A partir de 2010, a Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) gerenciará as atividades e serviços de saúde da rede assistencial básica de Manguinhos através do conceito de Território Integrado de Atenção à Saúde (Teias), uma iniciativa inédita para a Escola. O projeto foi apresentado para a comunidade da Fiocruz durante o 1º Seminário Teias - Escola Manguinhos, pela pesquisadora Elyne Engstrom, do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/Ensp), responsável por sua direção. Com a parceria de diversas unidades da Fiocruz, o projeto Teias buscará melhorar a qualidade de vida e saúde dos quase 60 mil moradores da região por meio de inovações na atenção, no ensino e na pesquisa.
A pesquisadora Elyne Engstrom apresenta o projeto 'Teias' para a comunidade da Fiocruz |
O seminário foi aberto pelo diretor da Ensp, Antônio Ivo de Carvalho, destacando que essa cooperação com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro é inovador para toda a Fiocruz, uma vez que uma instituição de pesquisa e ensino assumirá, de maneira inédita, toda uma gestão integrada de atenção a saúde de uma região do município. "O projeto Teias - Escola Manguinhos busca uma maior integração assistencial e de políticas públicas dentro do SUS voltadas especificamente para melhorar a qualidade de vida das pessoas", disse.
O diretor lembrou que a Ensp iniciará uma série de linhas de trabalhos com as diversas unidades da Fiocruz para um melhor desenvolvimento das ações. "Todo esse processo é resultado de um amadurecimento da relação da Fiocruz com o Sistema Único de Saúde (SUS). Nós somos parte do SUS, compartilhamos responsabilidades e enfrentamos suas dificuldades diariamente. O convênio é resultado desses anos de trabalho em prol da saúde da população", afirmou.
Para o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde, Valcler Rangel, essa experiência é fundamental para uma instituição de saúde como a Fiocruz, ao discutir como suas pesquisas e inovações podem agregar experiências para dar mais qualidade de vida para a população. Na visão do vice-presidente, o Rio de Janeiro conta com uma péssima cobertura primária de saúde, não tem uma atenção secundária e a rede hospitalar pública opera de forma ruim. "Temos que aproveitar essa iniciativa e oferecer atenção máxima para essas 60 mil pessoas e seguir de exemplo para outras TEIAS", afirmou Antônio Ivo de Carvalho.
Durante a apresentação, a pesquisadora Elyne Engstrom explicou que o conceito do Teias é uma estratégia de aperfeiçoamento político-institucional, gerencial e de organização da atenção do SUS. Em Manguinhos, as ações se concentrarão de diversas formas, tendo como porta de entrada para o sistema a estratégia de saúde da família.
"Queremos desenvolver no bairro de Manguinhos um território integrado de saúde como espaço de inovação das práticas do cuidado, do ensino e de geração de conhecimento científico e tecnológico que se traduza em melhorias da condição atual de saúde e vida da população adstrita, através da cooperação entre a Ensp/Fiocruz e o governo do município do Rio de Janeiro", destacou a pesquisadora.
Para apoiar a gestão do Teias - Escola Manguinhos serão realizadas uma série de ações articuladas voltadas para a educação permanente dos profissionais da rede pública de saúde; o apoio científico; o apoio tecnológico; e a comunicação e disseminação de informações. No campo da atenção primária, Elyne explicou que é necessária a ampliação da cobertura de Saúde da Família para 100% da população de Manguinhos, com 16 equipes, além da instalação de dois Núcleo de Apoio a Saúde da Família (Nasf) visando melhorar a resolutividade e qualificar a atenção primária ofertada.
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