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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Brasil faz o mapa genético do vírus da gripe suína

Marcelo Gigliotti, Jornal do Brasil

RIO - Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), no Rio, já mapearam as primeiras sequências genéticas do vírus da gripe suína presente no Brasil. As amostras foram colhidas dos dois pacientes moradores da Ilha que estiveram internados no Hospital do Fundão. O vírus presente no país é similar ao que está circulando no México e nos EUA. O que significa que kits para diagnóstico produzidos nos EUA servem para identificar a doença por aqui. Além disso, o tratamento feito por lá, à base de antivirais, tem potencialmente a mesma eficácia no Brasil.

– O sequenciamento realizado aqui abre caminho para montarmos kits de diagnóstico no país – diz o virologista Fernando Motta, da Fiocruz, que participou do trabalho.

O mapeamento é fundamental para acompanhar uma possível a evolução da doença no Brasil e para apontar tratamentos mais adequados, caso ela ocorra.

– Os vírus influenza mudam muito na sua composição genética. Ter uma referência, um marco inicial, é fundamental para identificarmos as mutações – diz Motta.

Perigo

E é justamente na mutação que está o perigo. De acordo com o virologista, o vírus da gripe suína entra em circulação no Brasil no mesmo momento em que começa a temporada dos outros tipos de vírus da gripe comum: o H1N1 humano, o H3N2 e o influenza B.

– Então, estes vírus podem se rearranjar com o vírus da gripe suína. E o que pode sair daí é uma incógnita. Um novo rearranjo pode ser menos ou mais letal – comenta.

Por isso, diz o pesquisador, a temporada do influenza comum no Brasil e no Hemisfério Sul vai ser chave no futuro desta doença.

– No Hemisfério Norte, o vírus circulou sozinho, pois a temporada de gripe comum já tinha acabado. Agora, o potencial de mutação é muito maior, justamente pela presença de outros vírus.

O sequenciamento genético do vírus da gripe suína no Brasil levou cinco dias para ser feito, a partir de amostras de células da mucosa nasal e da garganta de três pessoas infectadas no país, duas delas do Rio, da Ilha do Governador – a outra é de um morador de Minas Gerais. O trabalho foi feito no Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do IOC, da Fiocruz, o mesmo que vem fazendo os diagnósticos da gripe suína no país.

As seqüências foram registradas no National Center for Biotechnology Information, dos EUA.

Para identificar o vírus que circula no Brasil foi feita a comparação com o vírus colhido em vítimas da gripe suína nos EUA.

Os pesquisadores brasileiros optaram por sequenciar o gene da proteína de matriz (Proteína M) do vírus, uma das mais importantes na estrutura viral. Ainda falta sequenciar outros sete genes, que tornarão mais preciso o trabalho de acompanhamento da evolução, se houver, do vírus no Brasil.

Patentes

Segunda-feira, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu em encontro em Genebra que inovações tecnológicas que permitam aprimorar a detecção do vírus e o desenvolvimento de medicamentos, e vacinas sejam tratados como bens públicos. A posição foi defendida na abertura oficial da 62ª Assembleia Mundial de Saúde. Temporão sustenta que a Organização Mundial de Saúde (OMS) deveria articular licenças voluntárias para a produção de remédios e vacinas. O número de casos em monitoramento no Brasil caiu para 20 segunda-feira. São 8 confirmados até agora.

O influenza nacional

Amostras

As amostras do vírus da gripe suína foram colhidas de dois pacientes do Rio que pegaram a doença. Um cotonete especial fez raspagem nas mucosas do nariz e da garganta dos jovens. O vírus se reproduz nas células destas mucosas.

Laboratório

O vírus da gripe suína encontrado foi isolado no laboratório da Fiocruz e comparado com o material de vírus influenza A recebido dos EUA. O trabalho durou 5 dias.

Similar

Descobriu-se que o vírus que circula no Brasil é similar ao que causou epidemia nos EUA e no México. Portanto, o tratamento e o diagnóstico podem seguir os métodos empregados com sucesso no exterior, como o uso de antiviral.

Mutações

O mapeamento genético serve como referência para acompanhar as possíveis mutações do vírus no Brasil e assim planejar estratégias para tratamento e diagnóstico da doença no país.

Inverno

Com a proximidade do inverno, outros três tipos de vírus da gripe comum circulam no país. Com isso, é muito provável que eles se misturem.


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