Após o registro de surtos "explosivos" de poliomielite em países considerados livres da doença, a Organização Mundial da Saúde(OMS) lançou ontem um plano de emergência de erradicação do mal infeccioso. O intuito é impulsionar a cobertura de vacinação na Nigéria, no Paquistão e no Afeganistão, onde a transmissão da pólio é considerada endêmica. Mas, segundo Bruce Aylward, líder da campanha, o problema não se restringe a essas nações. "Nos últimos dois anos, em três continentes - na Europa, na África e na Ásia -, vimos surtos horríveis da doença. Em alguns casos, 50% (dos infectados) morreram."
De origem viral, a poliomielite atinge o sistema nervoso central e pode causar a paralisia total do infectado em questão de horas. Em cada 200 casos da doença, um gera complicações irreversíveis, principalmente em crianças com até 5 anos, segundo a OMS. A estimativa é de que uma falha na erradicação da doença possa, em uma década, resultar em cerca de 200.000 casos de paralisia infantil por ano, no mundo. Desses, de 5% a 10% resultariam em óbito, já que, em situações mais graves, os músculos respiratórios também são imobilizados. "A erradicação da pólio está no ponto crucial que separa o sucesso do fracasso", avalia a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.
Ações de erradicação da pólio culminaram em diversos marcos de sucesso entre 2010 e 2012. A Índia, considerada há muito tempo como a nação que enfrentava os maiores desafios nesse processo, foi retirada da lista dos países com endemia de pólio em fevereiro deste ano. Mas surtos recentes na China e na África Ocidental, com a doença vinda do Paquistão e da Nigéria, reforçam a postura de alerta nas autoridades em saúde. Só no ano passado, quase 200 crianças ficaram paralíticas no Paquistão por causa da doença.
Paralelamente, ministros da Saúde reunidos na Assembleia Mundial da Saúde, nesta semana, em Genebra (Suíça), trabalham em uma resolução para declarar que "a erradicação da pólio deve ser uma emergência programática para a saúde pública mundial". A empreitada, no entanto, esbarra na carência de recursos. A falta de financiamento fez com que a Iniciativa Mundial para a Erradicação da Pólio (Gpei) reduzisse ou cancelasse vacinações em 24 países considerados de alto risco. A estimativa é de que, se extirpada a pólio no mundo, haveria uma economia de US$ 40 a US$ 50 bilhões. Até 1988, mais de 350.000 crianças por ano sofriam de paralisia em 125 países com endemia da doença. Neste ano, de acordo com Gpei, 55 casos foram relatados.
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