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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Anivaldo Padilha: Perdão só pessoal

no Correio Braziliense

Trinta anos depois de passar pelos porões da Ditadura Militar, o ativista político e religioso Anivaldo Padilha garante já ter perdoado seus torturadores. Ele passou 11 meses de prisão no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Defesa Interna (DOI-CODI), em São Paulo, onde foi submetido ao pau de arara e ense elétricos. "Ao sair passei seis anos sem dormir direito. Depois, houve um processo terapêutico. Os pesadelos me levaram a compreender que os torturadores estavam dentro de mim", explicou em entrevista ao Correio. Pai do ministro da SaúdeAlexandre Padilha, Anivaldo é assessor da ONG Koinonia, ligada à Igreja Metodista, da qual ele é membro desde a juventude.


O perdão que o ex-preso político concede está apenas no nível pessoal. Defensor da revisão da Lei da Anistia, ele afirma que o reexame da legislação precisa ser feito para permitir a reconciliação da sociedade.

"A tortura continua sendo usada de forma generalizada no país, em delegacias, cadeias… Se tivéssemos tido uma Comissão da Verdade após o Estado Novo, com punição aos torturadores, talvez a partir do golpe de 1964 a tortura não se instalasse como política de Estado." Anivaldo Padilha ponderou que a decisão do atual governo - de manter fechado o debate sobre a anistia - coloca o Brasil em situação extremamente desconfortável no plano internacional. "Vamos ficar sem credibilidade para falar sobre direitos humanos."


Anivaldo Padilha aponta a necessidade de remodelar o projeto da Comissão da Verdade, em tramitação no Congresso, para que alcance também a Justiça. "A comissão do jeito que está hoje pode fazer as investigações, apurar os fatos, apontar os responsáveis e depois?", questionou, citando a experiências de países vizinhos como Argentina, Uruguai e Chile, que implantaram a chamada justiça de transição.




"É importante para que isso nunca mais ocorra. A maneira que estamos fazendo no Brasil é só pela metade e a mensagem que estamos enviando aos torturadores do passado, do presente e do futuro é a de que a tortura pode ficar impune." (AR)

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