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domingo, 12 de setembro de 2021

Mostre para aquele seu conhecido que é (foi?) Bolsominion e que está sentindo uns apertos no peito e dores na consciência (será?).

 

Bolsonaro late e os generais fazem negócios

O Partido Militar se articula para ficar no poder.

por Rafael Moro Martins no The Intercept Brasil (via e-mail)


A caravana passou, com os cães latindo ao volante de caminhões, caminhonetes e (muitos) carros caros e (alguns) nem tanto, além de incontáveis motociclistas – tipos mal-encarados ao estilo Selvagens de Alphaville ou Demônios do Condomínio de Luxo – e muita gente a pé e em ônibus. Foi grande, não vou mentir: assisti da calçada, em Brasília, a um desfile que parecia interminável de gente disposta a derrubar a democracia em nome de um governo genocida e corrupto.

Mas, para imaginar o que virá a seguir, convém deixar a parada de bolsonaristas e as missivas de lado e olhar para as figuras que levaram Bolsonaro ao Planalto, e que vêm chamando muito menos atenção do que deveriam: o tal do Partido Militar. Os generais da reserva que escoltaram o indisciplinado ex-capitão à Presidência e que se movimentam para se manterem no poder – e com poder – enquanto Bolsonaro se dedica a aterrorizar o país com a ameaça de um autogolpe.

O que vai a seguir são informações recolhidas pelo boletim mensal com foco nas Forças Armadas brasileiras do Instituto Tricontinental que monitora a participação militar na política. O levantamento parte de informações públicas e é coordenado pela cientista social Ana Penido, também pesquisadora do Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional da Universidade Estadual Paulista, a Unesp.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

A mediocridade endêmica no desgoverno Bolsonaro fornece munição para a CPI

Cena 1:

Alguns meses atrás, meu filho e eu assistindo TV e aparece uma coletiva do Elcio Franco, o milico que então ocupava o cargo de secretário executivo do Ministério da Saúde. 

Falei com meu filho: "Tira o som e olha a postura corporal do cara sem escutar o lero-lero que ele está falando". 

Dito e feito. Ficava claro que o sujeito (que era o número dois do ridículo Pazuello) não tinha idéia sobre o que estava falando. Não olhava para as câmeras, a postura era de um cara acuado que estava ali participando de uma encenação burlesca, tentando justificar o injustificável. 

Patético. 

Cena 2:

O governo monta uma força-tarefa tentando se preparar para enfrentar a CPI da Pandemia. 

Os "jênios" da equipe governamental montam uma planilha de Excel listando todos os pecados que o desgoverno Bolsonaro cometeu no enfrentamento da pandemia. Inacreditavelmente são listados 23 itens, desde o genocídio dos povos indígenas até a "militarização" do ministério da saúde. Chegam a envolver na meleca o ministro Paulo Guedes, que até então estava sendo blindado. 

Sim! É isso mesmo! O próprio desgoverno lista a militarização do ministério da saúde (Elcio Franco e Pazuello incluídos) como sendo um PECADO.

Acontece que na lista elaborada pela equipe de "jênios" constam mais irregularidades do que as elencadas pela própria CPI.

A CPI havia listado apenas 18 "pecados"... 

Mas não acaba aqui a trapalhada. A tal da lista que, imagina-se, deveria ser um documento reservado, foi encaminhada aos ministérios responsáveis por apresentar explicações/defesas por e-mail. Isso mesmo: Documento reservado encaminhado POR E-MAIL!

Resultado previsível até pela minha bisavó Dona Loloca: A lista vazou.

Randolfe Rodrigues, o vice-presidente da CPI adorou a história e já incorporou a lista vitaminada aos documentos da Comissão.

Daí vocês me perguntam: O que é que a Cena 1 tem a ver com a Cena 2?

Respondo:

O coordenador da força-tarefa, o "jênio" responsável pela lista que está servindo como munição para a oposição, o cara que deu o tiro no pé do próprio desgoverno atende pelo nome de... Elcio Franco.

