Helicóptero com o governador Orlando Pessuti se aproxima do heliponto do HT
O Hospital do Trabalhador (HT) inaugurou no início da noite desta quarta-feira (16) seu heliponto, o primeiro instalado num hospital público 24 horas no Paraná.
recebi do Fernando Cesar Oliveira, autor da matéria (aqui o link)
Localizado no bairro Portão, região Sul de Curitiba, o hospital, integrante da rede do SUS (Sistema Único de Saúde), é administrado através de uma parceria firmada há 13 anos pelas secretarias Estadual e Municipal de Saúde, UFPR e Funpar (fundação de apoio da universidade).
Além do heliponto, também foi inaugurado o alojamento das equipes de plantão do hospital. Houve ainda a entrega de uma série de novos equipamentos. O valor global dos investimentos em curso no HT é de aproximadamente R$ 6,6 milhões.
O heliponto permite o recebimento de pacientes graves de forma ágil e segura, em menor tempo. "Através de uma plataforma hidráulica, o paciente descerá diretamente na área do pronto-atendimento, na porta do centro cirúrgico", explicou o diretor-geral do HT, Geci Labres de Souza Júnior.
O governador Orlando Pessuti (PMDB), que chegou ao HT a bordo de um helicóptero, disse não ver problemas em atender as metas necessárias para o hospital ser referência para o atendimento de urgências médicas na Copa do Mundo de Futebol de 2014, na qual Curitiba deve ser uma das sedes.
Entre as metas para tanto está a criação de dez novos leitos de UTI e 30 leitos de observação. As obras devem ser iniciadas em breve. "O hospital poderá atender toda e qualquer demanda dos turistas durante a Copa", disse o secretário estadual Carlos Moreira Júnior (Saúde).
"Não vejo por que não aportar esses novos leitos", disse Pessuti, para em seguida observar que o terreno ao lado do hospital, pertencente ao grupo privado Votorantim, já foi declarado de utilidade pública, o que só permite sua transferência ao poder público. "Vamos incorporá-lo ao HC, esse terreno não poderia ter outra destinação", declarou o governador.
Diretor da Secretaria Municipal de Saúde, Matheos Chomatas lembrou que a aeronave da Polícia Rodoviária Federal, que atende a chamados do Samu (Sistema de Atendimento Móvel de Urgência), vem utilizando áreas de pouso improvisadas ou quartéis do Exército na região de Curitiba, o que exige deslocamentos de ambulância até os hospitais.
"Através do QualiSUS [programa do Ministério da Saúde], vamos dobrar a área do pronto-socorro sem quebrar as suas atividades", disse Chomatas.
O heliponto foi construído sobre o alojamento para descanso dos plantonistas. A obra conta com sala, quartos, sanitários, copa e biblioteca.
Novos equipamentos
Entre os novos equipamentos do Hospital do Trabalhador está um tomógrafo de 16 canais. Através dele, um exame completo de crânio, que em outros equipamentos duraria dez minutos, pode ser obtido em apenas dez segundos.
Também foram adquiridos um equipamento telecomandado de raio-X e dois aparelhos de ecografia, entre outros aparelhos.
Maior pronto-socorro da região metropolitana de Curitiba, o Hospital do Trabalhador realiza mais de 150 mil atendimentos por ano.
Modelo elogiado
A gestão do Hospital do Trabalhador foi alvo de elogios por parte das autoridades presentes. "Esse modelo de administração, entre entes públicos, é de fato vencedor", afirmou o vice-reitor da UFPR, Rogério Mulinari.
Superintendente da Funpar, Pedro Steiner agradeceu pela confiança depositada na fundação. "Temos dado o suporte a uma parceria importante para o Estado e para a sociedade."
"Essa parceria é algo que precisa ser observado com muita atenção, porque está dando muito certo", concordou Pessuti.
Ex-reitor da UFPR, Moreira revelou que, anos atrás, uma promotora chegou a dizer que ele seria preso porque a parceria não teria amparo legal.
"O tempo passou e provou que nós estávamos certos", declarou Moreira. "Queremos estender o convite à Funpar e à UFPR, para que também gerenciem nossos novos hospitais em Paranaguá, Guaraqueçaba e o de Reabilitação [localizado em Curitiba]."
Fernando César Oliveira
COMENTÁRIO: O modelo do HT é interessante e merece ser estudado. Tecnicamente não pode ser considerado como um modelo "entre entes públicos", porque a parceria não é direta com a UFPr, e sim é com a FUNPAR, uma fundação que não é pública. Só para lembrar, as contratações de funcionários do Hospital de Clínicas da UFPr, feitas via FUNPAR, foram questionadas na justiça. Vale também lembrar que no HT a FUNPAR 'subcontrata' (não tenho informação atualizada, mas acredito que continua assim) cooperativas de profissionais, ou seja: não há vínculo trabalhista direto. Isto abre sérios questionamentos legais.
Eu lembro que o MPE, à época que eu estava colaborando com a SESA, chegou mesmo a tentar anular o convênio SESA/FUNPAR, porém depois se achou um termo conciliatório.
De qualquer forma, há que reconhecer que o modelo apresenta avanços, tem agilidade no enfrentamento de situações que demandam agilidade (como por exemplo a reposição de plantonistas 'faltosos' em setores críticos), possui um conselho comunitário atuante (que poderá eventualmente evoluir para um conselho gestor) e merece ser estudado.
O hospital do trabalhador é um modelo de gestão pública, parabens a todos os gestores que sem empenham a cada ano para a melhoria da qualidade de atendimento aos usuarios.
ResponderExcluir