “Diretrizes para um modelo de atenção integral em saúde mental no Brasil” é um nítido ataque aos fundos públicos da área da saúde mental. O ataque procura voltar ao passado, focando no isolamento da pessoa com sofrimento mental em hospitais. Quem ganha com isso?

domingo, 13 de dezembro de 2020

Passou da hora de os militares darem lugar aos epidemiologistas


A mente delirante de Jair Bolsonaro não é a única responsável pelo desgoverno em que o Brasil se encontra. Também a empáfia e a megalomania dos militares estrelados brasileiros são elementos fundamentais para que o país tenha chegado a essa situação caótica, especialmente no combate à pandemia.

Os generais que há cinco anos se reuniram em torno do ex-comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, para decidir quem deveria presidir a República e avalizaram o nome de Bolsonaro já teriam cometido um erro histórico se tivessem feito somente isso. Mas foram além: reconhecendo a intempestividade do candidato que ganhou as eleições de 2018, resolveram participar do governo para tentar conter seus arroubos e as maluquices do grupo olavista.

Treinados para uma circunstância específica — a guerra —, boa parte dos oficiais das Forças Armadas há décadas forjou um sentimento de superioridade em relação aos civis que de forma alguma se justifica. Uma boa parcela dos generais acredita que em qualquer área de atuação os militares são mais competentes, mais ágeis e mais honestos que aqueles que não usam farda.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Atraso, inconstância e falta de dados: o caos brasileiro na pandemia

Onze organizações assinam nota técnica que aponta série de problemas de transparência. Informações sobre testes, medicamentos e leitos estão constantemente desatualizadas



O Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas editou uma nota técnica apontando uma série de problemas de transparência na divulgação de informações sobre a pandemia de covid-19 no Brasil. Atrasos ou instabilidades foram identificados em várias fontes de informações oficiais. 

Uma questão bastante grave é que o Ministério da Saúde não atualiza o Painel de Vírus Respiratórios, que exibe o total de testes PCR realizados. A bagunça é tamanha que, segundo o documento, a a plataforma não diz nem qual foi a data da última atualização.

Isso prejudica inclusive a análise da evolução dos casos no país. Aqui, o número oficial de casos inclui infecções confirmadas por testes PCR, testes de anticorpos e até por diagnóstico clínico, sem exame. Não dá para medir nada direito a partir disso. Quando há a informação sobre quantos exames PCR foram feitos a cada momento, a situação fica menos opaca, porque dá para analisar a evolução da taxa de positividade (o número de resultados positivos que voltam a cada 100 testes realizados). A desculpa do governo para não abrir os dados é que isso prejudicaria a privacidade dos pacientes da rede particular, o que não se sustenta: a nota ressalta que é perfeitamente possível publicá-los sem identificar as pessoas, como, aliás, faz o openDataSUS.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O Triste Fim de Jair Messias Bolsonaro

Por José Eduardo Agualusa*
Publicado originalmente na revista "Visão" de Portugal.

Jair acordou a meio da noite. Mandara colocar uma cama dentro do closet e era ali que dormia. Durante o dia tirava a cama, instalava uma secretária e recebia os filhos, os ministros e os assessores militares mais próximos. Alguns estranhavam. Entravam tensos e desconfiados no armário, esforçando-se para que os seus gestos não traíssem nenhum nervosismo. Interrogado a respeito pela Folha de São Paulo, o deputado Major Olimpio, que chegou a ser muito próximo de Jair, tentou brincar: "Não estou sabendo, mas não vou entrar em armário nenhum. Isso não é hétero."

Michelle, que também se recusava a entrar no armário, fosse de dia ou de noite, optou por dormir num outro quarto do Palácio da Alvorada. Aliás, o edifício já não se chamava mais Palácio da Alvorada. Jair oficializara a mudança de nome: "Alvorada é coisa de comunista!" — Esbravejara: "Certamente foi ideia desse Niemeyer, um esquerdopata sem vergonha."