A mediocridade é endêmica no desgoverno Bolsonaro.


sábado, 10 de abril de 2021

Diagnosticando o “médico bolsonarista”

A medicina vem depois disso, para ser usada como argumento de autoridade e facilitar a inoculação desta subespécie de bolsonarismo que surgiu na pandemia, o bolsonarismo clínico. 


por Wilson Gomes na Revista Cult

Dos tipos políticos mais extravagantes encontrados no fundo desse abismo em que nos encontramos, o “médico bolsonarista” é um dos mais intrigantes. O enigma começa com as duas palavras que o designam: ele é médico por substantivo, quer dizer que exerce um ofício considerado nobre em qualquer sociedade, que consiste em curar e salvar vidas; mas é também bolsonarista, por adjetivo, portanto filiado a uma atitude política que, como sobejamente demonstrado a este ponto da nossa odisseia pandêmica, coloca a identidade tribal e o fanatismo em um lugar infinitamente superior ao apreço por vidas humanas e à missão de cuidar e curar. A tensão entre o substantivo e o adjetivo parece indicar um paradoxo. Na verdade, trata-se de um oximoro, como em “claro enigma”, “som do silêncio” ou “instante eterno”. Também neste caso, o adjetivo devora, anula ou contradiz o substantivo. O “médico bolsonarista” é, portanto, uma contradição ambulante, que só a singularidade da fauna dos abismos poderia comportar.

Não se enganem supondo a superioridade do substantivo sobre o adjetivo. O “médico bolsonarista” não é um médico que também é bolsonarista, mas um bolsonarista que ganha a vida exercendo a medicina. O bolsonarismo é que o define, posto que a ele se subordina tudo o mais o que a pessoa é, como pai, amigo, vizinho e, naturalmente, profissional da área de saúde. Não terá escrúpulos de usar, por exemplo, o prestígio, a distinção e a autoridade que a sociedade lhe concede por ser médico para fazer propaganda para a sua facção política mesmo em matérias e posições que violem francamente o seu juramento e ponham em risco a saúde dos seus pacientes, pois ele é primeiro um missionário de uma crença e o soldado de uma causa. A medicina vem depois disso, para ser usada como argumento de autoridade e facilitar a inoculação desta subespécie de bolsonarismo que surgiu na pandemia, o bolsonarismo clínico. 

quinta-feira, 18 de março de 2021

Bolsonaro e Napoleão têm uma coisa em comum

Bonaparte visitando as vítimas da peste de Jafa (1799) é o título da obra de Antoine-Jean Gros, datada de 1804, e encomendada por Napoleão Bonaparte para representar um episódio da campanha do Egito. O quadro representa Napoleão durante uma cena tocante que ocorreu em Jafa, em 1799, durante a qual o general tentou elevar o moral de suas tropas, aproximando-se e tocando a ferida de um soldado.


Rogério Galindo - no Singular 18 (por e-mail)

Existe uma imagem famosa de Napoleão (aquele) tocando nas pústulas de gente com peste. Foi numa campanha pelo Oriente Médio: os soldados franceses estavam sendo assolados pela doença e o imperador apareceu numa mesquita, onde havia um hospital improvisado. Tocou nos doentes e encorajou seus homens a prosseguirem - a doença, parecia ser o recado, não era páreo para a máquina de guerra da França.

A tela sobre o tema faz parte da tentativa de tornar Napoleão um semideus. Mas por trás de todo tirano existe um lado B, como sabe quem lê um pouco de história. E Napoleão não foge à regra: na verdade, o imperador queria elevar o moral da tropa não só a golpes de coragem pessoal. Ele forçou a barra para que a ciência se dobrasse diante de suas necessidades políticas, e quis que os estudiosos mentissem na cara dura, para afirmar que a peste não era contagiosa.

A nova biografia de Napoleão, escrita por Adam Zamoyski, publicado no Brasil pela Planeta (tradução minha e da Rosiane), conta a história em detalhes. Segue um trecho:

"Ele (Bonaparte) também frequentava as reuniões do Instituto, que vinha mantendo seu trabalho durante todo esse tempo, mas em uma sessão de 4 de julho ele teve problemas quando colocou a culpa do fracasso na Síria na peste e na incapacidade dos médicos de encontrar uma cura. Ele afirmou que ao tratar a peste como uma doença contagiosa, eles haviam prejudicado o moral da tropa, e que em nome do bem geral seria melhor declará-la como não-contagiosa. Desgenettes insistiu que a integridade científica exigia que a verdade fosse dita. Bonaparte denunciou o médico e os que pensavam como ele como um grupo de teóricos enfadonhos, e Desgenettes respondeu acusando-o de ser um líder despótico a quem faltava visão, e pondo nele toda a culpa pela carnificina e pela morte durante a campanha síria."

