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domingo, 28 de novembro de 2010

Foreign Policy elege Amorim e Marina

no Nassif

E a nossa impoluta imprensa que toda hora tenta achincalhar a nossa política externa independente? Nem precisamos do Wikileaks....O 'astuto' Amorim e a 'verde' Marina
Celso Amorim e Marina Silva estão entre os 100 maiores pensadores globais de 2010
Foreign Policy
Celso Amorim e Marina Silva estão entre os 100 maiores pensadores globais de 2010, segundo a revista "Foreign Policy".
Recordista em tempo no cargo, o ministro das Relações Exteriores aparece em sexto lugar, atrás de personalidades como Bill Gates e Warren Buffett (empatados em 1º) e Barack Obama (3º).
Para montar seu ranking, a publicação ficou de olho no que chamou de "ascensão do resto" --países que passaram de figurantes a protagonistas na cena global. E a "diplomacia impaciente" do Brasil tem muito a ver com essa promoção, segundo a "FP".
O "astuto e urbano" diplomata brasileiro é exaltado por seguir um caminho independente, sem fazer oposição radical aos Estados Unidos, "como a velha esquerda da América Latina", nem abaixar a cabeça para os americanos.
Sua posição na lista não é surpresa alguma: Amorim --com chances próximas a zero de segurar o cargo no governo Dilma-- já havia sido eleito o melhor chanceler do mundo por David Rothkopf, editor da "FP".
Marina Silva divide a 32ª colocação com outras três líderes de partidos verdes: Cécile Duflot (França), Monica Frassoni (Bélgica) e Renate Künast (Alemanha).
Após o fiasco na cúpula climática em Copenhague, em dezembro passado, "2010 se transformou no ano dos verdes e, mais especificamente, das mulheres verdes", afirma a "FP".
Marina teria "surpreendido a todos ao forçar um segundo turno na corrida presidencial de seu país", alcançando a votação mais expressiva do PV no Brasil.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso figurou na mesma lista em 2009, "por chamar a guerra contra as drogas pelo que é: um desastre".

