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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

A vergonhosa resposta (que não houve) do ministério da saúde diante do caso do estupro

do Outra Saúde (por e-mail) 

A CRIANÇA E OS CRIMINOSOS

Não gera nenhuma surpresa que o Ministério da Saúde tenha ficado de fora do processo que garantiu a interrupção da gravidez da criança estuprada pelo tio. 

A coluna Painel, da Folha, informa que o general Eduardo Pazuello não deu nenhum telefonema, a pasta não ofereceu qualquer tipo de ajuda para achar um hospital que realizasse o procedimento, e o trâmite foi feito apenas pelos governos estaduais. 

Não faltam ultraconservadores em cargos importantes da pasta. 

A secretaria de Atenção Primária, por exemplo, é chefiada por Raphael Parente, que não considera aborto como um problema de saúde pública. Nas redes sociais, o coordenador-geral de Gestão de Projetos de Saúde Digital da pasta, o médico e militar da reserva Allan Garcês, criticou que o direito da menina tenha sido respeitado. Para ele, o procedimento "pune o inocente, a verdadeira vítima.” E já falamos por aqui do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Hélio Angotti Neto, que tem até um livro contra o aborto.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Os níveis de barbárie da política brasileira foram atualizados

O encontro da intolerância religiosa com a direita brasileira produziu um novo marco de violência: contra as crianças e adolescentes, mas também contra o Sistema Único de Saúde.

via Outra Saúde (por e-mail)

CUSTE O QUE CUSTAR

O encontro da intolerância religiosa com a direita brasileira produziu um novo marco de violência: contra as crianças e adolescentes, mas também contra o Sistema Único de Saúde. O uso político do caso da menina de dez anos que engravidou começou no governo federal, se espalhou nas redes bolsonaristas até que, enfim, se converteu em palanque para deputados estaduais e vereadores. 

Tudo começa, como nota a reportagem do El País, com um vazamento – que, aliás, deveria ser investigado. No dia 8 de agosto, a criança deu entrada no Hospital Roberto Silvares, localizado na cidade onde mora, São Mateus (ES). Estuprada pelo marido de uma tia desde os seis anos, ela engravidou. Mesmo a ultrapassada legislação brasileira lhe assegurava duplamente o direito ao aborto, por ter sido vítima de violência sexual e pelos riscos físicos e psicológicos de uma gestação indesejada na sua idade. Ao invés de ter acesso ao que lhe era de direito, a criança foi exposta. Seu caso foi parar nas redes sociais da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos.

Damares Alves começou uma campanha para pressionar a menina de dez anos a levar a gravidez forçada adiante. Prometeu ‘ajudá-la’. Não satisfeita, a ministra enviou na quinta-feira “emissários” à cidade capixaba. 

segunda-feira, 2 de março de 2020

SP tem um caso de estupro de vulnerável por hora; estados registram aumento

"Sabe quem se beneficia de não falarmos sobre gênero nas escolas? Não termos aulas de educação sexual? Adultos abusadores. SP, 2020: um caso de estupro de vulnerável POR HORA. E esses dados são apenas dos casos que foram registrados."

Quatro meninas de até 13 anos foram estupradas por hora no país, em 2018 - Bruno MirandaQuatro meninas de até 13 anos foram estupradas por hora no país, em 2018 - Bruno Miranda



por Luiza Souto no Universa

O estado de São Paulo registrou 7,5 mil boletins de ocorrência de estupro de vulnerável de 1º de janeiro até outubro de 2019. Foram quase 25 casos por dia, ou um por hora. Nos últimos dois anos, houve um aumento de 7% no número de casos, nas formas consumada ou tentada — em 2017, foram cerca de 7 mil notificações, ou uma média de 19 por dia. Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

Estupro de vulnerável é o crime de prática de ato libidinoso ou sexo com menor de 14 anos ou ainda com alguém que não tem discernimento e não consegue oferecer resistência — como em casos de embriaguez ou enfermidade ou ainda se a mulher estiver dormindo. A pena vai de 8 a 15 anos de prisão.