Descrença na ciência, egoísmo, exposição dos cidadãos a vírus mortais. Todo tirano tem um lado genocida.

Quem quiser saber mais sobre o livro clica aqui.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Um desastre chamado Pazuello e o vexame (previsível) na audiência no Senado

Enrolação de Pazuello no Senado aumenta pressão por CPI


via newsletter do Outra Saúde


SÓ ENROLAÇÃO

Comentamos na última edição que os senadores iam decidir, a partir de uma audiência com o ministro da Saúde Eduardo Pazuello, se abrem ou não uma CPI para investigar a atuação do governo federal durante a pandemia. A reunião aconteceu ontem, estendendo-se por cinco horas. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse depois que ia conversar com os líderes da Casa para avaliar se as respostas foram "suficientes". Segundo a Coluna do Estadão, até governistas ficaram supresos (negativamente) com a performance do ministro. A oposição já tem assinaturas suficientes para o início da comissão parlamentar, e cabe a Pacheco dar o sinal verde. Sabe-se lá o que vai ser decidido, mas definitivamente não dá para dizer que a audiência tenha sido muito informativa.

Sob pressão, o general disparou informações que simplesmente não têm lastro no mundo real. Disse, por exemplo, que toda a população brasileira "vacinável" (isto é, maior de 18 anos) vai ser imunizada ainda este ano, e metade desse total até junho. Pode ser que milagres aconteçam, mas o próprio o Plano Nacional de Imunização estima, sem mencionar datas específicas, que isso só vá acontecer até 12 meses depois que os grupos prioritários estiverem cobertos. E, para o primeiro trimestre, o Brasil só conta com doses suficientes para vacinar 25% desses grupos... Até agora, as vacinas chegaram a 2,7% da população adulta. E só a primeira dose. Com estoques no fim, pelo menos sete capitais devem interromper as campanhas ou limitar ainda mais o público-alvo na próxima semana.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O Triste Fim de Jair Messias Bolsonaro

Por José Eduardo Agualusa*
Publicado originalmente na revista "Visão" de Portugal.

Jair acordou a meio da noite. Mandara colocar uma cama dentro do closet e era ali que dormia. Durante o dia tirava a cama, instalava uma secretária e recebia os filhos, os ministros e os assessores militares mais próximos. Alguns estranhavam. Entravam tensos e desconfiados no armário, esforçando-se para que os seus gestos não traíssem nenhum nervosismo. Interrogado a respeito pela Folha de São Paulo, o deputado Major Olimpio, que chegou a ser muito próximo de Jair, tentou brincar: "Não estou sabendo, mas não vou entrar em armário nenhum. Isso não é hétero."

Michelle, que também se recusava a entrar no armário, fosse de dia ou de noite, optou por dormir num outro quarto do Palácio da Alvorada. Aliás, o edifício já não se chamava mais Palácio da Alvorada. Jair oficializara a mudança de nome: "Alvorada é coisa de comunista!" — Esbravejara: "Certamente foi ideia desse Niemeyer, um esquerdopata sem vergonha."

O edifício passara então a chamar-se Palácio do Crepúsculo. O Presidente tinha certa dificuldade em pronunciar a palavra, umas vezes saía-lhe grupúsculo, outras prepúcio, mas achava-a sólida, máscula, marcial. Ninguém se opôs.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

As digitais de Bolsonaro na tragédia que ultrapassa cem mil mortes

 O SILÊNCIO DOS VIVOS

do Outra Saúde (por e-mail)

No sábado, chegamos às cem mil mortes e três milhões de infecções pelo novo coronavírus conhecidas no Brasil. A tragédia sem dimensões na história do país não mereceu panelaços. A imprensa tem se esforçado para dimensionar seu significado em históriascomparaçõessimulações e gráficos diversos.  Mas alguma coisa parece ter estancado a indignação que era demonstrada numa base diária meses atrás. Concordamos com o advogado Thiago Amparo quando ele diagnostica que o luto coletivo existe, só que está sendo esmagado pela necropolítica. “Bolsonaro está vencendo pelo cansaço”, constata, por sua vez, o jornalista Bernardo Mello Franco. 

