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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Brasil já é segundo mercado mundial de produto de beleza

Lílian Cunha no Valor Econômico
A mania do brasileiro de passar perfume e o gosto por cosméticos e cuidados pessoais fez do Brasil o segundo maior consumidor mundial de produtos de beleza, superando o Japão. Até 2007, o país estava em terceiro lugar, com japoneses e americanos em segundo e primeiro lugar, respectivamente. Mas em 2008 o faturamento do setor aumentou para R$ 24,54 bilhões, levando o mercado nacional a subir uma colocação no ranking, segundo João Carlos Basilio da Silva, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). “Crescemos 10,4% em vendas, enquanto o mercado japonês e o americano devem apresentar uma retração”, afirma.Nas grandes indústrias do setor, o crescimento superou o percentual geral registrado pela associação. As vendas de O Boticário, por exemplo, devem fechar com um aumento de 16% a 18% sobre o ano anterior. E as perspectivas para o ano que vem continuam otimistas. “Em 2009, a empresa tem condições de crescer mais que o mercado, como em anos anteriores”, diz o presidente Artur Grynbaum, que assumiu a companhia em fevereiro. Desde que foi fundada, há 31 anos, a empresa era tocada por Miguel Krigsner, que foi para o conselho de administração e repassou a função para o cunhado Grynbaum.
Para 2009, ele planeja a abertura de ao menos mais 100 lojas - atualmente são 2,6 mil, com investimentos no mínimo iguais aos de 2008, de R$ 175 milhões. “A crise não vai atrapalhar nossos planos. A empresa possui itens com preços variados e as pessoas costumam investir em produtos de beleza quando enfrentam dificuldades”, afirma Grynbaum.
Na Natura, em que novos executivos também passaram a fazer parte da diretoria, a expectativa é tão otimista quanto a da concorrente, com influência dos bons resultados deste ano. “Nos nove primeiros meses de 2008, crescemos 20,9% em relação ao lucro operacional do mesmo período de 2007″, diz José Vicente Marino, ex-presidente da Johnson & Johnson, que desde março está na vice-presidência de negócios da Natura. Até o início deste ano, a empresa vivia uma de suas piores fases desde a abertura de capital. Em 2007, as ações registraram perdas de 41,36%. Este ano, a curva se inverteu. “Com toda crise que abalou o mercado, nossas ações se tornaram um porto seguro”, afirma ele, se referindo a alta acumulada de 25% até 22 de dezembro - enquanto os papéis de pesos-pesados da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), como a Vale, caíram mais de 50% no ano.
Em relação a 2009, a empresa se prepara “para o que der e vier.” “Não se sabe qual será o impacto que a crise poderá provocar. Por isso procuramos prever vários cenários, dos mais drásticos aos mais amenos e temos um plano de ação para cada um deles”, diz Marino. De qualquer maneira, segundo ele, os investimentos adicionais (acima de um patamar que a empresa não divulga) de R$ 400 milhões previstos para 2008, 2009 e 2010 continuam mantidos.
A expressiva alta de vendas vem fazendo do Brasil uma das molas propulsoras do crescimento mundial da americana Avon, maior empresa de vendas porta a porta de cosméticos do mundo. “Até o terceiro trimestre, nosso crescimento na América Latina foi de 25%, sendo o Brasil o maior mercado”, diz Ricardo Patrocínio, diretor de marketing da empresa. “A crise ainda não chegou no Brasil. Sabemos que vai chegar, porque nenhum país passará ileso. Mas não sabemos quando e nem com qual intensidade”, acrescenta. Apesar da incerteza, ele acredita que as vendas vão crescer em 2009.
Para impulsionar os negócios, a companhia planeja fazer por aqui lançamentos simultâneos aos dos Estados Unidos. E aposta na força da atriz Reese Witherspoon como garota-propaganda. Seu contrato com a fabricante, iniciado em 2007, é estimado pela imprensa americana em US$ 30 milhões. “Em época de crise, a consumidora não tem dinheiro para gastar com qualquer coisa. Por isso, compra o melhor. E a Reese reforça o conceito de produto de qualidade que a Avon conquistou.”
COMENTÁRIO:
Pode parecer exdrúxulo colocar aqui no blog que se destina às políticas de saúde uma postagem sobre "produtos de beleza". Portanto, vou tentar esclarecer:
O que eu estou tentando, é demonstrar (mais uma vez) o que é o "tal do mercado brasileiro" e o quanto nós, que trabalhamos com políticas públicas, o subestimamos e por consequência (oba!!!!! agora consequência sem tremas e sem culpas!!!) subestimamos também o nosso poder de fogo e de barganha na hora de enfrentar os corsários e os tubarões do complexo industrial e comercial da saúde. Quando a gente sai às compras, por exemplo, de camisinhas para distribuir no Carnaval, a gente mexe com todo o mercado mundial, pois é sempre uma compra gigantesca.
Outro fator que é sempre negligenciado, é o enorme, absurdo (animal mesmo) potencial de crescimento do mercado brasileiro. Quase todo o consumo concentrado no Sul/Sudeste, e todas as demais regiões esperando para serem "desbravadas" e "fidelizadas" pelo mercado. Isto numa economia mundial estagnada, onde o Japão - por exemplo - não cresce há já quase 10 anos, vale ouro, platina e diamante.
