Há quem encha a boca, o papel, o ar, com palavras como esquerda e direita. Como dizia Raymundo Faoro, há países onde a dicotomia é menos abrupta, digamos assim, que no Brasil. Aqui ela se manifesta, e como. Mesmo assim, muitos se dizem de esquerda sem ser, por ignorância ou oportunismo. Também conviria definir com precisão o que direita significa. Há diferenças mais ou menos profundas entre um fascista e um conservador, entre um senhor de escravos (tem vários por aí), e um liberal reformista. Meu pai era um liberal (nada a ver com neoliberal) e foi preso pelos fascistas durante a guerra. Na luta contra a republiqueta fundada no norte da Itália por Mussolini, havia partigiani social-comunistas, de lenço vermelho, e partigiani católicos e liberais, de lenço azul. Concordo com o companheiro de navegação Tyrone Mello, quando diz: não precisa ser de esquerda ou direita, basta ser crítico, democrático, consciente, ético. Quanto a mim, não hesito em me dizer de esquerda, sem que isso impeça meu apreço por pessoas que não concordam comigo. Mais de trinta anos atrás, um colega vaticinou: “Na hora agá você vai para a direita”. Eu fiquei onde sempre estive, receio que ele tenha ido para lá.
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