No dia do fatídico marco, só atingido até agora pelos Estados Unidos, Jair Bolsonaro celebrou a vitória do Palmeiras e replicou a propaganda da sua Secretaria de Comunicação que distorce informações para comemorar números catastróficos. Como os milhões de “recuperados” – conceito extremamente duvidoso em se tratando de uma síndrome que tem mostrado poder para desabilitar permanentemente suas vítimas, com pulmões lesionados, rins danificados. Ou o número de mortes por milhão de habitantes, métrica que não serve. “Se cai um avião com 210 pessoas ninguém diz que foi uma morte por milhão de habitantes”, explica Ricardo Parolin, em entrevista ao UOL. “Com cerca de 3% da população mundial, concentramos 14% dos óbitos registrados por covid-19”, situam as pesquisadoras Jurema Werneck, Gulnar Azevedo e Zeliete Zambon. 

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Equipe de Pazuello liberou R$ 3 bi por meio de políticos para covid

São R$ 3 bilhões o total liberado pelo Ministério da Saúde para prefeituras e entidades indicadas por meio de deputados e senadores. Essa é a conta do senador Major Olimpio (PSL-SP). A Pasta chefiada pelo general Eduardo Pazuello não deu uma palavra até agora sobre o suposto favor a políticos, para formar uma base de apoio do governo no Congresso, usando o dinheiro da covid-19. Os recursos foram distribuídos na quarta-feira. Naquele dia 15, o ministério de Pazuello soltou R$ 4,9 bilhões para combater a pandemia – tinha até então usado apenas R$ 11 bilhões dos R$ 40 bilhões à disposição para a emergência sanitária.
Quem aceitou participar da operação precisou preencher uma planilha na qual havia 11 campos em branco. No primeiro devia colocar o nome do parlamentar e no segundo, o do partido. Depois, a Unidade da Federação, o órgão que receberia o dinheiro e ação contemplada. Em seguida vinham os campos para o título, o favorecido, o CNPJ, o GND, o valor e os do Siconv, o portal do Sistema de Convênios que processa informações sobre transferências de recursos federais para órgão públicos e privados sem fins lucrativos.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Adeus, Abe


Abraham Weintraub não é um bolsonarista qualquer. Medíocre, ignorante, preconceituoso e indigente intelectual, Weintraub é a própria definição de bolsominion – uma expressão curiosamente divertida que, daqui até a eternidade, servirá, no entanto, para designar todo tipo de cretino ligado a Jair Bolsonaro e tudo aquilo que diz respeito a esse governo de dementes que, por ora, ainda resiste.

“Abe”, como ele se refere a si mesmo, com pronúncia em inglês (“Eibe”), admitiu a um amigo, segundo conta o jornalista Elio Gaspari, que aceitou ser ministro da Educação, principalmente, para se vingar da esquerda, dos esquerdistas que abusavam dele e o humilhavam, na faculdade, na vida – a crônica perfeita de um idiota que culpa os outros pelos próprios fracassos, aliás, também o perfil do típico fascista da classe média brasileira.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Aos ex-amigos, cúmplices da Barbárie (texto imperdível de José Eduardo Gonçalves)

Texto publicado originalmente em seu perfil, no Facebook e, replicado no Mondolivro.

