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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

domingo, 25 de março de 2018

5 fatos sobre a vacina contra a febre amarela


Desde a última terça-feira (20), todo o território brasileiro passou a ser considerado área de recomendação para vacina contra a febre amarela. A determinação é do Ministério da Saúde, que prepara uma ofensiva contra boatos sobre a vacina que protege da doença.

Diante disso, Aos Fatos foi às bases científicas mais confiáveis para tirar as seguintes dúvidas: a vacina de dose fracionada funciona? A vacina é pior do que a doença? Quantas vezes precisa tomá-la? Veja abaixo cinco fatos que auxiliarão a responder a essas perguntas.


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A DOSE FRACIONADA PROTEGE


A dose fracionada da vacina de febre amarela é um quinto da dose regular da vacina, mas isso não diminui a eficiência da imunização da vacina. Apesar da quantidade menor, a dose fracionada ainda induz o organismo a produzir anticorpos em níveis necessários à proteção contra a doença.

O impacto possível do fracionamento da dose seria na duração da imunização. Estudo realizado pelos institutos Bio-Manguinhos em conjunto com a Fiocruzapontou a presença de anticorpos contra febre amarela em pessoas vacinadas com a dose fracionada após oito anos da data de vacinação na mesma proporção que vacinados com a dose integral. Ainda não existem dados sobre uma duração maior porque as pesquisas sobre esse tipo de vacina começaram em 2009. Segundo o Ministério da Saúde, estudos estão em andamento para avaliar a imunização após esse período.

O método de produção de vacinas com doses fracionadas foi criado para permitir a produção rápida de vacinas para imunizar a população durante epidemias de doenças.

Em 2016, as vacinas com dose fracionada foram usadas para conter a epidemia de febre amarela em Angola e na República do Congo. A OMS (Organização Mundial da Saúde) acompanhou e revisou os dados sobre esses dois países e não constatou redução na resposta imune, nem aumento de efeitos adversos.

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NÃO É PRECISO TOMAR A VACINA A CADA 10 ANOS

A OMS mudou a orientação sobre a necessidade de tomar uma segunda dose da vacina da febre amarela após dez anos da primeira imunização, passando a ser suficiente uma dose na vida. A alteração foi feita em 2013, mas apenas em julho de 2016 a organização eliminou a exigência da segunda dose para viajantesinternacionais. O Ministério da Saúde aderiu às mudanças da OMS e passou a adotar a indicação de dose única.

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A FEBRE AMARELA MATA MUITO MAIS DO QUE A VACINA

A letalidade da febre amarela no Brasil tem sido em torno de 30%, ou seja, se 250 mil pessoas fossem diagnosticadas com a doenças, 75 mil morreriam.




No caso da vacina, o risco de letalidade é muito inferior. A vacina de febre amarela gera efeitos adversos graves em 1 a cada 250 mil pessoas vacinadas, segundo dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos), sendo que a maior parte das pessoas que sofrem esses efeitos graves morrem.

A vacina da febre amarela tem sido usada a mais de 70 anos e é considerado o meio mais eficaz para conter o avanço da doença tanto pelo Ministério da Saúde quanto pela OMS. De acordo com a OMS, durante processos de vacinação em massa para conter surtos ou epidemias, há uma concentração temporária de efeitos adversos criando a percepção equivocada de alta letalidade da vacina.

De janeiro a 13 de março, foram vacinadas 17,8 milhões de pessoas, segundo dados preliminares enviados pelas Secretarias de Saúde dos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo ao Ministério da Saúde. Até 2019, o governo brasileiro pretende imunizar mais 77,5 milhões de pessoas.


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GRÁVIDAS E IDOSOS DEPENDEM DE AVALIAÇÃO MÉDICA PARA VACINAR

O Ministério da Saúde recomenda que gestantes e idosos devem ter a margem de benefício e risco da vacinação avaliada individualmente pelos médico. A maior possibilidade de exposição à doença, por exemplo, por residir em área com surto de febre amarela pode aumentar a indicação à vacina, enquanto baixa imunidade pode diminuir a vantagem de se vacinar.

No caso de gestantes, o Ministério da Saúde e a OMC recomendam a vacinação com a dose padrão por causa da ausência de pesquisas sobre o efeito da dose fracionada nesse grupo específico.

A vacina contra a febre amarela é contraindicada em crianças menores de 9 meses, mulheres amamentando crianças menores de 6 meses de idade e pessoas com HIV com baixa contagem de células CD4. Outras contraindicações para a vacinação contra febre amarela são hipersensibilidade severa a componentes do ovo, imunodeficiência congênita ou adquirida grave e pessoas em tratamento com quimioterapia ou radioterapia.

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TODOS OS ESTADOS TÊM RECOMENDAÇÃO DE VACINAÇÃO

Todo o território brasileiro passou a ser considerado área de recomendação para vacina contra a febre amarela desde a última terça-feira (20). Segundo o Ministério da Saúde, “a medida é preventiva e tem como objetivo antecipar a proteção contra a doença para toda população em caso de um aumento na área de circulação do vírus.”