O edifício passara então a chamar-se Palácio do Crepúsculo. O Presidente tinha certa dificuldade em pronunciar a palavra, umas vezes saía-lhe grupúsculo, outras prepúcio, mas achava-a sólida, máscula, marcial. Ninguém se opôs.

sábado, 24 de outubro de 2020

O plano da pandemia que nunca existiu

na newsletter do The Intercept Brasil ()

por Tatiana Dias - Editora Sênior



Hélio Rodak é um leitor do Intercept. Em maio deste ano, ele procurou o sistema de acesso à informação do governo federal com um pedido simples: uma cópia do plano nacional para tratar os efeitos sanitários e econômicos da pandemia de covid-19. Começava naquele dia uma saga que se estendeu pelos quatro meses seguintes, até culminar com o governo pego na mentira. 

Agora, Rodak resolveu dividir o que descobriu com a gente. Seu pedido foi feito, primeiro, à Presidência da República; de lá, foi direcionado à Casa Civil. A primeira resposta do governo Bolsonaro veio no dia 8 de junho: algumas das informações que Rodak pediu seriam "documentos preparatórios". Assim, não poderiam ser fornecidos – naquele momento, a pandemia já havia matado quase 40 mil brasileiros. A Casa Civil argumentou que seria preciso aguardar a "edição do ato decisório" para que as informações pudessem ser disponibilizadas "devido ao risco de frustrar a própria finalidade em caso de divulgação antecipada". A resposta ainda incluiu alguns links com ações isoladas e uma notícia sobre a apresentação do programa Pró-Brasil, uma iniciativa "proativa" do governo para reduzir os impactos com foco no período pós-pandemia. 

terça-feira, 20 de outubro de 2020

A nova panaceia do governo Bolsonaro

do Outra Saúde (via e-mail)

A NOVA PROPAGANDA

"Nós temos agora um medicamento comprovado cientificamente que é capaz de reduzir a carga viral. Com essa redução da carga viral, significa que reduz o contágio. A pessoa que toma o medicamento assim que faz o teste diagnóstico e descobre que está com covid, toma o medicamento nos primeiros dias, essa pessoa contamina menos outras pessoas. E mais, diminui a probabilidade de essa pessoa aumentar os sintomas, ir para o hospital e falecer". Quem proferiu palavras tão animadoras foi o ministro da Ciência, Marcos Pontes. O remédio em questão é a nitazoxanida, vermífugo vendido no Brasil com o nome comercial Annita – que tem sido exaltado por Pontes há meses como possibilidade no tratamento da covid-19. E o anúncio foi feito em uma cerimônia promovida pelo governo federal para, supostamente, apresentar ao público os resultados do estudo clínico do Laboratório Nacional de Biociências (vinculado ao ministério) com a droga.

O maior problema é que, dos resultados, mal conhecemos a sombra. Segundo a pasta, o estudo durou quatro meses e envolveu cerca de 1,5 mil voluntários com sintomas iniciais de covid-19; um grupo tomou a nitazoxanida, e outro tomou placebo. Mas não se sabe como foi nem o que significou essa redução da carga viral, nem como foi medida a redução do contágio, nem qual foi a diminuição nas chances de internação. No Instituto Questão de Ciência, o microbiólogo Alison Chaves critica duramente o protocolo do estudo – segundo o qual, aliás, houve cerca de 400 voluntários, e não 1,5 mil como anuncia o governo. De acordo com ele, o foco era apenas observar a redução da duração de febre, tosse e fadiga em oito dias. "Como sabemos que a maior parte das pessoas infectadas irá desenvolver uma forma leve a moderada da doença, é esperado que esse mal-estar esteja presente por algum tempo, sem que ocorra nenhum agravamento. Isso invalida completamente o raciocínio de que essa é uma intervenção precoce para proteger um paciente de uma eventual complicação", escreve o especialista.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

(Des)governo Bolsonaro faz mal à saúde.

MOVIMENTO AMBÍGUO 


no Outra Saúde (via e-mail)

A campanha anual de vacinação contra a poliomielite foi lançada na última sexta-feira, em um contexto bastante desafiador. Atualmente, a cobertura do imunizante está em perigosos 60%. O objetivo é vacinar 11,2 milhões de crianças. 