Universa solicitou o número de notificações de estupro de vulnerável entre os anos de 2017 e 2019 para as secretarias de Segurança Pública dos dez estados mais populosos do Brasil, segundo o IBGE.

Oito deles atenderam de forma padronizada. Nas ocorrências do ano passado, o Paraná aparece logo atrás de São Paulo no ranking de casos de estupro de vulnerável registrados: foram 4.151 notificações até outubro. Depois vem Minas Gerais, com 2.933 (até outubro); Rio Grande do Sul, com 2.464 (até novembro); Pará, com 2.301 (até novembro); Rio de Janeiro, com 1.807 (até junho); Bahia, com 1.543 (até setembro), e Ceará, com 1.229 (até outubro).

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Inadmissível termos como "ministro" da Educação uma figura tão patética e tão perversa quanto Abraham Weintraub



terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Marcos Rolim sobre o Massacre do Lami: ..."fomos arrastados para dentro de um filme de Tarantino e ele está apenas no começo".

O Massacre do Lami

por Marcos Rolim(*) no Sul21

Um jovem de 24 anos, sem antecedentes criminais, sem histórico de doença mental, ex-militar, membro de uma “família estruturada”, defendia o porte de armas para “se defender de bandidos” e se declarava evangélico e temente a Deus. Após discussão banal de trânsito no Lami, zona sul de Porto Alegre, assassinou três pessoas de uma mesma família (marido, esposa e filho). O autor do triplo homicídio, atirador treinado, mirou nas cabeças das vítimas, acertando vários disparos, com uma pistola 9mm. Depois de trucidar a família, fugiu do local, tendo sido preso nesta terça-feira (28).
No texto anterior nessa coluna (“As palavras no jornalismo”), mostrei que fatos criminais costumam ser divulgados de forma muito diferente no Brasil a depender da classe social das vítimas e dos autores. O massacre do Lami o confirma amplamente. O tom geral das notícias foi extremamente cuidadoso. Aliás, não houve matéria que tenha sequer chamado o massacre de massacre.  Ninguém empregou a palavra “bandido” tão ampla e rapidamente empregada em outros contextos e não houve quem propusesse “caçada ao assassino”. O responsável pelo crime foi designado, pela polícia e nas matérias jornalísticas, como “suspeito” o que, tecnicamente, é o tratamento correto visto que apenas o Poder Judiciário pode definir quem são os culpados. A polícia não divulgou o nome do suspeito, o que também deveria ser procedimento padrão.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Acidentes de trânsito matam mais que armas de fogo

do Outra Saúde (via e-mail)


MAIS FATAL QUE ARMAS DE FOGO

Entre 1998 e 2018, foram registrados 734.938 óbitos por acidentes de trânsito no Brasil. Para se ter ideia de quão comum esse tipo de desastre se tornou, em média, a cada 15 minutos alguém morre nas ruas e estradas do país. O número ultrapassa o de homicídios por armas de fogo, que chegou a 726 mil nesse período. O perfil da vítima fatal do trânsito brasileiro é jovem: 40% dos mortos tinham até 29 anos.

Nas últimas duas décadas, o SUS arcou com 2,8 milhões de procedimentos médicos relacionados ao trânsito. O custo total, corrigido pela inflação, fica em R$ 5,3 bilhões – bem acima do total gasto com o programa Mais Médicos no ano passado (R$ 3,5 bi). 

sexta-feira, 22 de março de 2019

Armas de fogo matam uma criança ou adolescente por hora

no Outra Saúde (por e-mail)


Uma criança ou adolescente morre por arma de fogo a cada hora no Brasil. A informação é de um estudo divulgado ontem pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que fez um levantamento de 1997 a 2016 a partir de dados do Ministério da Saúde. Foram ao todo mais de 145 mil mortes de  pessoas com até 19 anos. Quase metade dos óbitos em 2016 (45%) aconteceram no Nordeste, sendo 14% de todos os casos na Bahia. O número total cresceu com o tempo: só em 2016 foram 9.517, o dobro das mortes registradas em 1997 (4.846 casos).