sábado, 16 de outubro de 2010

De: Dilma. Para: Marina. Assunto: o programa do PV

via Noblat

Prezada Marina,
Quero, por seu intermédio, fazer chegar à direção do Partido Verde meus comentários sobre a Agenda por um Brasil Justo e Sustentável, que foi entregue à coordenação de minha campanha.
Antes de tudo, saúdo a iniciativa de condicionar o posicionamento de seu partido a uma discussão de caráter programático. Ela é necessária e oportuna, sobretudo quando se verifica uma lamentável tentativa de mudar o foco do debate eleitoral para questões que, tendo sua relevância como temas de sociedade, não estão, no entanto, no centro da reflexão que o país necessita realizar para definir seu futuro.
Reiterando meus cumprimentos pelo expressivo resultado que sua candidatura obteve no primeiro turno das eleições, quero dar às observações que seguem um sentido que transcende em muito uma dimensão estritamente eleitoral. Nosso diálogo tem um significado futuro. Envolve as condições de governabilidade do país.
As observações que seguem refletem nossa primeira percepção da Agenda. Elas deverão ser objeto de novos aprofundamentos.
Transparência e ética
O Governo atual tem-se empenhado em garantir a mais absoluta liberdade de imprensa no país, posição com a qual me encontro pessoal e partidariamente comprometida.
Por outro lado, as avançadas medidas de transparência de informações sobre a execução orçamentária e de contratos deverão ser aprofundadas com rapidez nos próximos anos.
Reforma Eleitoral
Tenho dito que este tema é fundamental para o amadurecimento da democracia no país. Sendo questão a ser tratada no âmbito do Congresso Nacional, considero que a Presidência da República não deve estar alheia ao tema. Penso que, sobre a maior parte das questões, estamos de acordo e que a forma definitiva que deve assumir a reforma política tem de ser resultado de amplo acordo envolvendo o bloco de sustentação do Governo, partidos que nele não estejam incluídos e, igualmente, as oposições.
Educação para a sociedade do conhecimento
Manifestamos nosso acordo com todos os pontos deste item.
Segurança Pública
Em sintonia com o sentimento da sociedade brasileira, temos dado especial atenção aos temas da segurança. Temos insistido - na contramão de outras propostas - que a segurança pública não se esgota nas ações repressivas, mas deve ser complementada por políticas públicas em regiões onde o Estado esteve e ainda está ausente. No plano puramente repressivo, defendemos o fortalecimento de ações de inteligência e o emprego de modernas tecnologias. O Governo Lula instituiu, no âmbito do Pronasci, a Bolsa PROTEJO, que beneficia jovens em processo de formação. Concordamos em que uma melhor remuneração dos policiais é fundamental para garantir a dedicação exclusiva a suas funções. Um primeiro passo foi dado a partir de 2008, com a instituição da Bolsa Formação, que beneficiou desde sua criação mais de 350 mil policiais. A necessidade indiscutível de um piso nacional de remuneração para policiais tem de ser objeto de um pacto entre a União, os Estados e os Municípios. Essas e outras questões deverão ser objeto de uma PEC a ser enviada no menor prazo possível, consultados os entes federativos. Meu programa prevê a revisão do modelo atual de segurança pública e a institucionalização de um Sistema Único de Segurança Pública.
Mudanças climáticas, energia e infraestrutura
Expressando nossa concordância com a maior parte dos pontos contidos neste item, considero que há questões que devem ser objeto de aprofundamento e/ou negociação.
É o caso da criação de uma Agência Reguladora para a Política Nacional de Mudanças Climáticas. Mas temos acordo quanto à necessidade de um arcabouço institucional capaz de coordenar, implementar e monitorar iniciativas nesse setor.
A supressão do IPI sobre a fabricação de veículos elétricos e híbridos deve ser compatibilizada com nossa produção de etanol e nossa capacidade de geração elétrica. Pode-se propor política tributária diferenciada para veículos e outros bens que emitam menos GEE.
A proposta de moratória sobre a criação de novas centrais nucleares exige aprofundamento à luz das necessidades estratégicas de expansão de nossa matriz energética.
Seguridade Social: saúde, assistência social e previdência
Há concordância com todos os itens, com ressalva quanto à redução, no curto prazo, da população de referência para o PSF, pois implicaria aumentar as necessidades de profissionais além de uma capacidade imediata de resposta do sistema.
Proteção dos biomas brasileiros
Nosso Programa dá ênfase à proteção dos biomas nacionais. Por essa razão, estamos de acordo com a meta de incluir 10% dos biomas brasileiros em unidades de conservação A proposta de desmatamento de vegetação nativa primária e secundária em estado avançado de regeneração merece precisão.
Estamos de acordo sobre a prioridade de proteção da Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, dentro de uma estratégia ambientalmente sustentável de ocupação e uso do solo e inclusão social.
Da mesma forma, é nossa prioridade a ação consistente na recuperação de áreas degradadas, a exemplo do Programa Palma de Óleo, na Amazônia.
Consideramos excelente a proposta de um Plano Nacional para a Agricultura Sustentável.
Sobre o Código Florestal, expresso meu acordo com o veto a propostas que reduzam áreas de reserva legal e preservação permanente, embora seja necessário inovar em relação à legislação em vigor. Somos totalmente favoráveis ao veto à anistia para desmatadores.
Gasto público de custeio e Reforma Tributária
Estamos de acordo com todos os itens.
Consideramos necessário afastar-nos de um conceito conservador de custeio que traz embutida a noção de Estado mínimo. A eficiência do Estado está ligada à qualificação dos servidores públicos. Daremos prioridade ao provimento de cargos com funcionários concursados.
Política Externa
Há acordo total com o expresso no documento.
Enfatizamos a necessidade de garantir presença soberana do Brasil no mundo, de fortalecer os laços de solidariedade com os países do Sul, em especial os da América Latina, com os quais compartilhamos história e valores comuns e estamos ligados pela necessidade de defesa de um patrimônio ambiental comum. Defendemos, igualmente, a necessidade de lutar pela reforma e democratização dos organismos multilaterais.
Fortalecimento da diversidade socioambiental e cultural
Pretendo dar continuidade e profundidade às políticas que foram seguidas neste campo pelo Governo do Presidente Lula.

