Há cerca de um mês o Instituto Nacional do Câncer promoveu o encontro inédito de um doador de medula óssea com o receptor, uma criança que hoje está com 12 anos. O fuzileiro naval Jailson Alves da Silva mostrou com o seu gesto que não há prova maior de humanidade do que doar a vida a alguém.
Quando isso ocorre, acende-se a lanterna da esperança no coração de uma família. Isa de Oliveira e os seus bateram no fundo do poço, mergulharam na dor até aparecer, com Jailson, o sangue compatível com o do filho, Gustavo. Como Lázaro, o garoto, na época com cinco anos, saiu das trevas e provou que o milagre existe na forma de transplante de medula e de um gesto do bem.
Talvez, sem saber, Jailson tenha cumprido o mandamento mais difícil dos evangelhos, que está em João: "Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei". Gustavo agora faz parte de uma geração de sobreviventes do câncer que cresce a cada passo que a ciência dá em direção às vitórias contra a moléstia. Com o gesto de Jailson, a pesquisa e a crença, muito além da condenação, surgiu uma luz para Isa e Gustavo, assim será de agora em diante.
Com o gesto de doar sem saber a quem, Jailson acionava a perseverança no coração de Isa, mas lançava no ar o efeito em cadeia da solidariedade. Era o gesto daquele doar-se um alento também para outras centenas de mães e pais que aguardam na fila dos transplantes por uma oportunidade como aquela - achar um doador compatível.
Em um país com tanta diversidade racial, a compatibilidade sanguínea se torna mais difícil. Temos 2,2 milhões de doadores para uma fila de 2,2 mil candidatos a transplante. A realidade é que exportamos mais do que realizamos transplantes em razão dessa riqueza genética. Contudo, a guerra contra a doença ainda não acabou. A verdade é que, na batalha que a ciência trava há séculos contra o mal, surgiram ao longo dos últimos 20 anos algumas provas de que a vida é possível mesmo no câncer.
Com o salto da qualidade nas pesquisas em busca de medicamentos, o saber científico que se aprimora a cada dia, é possível, sim, ter esperança. Fica a lição: hoje Gustavo leva uma vida normal, atravessou a barreira dos cinco anos de esperança e angústia. Não houve remissão. "Esse homem é um abençoado", disse Isa ao abraçar Jailson, emocionada, diante das câmeras. Jailson é abençoado mesmo. Os médicos que atuam na área e que cumprem os preceitos de São Lucas, o padroeiro dos médicos, também. Aqueles que resolveram "andar pela terra fazendo o bem e curando a todos".
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