Mas houve um ponto de mutação: após 2003, quando entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento, houve desaceleração tanto no total de mortes como no de internações devido a ferimentos por armas de fogo. 

Essas internações custaram ao todo R$ 210 milhões ao SUS.  A maior parte (67%) foi por tentativa de homicídio, mas um percentual bem alto (26%) foi por acidentes. Já em relação às mortes, a imensa maioria das foi  por homicídio (94%), embora tenha havido "intenções indeterminadas (4%), suicídios (2%) e acidentes (1%).

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Eduardo Galeano - Por qué desaparecimos a los desaparecidos [leitura obrigatória a todos, os contra e os a favor das ditaduras]


En el día de hoy del año 1976, nació la dictadura militar que desapareció a miles de argentinos.

  Veinte años después, el general Jorge Rafael Videla explicó al periodista Guido Braslavsky:

  —No, no se podía fusilar. Pongamos un número, pongamos cinco mil. La sociedad argentina no se hubiera bancado los fusilamientos: ayer dos en Buenos Aires, hoy seis en Córdoba, mañana cuatro en Rosario, y así hasta cinco mil… No, no se podía. ¿Y dar a conocer dónde están los restos? Pero, ¿qué es lo que podemos señalar? ¿En el mar, en el río de la Plata, en el Riachuelo? Se pensó, en su momento, dar a conocer las listas. Pero luego se planteó: si se dan por muertos, enseguida vienen las preguntas, que no se pueden responder: quién mató, cuándo, dónde, cómo…

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A Sociedade Paranaense de Pediatria tem lado?

A Sociedade paranaense de Pediatria - SPP divulgou uma "Nota de Repúdio" sobre um video veiculado na internet, em que crianças aparecem repetindo frases ditas (eu disse DITAS e não "atribuídas") pelo capitão Bolsonaro.

Reproduzo a nota abaixo:


Confesso que eu não gostei do vídeo, achei desnecessário e inoportuno. 

Por outro lado... fica esquisito que crianças repetindo frases de um candidato a Presidente da República (repito: frases ditas por um candidato a Presidente da República) possa ser considerado como "exposição indevida que possa lhes causar afronta à segurança à moral e à dignidade".

Concordo plenamente com a assertiva de que "utilizar-se de crianças para fins político-partidários é atitude que deve ser coibida por toda a sociedade".

Aguardo ansiosamente a posição de repúdio da SPP quanto às atitudes do referido capitão-candidato defendendo a tortura, enaltecendo a ditadura militar, promovendo a violência e a discriminação contra minorias, induzindo crianças a fazer sinal de "arminha" com as mãos durante um comício, defendendo a redução da maioridade penal e - gravíssimo -  dizendo que o Estatuto da Criança e do Adolescente "tem que ser rasgado e jogado na latrina".


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Ricardo Kotscho: Fascismo em marcha: Capitão chama Haddad de canalha e estão matando até cachorro a bala

por Ricardo Kotscho em seu BLOG


É perder tempo chamar os apoiadores de Bolsonaro de fascistas porque a maioria nem sabe do que se trata.

Eles criaram o bolsonarismo, que é muito pior, uma invenção nativa que junta ignorância com má fé, não tem propriamente uma ideologia, mas apenas ódio e interesses diversificados para se dar bem.

Vêm aí Janaína, Kim, Frota, Major Olímpio, a fina flor da “renovação na política”.