Antes da ampliação, todos os estados da região norte e centro-oeste tinha recomendação de vacinação contra a febre amarela. No nordeste, o Maranhão tinha recomendação de vacinação em todo território, a Bahia e a Piauí, apenas em alguns municípios, enquanto os outros estados da região não estavam nas áreas sem recomendação. No Sul e Sudeste, Minas Gerais e Espírito Santo tinha recomendação de vacinação em todo território enquanto no resto dos estados, a recomendação era apenas parcial.

A vacinação tem sido a forma mais eficiente no combate da febre amarela. A baixa cobertura de vacinação, principalmente nas populações de áreas rurais com condições propícias à circulação viral em ciclo silvestre, tiveram papel central nos últimos surtos de febre amarela, segundo o Ministério da Saúde. Até abril de 2019, o governo espera vacinar 77,5 milhões de pessoas em 1.586 municípios que passaram a fazer parte das áreas de recomendação de vacinação contra a febre amarela. O objetivo é que 95% da população esteja imunizada à doença.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

As 3 teses que tentam explicar como a febre amarela rompeu fronteiras da Amazônia e atingiu o Sudeste

por Nathalia Passarinho da BBC Brasil em Londres


Mosquito silvestre
Image captionEspecialistas têm diferentes teses sobre migração do vírus da febre amarela | Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz
Como a febre amarela rompeu os limites da Floresta Amazônica e alcançou o Sudeste, atingindo parques e matas próximos de grandes centros urbanos de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo?
Cientistas se debruçam sobre três teses que tentam explicar o fenômeno. A partir do ano passado, o número de casos da doença alcançou níveis sem precedentes nos últimos 50 anos, provocando correrias a postos de saúde - inclusive de pessoas que não se encontram em áreas de risco.
Segundo o Ministério da Saúde, desde o início de 2017 foram confirmados 779 casos, 262 deles resultando em mortes - o maior surto de febre amarela silvestre (ou seja, transmitida em área de floresta) da história. Outros 435 registros ainda estão sob investigação.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Pediatras explicam dúvidas mais frequentes sobre a febre amarela

Entidades recomendam a vacinação das crianças a partir dos nove meses nas áreas de contágio. Até os dois anos, deverá ser administrada a dose padrão da vacina


A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) divulgaram nessa quarta-feira (31) uma lista com perguntas e respostas mais frequentes sobre a febre amarela, que busca orientar pais, cuidadores e médicos sobre os devidos cuidados na vacinação das crianças. 

A vacinação é a maneira mais efetiva de se proteger contra a febre amarela. A vacina deverá ser administrada aos bebês e crianças a partir dos 9 meses de idade e, assim como para os adultos, ela é indicada apenas para aqueles que vivem ou pretendem se deslocar para áreas onde há a ocorrência da transmissão ativa da doença. Contudo, alguns cuidados específicos devem ser tomados em relação às crianças. 

Entre seis e nove meses, a aplicação só é recomendada em casos especiais, a serem avaliados pelo pediatra.

Vivemos tempos estranhos...

Carlos Minc no twitter
@minc_rj

O traficante 2N do bairro do Salgueiro, São Gonçalo, sequestrou 2 funcionárias do posto de saúde, com caixas de vacinas e seringas. Colocou sua quadrilha em fila e foram todos vacinados contra a Febre Amarela. É um facínora, mas deu um banho de organização no serviço público!!

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Entidades integrantes do Fórum da Reforma Sanitária Brasileira divulgam: Carta aberta sobre a Febre Amarela no Brasil

Dirigida às autoridades sanitárias do Ministério da Saúde, das Secretarias Estaduais e Municipais de saúde e à sociedade brasileira
 

O aumento do número de casos e de mortes por Febre Amarela registrado nas últimas semanas em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Distrito Federal está preocupando e causando insegurança na sociedade devido à gravidade desta doença e do risco de sua urbanização.

Sabe-se que uma extensa epizootia, epidemia em macacos suscetíveis a doença, vem acontecendo, simultaneamente, em vários estados brasileiros, em áreas próximas a cidades densamente populosas. Os atuais surtos de Febre Amarela têm sido atribuídos a pessoas picadas por mosquitos que vivem em áreas de mata, a Febre Amarela silvestre.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Febre amarela e uma história do SUS que não vai passar no Jornal Nacional



Hoje, fui supervisionar médicos do Programa Mais Médicos em Franco da Rocha, zona de risco para febre amarela e, até agora, com um caso notificado. 

Na UBS Mato Dentro (nome auto-explicativo), região paupérrima, a Dra. Maritza Pupo (médica cubana, competente e queridíssima por todos) conta que o rapaz afetado (16 anos) é paciente dela. Sua irmã de 8 anos veio lhe procurar e disse que seu irmão estava muito doente. 