Não sei quando tudo isso começou. Quando foi que pessoas que eu gostava, convivia, conversava afetuosamente e, em alguns casos, até admirava pelo exercício talentoso de seus ofícios, se transformaram em seres irracionais, irresponsáveis e levianos, defensores de ideias autoritárias, mesquinhas, rasas , preconceituosas, medievais e, em muitos casos, até fascistas. Quando foi, afinal, que pessoas que tinham uma conduta social equilibrada e pareciam olhar o mundo pela mesma janela que você – cada um à sua maneira, claro – viraram esta coisa esquisita que já não reconheço como próxima de alguma civilidade? Em Kafka, um sujeito acorda pela manhã transformado em um inseto asqueroso. A família reunida, cada um em seu papel, mas o filho surge como uma anomalia, de um dia para o outro, sem qualquer explicação. Kafka foi muito mais fundo nessa história do que esse filme de quinta categoria ao qual estou me referindo, mas confesso que não vi como a coisa se deu, apenas acordei um dia e vi como o meu mundo anda cheio de insetos repugnantes. De radicais defensores de ideias tão obtusas quanto irresponsáveis. Também não foi assim tão de repente, a coisa vem acontecendo há um bom tempo, é verdade, mas hoje sinto como se esses bichos escrotos tivessem se consolidado à minha frente. Eu os enxergo em toda a sua pequenez.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Interino da Saúde expõe Brasil de mostruário na OMS


Após a fritura de dois ministros da Saúde em menos de 30 dias, o governo do Brasil foi representado pelo general Eduardo Pazuello, ministro interino, numa videoconferência da assembleia anual da Organização Mundial da Saúde. Descobriu-se no discurso feito pelo general nesse encontro que há no meio da tragédia da pandemia um Brasil de mostruário, tipo exportação. Nesse país, o gerenciamento da crise do coronavírus se aproxima da perfeição.

Segundo o general, o Brasil tem decidido suas estratégias de combate ao vírus por meio do "diálogo entre os três entes federativos". Ele também declarou que o país escora os seus protocolos em "evidências e experiências exitosas nacionais e internacionais".

Nas palavras do general Pazuello, o Brasil, país continental, tem "estabelecido estratégias adequadas a cada região, através do diálogo" entre União, Estados e municípios. Os brasileiros adorariam viver nesse país alternativo apresentado pelo ministro interino da Saúde na assembleia anual da OMS. Resta descobrir onde fica esse Brasil de mostruário.

No país real, o presidente se chama Jair Bolsonaro, um personagem que contesta o isolamento social, declara guerra a governadores, prega a reabertura do comércio meio na galega, e pergunta "e daí?" quando confrontado com o número crescente de mortos.

O Brasil de que falou o general Pazuello na videoconferência se aproxima da perfeição. O único problema é que, nesse país paralelo, as autoridades mentem um pouco. Mentem inutilmente, porque o mundo se espanta diariamente com o Brasil real.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Artigo precioso: O Jair que há em nós

Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país.

por Ivann Carlos Lago (recebi de meu amigo Michel Deolindo no Whatsapp)

O Brasil levará décadas para compreender o que aconteceu naquele nebuloso ano de 2018, quando seus eleitores escolheram, para presidir o país, Jair Bolsonaro. Capitão do Exército expulso da corporação por organização de ato terrorista; deputado de sete mandatos conhecido não pelos dois projetos de lei que conseguiu aprovar em 28 anos, mas pelas maquinações do submundo que incluem denúncias de “rachadinha”, contratação de parentes e envolvimento com milícias; ganhador do troféu de campeão nacional da escatologia, da falta de educação e das ofensas de todos os matizes de preconceito que se pode listar.

Embora seu discurso seja de negação da “velha política”, Bolsonaro, na verdade, representa não sua negação, mas o que há de pior nela. Ele é a materialização do lado mais nefasto, mais autoritário e mais inescrupuloso do sistema político brasileiro. Mas – e esse é o ponto que quero discutir hoje – ele está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

O BRASIL NÃO PODE SER DESTRUÍDO POR BOLSONARO

Falando pelo Brasil.
O Brasil e o mundo enfrentam uma emergência sem precedentes na história moderna, a pandemia do coronavírus, de gravíssimas consequências para a vida humana, a saúde pública e a atividade econômica.