Com esse tipo de gente não adianta querer argumentar e propor um “acordo ético”, como fez Haddad na segunda-feira, para evitar a disseminação criminosa das fake news.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Como podem médicos votar em pessoas que exaltam torturadores e incentivam o extermínio de etnias, dentre outras formas de violência

Texto de autoria da Profa Magda Almeida, da UFC (Ceará). Ela defendeu Doutorado em Competências para o Profissionalismo no curso de Medicina. (compartilhado a partir do FB do Vinicius Borges)

As pessoas me perguntam como podem médicos votar em pessoas que exaltam torturadores e incentivam o extermínio de etnias, dentre outras formas de violência. Não é difícil entender quando se estuda a história da medicina.

O treinamento da nossa profissão, principalmente nos países de média e baixa renda, ainda é relacionada ao domínios de corpos de pessoas em vulnerabilidade social. No nosso país, principalmente pessoas pretas, pobres e periféricas são submetidas à exploração dos seus corpos para que profissionais da saúde (que talvez nunca mais coloquem suas competências profissionais a serviços delas e seus descendentes) aprendam o seu ofício.

Sobre Bolsonaro. Para quem acha que estou exagerando.

Prof. Jai Michel Kenkel, da PUC-Rio (no FB da 
Dirce Schneider)


Cada um é formado pela sua história pessoal. Eu sou alemão, crescido nos Estados Unidos, acadêmico de relações internacionais (política). A guerra e a intolerância política afetaram profundamente a minha família. Isso me norteia politicamente.

Como alemão de minha geração, o ponto fixo inescapável que orienta toda a consciência na minha formação cidadã é o legado do fascismo: o Holocausto e a Segunda Guerra, e a firme missão de nunca deixar isso acontecer de novo, em lugar nenhum. Não existe nenhum princípio político mais sagrado que esse.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Famílias partidas e crianças dopadas

Imigração: A política de ‘tolerância zero’ nas fronteiras dos EUA foi encerrada, mas danos podem ser permanentes


Por Raquel Torres, do Outra Saúde

Crianças obrigadas a tomar fortes remédios psicotrópicos, sem autorização dos pais e sem nenhum tipo de consentimento: tudo indica que a política de tolerância zero contra imigrantes ilegais nos Estados Unidos teve consequências muito mais graves do que ‘apenas’ a separação de famílias e a manutenção de crianças em jaulas.

Informações específicas sobre a administração desses medicamentos vieram do Texas Tribune, que fez uma investigação junto ao Center for Investigative Reporting com base em informações de um processo da corte federal dos EUA. Há relatos desconcertantes. A matéria (leia aqui) diz que, nos abrigos, algumas crianças eram informadas de que os remédios eram apenas vitaminas, e lhes diziam que elas não seriam soltas nem veriam seus pais se não aceitassem as pílulas e injeções.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Texto imperdível: ENTENDA O QUE É O FASCISMO (Qualquer semelhança não é mera coincidência!)

por Lucia Helena Issa* 
(dica do meu amigo Paulo Perna)


Morei em Roma durante seis anos, de onde colaborei como jornalista com dois grandes jornais brasileiros, e durante os meus anos em Roma, tentei entender o ódio que tomou conta dos jovens italianos nas décadas de 30 e 40 e como o ódio foi sendo alimentado por grupos poderosos e invisíveis até então, legitimando agressões contra todos os que pensassem de forma diferente, contra os jovens de esquerda, contra mulheres mais independentes, contra trabalhadores rurais, etc, dando origem ao Fascismo. 

As milícias fascistas eram chamadas de " fascio" , uma espécie de feixe com vários gravetos de madeira que, juntos, podem fazer uma fogueira, segundo uma das metáforas usadas na época. O movimento dos " fascio" passou a ganhar força quando a Milizia Volontaria per La Sicurezza passou a agredir as pessoas em passeatas. Os agressores eram chamados de Camicie Nere, Camisas Negras, em homenagem aos "arditi", que usavam uniformes negros, e agiam em nome do anticomunismo, do antipacifismo e do " nacionalismo".

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O Rio é como Beirute




EM OUTUBRO DE 1964, um policial meteu o pé na porta de uma casa na periferia de Marselha e prendeu o químico Joseph Cesari, o mais famoso refinador de heroína da Europa. Havia mais de uma década que um laboratório não era descoberto na capital do crime organizado francês – as forças de ordem assistiam à escalada da violência passivamente.