domingo, 3 de outubro de 2010

Tentando entender a onda verde que provocou o segundo turno

Por Luiz Carlos Azenha

Houve onda verde, sim. E a onda verde, que pegou de surpresa a todos os institutos de pesquisa, é que está levando a eleição presidencial para o segundo turno.
Dito isso, é preciso tentar entender o que alimentou essa onda verde.
Sinceramente, não acredito que isso se deva apenas à sórdida campanha movida por religiosos católicos e evangélicos contra a candidata governista.
Isso jamais renderia a Marina Silva mais de 18 milhões de votos!
Por dados anedóticos, colhidos aqui e ali, é possível notar que Marina respondeu a uma aspiração dos jovens, que se mostraram fartos com a polarização PT/PSDB.
Se assim for, a proposta do presidente Lula de promover a campanha em seus termos, ou seja, num confronto bipolar, fracassou nas urnas neste domingo.
Os eleitores de Marina querem saber mais. Querem mais que as produções de alta qualidade do marqueteiro João Santana.
Quem é leitor do blog sabe que já tratei mais de uma vez da falta de politização da campanha no primeiro turno.
Foi uma opção do PT, que parecia acreditar que bastava propagandear os feitos econômicos do governo — o que foi feito com competência na campanha televisiva — para garantir a vitória em primeiro turno.
Marina Silva se projetou, em minha modesta opinião, justamente nesse buraco negro da falta de politização.
Outra observação necessária: um presidente com 80% de aprovação nas pesquisas conseguiu transferir pouco mais da metade disso para a sua candidata.
Reflexo, em minha opinião, da falta de politização que acompanhou a ascensão social de milhões de brasileiros para a classe média. Vários comentaristas já trataram disso. Seria o “fator Berlusconi”. Ou seja, uma ascensão social que promove um eleitorado conservador, cuja lealdade não reflete compromisso político com um projeto e muito suscetível às questões morais — o boato de que o vice de Dilma é satanista, por exemplo. O “melhorismo”  de Lula, na definição de Plínio de Arruda Sampaio, se assenta sobre bases mais frágeis do que se imaginava?
O segundo turno, em minha opinião, é resultado de um conjunto de fatores.
Sem qualquer sombra de dúvida, a mídia desempenhou um papel relevante, disparando balas de prata que reduziram sensivelmente a vantagem da candidata petista nas últimas semanas de campanha.
Acima de tudo, a mídia cumpriu a tarefa a que se propôs, de desviar o foco da eleição das questões econômicas para os escândalos.
Serra não recolheu os escombros, que cairam no colo de Marina Silva.
Acima de tudo, no entanto, é preciso colocar todos os pingos nos is dos erros na campanha da candidata governista:
1. Como todos sabíamos antecipadamente do papel que a mídia iria desempenhar em 2010, ninguém detectou o potencial explosivo dos negócios em torno de Erenice Guerra?
2. Por que a campanha de Dilma Rousseff não se antecipou aos boatos de forma didática, como Barack Obama fez nos Estados Unidos, criando um site específico para combatê-los?
3. Por que a campanha de Dilma não rebateu as promessas de José Serra e não politizou a campanha?
De qualquer forma, a votação expressiva de Marina Silva indica uma mudança significativa no quadro político brasileiro e, portanto, nos próximos 30 dias de campanha.
Acredito que a campanha de José Serra vai dar alguns passos em busca do centro político, representado agora pela “terceira via” de Marina. Ficará muito mais difícil, nestas circunstâncias, fazer agora a polarização politizada que o PT poderia ter feito durante a campanha do primeiro turno.