Em nosso país a emergência é agravada por um presidente da República irresponsável. Jair Bolsonaro é o maior obstáculo à tomada de decisões urgentes para reduzir a evolução do contágio, salvar vidas e garantir a renda das famílias, o emprego e as empresas. Atenta contra a saúde pública, desconsiderando determinações técnicas e as experiências de outros países. Antes mesmo da chegada do vírus, os serviços públicos e a economia brasileira já estavam dramaticamente debilitados pela agenda neoliberal que vem sendo imposta ao país. Neste momento é preciso mobilizar, sem limites, todos os recursos públicos necessários para salvar vidas.
Bolsonaro não tem condições de seguir governando o Brasil e de enfrentar essa crise, que compromete a saúde e a economia. Comete crimes, frauda informações, mente e incentiva o caos, aproveitando-se do desespero da população mais vulnerável. Precisamos de união e entendimento para enfrentar a pandemia, não de um presidente que contraria as autoridades de Saúde Pública e submete a vida de todos aos seus interesses políticos autoritários. Basta! Bolsonaro é mais que um problema político, tornou-se um problema de saúde pública. Falta a Bolsonaro grandeza. Deveria renunciar, que seria o gesto menos custoso para permitir uma saída democrática ao país. Ele precisa ser urgentemente contido e responder pelos crimes que está cometendo contra nosso povo.
Ao mesmo tempo, ao contrário de seu governo - que anuncia medidas tardias e erráticas - temos compromisso com o Brasil. Por isso chamamos a unidade das forças políticas populares e democráticas em torno de um Plano de Emergência Nacional para implantar as seguintes ações:
-Manter e qualificar as medidas de redução do contato social enquanto forem necessárias, de acordo com critérios científicos;
-Criação de leitos de UTI provisórios e importação massiva de testes e equipamentos de proteção para profissionais e para a população;
-Implementação urgente da Renda Básica permanente para desempregados e trabalhadores informais, de acordo com o PL aprovado pela Câmara dos Deputados, e com olhar especial aos povos indígenas, quilombolas e aos sem-teto, que estão em maior vulnerabilidade;
-Suspensão da cobrança das tarifas de serviços básicos para os mais pobres enquanto dure a crise,
-Proibição de demissões, com auxílio do Estado no pagamento do salário aos setores mais afetados e socorro em forma de financiamento subsidiado, aos médios, pequenos e micro empresários;
-Regulamentação imediata de tributos sobre grandes fortunas, lucros e dividendos; empréstimo compulsório a ser pago pelos bancos privados e utilização do Tesouro Nacional para arcar com os gastos de saúde e seguro social, além da previsão de revisão seletiva e criteriosa das renunciais fiscais, quando a economia for normalizada.
Frente a um governo que aposta irresponsavelmente no caos social, econômico e político, é obrigação do Congresso Nacional legislar na emergência, para proteger o povo e o país da pandemia. É dever de governadores e prefeitos zelarem pela saúde pública, atuando de forma coordenada, como muitos têm feito de forma louvável. É também obrigação do Ministério Público e do Judiciário deter prontamente as iniciativas criminosas de um Executivo que transgride as garantias constitucionais à vida humana. É dever de todos atuar com responsabilidade e patriotismo.

ASSINAM (por ordem alfabética):
Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB.
Carlos Lupi, presidente nacional do PDT.
Ciro Gomes, ex-candidato a Presidência pelo PDT.
Edmilson Costa, presidente nacional do PCB.
Fernando Haddad, ex-candidato à Presidência pelo PT.
Flavio Dino, governador do estado do Maranhão.
Guilherme Boulos, ex-candidato a Presidência pelo PSOL.
Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT.
Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL.
Luciana Santos, presidenta nacional do PC do B.
Manuela D'Avila, ex-candidata a Vice-presidência (PC do 😎.
Roberto Requião, ex-governador do Paraná.
Sonia Guajajara, ex-candidata à Vide-presidência (PSOL)
Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul

sábado, 28 de dezembro de 2019

Ricardo Kotscho: "Destruir a Educação, a Cultura e o Meio Ambiente, este é o Plano Bolsonaro"


Aos que ainda cobram um programa de governo do capitão presidente, neste final do primeiro ano de mandato, o Plano Bolsonaro está a cada dia mais claro: é destruir a Educação, a Cultura e o Meio Ambiente para poder reinar absoluto. Simples assim.

