Páginas

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Empresas apostam na falta de aparelhos na área pública

Associação de indústrias cita o sucateamento de hospitais do SUS no país

Governo afirma adotar política de incentivo à produção de equipamentos de alta complexidade

(veja comentário do Blog ao final)

na FSP


A grande carência de equipamentos de alta tecnologia ainda existente na área pública de saúde é apontada por empresas e associações como um fator que, ao lado da ampliação da saúde privada, pode incentivar o crescimento da indústria de aparelhos hospitalares e odontológicos.

Para isso, porém, é preciso mais investimento por parte do setor público, diz o vice-presidente da Abimo (associação de indústrias do setor), Paulo Fraccaro.

Segundo ele, embora esse tipo de indústria tenha um desempenho positivo, o crescimento está respaldado apenas no acesso da população à saúde básica.

"Não [ao acesso] a uma saúde preventiva, onde os tratamentos são mais expressivos e há a utilização de recursos mais importantes."

Por isso, disse Fraccaro, é comum observar o sucateamento da área hospitalar pública no país.


DESEQUILÍBRIO

Dados do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde no Brasil, do Datasus, revelam a diferença que ainda existe entre as regiões.

Enquanto em São Paulo, por exemplo, há uma centena de aparelhos de ressonância magnética disponíveis para o SUS, em Estados como Acre e Amapá há um.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos doMinistério da Saúde, Carlos Gadelha, diz que o o governo tem investido na modernização e adotado uma política de incentivo à produção nacional de equipamentos de alta complexidade.

Um dos exemplos, diz ele, é um pacote de R$ 505 milhões na compra de equipamentos para o tratamento do câncer, principalmente de radioterapia.

O governo vai atrelar essa compra à obrigatoriedade de fabricação no Brasil das máquinas, hoje importadas.

"Em reunião com o ministério, as empresas já toparam esse modelo de investir na produção no Brasil", afirmou Gadelha.

Outro incentivo ao produto nacional virá das margens de preferência, que já foram adotadas para a indústria farmacêutica e que, até julho, devem incluir o setor de equipamentos hospitalares.

Com a margem, produtos feitos no Brasil terão preferência em compras públicas, podendo ser adquiridos com preços até 25% superiores em relação aos importados.




COMENTÁRIO:
O nosso grande mestre Gilson Carvalho tem uma afirmação muito preciosa a respeito da incorporação de equipamentos de alta tecnologia em nosso país.

Diz o Gilson:
“Nas cercanias da Avenida Paulista, existem mais aparelhos de tomografia do que em todo o Canadá”.

A afirmação dá bem a medida das diferenças entre os dois países no que toca à incorporação tecnológica.

No Canadá, um equipamento de alta tecnologia em saúde será instalado mediante autorização e em localização devidamente aprovada pelo governo. 

Aqui em nosso país, a  festa está liberada.

Importam-se e instalam-se equipamentos apenas (em sua maior parte) baseados no interesse do prestador.

Ao gestor do sistema de saúde fica reservado proceder aos malabarismos necessários para fazer com que o funcionamento do equipamento caiba no orçamento. Isto tudo porque - em última instância - a conta vai acabar sendo paga pelos cofres públicos. Seja pelo pagamento direto da produção, seja via renúncia fiscal.

Gosto de afirmar como provocação (porém com fundo de verdade) que todas as boutiques de serviços de saúde de alta complexidade neste país conseguem permacer de portas abertas por conta do dinheiro público.

Aqui em Pindorama TUDO que é ofertado pelos corsários das trans/multinacionais é consumido com enorme voracidade PRECISANDO OU NÃO. Para quem não sabe, nós somos o segundo maior consumidor de Viagra de todo o planeta - mas esta é outra questão.

Nos grandes centros urbanos de Pindorama, 90% das tomografias solicitadas para investigação de dores de cabeça são normais. Indices de catetrismos cardíacos diagnósticos "brancos" (ou seja, realizados em pacientes SEM patologia) chegam a 70%.

Mais do que equipamentos, precisamos de diretrizes e protocolos clínicos adequados ao interesse público.

Os interesses econômicos dos corsários serão atendidos como consequência da boa política de gestão.

Certamente, não na medida pretendida pelos corsários.

Nenhum comentário:

Postar um comentário