Fez a visita domiciliar, constatou a gravidade e rapidamente foi transferido de ambulância ao hospital. Lá, seu quadro piorou: hepatite fulminante. Foi contatada a Central de Transplantes que, em pouco tempo, providenciou o órgão. O transplante foi realizado e o rapaz acordou do coma há dois dias. Maritza falou há pouco com ele, lúcido e animado. Tudo indica que vai escapar. 

Aproveitei e me vacinei na UBS, dose plena. Na próxima visita, estarei coberto.

Ao escrever esse episódio, me emociono. O SUS é meu, é seu, é nosso. Gostaria que todos se convencessem disso. 

(Do Facebook do médico José Marcos Thalenberg)

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Febre Amarela e Ministro candidato: país acéfalo?

A autoridade sanitária no Brasil é o Ministério da Saúde, não a OMS!
inclusão pela OMS de todo Estado de São Paulo como área de risco para a Febre Amarela é, do ponto de vista da Saúde Pública, a mais grave derrota nacional de que se tenha notícia. O Brasil é um desses países onde as condições de saúde, de saída precaríssimas, evoluíram para melhor ao longo de todo o século XX, quando passou a ser tratada como de interesse governamental, influenciada pela bacteriologia de Pasteur trazida até nós por Oswaldo Cruz em fins do século XIX fato que ganhou maior relevo com a Reforma Sanitária e com o SUS. Diga-se porém, que comparativamente, durante os distantes anos 60 e 70 quando governou a ditadura, a fronteira de doenças como a Malária e a Febre Amarela recuou continuamente. Então esse fato notório não tem paralelo na história do Brasil desde a bacteriologia de Pasteur.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Temer deveria ralar numa fila de vacina


Para mostrar aos brasileiros que estava bem de saúde, Michel Temer caminhou do Jaburu ao Alvorada, teatralmente escoltado pelos ministros Henrique Meirelles, Moreira Franco e Torquato Jardim. Bem que ele poderia mostrar aos brasileiros que está preocupado com a saúde de quem lhe paga os salários indo com a mesma turma para uma fila de vacina contra a febre amarela.

Poderia convidar os governadores Pezão e Alckmin, que gosta tanto de tomar café em padarias. Há filas onde se espera por 12 horas por uma senha para o dia seguinte. Pela cotação dos ambulantes de Mairiporã, o cafezinho de Alckmin sairia por R$ 2.

Na semana passada o ministro da Saúde, deputado Ricardo Barros, do PP e ex-prefeito de Maringá, estava em Cuba. No seu lugar estava, interinamente, Antonio Nardi, também do PP e ex-secretário de Saúde de Maringá. Segundo o doutor, a Organização Mundial da Saúde teve "excesso de zelo" ao incluir São Paulo no mapa da área de risco da febre amarela. Nela já estão o Espírito Santo, o norte do Estado do Rio e o sul da Bahia.

O último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde de São Paulo informa que de 40 casos de febre amarela ocorridos no Estado, 31 aconteceram fora das áreas de risco. Pela lógica de Brasília, se o doutor Nardi morasse em Mairiporã, não precisaria tomar vacina. Lá aconteceram 14 casos de contágio, e seis pessoas morreram. Não terem conseguido incluir a cidade no mapa foi excesso de sabe-se lá o quê.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Sintoma de 'atraso tropical' no século 20, febre amarela volta por desatenção com lições da História

por Júlia Carneiro
Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

Campanha sanitária no início do século 20 foi comandada por Oswaldo Cruz, que recebeu prêmio em Berlim pela sua atuação | Acervo Casa de Oswaldo Cruz

A febre amarela que, que voltou a ameaçar áreas urbanas no Brasil, foi um dos principais desafios de saúde pública do Brasil da virada do século 19 para o 20. Eliminar a doença das cidades era condição essencial para abrir os portos ao comércio marítimo e a imigrantes estrangeiros e propagar a imagem de um país "moderno".

As lições deixadas por décadas de esforços para erradicar a doença e seu vetor, entretanto, foram ignoradas por governos recentes, dizem historiadores ouvidos pela BBC Brasil.

Ao longo do século 20, o combate à febre amarela impulsionou a pesquisa científica e o desenvolvimento de vacinas no Brasil e incluiu capítulos vitoriosos como a gradual eliminação da doença de áreas urbanas e a erradicação temporária do Aedes aegypti.

A última epidemia urbana no país foi registrada em 1942, no Acre. Na mesma década, uma grande campanha regional capitaneada pela Organização Pan-Americana de Saúde começou a mobilizar governos na América Latina para se unir na luta contra o vetor - e declarou, em 1958, ter conseguido livrar onze países do Aedes aegypti, inclusive o Brasil. Em 1967, o mosquito reapareceu no Pará e reconquistou, gradualmente, o território nacional.