Não por acaso, esses são os três setores da sociedade brasileira historicamente com maior capacidade de mobilização contra os governos tiranos.

Estudantes, professores, artistas e ambientalistas sempre estiveram na linha de frente na defesa da democracia e da liberdade em nosso país.

É até difícil acreditar que Fernanda Montenegro e Abraham Weintraub, Chico Buarque e Ricardo Salles, Paulo Freire e doutora Damares tenham nascido e vivam no mesmo país.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Leandro Fortes: "Quem, como eu, passou os últimos 30 anos como jornalista militante, em Brasília, sempre soube que Jair Bolsonaro era um desqualificado absoluto"

por Leandro Fortes no FB

A BESTA ESTÁ BABANDO

Quem, como eu, passou os últimos 30 anos como jornalista militante, em Brasília, sempre soube que Jair Bolsonaro era um desqualificado absoluto. Um sujeito simplório, ignorante, mas esperto o suficiente para ter vislumbrado na comunidade de baixas patentes das Forças Armadas um nicho eleitoral eficiente.
Nessa alcova, elegeu-se repetidamente deputado federal, ora pregando o fechamento do Congresso Nacional, ora dando abrigo a mulheres de praças e oficiais que iam bater panela na Esplanada dos Ministérios em nome das reivindicações salariais dos maridos.
Sua presença era risível, no pior sentido, dentro do Parlamento, onde transitava sem amigos ou aliados, um espectro que provocava somente desprezo e asco, nas poucas vezes que abria a boca para tratar sobre qualquer coisa.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Inacreditável! Ex-ministro do TSE que decidiu a votação contra a candidatura do Lula é agora advogado de Bolsonaro e um dos fundadores do partido da bala

via Alexandre Padilha @padilhando

Você sabe quem é Admar Gonzaga? Foi aquele ministro do Tribunal Superior Eleitoral que decidiu a votação contra a candidatura do Lula.

Depois, foi acusado de ter agredido a ex-mulher e desistiu de se recandidatar ao Tribunal.

Após decidir favoravelmente à candidatura de Bolsonaro, como juiz, Admar Gonzaga se tornou... advogado de Bolsonaro!!! 


EM REPRESENTAÇÃO, ADMAR GONGAZA CITA DECISÃO DE... ADMAR GONZAGA

Advogado de Bolsonaro mencionou decisão proferida por ele mesmo quando era ministro do TSE

sexta-feira, 24 de maio de 2019

terça-feira, 14 de maio de 2019

Sensacional! Parecer de Rubem Alves sobre a contratação (ou não) do Paulo Freire, pela Unicamp, em 1985


Em tempos de tanta indignidade, deslealdade, trairagem de toda ordem, canalhice e cretinismo em ascensão, alpinismo acadêmico, oportunismo deslavado, apropriação de produções alheias etc e tal, eis que me deparo com este Parecer do Rubem Alves (que dignidade!) sobre a contratação (ou não) do Paulo Freire, pela Unicamp, em 1985. Que nos inspire a manter longe sanguessugas em geral... 

Grato ao amigo José Luiz Riani Costa por compartilhar!




terça-feira, 7 de maio de 2019

Não verás país nenhum (sobre a questão do Censo)

por Antônio C. Alkmim(*) em sua página no Facebook

Vivemos os dias dos mais tristes para o IBGE em seus quase 83 anos de existência.

Nem a ditadura militar ousou tanto.

Demissão do Diretor de Pesquisa. Quebra da autonomia técnica. Intervenção externa. Corte drástico do orçamento do Censo. Redução de um questionário fundamental para o diagnóstico social e demográfico do país e planejado há dois anos pelo corpo técnico. Proposta de redução inexplicável da amostra. Indicação de um Diretor de Pesquisa de fora da Instituição, combinada com a emergência de um personagem, que viveu no lusco-fusco técnico e de poder há mais de 30 anos no Instituto e que se presta a assumir a Diretoria de Informática, ao mesmo tempo em que passa a deter o controle operacional da pesquisa.

Resumindo, violação incondicional do que dita a missão do Instituto:
"Retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento de sua realidade e ao exercício da cidadania.".

Coisa para o Ministério Público e para o TCU.