Os materiais informativos produzidos pela Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan) do Ministério da Saúde estão atingindo seus objetivos de estimular escolhas alimentares mais saudáveis?
Em sua construção, estão reproduzindo práticas educativas tradicionais e normativas, em que o saber do especialista ainda se sobrepõe ao da população? Segundo a nutricionista Karla Meneses Rodrigues, que acaba de defender sua tese de doutorado na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), os materiais por si só não mudam comportamentos alimentares, porém funcionam como importantes ferramentas para a melhoria das condições de alimentação e nutrição junto a grupos populacionais específicos quando associados a outras estratégias de intervenção nutricional.
A tese de doutorado "Análise das estratégias de informação e educação sobre alimentação e nutrição produzidas no âmbito da Pnan, no período de 1999 a 2010" analisou diversas mídias produzidas pela Pnan no que se refere ao conteúdo e à forma para a população a que se destina. De acordo com a nutricionista, para alcançar a efetividade do material avaliado é preciso que ele seja completamente entendido, compreendido dentro de um espaço de significação comum entre o conhecimento da população usuária e o conhecimento técnico referente à alimentação e à nutrição.
"Precisamos, como profissionais de saúde, quebrar a lógica dominante da educação como transferência de informações. Acreditamos que a principal transformação a ser feita está em nós. E esta mudança se inicia quando aceitamos comportamentos e crenças distintos através do entendimento de padrões socioculturais relacionados ao hábito de se alimentar", explica.
Nenhum comentário:
Postar um comentário