Verdes querem colher maduro

no Noblat


Sai Indio da Costa. Entra Gabeira de vice de Serra


Esse é o sonho de consumo de nove entre 10 tucanos emplumados. Fernando Gabeira é do PV de Marina. Perdeu a eleição para governador do Rio de Janeiro. Mas é mais forte ali do que seu colega Indio da Costa, do DEM, atual vice de Serra.
Por ora, nenhum líder do PSDB topa sequer celebrar a ida de Serra para o segundo turno - quanto mais admitir uma eventual troca de candidato a vice.

Marina Silva dará uma entrevista coletiva em São Paulo, logo mais. Dirá que houve de fato uma "onda verde". E agradecerá os milhões de votos recebidos.
Quanto à sua posição no segundo turno: Marina pretende apresentar a Dilma e a Serra uma espécie de pequeno programa de governo voltado, principalmente, para a área ambiental.
O candidato que subscrever o documento poderá ganhar o apoio dela.

sábado, 25 de setembro de 2010

2º turno só se rivais do PT virarem 5 milhões de votos

no Estadão via blog do Noblat

José Roberto de Toledo
As oscilações registradas pela pesquisa Ibope se devem principalmente à conversão dos indecisos. Eles caíram de 8% para 5% em uma semana e beneficiaram os candidatos de oposição.
Com isso, a soma de brancos, nulos e indecisos chegou a 10%. Está muito próxima do que foram os brancos e nulos na eleição de 2006: 8,4%
Logo, a fonte de votos dos indecisos está se esgotando como fator de crescimento dos oposicionistas. Na semana que falta até a eleição, José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) precisarão, necessariamente, "roubar" eleitores de Dilma Rousseff (PT) para conseguir levar a eleição para o segundo turno.
Não é uma tarefa fácil. Dilma tem cerca de 10 milhões de votos a mais do que a soma dos adversários. Se cooptarem metade, ou seja, 5 milhões de eleitores, haveria uma boa chance de segundo turno. Isso equivale a virar 625 mil votos por dia, de hoje até a eleição.
Para isso ocorrer, é necessário um fato novo. As denúncias apresentadas até aqui contra a candidatura da petista parecem estar perto do limite de seu impacto eleitoral.
A queda da ministra Erenice Guerra, da Casa Civil, teve um impacto limitado sobre a eleição.
Apenas 27% dos eleitores souberam da demissão, tomaram conhecimento que a causa foi a acusação de que filhos da ministra intermediaram negócios com o governo e acham que isso é verdadeiro em algum grau. Mas 1 em cada 3 desses ainda vota em Dilma.
Na prática, apenas 9% dos eleitores admitem que o caso influenciou ou pode influenciá-los: 4% dizem que já mudaram de candidato e 5% afirmam que estão repensando seu voto. Porém, os percentuais são iguais para os eleitores de Dilma e de Serra. Logo, eventuais mudanças podem anular umas às outras.
A exigência de dois documentos para poder votar (título de eleitor e um documento com foto) não parece ser um fator decisivo no resultado da eleição.
Nada menos do que 95% sabem da exigência e estão preparados para levá-los à urna. Não há diferença nisso entre os eleitores de Dilma e de seus adversários.

sábado, 4 de setembro de 2010

Feriadão feliz!!!

Sem brilho, Coxa é derrotado pelo Guará
Se a eleição fosse hoje, pelo Datafolha, a candidata do PT venceria no primeiro turno. Teria mais de 50% dos votos válidos --os dados apenas aos candidatos, descontados os brancos e os nulos.
Nessa conta de votos válidos, Dilma tem 56%. Serra tem 32%. Marina vai a 11%. Os percentuais são semelhantes aos da semana passada: 55%, 33% e 10%.




