Os dados oficiais revelam um cenário pra lá de alarmante: uma em cada quatro crianças do Brasil nasce de mulheres com menos de 20 anos. Fora isso, o parto é a 1ª causa de internação na faixa etária entre 10 a 14 anos.
Os motivos da gestação precoce são variados e não se trata exclusivamente da falta ou desconhecimento dos métodos anticoncepcionais. Pesquisa da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo revela que 70% das adolescentes grávidas são de famílias onde a mãe também engravidou muito cedo.
De acordo com a ginecologista Albertina Duarte, coordenadora em São Paulo do Programa de Saúde da Adolescência, muitas meninas sabem com prevenir a gravidez, mas são emocionalmente vulneráveis e “ficam como escravas, totalmente submissas” ao parceiro. "São inseguras com relação ao carinho das mães e das amigas e acabam apostando todas as suas fichas em um relacionamento", alerta a médica em entrevista à Agência Brasil.
Sem perspectivas para o futuro, jovens pobres são as mais atingidas
Marilúcia Picanço, pediatra e professora da Universidade de Brasília (UnB), aponta outro problema: “As políticas públicas para o jovem não deveriam estar focando somente os métodos de prevenção, pois falta é uma perspectiva de vida”.
Neste caso, os motivos estão atrelados ao baixo desenvolvimento econômico e social que atinge principalmente as periferias das regiões Norte e Nordeste, onde os índices de gravidez na adolescência são maiores que no Sul e Sudeste.
Nas classes média e alta, existe maior apoio familiar e a perspectiva dos estudos, da faculdade e construção de uma carreira. Para as meninas mais pobres, além da falta de diálogo com a família, os relacionamentos começam cedo demais e muitas vivem sem qualquer horizonte para seu futuro.
Orientação dos pais, educação sexual nas escolas e outras políticas públicas específicas que previnam a causa do problema são os caminhos para reduzir esse meio milhão de gestações precoces. Emergencialmente, uma das alternativas é o uso da chamada “pílula do dia seguinte”, oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e defendida por Marilúcia, entre outros profissionais de saúde.
Há ainda forte preconceito quanto ao uso do medicamento, que deve ser tomado, no máximo, em até 72 horas após a relação sexual sem proteção. A pediatra explica que o remédio “não é abortivo." Segundo ela "é um contraceptivo oral, com uma dosagem maior, que vai impedir a fecundação.”. A pílula, porém, não evita o risco das doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids.
Assista a dois vídeos produzidos pela Agência Brasil:
No Brasil, o número de adolescentes que engravidam chega a 500 mil por ano
A maioria das mães adolescentes abandona a escola para trabalhar
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