no Globo
O chamado Turismo de Saúde (bem-estar mais tratamento médico*) movimenta anualmente cerca de US$ 60 bilhões em todo o mundo e registra um crescimento de 35% por ano, em média, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
As estimativas do setor para 2017 apontam gastos entre US$ 49,5 bilhões e US$ 79,5 bilhões com o turismo de saúde. No Brasil, a projeção de crescimento é de 35% nos próximos cinco anos, segundo a Associação Brasileira de Turismo de Saúde (Abratus), entidade recém-criada com o objetivo de abrigar as áreas do turismo receptivo, médica e de saúde.
Uma das lideranças na organização da Abratus, o secretário municipal de Turismo de Porto Alegre, Luiz Fernando Moraes presidente da Associação Nacional dos Secretários e Dirigentes de Turismo das Capitais e Destinos Indutores (Anseditur) informa que o Brasil recebe anualmente 60 mil pacientes estrangeiros, que chegam ao país em busca de tratamento médico.
Em todo o mundo, o número de pessoas que se deslocam em busca de atendimento chega a 6 milhões de pessoas por ano. São Paulo e Rio de Janeiro lideram o ranking dos destinos mais procurados no Brasil, mas outras capitais, como Salvador, Recife e Curitiba, também começam a integrar o circuito médico brasileiro.
"A posição do Brasil ainda é insignificante, diante do potencial fantástico do país, pela sua medicina e hospitais de qualidade. É um segmento que mexe com toda a cadeia do turismo, mas é preciso vencer o preconceito que ainda permeia o setor", avalia Moraes.
As vantagens competitivas do país baseiam-se nos serviços de excelência prestados por hospitais e clínicas brasileiras, além do custo bem mais acessível.
Quando comparada com os Estados Unidos, por exemplo, a diferença dos valores praticados no Brasil é de 40% a 50%; na Costa Rica, 30% a 40%; na Tailândia, 30%; e na Índia, 20%.
As áreas mais requisitadas pelos estrangeiros são cirurgia plástica, odontologia, ortopedia e cardiologia.
"Os fatores que mais pesam na escolha do Brasil como destino dos pacientes, além da excelência do atendimento em algumas áreas, são a diversidade cultural, a população amigável, o clima, a percepção de segurança e a distância", afirma o secretário.
Atualmente, 17 hospitais brasileiros integram a lista das entidades acreditadas pela Joint Comission International: dez estão localizados em São Paulo, seis no Rio de Janeiro e um em Porto Alegre. Costa Rica tem três, Cingapura 22 e Tailândia 28.
Segundo Luiz Fernando Moraes, Curitiba (PR), Recife (PE), Salvador (BA) e Belo Horizonte (MG) também vêm trabalhando para obter a certificação. Entre os hospitais brasileiros acreditados, estão entidades de peso, como Albert Einstein e Sírio-Libanês, em São Paulo, Hospital do Câncer e Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, e Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
Fundadora e CEO da Medical Travel Brazil umas das agências de turismo médico pioneiras no país, com cinco anos de trajetória , Mariana Palha Freire foi chamada a integrar o grupo de trabalho criado pelo Ministério do Turismo para elaborar um plano estratégico de desenvolvimento do turismo de saúde no Brasil e fortalecer a imagem do país como destino de saúde e bem-estar. "Já existe um Departamento de Segmentação na Embratur, pois é sabido que as viagens não são somente de lazer e negócios, envolvem também uma série de outras motivações, tão ou mais importantes", argumenta.
Segundo ela, está em discussão uma série de normas para evitar distorções, como pacotes de viagem que misturam cirurgia plástica e roteiros de lazer, ignorando a necessidade de repouso após uma intervenção.
"As normas em debate estabelecem restrições à intermediação direta pelos médicos na escolha da agência de viagem ou transportadora, procurando evitar conflitos de interesses ou mercantilização excessiva", explica Mariana Palha.
(*) Para o Ministério do Turismo, o turismo de saúde é uma das atividades turísticas resultantes da utilização de meios e serviços para fins médicos, terapêuticos e estéticos.

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