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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sindrome da "Belíndia": Curitiba comporta PIB de Singapura e África

no Teia Notícias via Bernardo Pilotto

O município de Curitiba foi considerado, pela  Agência Curitiba, “um dos melhores do país para se viver e investir”. Essa afirmação é confirmada pela 4ª posição no ranking das maiores economias do Brasil. Atrás de Brasília (DF), que participa com 3,8% no PIB do país, Curitiba contribui com 1,4%. O PIB per capita estimado para 2010 é R$ 31,4 mil, segundo a agência. Comparado ao Paraná e ao Brasil, o PIB de Curitiba é “historicamente superior”, comenta o texto. Porém, esse cálculo não pode ser levado ao pé da letra. Assim como outras capitais, Curitiba também é uma cidade desigual e apresenta disparidades entre seus bairros. Uma cidade apenas, que consegue concentrar bairros com PIBs equivalentes à países como Iraque, Singapura, Egito, Angola e Estados Unidos.
Os maiores e menos PIBs de Curitba.
Os maiores e menos PIBs de Curitba.
O bairro Batel, famoso pela calçada de granito,  possui uma renda per capta anual de 63 mil dólares, equivalente ao PIB por habitante de Singapura – país conhecido por abrigar o maior número de milionários por metro quadrado- que é de 60 mil dólares. Já o Egito curitibano é a Caximba, com uma renda anual de aproximadamente 6 mil dólares por habitante. Para ter acesso ao PIB dos bairros de Curitiba, é necessário fazer uma regra de três simples. Com os dados da Agência Curitiba, é possível calcular os PIBs dos bairros e entender porque Curitiba está entre as 5 cidades mais desiguais da América Latina, como divulgou a Gazeta do Povo sobre um estudo da ONU em 2012.
Conclui-se então, que a conta do PIB é feita em cima da desigualdade existente na cidade, onde os bairros muito ricos sustentam o PIB dos muito pobres, criando uma falsa impressão de igualdade. O economista e especialista em cartografias sociais, Vinicius Floriani, explica que fazer esses calculos e comparações é importante para destacar essa diferença de riquezas. “Mas essa concentração de riqueza e pobreza não é novidade para o curitibano, que já se mostrou indignado com os ‘investimentos’ em calçamento de granito no Batel ou com a falta de estrutura básica em outras regiões menos afluentes”, comenta Floriani.
Vinicius aponta outro fator importante. Segundo ele, estudos recentes realizados em cidadades americanas, européias e latinoamericanas destacam um comportamento padrão em locais segregados. “O mapa das regiões menos afluentes costuma ser muito parecido com o mapa da violência, de piores condições de saúde, do crime e mesmo da menor evolução dos níveis de escolaridade e empregabilidade”. Para ele, em uma cidade que tem pouco crescimento econômico e aumento do desemprego, a consequência é que os moradores das periferias começarão a compor as novas camadas de desempregados, que agrava ainda mais a disparidade da renda. “Essa divisão da cidade e a concentração dos recursos tende a se manter ou aprofundar ao passar dos anos, caso não haja algum tipo de estratégia pública nesse sentido”, aponta o economista.
Para Lúcia Menosso, que se mudou recentemente do Batel para o Portão, a diferença entre os bairros é visível. “No Batel, eu quase não tinha problema com o lixo. Todos os dias passava o caminhão para recolher, inclusive no sábado. Isso já não acontece no Portão, onde o lixo é retirado duas vezes por semana, e se passa do horário, só no próximo dia”, explica a bancária. Para ela, que também tem uma ótica no Batel, a elite curitibana é muito melhor atendida pelos serviços públicos do que as regiões mais periféricas da cidade, e isso se evidencia no calçamento das ruas e na frequência de ônibus. “Quando eu pegava ônibus, se eu perdesse um, o outro só chegaria depois de uns 20 minutos. Já no Batel, os ônibus passam o tempo todo”, comenta.Para Sirlei de Fátima Tavares que mora na Vila Verde na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), as baixas condições de seu bairro dificultam a vida dos moradores. “As ruas e calçadas são muito esburacadas e passam poucos ônibus por lá. Já reclamamos para a prefeitura, mas até agora nada”, conta a empregada doméstica.

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