No último minuto, Maikon Leite dá a vitória ao Atlético sobre o Avaí

sábado, 21 de agosto de 2010

Dilma abre vantagem de 17 pontos sobre Serra, segundo pesquisa Datafolha

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Pesquisa do Instituto de Pesquisas Datafolha encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo e divulgada neste sábado (21) mostra a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, com 47% das intenções de voto. O candidato do PSDB, José Serra, aparece em segundo lugar, com 30%. A candidata Marina Silva, do PV, está em terceiro, com 9%, e os demais candidatos não atingiram 1% da preferência dos eleitores. Os eleitores que ainda não sabem em quem votar ou não responderam totalizam 8% e os votos brancos e nulos, 4%.

Essa é a primeira pesquisa Datafolha desde que começou a propaganda eleitoral no rádio e na TV. Os que declararam ter visto a programação pelo menos uma vez somam 34% dos entrevistados.

A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram feitas 2.727 entrevistas em todo o país e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 24.460/2010.

Se levados em consideração apenas os votos válidos, os números da pesquisa apontam que a candidata petista venceria a disputa ainda no primeiro turno. Na pesquisa Datafolha anterior, divulgada no dia 13, Dilma tinha 41% das intenções de voto, Serra 33% e Marina Silva 10% da preferência dos eleitores.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sem reviravolta à vista, estagnação já ronda Serra e Marina


no blog da Christina Lemos


Recebo com alegria a colaboração do  professor e analista político Leonardo Barreto, para quem, se não houver fato novo ou mudança de estratégia de campanha, os adversários de Dilma Rousseff rumam para a estagnação e a eleição caminha para um resultado previsível. O principal fator a imobilizar a oposição seria o forte desempenho político do presidente Lula.
Leonardo Barreto*
A eleição presidencial 2010 está transcorrendo como os velhos conhecidos enredos de novela: lenta e previsível. Claro, há sempre a promessa de mais emoção no próximo capítulo. Mas o desfecho parece inevitável.
As pesquisas mostram  Dilma em trajetória ascendente (com exceção da Datafolha, para quem a ex-ministra já atingiu um teto) e  Serra e Marina em situação de estagnação. Além disso, no caso do tucano, todos os institutos afirmam que ele não ganha um voto novo sequer desde setembro de 2009.
A explicação é simples. Dilma é a expectativa de continuidade de um governo que, aos oitos anos, bate recordes de aprovação e popularidade. As pesquisas apontam que o eleitor age com racionalidade econômica, depositando seus votos na continuidade de um projeto que combina baixa inflação, expansão do crédito e políticas distributivas.
Dessa forma, criou-se a expectativa de que apenas o desempenho pessoal dos candidatos poderia mudar esse cenário pró-Dilma. Especialmente no que toca a um possível mal desempenho da petista (que começaria a “pedalar em uma bicicleta sem rodinhas”) e performances brilhantes de Serra e Marina.
Entretanto, não foi isso o que aconteceu no primeiro debate presidencial,realizado na semana passada. Apesar das dificuldades com a câmeras de TV e com situações que exigem espontaneidade, Dilma saiu-se relativamente bem, pois seu papel, de maneira geral, limita-se a apresentar indicadores de políticas governamentais.
Além disso, a tarefa da petista é facilitada porqueSerra e Marina ainda não sabem como se portar em relação ao governo Lula.
A estratégia de enfrentamento direto, ensaiada por Índio da Costa nas últimas semanas, foi desacreditada pelos resultados das últimas pesquisas, que permaneceram como estavam ou indicaram o aumento da diferença entre Dilma e Serra, como mostrou o último levantamento CNT/Sensus.
Portanto, Serra continua mais conservador, com críticas focadas nos setores onde o governo Lula possui menos de 50% de aprovação (saúde e segurança). O risco é que a exploração dessas áreas não seja suficiente para alavancar o PSDB.Não há notíciasde candidaturas vitoriosas, no Brasil ou no exterior, que não tenhamcomo base a empolgação das pessoas quanto à expectativa do aumento de renda, consumo e trabalho.
É inevitável deixar de perceber que Serra se parece com aqueles personagens que a história, vez por outra, escolhe para aprontar suas travessuras. Em 2002, ele era a opção de continuidade e as pessoas queriam mudança. Hoje, ele representa a mudança em um cenário que favorece a continuidade.
Por sua vez, Marina não conseguiu se desvincular do PT. Foi Plínio Sampaio que notou que a senadora continua defendendo as políticas do governo Lula como se fossem suas.
Dessa forma, como ela espera estimular as pessoas a mudarem de time?
Deve-se ressaltar também a falta que uma estrutura partidária faz. O PV ainda é uma ficção, que combina o progressista Fernando Gabeira e o conservador Zequinha Sarney na mesma panela. Não há organicidade nem densidade eleitoral. A prova disso é que Marina só tem palanques estaduais em onze unidades da federação, todos lançados pelo próprio PV, com chances reais apenas no Rio de Janeiro (Dilma tem 42 palanques nos estados e Serra 24).
Por tudo isso, mantidas as atuais condições de temperatura e pressão, a novela presidencial parece caminhar para um fim previsível e inexorável. O clima morno favorece o time que está ganhando e caso Serra e Marina não consigam descobrir como mudar o tom, os próximos debates servirão apenas para “cumprir tabela”.
*Leonardo Barreto - é professor da Universidade de Brasília e da UDF Centro Universitário, cientista político e titular do blogwww.casadepolitica.com.br