Qualquer produto que "pegue" aqui no Brasil, com seus 184 milhões de HCCC (Hipocondríacos Consumidores Compulsivos de Comprimidos), garante o faturamento do "botequim". O resto é lucro. Daí dá até para patrocinar equipe de corrida de Stock Car e ainda sobra uns trocados.
Vou republicar aqui abaixo a postagem, com algumas "correções" em um exercício livre de criação literária. Os valores e percentagens estarão sempre em valores estimados pela CCE, que é a "Capacidade de Chute do Escriba".
"Brasil já é o segundo mercado mundial para produtos farmacêuticos"
(aqui já cabe um comentário: não sei se somos o segundo no geral, mas somos, com certeza o segundo no consumo de Viagra e o PRIMEIRO DISPARADO E COM LOUVOR no consumo de anfetaminas e produtos para emagrecer)
A mania do brasileiro de tomar remédio e o gosto pela cultura radical da automedicação fez do Brasil o segundo maior consumidor mundial de medicamentos, superando o Japão. Até 2007, o país estava em terceiro lugar, com japoneses e americanos em segundo e primeiro lugar, respectivamente. Mas em 2008 o faturamento do setor aumentou para R$ 24,54 bilhões, levando o mercado nacional a subir uma colocação no ranking, segundo o Dr. Melhoral Novalgina da Silva, formado farmacêutico em um curso custeado pela sociedade em uma universidade pública, pós graduado no exterior com uma bolsa da CAPES, e agora, representante da Associação dos Fabricantes de Medicamentos: “Crescemos 10,4% em vendas, enquanto o mercado japonês e o americano devem apresentar uma retração”, afirma. Nas grandes indústrias do setor, o crescimento superou o percentual geral registrado pela associação.
As vendas do laboratório "Viagrayzer", por exemplo, devem fechar com um aumento de 16% a 18% sobre o ano anterior (sendo que pelo menos 40% dos lucros vem dos direitos sobre comercialização de patentes). As perspectivas para o ano que vem continuam otimistas. “Em 2009, a empresa tem condições de crescer mais que o mercado, como em anos anteriores”, diz o presidente Artur Erectiaum, que assumiu a companhia em fevereiro. Para 2009, ele planeja a abertura de ao menos mais 100 "pontos de venda" - atualmente são 2,6 mil, com investimentos no mínimo iguais aos de 2008, de R$ 175 milhões. “A crise não vai atrapalhar nossos planos. A empresa possui itens com preços variados e as pessoas continuam comprando medicamentos, precisando ou não deles, com ou sem prescrição médica, mesmo quando enfrentam dificuldades”, afirma Erectiaum.
Na Slimcintura, em que novos executivos também passaram a fazer parte da diretoria, a expectativa é tão otimista quanto a da concorrente, com influência dos bons resultados deste ano. “Nos nove primeiros meses de 2008, crescemos 20,9% em relação ao lucro operacional do mesmo período de 2007″, diz José Fenproporex, ex-presidente da João & João, que desde março está na vice-presidência de negócios da Slimcintura. Até o início deste ano, a empresa vivia uma de suas piores fases desde a abertura de capital. Em 2007, as ações registraram perdas de 41,36%. Este ano, a curva se inverteu. “Com toda crise que abalou o mercado, nossas ações se tornaram um porto seguro”, afirma ele, se referindo a alta acumulada de 25% até 22 de dezembro - enquanto os papéis de pesos-pesados da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), como a Vale, caíram mais de 50% no ano.Em relação a 2009, a empresa se prepara “para o que der e vier.” “Não se sabe qual será o impacto que a crise poderá provocar. Por isso procuramos prever vários cenários, dos mais drásticos aos mais amenos e temos um plano de ação para cada um deles”, diz José Fenproporex. De qualquer maneira, segundo ele, os investimentos adicionais (acima de um patamar que a empresa não divulga) de R$ 400 milhões previstos para 2008, 2009 e 2010 continuam mantidos.
A expressiva alta de vendas vem fazendo do Brasil uma das molas propulsoras do crescimento mundial da americana Avion, maior empresa de vendas porta a porta de drogas (farmacêuticas) do mundo. “Até o terceiro trimestre, nosso crescimento na América Latina foi de 25%, sendo o Brasil o maior mercado”, diz Ricardo Neosaldíneo, diretor de marketing da empresa. “A crise ainda não chegou no Brasil. Sabemos que vai chegar, porque nenhum país passará ileso. Mas não sabemos quando e nem com qual intensidade”, acrescenta. Apesar da incerteza, ele acredita que as vendas vão crescer em 2009. Para impulsionar os negócios, a companhia planeja fazer por aqui lançamentos simultâneos aos dos Estados Unidos. E aposta na força da cantora Amy Winehouse como garota-propaganda de sua linha de antidepressivos e antinflamatórios. O contrato da cantora (e lutadora de Vale-Tudo) com a fabricante, iniciado em 2007, é estimado pela imprensa americana em US$ 30 milhões. “Em época de crise, o consumidor não tem dinheiro para gastar com qualquer coisa. Mas remédio, todo mundo compra. E a Amy reforça o conceito de produto de qualidade que a Avion conquistou casando como uma luva com a nossa estratégia agressiva de mercado.”

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