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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Reflexões sobre carga de trabalho de enfermagem e segurança do paciente em Unidades de Terapia Intensiva

no Portal da AMIB
Sabe-se que as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) surgiram da necessidade de atender, de maneira diferenciada e intensiva, o paciente crítico. Essa especificidade do cuidado exige de seus trabalhadores alto padrão de conhecimento técnico e científico, além de diversas outras competências para o trabalho em equipe.
Os pacientes atendidos nas UTI possuem características comuns como altos escores de gravidade, elevadas chances de mortalidade, utilização de equipamentos e artefatos terapêuticos complexos e atenção intensa e contínua. Em vista disso, as Unidades devem ser providas de adequada estrutura física, recursos humanos altamente qualificados, bem como recursos materiais para a implantação de uma assistência de qualidade.
No entanto, a qualidade do cuidado não está garantida somente pela qualificação de seus profissionais, mas também pela quantificação destes para o desenvolvimento das atividades legalmente previstas. Portanto, um quantitativo adequado de profissionais que tenha como diretriz as demandas de cuidados dos pacientes é premissa indispensável ao cuidado de qualidade, uma vez que favorece um ambiente saudável, devido à redução da sobrecarga de trabalho e, consequentemente, oferece menor risco à clientela.
A carga de trabalho para a equipe de enfermagem, quando  mensurada pelo tempo exigido dos profissionais para o cuidado do pacientes,  tem sido motivo de diversos estudos, sobretudo, quando associada à segurança do paciente. Pesquisa realizada em UTI de 4 hospitais americanas revelou que o acréscimo de 0,1% na razão paciente/enfermeiro representa um aumento de 28% de eventos adversos. Nessa direção, outro estudo constatou aumento de 0,7% no risco de morte para cada paciente adicional/enfermeiro.
Resultados de investigações diversas também demonstraram que o tempo de permanência, taxa de infecção hospitalar, úlcera por pressão e erro de medicação são variáveis associadas à alta carga de trabalho de enfermagem em UTI.
Em síntese, resultados das pesquisas realizadas no âmbito nacional e internacional mostram que o dimensionamento da equipe de enfermagem subestimado repercute em sérios riscos para o paciente, comprometendo sua segurança. Além disso, não só o paciente sofre com as consequências da alta carga de trabalho da equipe, como também os próprios profissionais. O stress, burnout, fadiga, insatisfação profissional são fatores associados à elevada carga de trabalho de enfermagem em UTI.
Em vista disso, o quantitativo adequado da equipe de enfermagem nas diversas unidades de assistência à saúde, mas, particularmente, na UTI representa um forte aliado no que se refere à segurança do paciente, à qualidade de vida no trabalho e à qualidade da assistência prestada.
Portanto, a medida objetiva da carga de trabalho exigida pelos pacientes graves e a adequação da equipe de enfermagem frente a essas demandas, são requisitos mínimos que devem balizar as tomadas de decisões quanto à quantidade de recursos humanos e a relação numérica profissional de enfermagem/paciente a ser adotada nas UTI. Assim entendida, a responsabilização por tais decisões deve ser compartilhada pelos diferentes agentes que atuam em nível governamental, de associações de classe, de profissionais, institucional, de gestores locais, bem como daqueles que atuam à beira do leito.
Quando se tem como meta o cuidado seguro ao paciente grave, a julgar pelas evidências já existentes, a sociedade tem o direito de receber a melhor assistência de enfermagem, o que passa inclusive pelas condições de trabalho dos profissionais.
Confira aqui as referências.
Autoras: 
Rafaela Andolhe (Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem na Saúde do Adulto da EEUSP, bolsista Capes, rafaelaandolhe@usp.br).
 Katia Grillo Padilha (Professor Titular do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da EEUSP, kgpadilh@usp.br ). 

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