GP On line Publicado em 10/01/2009 Vinicius Boreki
Desde a última terça-feira, o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Almirante Tamandaré, voltou a funcionar parcialmente, mas o posto de saúde 24 horas anexo continua sem operar. Atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda precisam ser feitos em Curitiba. Em caso de comprovação da necessidade, pacientes podem ser internados no hospital por meio de autorizações de internamento hospitalar. De um total de 45 leitos, 11 estão ocupados depois da reabertura.
A estudante Vanessa Cristina, de 16 anos, está com o braço inchado, dolorido e enfaixado. Até o momento, nenhum médico diagnosticou o problema. “A cada 15 dias, eu me consultava no posto 24 horas”, diz. “Agora, preciso ir a Curitiba para fazer a consulta. E pegar o ônibus com o braço enfaixado é desconfortável”. Sua prima Cecília, 3, precisou de atendimento pediátrico na noite de quinta-feira e foi obrigada a pagar R$ 30. “As consultas particulares e convênios de algumas empresas são realizadas”, diz Mara Guimarães Gonçalves, atual procuradora do estabelecimento.
Desde a última terça-feira, o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Almirante Tamandaré, voltou a funcionar parcialmente, mas o posto de saúde 24 horas anexo continua sem operar. Atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda precisam ser feitos em Curitiba. Em caso de comprovação da necessidade, pacientes podem ser internados no hospital por meio de autorizações de internamento hospitalar. De um total de 45 leitos, 11 estão ocupados depois da reabertura.
A estudante Vanessa Cristina, de 16 anos, está com o braço inchado, dolorido e enfaixado. Até o momento, nenhum médico diagnosticou o problema. “A cada 15 dias, eu me consultava no posto 24 horas”, diz. “Agora, preciso ir a Curitiba para fazer a consulta. E pegar o ônibus com o braço enfaixado é desconfortável”. Sua prima Cecília, 3, precisou de atendimento pediátrico na noite de quinta-feira e foi obrigada a pagar R$ 30. “As consultas particulares e convênios de algumas empresas são realizadas”, diz Mara Guimarães Gonçalves, atual procuradora do estabelecimento.
Segundo Mara, a estrutura do posto 24 horas foi montada em uma sala para atender as ocorrências. No entanto, enquanto o convênio com a prefeitura não for restabelecido, não se pode atender pelo SUS. Hospitais devem estar preparados para emergências (prazo de atendimento de até 20 minutos) e urgências (até duas horas). “Este é o único hospital da cidade. Caso alguém chegue aqui em estado de necessidade, vamos atender”, promete.
Origem do problema
Em 17 de dezembro do ano passado, os estabelecimentos foram fechados sob acusação de desvio de verbas e medicamentos. Os sócios responsáveis pela empresa administradora do hospital – Cláudio Camilo e Sueli Maria da Cruz – foram presos, além de um assessor do prefeito Vilson Goinski (PMDB), Sandro miguel Mendes. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o repasse da prefeitura para o hospital subiu R$ 140 mil em menos de dois anos. Em janeiro de 2007, quando a Camilo, Cruz & Cia. Ltda. assumiu a direção, a verba destinada era de R$ 100 mil. Em 2008, o valor foi de R$ 240 mil.
Mara explica que o aumento se deve à proporção de atendimentos. De acordo com a procuradora, no início da gestão, o hospital contabilizava 6 mil atendimentos. Em 2008, a média de atendimentos foi superior a 9 mil. “Temos todos os documentos para comprovar, mas o Gaeco apreendeu na operação. Estamos abertos a uma auditoria para esclarecimentos”, afirma.
O advogado de Camilo e Sueli Maria, Haroldo César Náter, diz que ambos continuam presos. Segundo Náter, com base na denúncia formulada, mesmo que sejam condenados, eles cumprirão a sentença em regime aberto. “A sanção provisória é mais rigorosa do que em caso de uma definitiva. Não há proporção entre a intensidade do delito e a prisão cautelar”, critica.
População levará ofício ao Ministério Público
Origem do problema
Em 17 de dezembro do ano passado, os estabelecimentos foram fechados sob acusação de desvio de verbas e medicamentos. Os sócios responsáveis pela empresa administradora do hospital – Cláudio Camilo e Sueli Maria da Cruz – foram presos, além de um assessor do prefeito Vilson Goinski (PMDB), Sandro miguel Mendes. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o repasse da prefeitura para o hospital subiu R$ 140 mil em menos de dois anos. Em janeiro de 2007, quando a Camilo, Cruz & Cia. Ltda. assumiu a direção, a verba destinada era de R$ 100 mil. Em 2008, o valor foi de R$ 240 mil.
