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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Farmácias imunes à queda da bolsa

Perspectiva para setor é positiva, mesmo ante eventual desaceleração econômica


Vanessa Correia no Brasil Econômico


A aprovação, sem restrições, da fusão entre Droga Raia e Drogasil pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) colocou em evidência o setor farmacêutico. O próprio desempenho da empresa na bolsa é exemplo. Mesmo em um ambiente de forte volatilidade, as ações já avançaram 41,19% este ano.

"Esperávamos alguma restrição na operação, o que não ocorreu. Isso é positivo à medida que a estratégia de fechar, ou não, alguma unidade partirá da companhia", destaca Iago Whately, analista da Fator Corretora.

Após aval do Cade, a Raia Drogasil já partiu para um ofensiva e, ontem mesmo, anunciou que pretende adquirir 26 pontos comerciais em Goiânia. A rede assinou carta de intenções com as empresas Santa Marta e King.

Contudo, a forte valorização registrada pelas ações da empresa não é acompanhada por outros papéis do segmento - Brazil Pharma, com alta de 10%, e Profarma, com queda de 0,9% -, ainda que desempenho seja superior ao do Ibovespa no acumulado do ano, que caiu 4,74%. "Mesmo diante da perspectiva de crescimento econômico menor, a demanda interna mantém-se saudável.

Por isso a expectativa para o setor farmacêutico é positiva", ressalta Whately.

A tendência de longo prazo corrobora com as apostas. "O envelhecimento da população brasileira, aliado ao aumento do consumo de medicamentos genéricos e o incrementos de políticas públicas, como a Farmácia Popular, atrairá investidores", completa o especialista.

Cauê de Campos Pinheiro, analista da SLW Corretora, acredita que o setor farmacêutico tende a ser menos impactado por um eventual agravamento da crise financeira mundial.

"Ainda assim as farmácias sentem os efeitos de uma desaceleração econômica, já que 30% da receita vêm de produtos de higiene e beleza, menos consumidos em momentos de incertezas", aponta.

A perspectiva positiva para o setor é reforçada pela iniciativa da Brazil Pharma em captar quase R$ 600 milhões na BM&FBovespa, mesmo diante da falta de apetite dos investidores por ativos de maior risco.

"A Brazil Pharma está inserida em um setor acíclico e independe do emocional dos investidores.

Por isso as chances de a operação ser bem sucedida são grandes", afirma Ricardo Torres, professor de finanças da BBS-Business School.

A fixação do preço por ação está marcada para 21 de junho.

Mas a Brazil Pharma já definiu a destinação dos recursos: aproximadamente 40% do total levantado será utilizado para fins de capital de giro, abertura de lojas e eventual aquisição de novas redes de drogarias e farmácias. O restante vai para readequação da estrutura de capital e implementação e otimização de sistemas de integração e gestão.

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