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Um papinho com... Tom Zé!



“Olha, eu ia votar em Marina, mas como ela estava se tornando uma candidata de facção religiosa, optei por Plínio”, disse Tom Zé, ao fim da entrevista que fizemos por ocasião do lançamento do seu DVD O pirulito da ciência, pela Biscoito Fino, sábado, no Circo Voador. E Tom Zé é exatamente como mostra essa sua frase: sincero e constantemente pensante. Prova disso é a entrevista que você confere aqui. E a gente avisa em primeira mão: vem por aí biografia do músico escrita por Marcus Preto.

São quantos anos de carreira mesmo, Tom Zé?

– Quando o (Charles) Gavin propôs que eu gravasse esse DVD com um apanhado da minha carreira, eu ainda nem tinha feito a conta. Cantei na TV, pela primeira vez, em 1960, quando decidiram chamar o que eu fazia de música. Então são 50 anos.

E a sensação é boa?

– É ótima! Ainda mais para mim, que morri várias vezes no cenário brasileiro. Isso acabou me obrigando a todo ano fazer coisas que nunca tinha feito e sempre renascer. E notei que tenho atraído um público cada vez mais jovem. Porque a música é apenas o envelope, o que eu produzo é uma proteína chamada rebeldia e o jovem necessita desse alimento. Por isso, ele consome meus produtos e minha vida. Não sou uma alma livre, sou funcionário dessas pessoas.

Algum momento difícil durante a feitura do DVD?

– Quando assisti à primeira filmagem eu disse: esses câmeras estão loucos! Eles precisam me filmar mais. Não dá para, enquanto estou me mexendo, filmarem outros detalhes, porque eu não acredito na minha música só como canto, eu preciso me expressar com o corpo, de tal forma que a performance modifica a música.

Está contente com a realidade brasileira de hoje?

– É um país que todo ano descobre uma Serra Pelada, ou seja, uma nova fonte de riqueza imensurável, em um solo de povos tão diferentes, mas que permanecem unidos. Quer dizer... Para esse país ir mal tem de fazer muita esculhambação. Muitos políticos estão tentando, mas não a ponto de arruinar tudo.

Assistiu ao primeiro debate presidencial?