A queda de Cesari não acabou com o tráfico, é claro. O mercado americano, principal comprador da heroína francesa, demandava cada vez mais, e os gângsters buscaram saída nos braços seguros dos compadres italianos: a máfia Cosa Nostra importou os refinadores do lado de lá dos Alpes e fez da Sicília o maior laboratório do mundo. A heroína gerou riqueza e violência nunca vistas. Em poucos anos, Palermo tinha pelas ruas tantos cadáveres quanto o Líbano em guerra. Uma manchete de jornal virou o símbolo daquele tempo: “Palermo é como Beirute”.

A história passada há meio século ilustra muito do que acontece hoje no Rio de Janeiro. A guerra às drogas já se mostrava, em 1964, um equívoco. Hoje, é uma insanidade. E mesmo que o desejo seja o de continuar com a repressão, a história também mostra que não existe “escalada do crime” que seja tão rápida que não possa ser investigada e controlada. Se Marselha, Palermo e Rio se parecem, é por dois motivos: dose intensa de capitalismo criminal globalizado – são cidades portuárias onde a demanda ganha escala – e convivência harmoniosa com os salões do poder político e da polícia corrupta.

Marselha ficou 10 anos sem estourar um laboratório de heroína. A violência no Rio vem aumentando desde a falência das UPPs, há anos. Não começou no carnaval. Um mês atrás, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse sobre a segurança no Rio: “Não há descontrole nem desordem”. Anteontem, o mesmo Jungmann mudou de ideia: “Inadmissíveis e lamentáveis” as cenas de violência no carnaval. Ontem: intervenção militar.

Concluo, então, que a escalada da violência que justifica colocar um general na Secretaria de Segurança começou depois de 12 de janeiro. É a mais rápida de que se tem notícia na história.

Sabem quanto foi o investimento em inteligência policial no Rio em 2014? 40 mil reais (é mil mesmo, não milhões). Em 2015: 21 mil. E 2016, quando já era mais que evidente que o projeto de segurança das UPPs havia sido implodido? Zero.

A guerra às drogas faliu. Mas eles querem continuar a lutá-la só com músculos, sem usar o cérebro. Nenhuma surpresa.

*Editor executivo do The Intercept Brasil e autor de “Cosa Nostra no Brasil, a história do mafioso que derrubou um império”

sábado, 25 de novembro de 2017

O assassinato que deu origem ao Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher



O assassinato das irmãs dominicanas Minerva, Pátria e Maria Teresa Mirabal deu origem ao dia 25 de novembro em que se comemora o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher. Conheça um pouco da vida das Três Borboletas

foto via Monique Prada/FB

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Com medo de violência no parto, mãe leva pistola para a maternidade

Ela foi presa depois da cesárea e separada do bebê


A dona de casa Paula de Oliveira Pereira, 28 anos, mãe de quatro crianças que têm entre 11 anos e 11 meses, tem as piores recordações do parto dos filhos, todos feitos em hospitais públicos da grande São Paulo. “Foram pesadelos”, conta. Mas o nascimento do terceiro bebê, em 2015, ela classifica como “traumatizante” e o “pior de todos”. Ficou 14 horas em trabalho de parto, sem acompanhante, embora tenha direito a um, segundo a lei. Pediu anestesia para aguentar as contrações. Não foi atendida. Desorientada, caiu da maca, de barriga no chão. “Não sei como meu filho não morreu no tombo”, lembra. Lá pelas tantas ouviu que ele não nascia porque ela era “fraca” e “não fazia força suficiente”. “Daí a enfermeira subiu em cima de mim, para empurrar o bebê. Fiquei sem ar, minha barriga ficou toda roxa”, lembra, emocionada.

