Apesar de ter 4 vezes mais desalojados, região conta com menos doações e verba pública só foi liberada ontem
De Rodrigo Brancatelli no Estadão
Amanhã se completam seis meses que Santa Catarina teve parte das terras devastadas pelas chuvas e pelos desmoronamentos de morros inteiros, na segunda maior tragédia natural na história da Região Sul.
Por semanas, o País - incluindo os governantes - acompanhou comovido histórias como a da costureira Nilzete Aparecida Neres, que até hoje dorme em um abrigo público, ou a do estampador André de Oliveira, que perdeu a mulher grávida, dois filhos, a sogra, a cunhada e a prima. Enquanto dezenas de helicópteros levavam doações, senadores faziam reuniões de emergência e toneladas de roupas e comida eram enviadas em solidariedade. E muitos se perguntavam - afinal, se fosse em outra região do Brasil, em outra situação, seria tudo diferente?
Em parte, a questão pode ser respondida agora - e a própria discussão do tema pode ajudar a melhorar as políticas públicas do País. Comparando números da tragédia de novembro do ano passado em Santa Catarina com da que acontece agora em nove Estados do Nordeste, devastados por chuvas desde abril, parece que ocorrem em países diferentes.
Santa Catarina teve 63 cidades afetadas, 137 mortes, 51 mil desalojados e 27 mil desabrigados. No total, a estrutura de suporte para lidar com as enchentes contou com 24 helicópteros e 4 aviões da Força Aérea. Doações da sociedade totalizaram R$ 34 milhões e o governo federal e o Congresso Nacional prometeram a liberação de R$ 360 milhões. Leia mais em: NE recebe menos auxílio do que SC
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