Mara explica que o aumento se deve à proporção de atendimentos. De acordo com a procuradora, no início da gestão, o hospital contabilizava 6 mil atendimentos. Em 2008, a média de atendimentos foi superior a 9 mil. “Temos todos os documentos para comprovar, mas o Gaeco apreendeu na operação. Estamos abertos a uma auditoria para esclarecimentos”, afirma.
O advogado de Camilo e Sueli Maria, Haroldo César Náter, diz que ambos continuam presos. Segundo Náter, com base na denúncia formulada, mesmo que sejam condenados, eles cumprirão a sentença em regime aberto. “A sanção provisória é mais rigorosa do que em caso de uma definitiva. Não há proporção entre a intensidade do delito e a prisão cautelar”, critica.
População levará ofício ao Ministério Público
A população de Almirante Tamandaré promete protocolar ofício – contando com abaixo-assinado com mais de mil participações – no Ministério Público (MP) pedindo que as transferências de verbas ao hospital sejam restabelecidas. Com isso, o posto de saúde 24 horas voltaria a operar. “Estamos procurando os meios legais. Caso não funcione, vamos procurar fazer passeatas, porque o povo já se mostrou descontente com a situação”, diz o presidente da Federação das Associações de Moradores de Almirante Tamandaré, Guilherme Dionízio Costa.Costa considera um absurdo que uma cidade do porte de Almirante Tamandaré – com 93 mil habitantes, segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – não tenha um hospital sequer em atividade. “Ninguém consegue ficar satisfeito sem saúde”, afirma.
COMENTÁRIO:
Almirante Tamandaré tem, segundo o IBGE, aproximadamente 96 000 habitantes. Provavelmente esta estimativa está subestimando a realidade. De qualquer forma, o que importa é que se trata de um município com enormes problemas sociais, bolsões de pobreza e uma população com atíssimo grau de exclusão.
Há muitos anos (mais de década) que a população de Almirante luta convive com precárias condições de saúde. Não se trata apenas de atenção hospitalar, mas de atenção básica, de atendimento em urgência emergência e todo o leque que constitui um sistema municipal de saúde.
É inadmissível que a situação ainda hoje ainda persista como está. Não cabe também estabelecer aqui "inocentes ou culpados" pela situação. O que cabe é constatar que quase 100 000 (CEM MIL) pessoas estão em situação de necessidade.
Daí vem o advogado de uma das "partes" e afirma que "Não há proporção entre a intensidade do delito e a prisão cautelar".
Que falta faz nesta hora a Lei de Responsabilidade Sanitária! Porque se o Projeto de Lei que está lá no Congresso, deveria determinar que o camarada que for pego metendo a mão no dinheiro do SUS será processado POR CRIME HEDIONDO, inclusive sendo punido com a perda dos direitos políticos.
Ou será que deixar 100 000 pessoas sem assistência não é uma espécie de genocídio?
Então, cabe informar ao nobre causídico Bel. Haroldo César Náter, que se houve alguma irregularidade no processo que culminou com a prisão dos seus clientes, ela consiste no fato que eles estão muito sozinhos lá na cela... Tem muita gente mais que deveria estar lá mas está "soltinho da silva" .
COMENTÁRIO:
Almirante Tamandaré tem, segundo o IBGE, aproximadamente 96 000 habitantes. Provavelmente esta estimativa está subestimando a realidade. De qualquer forma, o que importa é que se trata de um município com enormes problemas sociais, bolsões de pobreza e uma população com atíssimo grau de exclusão.
Há muitos anos (mais de década) que a população de Almirante luta convive com precárias condições de saúde. Não se trata apenas de atenção hospitalar, mas de atenção básica, de atendimento em urgência emergência e todo o leque que constitui um sistema municipal de saúde.
É inadmissível que a situação ainda hoje ainda persista como está. Não cabe também estabelecer aqui "inocentes ou culpados" pela situação. O que cabe é constatar que quase 100 000 (CEM MIL) pessoas estão em situação de necessidade.
Daí vem o advogado de uma das "partes" e afirma que "Não há proporção entre a intensidade do delito e a prisão cautelar".
Que falta faz nesta hora a Lei de Responsabilidade Sanitária! Porque se o Projeto de Lei que está lá no Congresso, deveria determinar que o camarada que for pego metendo a mão no dinheiro do SUS será processado POR CRIME HEDIONDO, inclusive sendo punido com a perda dos direitos políticos.
Ou será que deixar 100 000 pessoas sem assistência não é uma espécie de genocídio?
Então, cabe informar ao nobre causídico Bel. Haroldo César Náter, que se houve alguma irregularidade no processo que culminou com a prisão dos seus clientes, ela consiste no fato que eles estão muito sozinhos lá na cela... Tem muita gente mais que deveria estar lá mas está "soltinho da silva" .
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