No lançamento, Pazuello fez um apelo para que pais e responsáveis confiem na vacina. Já o secretário de Vigilância disse que a campanha “faz parte de um grande movimento desencadeado” por Jair Bolsonaro, “o Movimento Vacina Brasil” – nome marketeiro da campanha. 

O Globo lembra que, no início de setembro, a Secretaria de Comunicação da Presidência divulgou uma peça publicitária com a frase “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”, dita por Bolsonaro dias antes e avaliada como um aceno do político de extrema direita ao movimento antivacinação...

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Suspensão de vacina deixa mal capitão e general

Bolsonaro deveria aproveitar a suspensão para refletir sobre a conveniência de interromper o hábito de falar dez vezes antes de pensar. E Pazuello faria um bem a si mesmo se substituísse o otimismo tosco pela elaboração de um plano de distribuição da vacina.


A notícia de que a farmacêutica AstraZeneca decidiu suspender os testes da vacina contra Covid-19 leva o brasileiro a dirigir aos seus botões uma pergunta incômoda: já imaginaram que país magnífico teríamos se, de repente, por um milagre, baixasse no Planalto e na Esplanada dos Ministérios uma epidemia de ridículo?

A novidade deixou mal Jair Bolsonaro, o capitão que ocupa o trono de presidente; e Eduardo Pazuello, o general que caiu de paraquedas na poltrona de ministro da Saúde.

Bolsonaro repetiu num encontro com médicos "cloroquineiros" que "não se pode injetar qualquer coisa nas pessoas, muito menos obrigar" a tomar vacina. Os testes foram suspensos justamente porque um dos voluntários que serviam de cobaia no Reino Unido apresentou reação adversa.

Deseja-se investigar o que ocorreu antes de retomar os testes, feitos em parceria com a Universidade de Oxford. O zelo e a responsabilidade visam justamente prover segurança e confiabilidade quanto à eficácia da vacina. O esforço transforma o lero-lero presidencial sobre os riscos de "injetar qualquer coisa nas pessoas" numa versão sanitária da velha e boa conversa fiada.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Bolsonaro nomeia um veterinário sem experiência na área para cuidar das imunizações. País vem apresentando resultados pífios na cobertura vacinal

do Outra Saúde (via e-mail)

NOME POLÊMICO NA ÁREA


Eduardo Pazuello nomeou, para a direção do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis, o veterinário Laurício Monteiro Cruz. O departamento é responsável pelo Programa Nacional de Imunizações, e Cruz deve atuar inclusive nas discussões sobre a vacinação contra a covid-19. "Nada contra os veterinários, mas essa pessoa que colocaram para coordenar o Programa Nacional de Imunização é um veterinário sem experiência com imunização. É lamentável que estejamos vendo esse desmonte da SVS [Secretaria de Vigilância em Saúde]", escreveu o ex-secretário Wanderson Oliveira, nas redes sociais. Questionado, o Ministério disse que Cruz tem experiência na área de vigilância ambiental, epidemiológica e de doenças emergentes.

O cargo ocupado agora por ele estava vago desde março, com a saída do médico infectologista Júlio Croda. O diretor interino, também veterinário, era o servidor de carreira Marcelo Wada, coordenador de Vigilância de Zoonoses.

RESULTADO PÍFIO

Não é novidade que desde 2016 a cobertura vacinal no Brasil está ficando abaixo das metas, mesmo para crianças. No ano passado, nenhuma das 15 vacinas obrigatórias para menores de dois anos chegou ao nível necessário. Mesmo assim, os números da campanha de imunização nacional contra o sarampo da população de 20 a 49 anos surpreendem (negativamente): só 5,8% do público-alvo foi vacinado desde o início da ação, em março, até 17 de agosto.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

As digitais de Bolsonaro na tragédia que ultrapassa cem mil mortes

 O SILÊNCIO DOS VIVOS

do Outra Saúde (por e-mail)

No sábado, chegamos às cem mil mortes e três milhões de infecções pelo novo coronavírus conhecidas no Brasil. A tragédia sem dimensões na história do país não mereceu panelaços. A imprensa tem se esforçado para dimensionar seu significado em históriascomparaçõessimulações e gráficos diversos.  Mas alguma coisa parece ter estancado a indignação que era demonstrada numa base diária meses atrás. Concordamos com o advogado Thiago Amparo quando ele diagnostica que o luto coletivo existe, só que está sendo esmagado pela necropolítica. “Bolsonaro está vencendo pelo cansaço”, constata, por sua vez, o jornalista Bernardo Mello Franco. 