– Eu não! Assisti à semifinal da Libertadores. Política não vence futebol. Fora que não tenho interesse em ver os candidatos repetindo os mesmos truques, os discursos ensaiados, as chantagens... Mesmo que só tivesse isso para ver, fecharia os olhos.

domingo, 25 de julho de 2010

Apesar da Igreja

no blog da Ruth Bolognese


A candidata à presidente, Dilma Rousseff, PT, foi corajosa ao afirmar que aborto é questão de saúde pública e não religiosa. Ela respondeu às manifestações do bispo de Guarulhos, SP, dom Luiz Gonzaga Bergonzini que recomenda boicote dos fiéis à candidatura petista por causa das declarações de Dilma. Campanhas políticas são importantes para debates espinhosos como aborto, uso de maconha, pena de morte, etc, etc, e geralmente os candidatos fogem como podem do que consideram “cascas de bananas”. Dizem que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso perdeu a eleição para prefeito de São Paulo, para Jânio Quadros por causa de uma pergunta arrevesada do jornalista Boris Casoy se acreditava em Deus. Jimmy Carter, com aquela cara de pastor protestante do Interior norte americano, respondeu que só traía Rosanlyn em pensamento e Bill Clinton admitiu que fumara maconha na juventude, porém sem tragar. Cada um joga para a platéia como pode, mas apesar da negação de fé Deus em País católico, FHC foi eleito presidente duas vezes. Já Carter, com sua pureza presbiteriana, não conseguiu ser reeleito e Bill Clinton teve que explicar fumaças bem mais intrigantes no exercício da presidência, como a do charuto e a estagiária, lembram?

É claro que uma mulher-candidata à presidência traria à tona perguntas sobre o aborto. O fato de dona Dilma não ter caído na armadilha de fazer uma médiazinha com a Igreja Católica, é significativo. Milhares de mulheres morrem todos os anos no Brasil por causa dos abortos feitos em clínicas clandestinas, se é que podem ser chamadas de “clínicas”, e segundo um levantamento do SUS no Instituto do Coração em São Paulo, entre 1995 e 2007 foram realizadas 3.1 milhões de curetagens,  primeiro lugar entre 1 568 procedimentos médicos. Curetagem, como se sabe, é uma cirurgia que se faz após um processo abortivo.

Ora, diante de números como esses, fazer média com representantes da  Santa Madre e se dizer contra o aborto em qualquer circunstância, pode ser considerado um crime hediondo e contra as mulheres. Espera-se que a outra candidata, dona Marina Silva, PV, também se manifeste nesse sentido, mesmo sendo evangélica declarada e se refira aos seus eleitores como “Povo de Deus”. José Serra, PSDB, já deixou claro, em outras eleições, que pensa como a adversária Dilma. Todos eles podem suscitar oposição nas camadas mais moralistas do eleitorado, atrair para si uma idiotice como essa do bispo Bergonzini, mas estarão dando um passo importante para corrigir distorções de uma sociedade que ignora o óbvio para continuar cometendo seus próprios pecados. Um dos exemplos mais absurdos da rendição de governantes e autoridades sanitárias às maluquices da Igreja Católica está na África: a Aids se tornou epidemia em alguns países africanos porque, entre outras crenças, padres e bispos impuseram às populações a condenação ao uso da camisinha.  Pode um negócio desses?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A 3a geração das políticas sociais, segundo Marina

no Estadão via blog do Nassif

Marina propõe unir todos os programas sociais do País - politica - Estadao.com.br

WELLINGTON BAHNEMANN - Agência Estado

A pré-candidata à presidência da República pelo Partido Verde (PV), a senadora Marina Silva, propôs hoje a integração dos programas sociais da União, Estados, municípios e iniciativa privada por meio de um cadastro único, aproveitando-se da base de dados do programa Bolsa Família. A proposta, batizada de "3ª Geração de Programas Sociais", tem como objetivo a "inclusão produtiva das pessoas" na sociedade. "Além dos benefícios, os programas sociais precisam permitir que as pessoas passem de beneficiários para protagonistas", disse Marina, em coletiva de imprensa realizada hoje na capital paulista.