Ano passado, já grávida do caçula, seu plano era um só: juntar dinheiro para conseguir pagar por uma cesárea em um hospital particular. Os meses passaram, mas Paula não conseguiu economizar o suficiente para a cirurgia. “O parto ia chegando, eu ia ficando cada vez mais angustiada. Não conseguia parar de pensar que ia passar mais uma vez por toda aquela violência”.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Campanha: Homem de Verdade respeita as mulheres



Quarenta por cento das mulheres brasileiras já sofreram de violência doméstica em algum momento de sua vida. 

Em 2014, foram mais de 45 mil estupros cometidos no Brasil. A cada duas horas uma mulher é assassinada no país, a maioria por homens com os quais têm relações afetivas. O que coloca o Brasil na 5ª posição em um ranking de 83 países em assassinato de mulheres.


De acordo com pesquisa nacional de percepção, 66% dos brasileiros presenciaram uma mulher sendo agredida fisicamente ou verbalmente em 2016. 

terça-feira, 30 de maio de 2017

Alexandre Padilha: Peça desculpas e volte atrás, Doria!

Em sua coluna, ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha repudia ação na Cracolândia comandada por Doria: “Além das políticas desastrosas, há sinais de que o motivo do atual prefeito a esse massacre é viabilizar uma antiga proposta imobiliária para a região”
Toda vez que um bombardeio de guerra atinge um hospital com enfermos ou uma creche com crianças deixando feridos e mortos, nem mesmo generais conseguem justificar o ocorrido e são obrigados a se desculpar. Até em guerras o mundo estabeleceu códigos para questionar crimes como esses. A ação desastrosa na região da Cracolândia comandada pelo prefeito João Doria e o governador Geraldo Alckmin usando como argumento “guerra ao tráfico” é igualmente criminosa e devemos exigir desculpas.
Desculpas por terem permitido que policiais apontassem armas e atirassem bombas a centenas de pessoas que perderam seus documentos, receitas médicas, medicamentos, componentes decisivos para quem faz uso abusivo de drogas na reconstrução do seu projeto de vida. Desculpas por ter gerado uma desorganização total, não no tráfico que já se reorganizou a poucos metros dali, mas nos fluxos dos pacientes aos serviços, interrompendo tratamentos diretamente supervisionados de doenças como tuberculose, diabetes, curativos em feridas crônicas, e outros.
Desculpas às gestantes de alto risco acompanhadas, muitas delas que recebiam visitas diárias dos agentes de saúde e que perderam suas consultas ou como no caso do pai de uma gestante que alugou um imóvel no território para ficar próximo da filha e que não tinha a menor informação de onde ela estaria.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Coletivos da área da Saúde se mobilizam contra “projeto higienista” para Cracolândia


PELO CUIDADO EM LIBERDADE E CONTRA POLÍTICAS HIGIENISTAS.


O município de São Paulo é permanentemente marcado pela violência institucional dos detentores de poder político e econômico contra o povo. Enquanto mantemos a expectativa de que autoridades governamentais acolham e assistam a todas e a todos, respeitando a diversidade, a complexidade e o conjunto de necessidades que apresentem, bem como as múltiplas formas de manifestá-las em nossa sociedade, seria omissivo e irresponsável não reconhecer o papel perverso que os poderes Estadual e Municipal protagonizam agredindo vidas humanas e territórios, acumulando persistente repertório de violências contra o direito e a dignidade humanos e o cuidado em saúde.

Na qualidade de organizações e movimentos historicamente articulados em defesa da saúde como direito garantido a todos, oferecida por meio de um Sistema universal, integral, equitativo, público e gratuito, repudiamos a ação desferida contra as usuárias e os usuários do território paulistano conhecido por “Cracolândia” nas primeiras horas da manhã do domingo, 21 de maio de 2017, assim como repudiamos o projeto político, técnico e assistencial anunciado em conjunto por aqueles poderes, representando um enorme retrocesso no cuidado pela saúde mental de nossa população e no acolhimento daquelas e daqueles que convivem com o uso de substâncias psicoativas.