Hoje eu estava pensando o quanto seria bom se este clima de festas de final de ano durasse o ano todo.
Já imaginou como seria bom você poder sair da Praça do Batel, descer a Vicente Machado e atravessar o centro com pista livre? Eu acredito que metade dos barbeiros-cheios-de-razão (no sentido de tráfego, bem entendido) da cidade está em algum ponto do nosso maravilhoso litoral tomando cerveja em algum barzinho (antes de encarar a fila no supermercado) com a metade das peruas-frequentadoras-de-clínicas-de-estética que estarão dividindo a mesa com a mamãe-super-protetora-que-adora-parar-em-fila-dupla-na-porta-da-escola, enquanto isso, escutam a seleção musical (tem gente que acha que aquilo é música) vinda do Chevetão, ou do Kadetão, ou do Gol Quadradão enfim, de alguma condução, todas elas tendo em comum o fato de estarem sendo conduzidas pela metade dos moto-boys de Curitiba, que também estará lá.
Como a cidade (tô falando desta cidade aqui, Serra acima) fica agradável nas férias!!!!
Outra coisa interessante – e que deveria durar o ano todo - é aquela compulsão que toma conta das pessoas de deixar bem claro para O MUNDO, que elas estão SIM, de forma absolutamente sincera, desejando a todos um feliz natal e um maravilhoso ano novo. E tome email, Power-Point com musiquinha, mensagem no cabeçalho do Messenger, Cartão Postal... Tem a vantagem colateral de nos ajudar a manter atualizado o censo demográfico dos amigos e conhecidos, o que não é pouca coisa para nós que já ultrapassamos a barreira do “enta” (quarenta, cinquenta, sessenta).
Pensando bem, a natureza da humanidade é uma coisa bem complexa... Afinal, em todas as estações do ano tem criancinhas precisando de leite, de brinquedos reciclados e de celulares com MP3. Em todas as fases da Lua, tem velhinhos nos asilos esperando a visita que não chega nunca. Em todas as semanas do ano tem um fdp. querendo furar a fila do estacionamento no supermercado (mas só consegue, com certa facilidade e sem ser xingado, no final de ano). Todas as segundas-feiras são ideais para iniciar um regime ou começar a correr (de novo...) para perder a barriguinha. Aliás, cabe aqui esclarecer - a título de mensagem de utilidade pública - que ganhar barriga e perder a virgindade tem em comum o fato de que AMBOS não tem volta.
A nossa vida toda, tem caráter linear, merece ser vivida com solidariedade, espiritualidade e espírito comunitário O TEMPO TODO.
Um dia o John Lennon cantou: “And so it's Christmas, and what have you done?”
“Então, é Natal, e o que você TEM feito?”
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