A alcunha de "3ª geração" se refere ao que Marina classificou de uma evolução nos programas sociais brasileiros, que inicialmente eram baseados em uma política assistencialista. Segundo a pré-candidata, essa tradição foi rompida com o programa federal Bolsa Família, que transfere renda às famílias carentes desde que cumpram certas exigências, como a matrícula dos filhos nas escolas. "O mérito do programa Bolsa Família foi permitir conhecer quem são os pobres do Brasil. Com isso, criou-se um importante canal de comunicação com essa população", acrescentou Ricardo de Barros, coordenador dos programas sociais da campanha da pré-candidata do PV.

O "passo além" proposto pelo PV é de que, a partir dessa base de dados, outros programas sociais desenvolvidos pela União, Estados, municípios e iniciativa privada possam ser acessados pela população de maneira integrada e personalizada, com base nas necessidades especificadas de cada núcleo familiar. "O objetivo é criar um plano de desenvolvimento individualizado, permitindo que as diversas oportunidades cheguem às pessoas", afirmou De Barros, ressaltando que a intenção da proposta não é a de criar novos programas sociais, mas sim coordenar as iniciativas existentes.

Para cumprir este objetivo, a proposta prevê a expansão e o aperfeiçoamento do cadastro único para programas sociais. "A ideia é que só exista uma única porta de entrada nos programas sociais", afirmou o coordenador. Outra medida é a separação de quem oferece os programas sociais de quem seleciona os beneficiários. Hoje, o mesmo órgão oferece o programa social e escolhe as pessoas participantes, algo que a proposta de Marina pretende eliminar. A seleção dos beneficiários seria feita por meio de uma "Rede de Agentes de Desenvolvimento Familiar", que seria criada.

A figura do agente familiar é um ponto central na proposta do PV. Serão estes funcionários que irão: selecionar quem são os beneficiários e quais são os programas que irão participar; estabelecer com as famílias os planos de desenvolvimento personalizados; e monitorar a evolução dos beneficiários até que estes alcancem a gestão plena. "As famílias se comprometerão a cumprir as contrapartidas exigidas. É como se fosse firmado um contrato social", afirmou De Barros. Cada agente terá a missão de acompanhar 50 famílias. O desafio, porém, é grande, já que o Brasil conta hoje com 15 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Durante o evento, Marina Silva ponderou que o plano ainda está em sua fase conceitual, e que os detalhes serão aprofundados posteriormente. Com isso, alguns pontos não estão totalmente claros, como os custos da iniciativa, o número de agentes necessários para trabalhar no projeto e a disposição dos governos estaduais e municipais em abrir mão do processo de seleção dos beneficiários de seus programas sociais. "O custo de implementação da proposta não é orçamentário, mas sim de gestão e política", comentou De Barros. O pesquisador do Ipea disse que o projeto foi inspirado na experiência chilena em políticas públicas sociais

Na mesma linha, Marina sugeriu a otimização do uso dos agentes comunitários que já visitam as famílias nos demais programas sociais do País, o que reduziria a contratação de novos funcionários no setor público. Como exemplo do benefício da otimização dos recursos existentes, citou um projeto iniciado em 2003 no âmbito do governo federal no combate ao desmatamento, que contou com a atuação integrada dos Ministérios da Defesa, da Justiça, do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e de Ciência e Tecnologia. "Ao final de quatro anos, tivemos um investimento de R$ 390 milhões que diminuiu o desmatamento de 27 mil quilômetros quadrados para os atuais 7 mil quilômetros quadrados", exemplificou.
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Comentário do Nassif

Ricardo Paes de Barros é considerado um dos grandes estudiosos de políticas sociais do país. A proposta é a primeira ideia nova concreta nessa campanha. E segue a lógica das integrações interministeriais e federativas que vêm sendo tentadas há pelo menos 12 anos.