No dia do fatídico marco, só atingido até agora pelos Estados Unidos, Jair Bolsonaro celebrou a vitória do Palmeiras e replicou a propaganda da sua Secretaria de Comunicação que distorce informações para comemorar números catastróficos. Como os milhões de “recuperados” – conceito extremamente duvidoso em se tratando de uma síndrome que tem mostrado poder para desabilitar permanentemente suas vítimas, com pulmões lesionados, rins danificados. Ou o número de mortes por milhão de habitantes, métrica que não serve. “Se cai um avião com 210 pessoas ninguém diz que foi uma morte por milhão de habitantes”, explica Ricardo Parolin, em entrevista ao UOL. “Com cerca de 3% da população mundial, concentramos 14% dos óbitos registrados por covid-19”, situam as pesquisadoras Jurema Werneck, Gulnar Azevedo e Zeliete Zambon. 

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Gravíssimo! - A negligência do Ministério da Saúde: não falta nem desenhar

do Outra Saúde (via e-mail)


LINHA DO TEMPO DA NEGLIGÊNCIA

Desde o início da pandemia, já vimos no Brasil dramas provocados pela falta de equipamentos de proteção, de ventiladores pulmonares, de profissionais treinados para atuar nas UTIs... Agora, estamos no limiar de uma situação extrema: o fim dos medicamentos que sedam os pacientes intubados. Em bom português, mais mortes – dolorosas e evitáveis. Nas contas do secretário de saúde do Paraná, o estoque do estado chega ao fim no domingo. No comunicado, feito em uma transmissão ao vivo na última quarta, Beto Pretto ressaltou: a crise é generalizada. E, acrescentamos: ontem, ganhou uma nova dimensão.

Documentos obtidos pelos maiores veículos da imprensa praticamente desenham a conduta negligente da atual gestão do Ministério da Saúde diante do problema. Os detalhes estão nas atas de numerosas reuniões realizadas pelo COE, o Centro de Operações de Emergência. Criado em janeiro para assessorar a pasta, ele é composto por autoridades do Ministério, mas também por especialistas de outros órgãos do governo (Anvisa, Fiocruz, etc.) e até de fora do Brasil, como a  Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Por isso mesmo, as discussões promovidas por lá trouxeram contrapontos às ‘políticas’ do governo federal. A conclusão? O Ministério preferiu ignorar os alertas sobre o desabastecimento de sedativos fundamentais para o tratamento dos casos graves da covid-19 e se concentrou totalmente na importação de insumos e distribuição de cloroquina. Mas vamos por partes.  

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Equipe de Pazuello liberou R$ 3 bi por meio de políticos para covid

São R$ 3 bilhões o total liberado pelo Ministério da Saúde para prefeituras e entidades indicadas por meio de deputados e senadores. Essa é a conta do senador Major Olimpio (PSL-SP). A Pasta chefiada pelo general Eduardo Pazuello não deu uma palavra até agora sobre o suposto favor a políticos, para formar uma base de apoio do governo no Congresso, usando o dinheiro da covid-19. Os recursos foram distribuídos na quarta-feira. Naquele dia 15, o ministério de Pazuello soltou R$ 4,9 bilhões para combater a pandemia – tinha até então usado apenas R$ 11 bilhões dos R$ 40 bilhões à disposição para a emergência sanitária.
Quem aceitou participar da operação precisou preencher uma planilha na qual havia 11 campos em branco. No primeiro devia colocar o nome do parlamentar e no segundo, o do partido. Depois, a Unidade da Federação, o órgão que receberia o dinheiro e ação contemplada. Em seguida vinham os campos para o título, o favorecido, o CNPJ, o GND, o valor e os do Siconv, o portal do Sistema de Convênios que processa informações sobre transferências de recursos federais para órgão públicos e privados sem fins lucrativos.