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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Paraná, um estado de língua solta


no blog ABCuritiba

Como o leitor sabe, o Governo Federal anunciou R$ 133 bi em investimentos em estradas e ferrovias através de parcerias com a iniciativa privada. Dos setores mais histéricos da esquerda ouviu acusações de estar privatizando o Brasil. Do Paraná, estado que teria ficado de fora dos R$133 bi, ouviu coisa bem pior. O governador do estado disse que não poderiam “varrer o Paraná do mapa”. O vice dele avisou que o Paraná “tem muitas necessidades que não foram contempladas”. O secretário de logística também saiu da toca para dizer que o plano de investimentos “ignorava a existência” do Paraná. Os três fizeram isso depois de meses de um discurso institucional que garantia boas relações com Brasília, apesar das diferenças partidárias. Morderam a língua e causaram um desgaste desnecessário.
Hoje,  André Gonçalves conta que,  ao contrário do que se pensava, a grana vai construir ferrovias para facilitar a chegada dos grãos ao porto de Paranaguá (que também teve uma dragagem anunciada). O blog não culpa ninguém, só busca um exemplo na própria infância: houve um natal em que esperneei como bicho abatido porque não havia presente e, horas depois, pais generosos desfizeram a pegadinha com uma caixa colorida de infinita diversão. Lembro disso com vergonha e culpa. O pessoal do governo deve sentir a mesma coisa, só que em escala estatal. Como não há espaço para passionalidade nas relações políticas, ouviremos a tese de que foi a grande e eloquente articulação política do estado que fez Brasília rever os planos de investimentos e nos dar as ferrovias de presente. Não é verdade. Foi o Paraná que tirou conclusões apressadas antes da apresentação detalhada do pacotão. A reportagem do André Gonçalves explica:
No mapa apresentado pelo governo federal no último dia 15, quando a presidente Dilma Rousseff lançou o pacote, havia a sinalização de apenas dois eixos ferroviários no Paraná. À primeira vista, a proposta faria do estado uma rota de passagem da produção agrícola e industrial do norte do país rumo ao porto de Rio Grande (RS), próximo à fronteira com o Uruguai.

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