Eu estava voltando de uma caminhada pelo Parque, quando vi um bolinho de gente em volta do "Tiozinho dos Doces". O Tiozinho é um daqueles personagens populares que circulam por aqui. Está sempre com sua bike - digo, bicicleta - com uma caixa de isopor no bagageiro (sim, a bicicleta do Tiozinho tem um bagageiro como aquelas do meu tempo). É senso comum que esta caixa deva conter salgadinhos e outras guloseimas que ele supostamente comercializa entre os frequentadores do Parque. Certeza mesmo é que o Tiozinho é um arguto observador do comportamento humano, o que explica o hábito peculiar de estar sempre "frestando" as janelas dos carros estacionados para - digamos - analisar os jogos praticados pelos casais apaixonados.
Em tempo: "frestando" é a palavra que a gente usava no meu tempo para o ato de estar praticando "voyerismo".
Voltando: o Tiozinho estava indignado com o que aconteceu depois da inauguração do "Memorial em Homenagem as Vítimas de Acidentes de Trânsito" aqui pertinho. A construção do Memorial foi toda bancada pela FENASEG (federação das seguradoras) comandada pelo João Elízio Ferraz de Campos. João Elízio que muito ser o vice ou o candidato ao senado na chapa do Beto Richa. Provavelmente vai acabar sendo apenas o tesoureiro. O Memorial ficou muito bonito, tem um caminho de tijolos com uma trilha de luzes azuis. A trilha conduz a uma pequena cachoeira em um lago de peixes. Lá no fundo da cena, foi providenciada uma lâmpada azul para iluminar a Chaminé do Parque, dando uma idéia de sublime elevação... Ao melhor estilo Curitiba.
No bolinho de gente o Tiozinho contou que passados menos de dois dias depois da inauguração, algum gaiato já havia arrancado uma das lâmpadas azuis da trilha que leva à cachoeira. O laguinho amanheceu cheio de bitucas e alguns peixes amanheceram boiando de barriga para cima. No final de semana os carros que pararam por ali infringiram o código de trânsito em sua plenitude, além de dois terços da legislação ambiental. Os meninos tomaram algumas milhares de latinhas de cerveja, alternadas com "tubão" e vinho campo largo, detonaram o som nas caixas e saíram bêbados queimando pneus pela Aluízio França e Cândido Hartmann.
"Isto é uma barbaridade! Uma falta de respeito! Vou me queixar com o Beto e com o Requião!" esbravejava o Tiozinho sob os olhares e gestos de aprovação do bolinho de gente. Parecia uma sessão de descarrego.
Como ninguém é de ferro, Tiozinho logo logo pediu licença e saiu pedalando para ver se pegava alguma cena mais interessante nos carros estacionados junto ao bar do Farol.
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